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Reflexões sobre Escrita

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Aqui o assunto é um só: o amor pelas letras! Letras que geram letras. Vontade de sempre escrever, de pensar arte escrita com textos em que Tammy pensa essa maneira louca que escolheu para viver. Escrever, escrever, escrever!!!

"Acho que quando partir, quero estar com um livro nas mãos..." (Tammy Luciano)

Todos os textos escritos no Reflexões sobre Escrita são de Tammy Luciano. Eles foram registrados na Biblioteca Nacional. Respeite o direito autoral!

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Reflexões sobre Escrita...ano de 2006!

 

Menina Boazinha Malvada é fenômeno na internet!!!

15 de setembro de 2006, sexta-feira.

Alguns dias, sinto um arrepio na alma. Minhas letras definitivamente na mão do mundo. Eu escolhi tudo isso. Repito sempre isso para mim. Tenho mais é que jogar para o alto minhas palavras e que elas se propaguem por aí. Mergulhem, viajem, sigam e conquistem as pessoas. Mesmo assim, apesar de repetir esse mantra da liberdade, ainda me assusto quando me vejo por aí, andando pelas pessoas e escutando minha voz em suas bocas.

E no meio do corre-corre que é minha vida, a Marielly Freitas me escreveu a seguinte mensagem: "Olá! O motivo que me fez achar você foi a frase daquele poema "Menina boazinha malvada" que já vi em muitos profiles e saí atrás da autora. Desculpa a curiosidade, viu? Você mesma que escreveu? Você já viu em quantos perfis ele está, em fotologs, blogs e afins? Queria saber mais do seus trabalhos e onde posso comprar? Obrigada e desculpe a minha invasão!"

Meu Deus, se todas invasões fossem positivas assim. Alguns dias, tem gente que invade da pior maneira, se acha dono de mim, fala a vulgaridade que quer e vai embora. Eu quero muitas Mariellys educadas, me tratando tão bem e me deixando recados tão importantes.

Corta para a próxima cena. Euzinha fazendo busca na internet e chocada com o número de meninas que coloca a MINHA poesia Menina Boazinha Malvada para explicar quem são. Meu Deus, quantas meninas falando minhas letras! No orkut, minha poesia fica no "quem sou eu" de tanta gente que fiquei vesga... o que eu fiz? Bem, a Lidy, querida, fez uma comunidade para avisar que a poesia é minha e eu estou pedindo que as meninas coloquem a autoria. Vamos ver se elas me ajudam...uma delas já me respondeu, dando parabéns e dizendo que a poesia é a cara dela. Vale dizer, que meu poema já tinha uma outra comunidade. Agora são duas... risos...

Alguns dias, com mais frequência atualmente, sinto que meu trabalho se encarregou de se fortalecer por si. Chega uma hora que a lei natural dos acontecimentos acontece natural por sua própria lei.

 

As flechas do coração que precisam ser duas...aqui e lá!

03 de abril de 2006, segunda-feira.

Não sei ao certo como explicar como me sinto bem escrevendo. Não sei imaginar minha vida sem poder escrever e reparo claramente que os dias em que passo escrevendo ficam com um sentido, um bom humor e uma alegria. E é tudo muito sutil, como um perfume de jasmim que somente um minuto depois as pessoas sentem no ar.

Escrevo porque amo, porque acho que só sei fazer isso... escrever... é isso que eu lembro quando acordo e é sempre a última coisa que faço antes de dormir... e é escrevendo que eu falo dos meus dias, dos dias das personagens que invento, da vida que levo e da vida que quero levar.

Seguindo com o pensamento...

Outro dia, conversando com um amigo sobre gostar, não gostar de alguém e poder controlar isso em nós, coisa que acho impossível, meu amigo disse saber mandar no coração dele. Eu respondi: Pessoinha desculpa dizer mas se você está conseguindo dar ordens para o seu coracão é porque ele não está com uma flecha espetada dentro dele. Ele disse: "eu mando... pior que mando... tanto que eu separei a hora que quis, pesei sozinho... e depois voltei... eu sei trabalhar meus sentimentos, basta eu querer". Eu tentei dizer ele é o único ser do planeta Terra a conseguir isso. Não foi difícil prever: Quando você cair de paixão por outra me conta se manda mesmo no seu heart. Paixão é querer pegar o carro no meio da noite para encontrar, é escutar uma música e o coracão disparar . Ele cometou que "então a coisa comigo deve estar hiper forte como nunca antes, rs!". É, quando não estamos apaixonados, nós esquecemos a força da paixão e do encontro. Quando estamos envolvidos, com nosso coração flechado, sabemos a força de uma história e a falta de controle do nosso sentimento. Ele disse que aprendeu a mandar em si, " você aprende a lidar... para não se machucar. Não gosto tanto, porque não permito gostar." Quando ele estiver flechado vai refazer esse discurso. Não porque eu sei das coisas, mas porque as coisas sabem da gente.

Ah, se sentir fosse realmente assim, se a gente fosse patrão dos nossos passos e cabeça da nossa mente... a gente não pode controlar o que sente, mas pode deixar o amor próprio falar mais alto e lembrar que ser maltratado não é carinho, ser usado não é gostar e ter que esperar por alguém nunca vale a pena. Mas amar e se deixar ser amado é o melhor da vida. E o bom é quando o cupido flecha aqui mas não esquece de flechar lá.

 

 

Textos, nomes, eu e os dias...

17 de abril de 2006, segunda-feira.

(Foto: Eu!)

Alguns dias, volto a mim e me vejo mais forte do que antes, como se em algum momento essa força vá ser importante para meu crescimento profissional. Escrevo. Sigo. Finalmente, tirei da gaveta dois projetos que tinha medo de realizar. Duas peças de teatro. Texto meu, não preciso pedir autorização de ninguém para montá-las. Aliás, nessas horas, aliás, em muitas outras, eu agradeço muito saber escrever. E nós vamos produzir as duas peças esse ano. Digo vamos, porque não tenho do que reclamar. Estou bem acompanhada de pessoas que estão com o mesmo gás que eu para ver essas montagens montadas. :O)

Enquanto finalizo uma das peças, falta quase nada, a cena final apenas, dei um tempo no meu livro. Volto semana que vem. Imagino. E ontem, estava aqui no micro quando uma amiga me pediu ajuda, querendo saber minha opinião para a história dela com um ele, que, aliás, eu conheço. Difícil me meter, sair dizendo o que ela deveria fazer. Fui na resposta clichê, mas do fundo do coração. Disse que ela deveria seguir a intuição dela. No fundo, a gente sempre sabe se aquilo deve ser ou não. E só a gente sabe como foi, se vai acontecer de novo... muitas vezes, a gente pede a opinião do outro quando já sabemos a resposta, ou quando não sabemos mas só cabe a nós saber.

Preciso dizer, sou péssima com títulos. Meu quarto livro está aqui sendo escrito e esperando um nome decente que seja satisfatório. Livros são vendidos pelo título. Um bom título diz tudo e um ruim acaba com qualquer chance. Por isso, tenho me dedicado bastante a encontrar um rótulo bom para os meus produtos literários. Já escolhi título tão ruim que depois tive que mudar. É preciso levar muito a sério a escolha da nomeclatura de um trabalho. Até porque dá tanto trabalho! Aliás, tem uma pessoa que é ótima para encontrar título bom. Meu amor anda dando uns palpites maravilhosos. Só posso agradecer nossos papos, seus comentários sobre meu trabalho e sobre as coisas que escrevo.

 

 

As letras, sem ponto final, desejando o sempre.

21 de março de 2006, terça-feira.

  (Foto: No carnaval, eu fui, literalmente, para o paraíso. Amei aquele lugar, os amigos que foram comigo, meu coração completo ao lado do meu lindinho... perfeito! Fica a foto aqui para dividir com vocês um pouquinho dos dias que adorei viver!)

Estou escrevendo uma nova peça de teatro. Depois que descobri o mundo dos livros, deixei um pouco de lado minha escrita teatral. Meus amigos, as pessoas queridas que montam meus textos, vivem reclamando que não posso deixar de produzir para o palco.

Eu vivo escrevendo, mas a sensação é de que escrevo bem menos do que deveria. Eu juro que queria ser uma máquina de escrever, dessas ativas todo o tempo, com muitas letras nascendo, textos novos o tempo todo...

Se passo a tarde escrevendo acho que foi pouco, se escrevo cinco folhas, acho que é quase nada. Se não termino a história, fico me cobrando o ponto final. Odeio deixar as histórias pela metade. Até porque se paro, nunca mais volto. Ficam aquelas vidas pelo meio, sem ponto final. Sei exatamente como terminariam as histórias que não acabei. Estão aqui, com os personagens no meio das frases, decepcionados comigo. Por isso, preciso encerrar cada peça, cada livro... e não sei imaginar esse temporal do bem terminando dentro de mim.

Alguns dias, penso que meus filhos ainda vão demorar a chegar, mas quando eu for embora, eles terão muito da minha presença com eles. Meus textos são o que de melhor tenho em mim.

Aprendi, definitivamente, que o amor é a única coisa forte nesse planeta. Quem não o tem ao alcance das mãos, não tem nada. Amor, amor, amor, amor, amor... meu amor. Amor! Meu amor!

 

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Reflexões sobre minha escrita...ano de 2005!

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Amiga de mim...

15 de julho de 2005, sexta.

(Foto: Eu. ponto.)

Eu olho e me vejo. Poema de mim no meio da madrugada. Dias sem sono, vontade enorme de ver o tempo apenas como um tempo. 

Ainda bem escrevo.

Fiquei deitada no chão do meu quarto, olhando o nada. Algo existe de interessante no mundo do nada que me encanta e me estimula a pensar. Me acalmo tanto. Me vejo em dias coloridos, correndo de um lado para o outro, feliz. O nada que eu preencho da maneira que eu quiser. E como ensinam os indianos: vamos ver o melhor, mentalizar as imagens boas... 

É possível que eu tenha medo de mim. Só eu sei como me agredir da pior maneira. Quem tentou competir comigo só fez cosquinha. Mas eu sim, quando quero me magôo fácil em mim. Profundo. Sem volta, anos para cicatrizar. Por isso, penso antes de me fazer chorar, antes de maltratar o corpo e me arrepender depois. Nada de ontem me abala, as certezas que tenho hoje do meu futuro são certas e jamais minha cabeça foi tão exata. Exata na falta de exatidão assumida que é ser eu. Essa pessoa que não quer dar satisfação, não quer ser o que o outro é, quer apenas poder acontecer como sempre quis, sonhou e lutou.

E sabendo disso, ando disposta a me fazer feliz. Há algum tempo sou minha defesa, meu escudo, minha amiga sentada na beira da cama, me pedindo mais paciência, mais fé na vida e mais coragem. Não me quero metade em nada, me quero inteira, pronta para o mundo e os mergulhos da vida. Me abraço e me prometo seguir do meu lado, nós duas em uma. E mesmo me sentindo só, me sinto acompanhada. Mesmo acompanhada, não esqueço de mim, sou a pessoa que mais me conhece e mais entende meu código.

É assim que estou esses dias. Leve. Deitada no chão do meu quarto, olhando o nada, mas um nada colorido.

 

 

Melhor...voltar a pensar...

03 de junho de 2005, sexta.

(Foto: Euzinha fazendo pose!)

Voltei a pensar...depois de andar parada nos pensamentos, em crise total de neurônios, voltei a pensar. Por vezes é bom o corpo falhar, o meu falhou, a mente doer, a minha doeu e a gente entender que mesmo longe da paz, a gente pode buscar dias melhores.

Quando de alguma forma nossa existência quer pausa, devemos dar essa pausa. Eu dei. Para mim é quase como um castigo, afinal não gosto muito de parar meus pensamentos ou ficar sem escrever com mais ritmo. Era necessário. Depois da Bienal, deixei os textos de lado um pouco, fui pensar na vida. A Bienal foi um furacão, recebi tantas informações, tantas idéias de uma vez, precisava refletir.

Voltei a pensar. Estou com dois projetinhos, incluindo meu livro 4 e um outro que é ainda um rascunho de idéias, e espero logo adiantar esses projetos. O livro 4 resolvi mudar alguns detalhes importantes que vão mexer, principalmente, em algumas características das personagens. Imagino que dessa forma elas estarão mais próximas de quem curte ler meus textos. Sim, pessoinhas, de tanto conversar com vocês, acho que já sei mais ou menos quem são.

A vida voltou a mim. O sangue parece estar correndo de novo. Espero não ser alarme falso. 

 

 

Sem saber até onde vou...

06 de junho de 2005, segunda.

Olho para os lados, perco os limites da vida, até onde meu trabalho consegue atingir o coração das pessoas? Nunca sei ao certo quantos leitores tenho, se meus textos estão por aí, quem está vendo minhas fotos, sabendo de mim. Já entendi que jamais terei essa resposta. Quantas pessoas leram meus livros? Quem já veio aqui nesse Blog? Quem sabe de mim e fica interessado em saber dos meus dias? Uma moça diz que está louca para ler meu romance. Eu também estou louca para lançar. É uma história de amor. História de amor nunca é demais, né?

E você? Sim, você! Até onde acha que vai? Sim, aquelas suas palavras, ditas para alguém, o que mudaram na vida do outro? Sua presença, o que você acha que causa nas pessoas? Até onde elas caminham pensando em você? O quanto nos deixamos dentro de alguém? Sim, não são apenas os escritores e suas letras que mergulham nas almas alheias. Todos nós, seres humanos, influenciamos pessoas e mais pessoas. Ninguém passa sem ser notado nesse mundo. Até os mais ditos insignificantes modificam outros seres. O homem andando com trapos na rua me faz pensar na pobreza humana, nas mazelas do meu país que eu gostaria de mudar ou ajudar a melhorar.

O mundo é uma grande troca de ações. Eu me sinto olhada todos os dias, nas pessoas que observam meu trabalho, mas pode acreditar que você também é olhado. Sua ação invade o outro, fica nele, segue por aí. Nós somos pedaços de nós se espalhando pelo mundo, se unindo com outras energias, somando e diminuindo pensamentos de várias formas. Jamais se sinta menor, não olhado ou sem importância. Não existe isso no planeta! Temos que valorizar nossa existência, na certeza que de alguma forma nossa presença faz girar sentimentos,  pensamentos e energia pura!!!

Então vou indo, deixando você pensar em coisas boas, fazendo girar girar girar girar pensamentos de luz, pensando em tudo que você pode fazer para fazer seu mundo melhor. Melhor, melhor, melhor...nossa missão é sempre para melhor...sempre, sempre, sempre... 

Eu tenho ido para onde vocês estão me levando, na crença desse carinho todo e de mergulhar no meu trabalho que me faz MUITO feliz!

 

 

O Zuenir gosta de ler e por isso escreve. 

11 de junho de 2005, sábado.

Claro que eu aproveitei a Bienal para comprar livro! Eu estou indo toda noite dormir mais tarde lendo lendo lendo. Adoro ler. Talvez por isso...escritora.

Outro dia, me impressionei com o Zuenir Ventura dizendo no que ele não gosta de escrever. Ele disse que escreve porque é o trabalho dele, é o sustento, e porque adora ler. Na minha cabeça fez algum sentido. Não todo, mas algum. Realmente, quando a gente lê um livro maravilhoso, fica pensando porque não foi a gente que disse aquela frase, não criou aquela personagem, não lançou aquele livro. Outras vezes, eu penso: De onde essa fulana tirou esse pensamento? Que máximo!

Alguns dias, quando alguém elogia um texto meu, faz algum comentário de uma frase, eu penso que isso é melhor do que elogiar o livro todo, a pessoa foi no detalhe, entendeu aquela mensagem profundamente, fez bater o coração com aquela declaração, eu fico me perguntando se alguém que já leu um livro meu quis ser escritor. Vá saber!

Por que eu gosto tanto de escrever? No meu caso é visceral. Lembro de um namoradinho que eu tive há muitos anos atrás, tudo que ele me fazia, eu escrevia. Ele enchia a minha paciência e eu jogava no papel. Ele me magoava e eu contava todos os detalhes em uma agenda. Nunca tive coragem de dizer o que realmente sentia para ele, mas o papel registrava todos os podres do rapaz. Por isso, fiz um exercício tão profundo de dizer verbalmente meus sentimentos. Por isso também nunca quis fazer análise. Sempre me analisei lendo dias depois, mais isenta dos sentimentos, aquilo que escrevi. Hoje em dia então, quando leio minhas agendas adolescentes, acho muita graça! O Ed esteve aqui, acho que tô afim dele. O Guto me ligou! e por aí vai...

Fiquei pensando no Zuenir. Oh, meu Deus, escrever porque é trabalho. Pensei em dizer a ele dos meus dedos nervosos que saem falando pelos dedos sem que eu queira, do escrever sem pensar em ganhar nada com isso, mesmo hoje em dia já ganhando alguma coisa. O Zuenir disse que seu livro novo ele até gostou de escrever. Até gostou? É inevitável pensar se Zuenir gostasse de escrever profundamente o que sairia de dentro dele. Fico sem saber se amando, odiando ou aturando a arte de escrever modificamos o resultado dos nossos textos. Quem gosta mais escreve melhor? Talvez isso não faça a menor diferença. Conheço gente que acha o máximo escrever e não consegue realizar uma linha. Outros que passam mal jogando sua alma no papel e depois duvidam até que escreveram aquele texto. 

Os mistérios da escrita. Quem sou eu para explicar. O que eu sei é que o Zuenir gosta de ler e por isso escreve.

 

 

Não penso nisso. Vou escrevendo...

15 de junho de 2005, quarta.

(Foto: Euzinha fazendo careta e pose, testando o cabelo novo...)

Outro dia, uma pessoa comentou que acha loucura esse mundo que eu vivo, pessoas lendo meu Blog, lendo meus livros, lendo meus textos, lendo minha alma. 

Não penso nisso. Vou escrevendo...

Tá certo que nunca imaginei minha vida  seguindo pelo caminho da escrita dessa maneira. Acabou acontecendo e está cada dia maior, cada dia melhor, cada dia mais especial. 

Esse meu mundo é mais calmo do que muitos imaginam. Fico horas aqui na frente do micro, tentando escrever alguma coisa, confesso que meu livro novo está um nó só, estou mudando as características da minha protagonista, isso muda muita coisa no que pensei antes. Então...risos...se não tiver uma musiquinha de fundo, vou seguindo aqui em um silêncio aterrador. 

Viagens na cabeça. Vejo cenas, ouço falas, vejo beijos, sinto os sentimentos das personagens. Mudo algo, elas reclamam, quem manda sou eu, pelo menos no meu romance. Vou escrevendo direto, sem dividir capítulos, uma bagunça só. Mudo um momento da história. Semi-deus, sem nenhuma pretensão de ir além disso, porque não quero mexer no destino real de ninguém. Mudo a vida das pessoas apenas nos livros. 

O mundo dos livros é bom, é lindo e me faz feliz. Posso garantir...

 

Diário da Bienal - dia 01- Eu sou Mais Feliz que a Lolita!

13 de maio de 2005, (de quinta para...) sexta.

É claro que estou MUITO cansada, passei a noite passada praticamente em claro, nervosa, tensa, andando pelo quarto, pensando nisso e naquilo. Adoraria ter uma equipe junto comigo, pessoas pensando, quando preciso, mas não quero pensar. Só que resolvo tudo sozinha, recebendo quando dá uma ajuda especial dos familiares e amigos. Vocês, meus leitores queridos, ajudam demais emocionalmente.

(Foto: Euzinha em dia feliz!)

Enfim, agora sou uma Pessoa Bienal. Andei pela feira emocionada demais por estar no evento. Não estava tocando música nenhuma na hora, mas foi como se estivesse a melhor de todas as melodias. O estande onde estou é pequenininho, o Paulo Ferraz e sua esposa são queridos, hoje o evento foi visitado mais por lojistas do que por pessoas físicas, dizem que primeiro dia é assim mesmo, mesmo assim tudo foi lindo e já vendi livrinhos. Vou repetir: já vendi livrinhos!!! Tô feliz. Muita gente elogiou o livro, comentou a qualidade e já fiz alguns contatos bons, porque a feira tem todo esse lado de encontros especiais.

Em uma das voltinhas rápidas que eu dei, encontrei a Thalita Rebouças feliz com o sucesso dos seus livros. Ela é nome importante na feira, uma das escritoras convidadas para eventos desse ano. Você merece, pessoa! Gostei demais do seu recado aqui no Blog. Sucesso para nós!

Como o dia estava calmo, assisti uma entrevista com a Lolita Pille, a francesa que escreveu Hell, no Café Literário. Sim, fiquei cara a cara com a moça! Sei lá, apesar dela ser milionária, vivemos a era do dinheiro manda trazer felicidade, ter 20 pessoas bajulando, olhei nos seus olhos e vi uma tristeza no canto, um sorriso sem sorriso. Sabe aquele papo de tudo fácil demais? Nasceu milionária, decidiu virar escritora, lançou fácil seu primeiro livro, isso tudo dito por ela mesma, e agora vem como convidada VIP da Bienal do Livro no Brasil. Ai, tédio! Me vi nos olhos da moça ao contrário. Meu nome não está na programação oficial da feira, ninguém sabe muito bem que eu tô lá, aliás, não sabem nem quem sou eu, eu estou pessoalmente vendendo meus livros e mostrando meu trabalho, mas quer saber? Sou mais feliz que a Lolita Pille! Eu estou conseguindo as coisas na maior luta do bem, em uma batalha longa, mas com resultados contínuos e crescentes. Pela primeira vez na vida sei exatamente quem sou e o que eu faço. Mesmo que eu esteja na Bienal na condição de batalhadora, sem que ninguém se preocupe muito comigo, o melhor está no peito, pendurada, minha credencial de AUTORA!!! É, eu sou mais feliz que a Lolita!

 

 

Chegou o dia! Eu vou para a Bienal do Livro 2005!!!

12 de maio de 2005, quinta.

(Foto: Essa foto foi tirada no dia da Leitura de Negro Boi. Eu com figurino da personagem Joana. O elenco atrás de mim fazendo os últimos ajustes. Esse dia foi muito especial, por isso escolhi essa foto para comemorar o início da Bienal. Viva o mundo dos livros!)

Início da Bienal. Já estive várias e várias vezes na feira, sonhando com o dia que estaria lá com meus livros. Em uma das vezes, consegui me ver, sorrindo, meus livros na mão. Não via a carinha deles, mas estavam ali, estariam um dia. Por isso, falo tanto sobre acreditar no sonho. Hoje, sinto uma emoção enorme com a realidade conquistada. 

Se a gente puder ver o sonho, acreditar como verdade, ele acontece. Vai ser especial demais estar no evento, poder encontrar as pessoas lindas que já falo virtualmente, aqueles que me conhecem na vida real e quem jamais me viu, mas vai poder conhecer minha história. Eu vou amar encontrar cada um de vocês!!!

Eu sei que a feira é um evento comercial, empresas mostrando produtos, escritores divulgando sua arte, negócios e mais negócios sendo feitos, mas se a gente parar para pensar no astral, na energia, todos aqueles livros juntos, nossa, fico arrepiada de pensar que vou estar na reunião mais intensa dos livros no ano de 2005 no Rio de Janeiro. Se alguém souber de um evento maior que esse, please, me avisa! Que Deus abençoe cada livro naquela feira e que a magia das palavras, das histórias atinja mais e mais leitores.

E meu dia foi tão corrido! Tão corrido! Imagina, ainda tinha tanto para arrumar. Mandei fazer umas filipetas para avisar alguns amigos da Casa dos Artistas sobre onde ficarei na Bienal. Também fiz essa filipeta com o endereço do meu site, assim quem sabe conquisto novos leitores? Também fui fazer a unha, afinal, mereço, né? Tive que mandar e-mail para uma turma enorme. Confesso que ainda estou mandando. Estou enviando de trás para a frente. Se seu nome começa com A de Amanda, você ainda não recebeu meu convitinho, viu? Vai receber ainda hoje, estou aqui mandando para todo mundo. Se não receber, reclama que eu mando!!!

A Orient Mix mandou um banner lindo para colocar no estande. Eu também preparei um cartaz com a carinha dos meus dois livrinhos para colocar na Casa dos Artistas. E no meio disso, com que roupa eu vou? Ainda preciso levar o quadro com a foto da Fernanda, vários livros, coisitas mais e tudo que der para receber você no maior carinho! Chegou a hora! E o coração está batendo forte, forte, forte!!!

 

 

Mais sobre o livro e o projeto...

03 de maio de 2005, terça.

(Foto: Eu ri muito quando vi essa foto. Olha a cara da pessoa, completamente boba com o filho novo na mão! Dá para notar a alegria nos olhos pequenininhos? Eu tava quase chorando...passei o dia todo assim!)  

Novela de Poemas. foi um período de investigar coisas novas, tentar novos caminhos na tentativa de fazer arte. Eu espero que vocês gostem de cada detalhe. Primeiro, apesar da simplicidade do livro, ele não tem orelha, não tem 300 páginas, é magrinho, com poemas escolhidos carinhosamente para a história do casal do livro. Sim, Novela de Poemas fala de um encontro, de um casal e vai contando o encontro deles em capítulos, em poemas...

Junto com o livro, fui fazendo outras tentativas, quadros pintados com trechos do livro, marcadores de livros pintados por mim. Eu queria fazer um projeto para me apresentar de outras formas. 

Conversando com um dono de uma livraria, ele disse que talvez eu confunda leitores, apresentando um segundo livro que nada tem a ver com o primeiro. Tá, eu fiz uma biografia e já disse algumas vezes que não farei outra. Fernanda Vogel foi minha única missão biográfica e eu não tenho vontade de escrever outra biografia. Fui muito feliz no livro da Nanda, missão mais do que realizada e, dificilmente, outro projeto semelhante vai me realizar da mesma forma. Por isso, não aceitei os convites que recebi para fazer livros de famosos. Dinheiro não me diz tudo. Quero seguir meus projetos pessoais mesmo. 

Por que então recomeçar com um livro de poemas? Continuo esperando para decidir quando vou lançar A segunda vez era amor. É um livro muito especial para mim, mas eu tenho uma idéia para ele, por isso essa espera. Se esse ano a coisa não formatar, ele sai ano que vem do jeito que Deus ajudar. E aí vou tentar cumprir um livrinho por ano. Esse ano, pretendo acabar de escrever o livro 4...e estou fazendo pesquisa para o livro 5 que pretendo escrever em 2006. A história é muito maluquinha, por isso quero seguir esse ano todo pesquisando.

No mais, deixo com você um pouco mais sobre Novela de Poemas! Coloquei fotos de quadros, marcadores de livros e mais detalhes do novo Book. Me diz o que achou? Ah! Também atualizei o link dos meus livros. Coisa boa demais!!!

E no meio disso tudo, eu dou aula na Casa dos Artistas. Mesmo que muita gente não entenda o que eu ainda faço lá, eu exercito meu teatro e encontro quem está afim de me encontrar. Não sou lá um ser humano fácil de entender. Nem quero. Sou assim mesmo, vai anotando aí para resumir: ela quer mesmo ser feliz...do jeito dela!

 

 

Meu livrinho! Meu segundo livrinho!

02 de maio de 2005, segunda.

(Foto: Essa foto não tem nenhum tipo de montagem. Foi feita por um desses acasos lindos da vida. Se é que existe acaso nessa vida. Se eu quisesse não saía melhor. Os raios de sol, eu com meu livrinho na mão, mostrando para você a cara do meu novo filho...)

Tanta coisa aconteceu na última sexta-feira que o coração ainda está processando. Prometo contar as emoções da semana passada durante os próximos dias. Primeiro, fui encontrar meu livro. Imagina como foi encontrar meu segundo filho literário? Afinal, como devemos preparar o coração para encontrar pronto um livro que escrevemos? Fiquei muito emocionada quando vi a caixa fechada, com os livros dentro. Coração batendo forte. Abri lentamente aquele pacote enorme, presente delicioso que eu mesma enviei para mim.

Assim que abri, nossa, alegria total. Meu livrinho estava literalmente com a minha cara, do jeito que eu queria. Posso dizer que participei ativamente da idéia da capa. A primeira versão, eu não gostei muito, apesar de ter entendido a idéia da editora. Conversei com eles, explicando que tinha tanto de mim no livro, eu queria algo mais a minha cara. Tá, não imaginei que fosse ficar tanto...risos...fiquei muito feliz! Estou MUITO feliz!

Na verdade, meus projetos sempre foram para mim uma certeza, mesmo que muita gente ao redor não me achasse capaz, mesmo que tudo parecesse muito distante, mesmo que eu não conseguisse me explicar melhor, fui, fui, fui e ainda vou, vou, vou...meus sonhos de escrita, de projetos que ainda quero fazer, um de cada vez, o sonho de realizar cada dia, cada degrau, cada encontro com minha profissão. Atriz? Jornalista? Escritora? Preciso escolher? Dizer? Quero apenas ser eu, seguindo os caminhos que escolhi, sem brigar com destino, confiando que Deus vai me ajudar, me trazer o melhor. Sempre.

Novela de Poemas está aqui comigo, ao lado de Fernanda Vogel na passarela da vida (meu sempre obrigada Myrian Vogel!) e a cabeça cheia de idéias, pensamentos e agradecimentos. Os primeiros dias de um livro ao lado de seu autor são muito especiais. A gente fica meio mãe babona, olhando o filhote novo, rindo sem saber porque e um sentimento enorme de realização que em alguns momentos a gente esquece o motivo, mas rapidamente lembra e tudo vira uma paz enorme.

Meu livrinho está aqui no colo. Tô boba, boba, feliz, feliz, realizada.

 

Vamos lá! Com vocês, Novela de Poemas...

14 de abril de 2005, quinta.

Eu acredito nas coisas que eu penso. Tem dias que não é nada disso, o pessimismo toma conta de mim, eu me acho a maior idiota da parada, a pior de todas, mas sou salva na porcentagem. Afinal, no saldo geral, estou 92% do tempo otimista, acreditando nos meus projetos e crendo que tudo pode se realizar, basta eu acreditar e confiar.  

(Foto: Leia esse texto até o fim para entender meu sorriso na foto!)

Depois que lancei a biografia da Fernanda, me orgulho muito do meu livro, fiquei meio sem rumo. Afinal, jamais havia vivido algo tão grande e especial em minha vida. Era como se minha missão tivesse começado ali. Escrever, escrever, escrever. A atriz que existe em mim também ama escrever, a jornalista que me habita prefere criar, por isso nenhum conflito se instalou no meu ser desde que me vi como escritora profissional. Nossa...que responsabilidade!

No meio de tantos pensamentos, escrevi o romance "A segunda vez era amor". O livro preferiu ficar por aqui, guardado na minha intimidade, ainda não aconteceu. As pessoas me perguntam porque não lancei. Porque confio no destino, porque acredito na palavra mais forte do céu, porque quando for para ser, vai ser.

E depois de "A segunda vez era amor", que nem lançado foi, o que vai vir? Quantos e-mails eu recebo de gente do Brasil todo me pedindo um segundo livro. Quanta responsabilidade! Acabei deixando a arte me levar pelas mãos, os dias correrem. Quando vi, estava com a carinha em um novo projeto, que chamei de Novela de Poemas. Um livro com meus poemas como se fossem uma só história, a vida de um casal unido por poemas escritos com sentimentos meus.

Escreveu mais um livro? Lançar que é bom nada! Resolvi parar com meu medo, mandei o projeto para uma editora que trabalha com esse estilo de literatura e Iupi! Eles acabaram se interessando pelo meu trabalho. Acredite se quiser, meses correram, eu, emocionalmente cheia de perguntas, dei para trás, pensei em não lançar livro nenhum com poemas nenhum. Nem poeta eu sou, meu Deus! 

Mudo de parágrafo. O tempo corre. Eu volto a ter contato com as pessoas da editora que desde o início tão carinhosamente me receberam. Para eles, tudo continuava de pé. Santa paciência. Voltamos a falar do projeto, das minhas idéias e Novela de Poemas foi tomando forma, forma, forma. Tanta forma que virou um projeto maior. Será um livro de poemas, com telas que pintei ao longo desse período de criação do projeto, vinte telas em tinta óleo, marcadores de livros, também pintados por mim, mais um pequeno recital de poemas que estou ensaiando com o meu querido Raphael Janeiro e direção do Marcio Navarro.

A coisa foi tomando tanta forma, foi ficando tão certa na minha cabeça, o medo foi embora, resolvi preparar um projeto e mandar para algumas empresas e ver no que daria. Se alguém desse patrocínio, tudo seria mais fácil. Esperei alguns dias. Alguém quis conversar comigo, marcamos uma reunião. Lá fui eu de flor na camiseta, cheia de fé no peito e na alma. Apresentei minha idéia, mostrei o que posso fazer para corresponder o carinho de me darem apoio financeiro, falei, falei, falei. 

Final da reunião, a dona da empresa puxou um talão de cheques e me perguntou: "De quanto você precisa?". Pois é. Voltei para casa com o dinheiro para realizar Novela de Poemas. Enquanto estava preocupada em contrato, em dar à empresa a certeza de eu ser uma pessoa honesta, fiz questão de deixar meus dados, assinei meu acordo com eles, a Jô, dona da empresa, me tranqüilizou, dizendo: "Leva esse dinheiro e realiza seu projeto. Eu só quero isso. Ajudar alguém com um projeto bonito e cultural".

Gente, não vou mais falar nada. Estou emocionada demais. Só quero agradecer a Orient Mix, a empresa trabalha na área de fitoterápicos, por acreditar no meu trabalho e me dar a chance de crescer ainda mais na minha carreira. Não posso esquecer da Marcia que desde a primeira vez que viu meu projeto, tentou me ajudar. Obrigada! Valeu para todo mundo que vem aqui e deixa uma esperança. Essa alegria hoje quero dividir com vocês. Obrigada.

 

 

Aly McGraw fez sua escolha e mudou o rumo da sua vida para sempre...

28 de março de 2005, segunda.

Outro dia, comprei em um sebo que eu sempre dou uma passadinha um livro chamado "Adeus Love Story". Você deve lembrar  ou já ter escutado falar do filme "Love Story", sucesso da década de 70.

(sinope de Love Story: Oliver Barrett IV (Ryan O'Neal), um estudante de Direito de Harvard, conhece Jenny Cavilleri (Ali McGraw), uma estudande de música de Radcliffe. Um rápido envolvimento surge entre eles e o casal decide casar. No entanto, Oliver Barrett III (Ray Milland), o pai do jovem, que é um multimilionário, não aceita tal união e deserda o filho. Algum tempo depois de casados, Jenny não consegue engravidar e, ao fazer alguns exames, descobre estar muito doente).

"Adeus Love Story" me chamou atenção pelo título, acabei comprando, sem esperar muito, imaginando ser apenas a autobiografia de Aly McGraw, estrela de um dos filmes mais românticos já feitos, contando detalhes das filmagens. Errei no achismo. O livro foi lançado em 1990, quando Aly tinha 50 anos. Pensei logo de cara como estaria hoje a atriz no auge dos seus 65. Fiquei muito impressionada com os detalhes de sua vida, além do filme que a colocou no estrelato. De cara, a dificuldade de viver um grande sucesso no cinema e depois ter que conviver com a falta de convites para atuar em filmes bons. Nunca mais ela faria um outro grande sucesso. Chegou a atuar em outros filmes, teve orgulho deles, mas jamais foi novamente levada ao topo do estrelato. Ficaria para o resto de sua atuação profissional à margem do mundo dos grandes sucessos cinematográficos.

Louco também ler e viver um pouco do amor de Aly com Steve McQueen. Com ele, ela viveu um amor intenso, por vezes maldoso e único, jogando para o alto um casamento feliz com Bob Evans, com quem teve o filho Joshua, achando que poderia ser mais feliz do que já era. Felicidade deve ter seu limite. O cotidiano não nos preenche intensamente feliz como um todo. É preciso entender as regras dessa vida para não esperar mais do que não vamos ter. Em mundo de gente que mata gente, ter alguém do seu lado, viver um amor é uma dádiva. 

Voltando ao livro, por causa de Steve, Aly abandonou o cinema por seis anos. Isso a faria sofrer muito. Quando tentou voltar ao mercado de trabalho, não conseguiu nenhum papel especial que pudesse fazê-la retomar a carreira. Depois de ser uma das estrelas mais comentadas do cinema, virou alcoólatra, viciada em sexo, acabou terminando seu casamento com Steve, tentou voltar depois, mas o ator casaria com outra e morreria alguns anos depois de câncer. Caberia a Aly a sensação superficial de investir em relacionamentos sem nada de verdadeiro e profundo. Sexo por sexo. Só conseguiria se reencontrar quando decidiu se internar, assumir suas doenças e enfrentar suas dores.

O livro me fez pensar fundo em sentimentos. Refleti como uma escolha pode mudar sua vida para sempre. A gente toma uma decisão, achando ter sido a certa, mas vai pagar dentro da gente o preço do caminho errado. Você decide sua vida em um segundo e pode passar meses, anos, pensando no que foi e no que se transformou. Você tinha tudo e de repente perdeu. Ficou só ou com alguém que na verdade não faz você feliz, quando antes tinha a felicidade, mas não sabia como tratá-la. Steve era violento com a atriz, batia nela e a fazia infeliz para se sentir melhor, com jogos emocionais e muita pressão. E mesmo o desejo enorme mútuo e intenso não os acrescentou em nada e só os fez confundir ainda mais a cabeça. 

Ao fechar o livro, só consegui pensar nisso, nas escolhas. Aly mentia a felicidade para si. Quando a verdade veio, estava afogada em mentir para o mundo, bebida e sexo. Ainda bem, conseguiu superar tudo isso. Encontrei fotos antigas e atuais dela na internet e hoje, já senhora, tem um sorriso de quem superou o vazio. Se Aly não tivesse escolhido Steve McQueen, poderia ser uma atriz de renome mundial. Porque determinação para isso, ela tinha.

 

 

O processo de Tammy Kafka..rs

10 de março de 2005, quinta.

Fui escrever um pouco meu livro. Hoje em dia, o bruto do texto vai para um caderno. Na hora de digitar para o computador vou fazendo as mudanças calmamente, lendo e relendo, aumentando uma frase, cortando outra, repensando sentimentos. Mudo muita coisa nesse ritual, o primeiro texto nunca fica igual ao definitivo.

Para explicar melhor, eu tenho um caderno 1 em que escrevo paralelo a um caderno 2. O caderno 1 fica com o capítulo ímpar e o 2 com o par, vou alternando assim para poder levar para a rua um caderno que se eu perder vou perder no máximo um capítulo do meu Book. E, claro, vou passando todo esse material para o micro. Ainda tenho comigo um caderno 3 para fazer algumas anotações ou pensamentos menores sobre as personagens. Nesse momento, o caderno 3 tem servido para o Blog, porque acabo colocando pensamentos que depois acabam nesse nosso espaço. Saiba também que escrevo MUITO MAIS do que coloco nessa página. Muita coisa acabo desistindo de publicar, arquivando para a eternidade. Não me censuro mas me veto algumas vezes, entende?

Tudo isso é para dizer que essa semana o caderno 1 sumiu por duas horas. Eu tinha coisas do caderno 2 para passar, mas ainda restava material do caderno 1 para ser colocado no micro, ou seja, qualquer desaparecimento nesse meu cotidiano de escrita atrapalha o andamento do trabalho. Cadê o caderno 1? Enquanto isso, aproveitei para atualizar umas coisas no site, dar uma pensada no livro, mas render trabalho mesmo não rendeu. Aliás, esse trabalho de escrita é lento mesmo. Fico horas aqui, vou ver troquei as horas de uma tarde toda por três parágrafos. 

Enquanto o caderno 1 se escondia, pensei até em escrever da cabeça mesmo, esquecendo esse cotidiano dos cadernos, mas aí os próprios personagens vieram de mansinho, reclamando que aquela parte do livro já haviam vivido no caderno, não iam repetir a cena só para me facilitar a vida. Eu que fosse atrás da preguiça, brigasse com ela, tomasse jeito na vida e achasse o tal caderno. Sim, senhoras e senhores, personagens me chateiam quando os mais amo. Eles tinham razão e eu estava errada. Fui procurar o caderno. Não achei. Só mesmo depois, quando estava saindo para a Casa dos Artistas vi que o meu lindo caderninho 1 estava caído do lado da poltrona do escritório onde trabalho, escrevo e passo grande parte da vida.

Essa explicação toda foi só para contar: hoje passei o dia com a cara no micro, adiantando a vida literária. Escritor é assim mesmo. Escreve, escreve, escreve só para contar uma coisinha. 

 

 

Vomitando para seguir...

03 de março de 2005, quinta.

Não tem jeito, eu sou um ser emocional. Tá, já tentei ser mecânica, técnica, máquina, fria, superior, mas não sou. Penso com o coração, faço minhas escolhas pelos sentimentos, trato as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas têm. Ando pelo mundo com o coração batendo forte...sempre!

(Foto: Outro dia, uma pessoa me escreveu dizendo que adora minhas fotos de pé. Então, aqui mais uma...como minha câmera foi levada de mim, vou desengavetar umas fotinhas legais...) 

Ontem, passei muito mal, vomitando horrores, meu organismo colocando para fora coisas que me fizeram mal escutar, coisas que me fazem mal sentir novamente. Sou assim mesmo, quando algo me incomoda o físico avisa e vem logo aquela dor de cabeça, aquele enjôo. Hoje, estou melhor, bem melhor e colocando aqui as energias no que é importante e está valendo a pena.

Voltei a escrever meu livro. Timidamente. Voltei. Essa é uma maneira positiva de vomitar meus pensamentos. Não sei se um dia serei só escritora, mas escrever é uma maneira muito especial de me sentir viva. Fiquei com pena das minhas personagens, congeladas no tempo desde outubro, quando dei uma parada no livro. O engraçado é que parei em um momento forte, um descobre mentiras de um personagem sobre o outro. Abri o rascunho e está lá o personagem masculino com a boca aberta congelada, louco para falar, mas impedido por mim. Ele voltou a viver hoje...risos...

No mais, as coisas estão andando...para a frente! Assim que der, conto mais... 

 

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Reflexões sobre Escrita 2004!

 

 

A arte clara de Claudia Letti...

de Tammy Luciano (escrito em 27 de novembro de 2004) 

A noite foi especial. Conheci pessoas que só sabia a carinha pela tela do micro. Imagina que sensação! Eles pareciam famosos, com aqueles rostos tão familiares. Gente que eu conheço há algum tempo, mas jamais tinha dado um abraço especial. Lançamento do livro da Claudia Letti lá na Arte Clara foi uma noite agradável.

Primeiro, foi maravilhoso assistir ao vivo o bom humor da Claudia. Depois, melhor ainda, ver de perto a alegria da autora em lançar Onde não se responde. Parabéns! Desejo luz e sucesso no seu caminho de escritora. Sou apaixonada pela delicadeza da sua escrita, Claudinha!

Quem também estava lá foi a Paulinha Foschia. Gente fina toda vida, a Paula é a dona do Epinion, site que eu indico, porque visito todo dia. A conversa foi animada e o maridão da Paula, o querido Polzonoff estava implorando a gente para desacelerar, porque ele queria ir embora. Duas escritoras-mulheres-tagarelas só podiam falar muito e ter uma história atrás da outra para contar.

O engraçado da noite foi a Paula me escutando falar e resumindo a surpresa: "Eu imaginava sua voz completamente diferente". Ela disse que imaginava minha voz fininha. Pessoas, se alguém também imagina pode tirando da cabeça! Herdei do meu paizão, esse cara é demais, a voz quase rouca. Tenho um emitir de som forte e grave. A Claudia imaginava minha voz assim mesmo...ficamos as três rindo. Esses encontros virtuais quando se tornam reais são sempre agradáveis e cheios de comentários engraçados!

(Na volta, desejo enlouquecido de comer uma comida especial, só servia aquela. Fomos eu e ele terminar a noite realizando a vontade mútua. Voltamos para casa cantarolando no carro...e falando da lua)

Aproveitando a existência dos meus amigos escritores, criei uma página para mostrar a arte dessa turma. Com vocês, meus amigos escritores!

 

Frida Kahlo que gosto de ver...

de Tammy Luciano (escrito em 18 de novembro de 2004) 

 

(Acabei de ler o livro de Frida Kahlo e fui para um canto escrever. Pensamentos mais pesados que os meus. Pelo menos, rendeu um texto e ficou o exercício da literatura, porque o que mais quero é melhorar minha escrita).

Me interessa pensar na arte. Mesmo que eu não saiba os limites dos meus passos, tentando entender para onde estou indo. Digo e entendo que nós podíamos falar mais sobre arte, mas não falamos. Com poucos, consigo pensar e conversar sobre o mundo que quero viver. Adoraria ver nossa arte brasileira mais divulgada, organizada e revelada.

Não sei quando começou, faz pelo menos dez anos, resolvi que ia aprender tudo que pudesse. Para a aluna mediana que fui, deixei o mundo orgulhoso. Os livros que pouco me interessavam viraram amigos e estão por toda a parte da minha intimidade. Virei escritora. Continuei leitora.

Pergunto para alguém sobre ela, sobre a pintora que eu adoro. Ele não sabe, sabe mais ou menos, lembrava alguma coisa, ouvira falar, não sabe. A pintora dizia: "Vamos lá para fora, para a rua. Vamos pintar a vida na rua". Eu digo que quero ir lá fora escrever a vida na rua. Mesmo que eu escreva sobre solidão, ausência, dor e deserto. Sou o deserto de mim e se não escrevo me sinto vazia demais. Quando não me desabo em letras e não escrevo seja o que for...

Me sinto só. Já não sei mais se isso é tão ruim. Cada dia mais aprendo a ser amiga de mim. Abro o peito e vejo o que tem dentro como se pudesse arrumar prateleiras e gavetas. Também tenho livros dentro de mim. Arrumo livros por assunto. Não leio tanto quanto antes, porque escrevo muito mais que antes.

Alguns dias, a gente brinca de fantasia, fantasia de Frida Kahlo. Me vejo especial em espelho de plástico. Aprendi a ser só, olhando a imagem solitária. Depois, escrevo. Alguém arregala os olhos quando falo minha profissão. Deve ser a primeira escritora que ele conhece ao vivo. Sou alguém que escreve um livro até o fim e deixa outros pela metade, por pura incapacidade. Incapacidade de dominar os sentimentos das personagens. Alguns dias, sou uma escritora bem medíocre. Ainda bem. Em outros, agradeço um monte de coisas que Deus enfiou na minha cabeça.

Eu tento. Escrevo o parágrafo seguinte. Apago. Desisto do que escrevi. Palavras descombinadas. Tenho vivido demais sem viver. Alguns dias, pensamos demais na segunda pessoa do singular e nós? Tenho vivido demais, vivendo.

Arte que exibe as entranhas retorcidas que durante o dia não mostro. Minha arte,  espelho de vidro que releio para me entender melhor. Frida Kahlo. A pintura de Frida Kahlo.

Para pensar, duas frases: Frase 1: "Surrealismo é uma surpresa mágica de encontrar um leão num guarda-roupa onde tínhamos a certeza que encontraríamos camisas". (Frida Kahlo) / Frase 2: "Adoraria ser mais desprendida do meu ego, viver menos preocupada com o que os outros pensam de mim. Se bem que, não fosse esse meu ego, jamais chegaria onde estou". (Madonna)
 

 

 

A paixão pelos livros que eu simplesmente não controlo...  

de Tammy Luciano (escrito em 29 de setembro de 2004) 

No final de semana, fui na Primavera dos Livros. Vários escritores cariocas estavam por lá. Ambiente certo para rever os amigos e trocar uma idéia com quem vale a pena. É um mundo lindo aquele de livros e mais livros. Imagino que para alguns seja chato e tedioso. Para mim, é o paraíso. Apesar de comprar bastante em sebo, descobri que adoro cheiro de livro novo e de passar a mão nas capas lisinhas dos originais. 

Ano passado, a feira foi na época do lançamento do meu Book, e eu estava, pela primeira vez na vida, vendo tudo com olhos de autora. Esse ano, foi muito especial também. Notícias boas rolando, recebi o aviso que uma distribuidora de São Paulo pediu 50 livros meus. Vale lembrar que livro não é como cd que vende rápido e muito. Livro é livro, um de cada vez, trabalho de formiguinha, 50 livros são simplesmente um presente. Amém!

Encontrei muita gente querida. Salve Jorge!, meu editor, a pessoa que acreditou nas minhas letras. Os meninos da 7Letras, André e Rodrigo, dois queridos que sempre deram a maior força para o meu trabalho. André é o cara das notícias boas!

Andando pela feira, encontrei o JP Cuenca, o garoto da vez, não sei se ele vai gostar que o chame assim. Escritor que conheci, claro, pelo trabalho em comum, está tirando onda depois que nosso Chico Buarque elogiou seu trabalho. JP, aliás, acaba de inaugurar coluna no JB. Meu amigo está bem na fita! Fiquei feliz por ele, porque é um cara bacana, talentoso e tudo de bom. Quem mais poderia falar tão bem de Carmem?

"Li um romance do Pirandello, a quem só conhecia como autor de teatro. Tenho lido bastante, existe um autor novo que gosto muito, o João Paulo Cuenca". Chico Buarque

Quem também encontrei foi o Guilherme, amigo da época de faculdade, está super envolvido com o mundo do cinema, bem realizado, produzindo comerciais e programas. É outro que também merece. Há anos, encontro Guilherme na batalha, pelo mundo das artes. Tem que ser, tem que ser, tem que ser!!! Que o sucesso venha para quem batalha. Penso nessa gente toda cheia de sonhos que eu conheço. Povo legal, pessoas de bem que eu tenho o prazer de ser amiga. Uma turma que não espera acontecer e faz antes de chegar a moda.

Não existe nada melhor que o mundo dos livros. Saí da feira, tirando foto com flor no cabelo e trazendo na bolsa dois livros maravilhosos: A paixão pelos livros, da Casa da Palavra. Parabéns para a galera da editora que fez um livro lindo com uma capa de emocionar os olhos. Um incêndio acaba com uma livraria e a foto mostra dois homens olhando na estante os livros não queimados. Um deles está lendo um livro, nos seus pés madeiras em estado carvão, restos de um incêncio que virou apenas lixo.

O outro livro que comprei foi Chico Buarque do Brasil, coincidentemente, Chico reinando aqui no Blog de hoje! O livro foi organizado pelo Rinaldo de Fernandes e pelo pouquinho que eu vi está um luxo só, com trechos de músicas, fotos e muita história sobre nosso poeta das melodias perfeitas, do teatro e da literatura.

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"Quando tenho algum dinheiro, compro livros. Se ainda me sobrar algum, compro roupas e comida". (Erasmo)

 

 

O livro escrito por Marc Levy...

de Tammy Luciano (escrito em 08 de setembro de 2004) 

 Esses dias foram definitivamente o da leitura. Li um livro atrás do outro: "Vida de gato", da Clarah Averbuck, "Tchau, Nestor", da Gisela Rao e "E se fosse verdade..." de Marc Levy. Gostei de todos, mas o terceiro me fez invadir a madrugada até chegar no final. Em várias passagens, a mente cantarolou que gostaria de escrever tão bem como Marc Levy. Um luxo só o texto. Em alguns momentos, achei que fosse chorar, mas o bom humor do autor me fez sorrir. O amor entre o casal da trama é lindo demais! A gente fica pensando se na vida real é assim. Bom demais quando é...

O livro conta a história de um arquiteto que aluga um apartamento. No seu primeiro banho no apartamento, ele nota que alguém dentro do armário parece acompanhar com um estalar de dedos a música de Peggy Lee: "Intrigado, sai da água e, pé ante pé, respira fundo, abre as portas do armário, arregala os olhos e faz um movimento de recuo ao perceber, oculta entre os cabides, uma mulher sentada, de ohos fechados, fascinada com o ritmo da música.
Arthur conclui que aquela cena, no mínimo patética, foi planejada por seu sócio - uma espécie de brincadeira - com o intuito de dar-lhe as boas-vindas. Ele só não sabe ainda que essa mulher - que só ele poderá ver dali em diante, um fantasma vivo, um corpo inerte numa cama de hospital em estado de coma profundo - irá mudar totalmente a sua vida".

(Peésse: Eu fui mês passado em uma livraria e perguntei se a moça tinha o livro do moço que escreveu a história de outro moço que encontrava uma moça dentro do armário dele, mas na verdade a tal moça estava em coma no hospital. Sei que não fui lá muito clara, mas a atendente, sem a menor vontade de ser gentil, disse que o livro em questão não existia. Pensei: Não estou doida! Esse livro existe! Ainda bem, encontrei o livro. O título estava anotado em um caderno de rascunho. Fecha Peésse e parênteses)

"E se fosse verdade..." fala de um amor difícil, quase impossível, mas possível.. Aquele amor em que o espaço físico não ajuda, o tempo não é favorável e duas pessoas podem ficar longe a qualquer momento. Um amor que fica no fino fio da vida. Arthur e Lauren tinham tudo para jamais se conhecerem e se encontrarem. Os dois viveram a lei em que de repente aquele tal de destino faz tudo acontecer.

Quando fechei o livro, depois de me despedir do ponto final da história, entendi que amores mudam vidas e passos. Amor é algo tão gostoso de sentir e viver, né?

Agora entendo, porque o autor recebeu dois milhões de dólares do mago do cinema, Steven Spielberg, que comprou os direitos da história para o cinema. Vou ficar torcendo para assistir o filme nas telonas.

 

 

Sim, senhor, as fragilidades são minhas!

de Tammy Luciano (escrito em 24 de agosto de 2004) 

Só consigo entender que preciso concordar comigo. Difícil agradar as pessoas, ser quem elas querem, corresponder ao gosto popular. Então, prefiro usar as roupas que me fazem sentir bem, deixo o cabelo como acho que fica melhor, ando com as pessoas que acredito, vivo a vida como acho que é certo, escrevo os textos que estou com vontade. Ih, isso não é bom não. A turma adora quem caminha na multidão, eu não curto ser muito igual, acaba sendo mais difícil me entender. Minhas respostas demoram mais para chegar do que qualquer outra coisa.

Devo estar aprendendo com tudo isso. Acho que sim. Nada vem de graça. A luta é dobrada e quando alguém joga na minha cara, só consigo dizer que não podia ser diferente, porque eu só queria assim. Tá, o resultado não foi dos melhores, o pensamento anda pensando coisas o dia todo e eu sei que eu devia ter feito um monte de coisas que indicaram. Ou não devia ter feito nada, porque não me arrependo do dito e feito. Tudo que fiz foi para um dia estar na vitrine, olhando meu primeiro livro sendo vendido. Os erros também me ajudaram a acertar. Eu nunca achei que minhas opções profissionais fossem ser fáceis. Ou você achou que eu achei?

Passei a noite, praticamente, em claro. Passei mal da barriga. Não foram os bolos. Foi a mente que reage intensa a tudo que eu sinto. Quando penso nisso...já vomitei na cara de quem mentia para mim. Um final de semana inteiro vomitando, porque um Ex-ex-ex-sei-lá-quem estava mentindo. Quando a verdade, mentirosa, vale lembrar, apareceu, meu vômito tinha nome, sobrenome, idade, CPF e até título de eleitor.

Vomitei a noite passada. Pensei que diabo de coisa estava vindo na minha direção. Logo, a resposta veio. Eu tenho o hábito de esperar o segundo depois para confirmar pensamentos. Penso demais. Eu diria. Penso demais mesmo. Eu digo. Escrevo na frente das pessoas e todo mundo fica horrorizado como escrevo rápido. Eu adoro escrever, faço isso todo dia há anos e anos. Então, nada mais é do que hábito e insistência. Não sei se tem esse papo de dom, de talento, antes do trabalho árduo.

Que história é essa que você está escrevendo? Um livro, respondo. Qual deles? O terceito livro? Eu chamo de livro 3, mas deixa avisar baixinho que na verdade é o quarto. Escondi o 1 na gaveta e não quero lançar enquanto estiver viva. Não gosto do livro, quem sabe depois de morta vai valer alguma coisa? Meus familiares que ganhem dinheiro em cima do que não me orgulha.

Passei mal, porque já decidi o que eu quero e fico me forçaaaaaaando a fazer o que não estou afim, só para tentar ser como querem que eu seja. Não sei presenciar gente errada. Passo mal mesmo. Detesto essas minhas fragilidades psicológicas. Se ainda fossem das minhas personagens, mas não...são minhas.

 

 

Apesar de...

de Tammy Luciano (escrito em 17 de agosto de 2004) 

Não sou de fazer coisas erradas. A vida toda foi assim. Inconseqüência só morou na minha alma. Legalmente falando, fui sempre uma garota boazinha. Nunca fiz uma tatuagem, apesar de sentir metade do meu corpo tatuado com frases que escrevi e desenhos lindos que vi ao longo da vida. Jamais tomei um porre, álcool não desce pela garganta, apesar de me sentir completamente bêbada mentalmente e gritar dentro de mim para qualquer neurônio desavisado, que cismou em passar pelo meu caminho, que ele não tem nada a ver com a minha vida. Nunca matei, também não vou, mas, dentro de mim, cadáveres de pessoas do passado, dormem mortos. Somente aos poucos, consigo mandar essa gente de ontem embora.

Dentro de mim, um mundo enorme dança, enquanto aqui fora caminho para chegar não sei onde. Adoraria ser apenas alguém sem pensamentos profundos, alguém que vive sem pensar forte, sem refletir, questionar e reclamar. Duvido que exista alguém assim no mundo e encontro várias dessas pessoas todos os dias.

Penso que ser problemática faz parte desse jeito de escrever, dessa ânsia que manda em mim e me faz sentir hora a pessoa mais alegre do mundo, hora a mais triste. Aceito conselhos, mas não sigo nada. Fico fugindo deles, porque sei que vão dar palpites na minha vida e dizer que estou completamente errada. Desde quando me acho certa? Estou apenas vivendo, pode ser? Não quero concordar com a condenação que vão me dar. Só consigo escrever que lamento muito não ser quem esperam.  Eles vão gentilmente me amar, mesmo vendo as tatuagens que carrego no corpo mental, os porres que só tomo quando estou absolutamente lúcida e os corpos que mato mentalmente e eles ajudam a esconder. Eles me amam. Eu agradeço todos os dias ainda ter um lugar para ficar, mesmo que não me sinta mais em casa. Meu lar agora é o mundo e um dia eu acho que vou ter asas maiores do que tenho hoje, mas jamais deixarei de amá-los.

OBS. Importante: Meu lado escritora é melancólico e pronto...

 

 

Não tem mais nada para dizer? 

de Tammy Luciano (escrito em 29 de julho de 2004) 

Antes era tudo longe de mim. De repente, ficou tudo mais perto. Perto mesmo. Minhas anotações já não são mais códigos indecifráveis. Eu olho, leio e me entendo. Sinto meus sentimentos mais simples. É, é. Não é, não é. O mapa para descobrir meus caminhos já não tem mais labirinto. Apenas linhas retas que me levam sem me deixar no meio da estrada. Ando sempre chegando ao alvo. Acho que por isso mesmo, ando me preocupando pouco com o que devo me preocupar pouco. Antes, as insignificâncias faziam uma diferença enorme nos meus dias. Hoje em dia, me fazem apenas entender e refletir um pouco mais sobre o ser humano. Nada mais.

Meus projetos de gaveta deixaram de ser projetos de gaveta. Ando corajosa, mostrando idéias, telefonando e marcando reuniões. Algumas horas, fico de longe me olhando e fico cheia de orgulho. Resolvi apostar no meu taco, sendo ele torto, curto ou capenga. É ele que eu tenho e pronto. Se antes, eu gaguejava para dizer quem sou, agora digo fácil: diz que é a Tammy Luciano. Quem? Tammy, do livro da Fernanda Vogel. 

Curioso foi iniciar uma conversa no trabalho, falar por alto sobre meu livro...Qual livro? Quis saber a pessoa do outro lado da mesa. Escrevi a biografia da Fernanda Vogel. Agora, virei escritora mesmo. Vou lançar um romance. A pessoa sorriu: você é a Tammy? Tammy Luciano? Sim, sou Tammy Luciano. Ainda é um pouco estranho olhar meu nome na capa do livro, minha foto na orelha, minhas letras por aí e mais ainda receber e-mails lindos que fazem meu dia diferente e especial. Sou eu sim. Nossa, já escutei falar muito de você, Tammy. Seu livro ficou lindo. Que legal! Parabéns. Tá, eu não estou acostumada com elogios. Normalmente, espero patadinhas doces do tipo: não escreveu mais nada, não? Vai ficar a vida toda se gabando da biografia da Fernanda? Arruma o que fazer, filhinha! Eu não parei de escrever um só segundinho da minha vida. Ainda cismo de escrever um Blog que ninguém comenta. Escrevo assim mesmo. É quase mecânico, viceral. Quando publiquei o livro da Nanda já tinha gastado o dedo de escrever outras coisas. É que a mídia só fala do livro. Já fui colunista, escrevi peça de teatro, roteiro e até carta de amor...foram anos de agendas intermináveis. Hoje em dia, os cadernos estão na estante cheios de palavras e frases minhas. Eu não fui e não serei apenas um livro, apesar do enorme orgulho dele.

Ei, aqui quem fala é seu ego, Tammy! Você só sabe falar de você? Ué, o Blog não é meu? Bem que eu tento variar. Ando mesmo umbigueira ou sempre tenha sido. Gosto de falar de mim. Gosto de gastar meu tempo comigo. Melhor assim...de uns tempos para cá, só direciono para somar. E está valendo muito mais assim.

 

 

 

Dia triste que eu adoraria escrever de outra maneira...

de Tammy Luciano (escrito em 27 de julho de 2004) 

Em alguns momentos da vida, a gente precisa decidir passos importantes e assumir que é hora de seguir novos caminhos. Pode ficar tudo como está, pode ser que tudo aquilo exista só na sua cabeça e ninguém mais note, mas você percebe que o tempo chegou e definitivamente está na sua vez de decidir pelo novo. A história está na sua mão. Seria lindo se fosse apenas a vida de personagens, mas de ssa vez é você mesmo, sem ficção, sem muita chance de errar no texto. A vida real é agora. 

Assim estava começando meu texto de hoje, queria falar do meu momento de pensamentos importantes, mas, de repente, uma morena muito linda ficou na minha mente, na minha lembrança. A morena que acompanha meus dias e fará sempre parte do meu currículo profissional e do meu aprendizado pessoal. A vida não é apenas alegria como meus pais durante tantos anos de infância fizeram parecer, querendo me proteger dos vazios e das angústias dos adultos.

Hoje, está fazendo três anos que Fernanda Vogel partiu.

Jamais passará um dia 27 de julho sem que eu lembre de Fernanda, uma pessoa que eu gostaria muito de ter conhecido pessoalmente, mas que conheço profundamente depois de ir fundo na sua história. Sempre que abro meu livro, olho as fotos de Fernanda, imagens eternizadas em páginas que estarão aí por muito tempo, penso que adoraria ter escrito um outro final para a morena modelo. Ela nadaria incansável até a praia, conseguiria nadar na direção da única luz presente no momento, iria sem medo e sem frio, até chegar em terra firme. A maldita terra firme que faltou na história original. Tudo não passaria de um grande susto. Eu gostaria muito de ter escrito um outro fim para aquele momento.

É uma triste ironia eu ter conseguido respeito profissional, escrevendo sobre uma história que termina de maneira tão triste. Alguns dias, precisei do apoio profundo dos amigos e familiares para não me sentir confusa no meio disso tudo. Myrian, mãe da Nanda, me ajudou muito e me deu o apoio necessário para estar no dia do lançamento do livro, um dos dias MAIS importantes da minha vida, autografando, sorrindo, realizando um sonho sem sentir culpa. Cada familiar de Fernanda que chegava com o livro na mão fazia meu coração apertar. Eu diminuia a alegria de estar lançando meu primeiro livro para dividir com eles aquela saudade sem fim.  

Algumas vezes, incomoda a frase: Fernanda foi aquela que morreu no acidente de helicóptero. Não uso a palavra morte. Prefiro partir. Lembro sempre da época do acidente, uma semana daquela tragédia na TV, nos jornais, eu vivendo minha vida, trabalhando, escrevendo uma crônica que, sem querer, foi responsável por nascer o livro. Como todo mundo, vivi esse momento, seguindo minha vida e fazendo parte da torcida para que Fernanda estivesse viva. Hoje, três anos depois, Fernanda é parte da minha família. Um quadro com a capa do livro, o rosto lindo da minha modelo preferida, ocupa uma parede inteira da minha casa. Ocupará sempre.

Fernanda mudou muito minha vida. Não só por ter meu trabalho hoje mais respeitado, mas porque ao colocar no papel sua biografia, ficar perto de seu mundo, tive a certeza que felicidade é agora. As pessoas vão embora, mas continuam vivas dentro de nós. 

(No início desse texto, eu disse: Seria lindo se fosse apenas a vida de personagens, mas de ssa vez é você mesmo, sem ficção, sem muita chance de errar no texto. A vida real é agora. Eu estava falando da minha vida, mas pensando na história do livro, consigo entender a importância dessas palavras. Não devemos mesmo deixar nada para amanhã)

Obrigada para todos os fãs queridos da Nanda que escrevem sempre. 

Por hoje é só. Vocês entendem que o dia não é lá dos mais agradáveis para mim e não será nunca.

 

 

A anemia das muitas coisas...

de Tammy Luciano (escrito em 25 de julho de 2004)  

A vida está corrida. Aquela listinha de milhões de coisas para fazer no mesmo segundo me fazem respirar fundo. Trabalhar em mais de um lugar não é lá muito tranqüilo. Ainda mais quando você sai de um trabalho no horário em que precisa estar em outro. Música alta no carro, exercício de relaxamento e alegria saindo pelos poros. Existe felicidade maior do que estar vivo, fazer da vida o que escolheu? Eu escolhi o caos da falta de tempo e tento me encontrar nos dias sem tempo e nas refeições apressadas. Meus pais reclamam que estou magra demais e posso estar com anemia. Não sinto fome e quando sinto fome, sinto sono. Durmo.

Acordo no meio da madrugada apenas para escrever aquela frase que abre uma porta enorme para outras milhares de frases. Meus verbos de palavras sinceras, de textos que contam cenas de momentos que já vivi e outros que adoraria ser a protagonista. Quando uma personagem chora, aquela lágrima já foi minha. Se escuto uma gargalhada no meio da minha história, penso que é o som do sorriso que vou dar amanhã.

Desço aquelas escadarias, encontro alguém querido e digo: Acho que não posso mais ser uma só. Preciso ser duas, três, quatro para estar em vários lugares ao mesmo tempo. O rapaz sorri. Com certeza uma de mim estaria na praia, de férias, aproveitando os dias livres que o cotidiano da vida teima em roubar, furtar e levar. Não tenho tempo para escutar aquela música até o fim. Passo batom, enquanto dirijo. Falo, enquanto escrevo. Vejo TV, enquanto leio. Tento ser algumas em mim para aproveitar o tempo. Acredito naquela teoria do tempo de hoje passar mais rápido que o tempo de ontem.

No meio do caos, onde tudo acontece, eu olho o céu e agradeçco estar atuante no meu trabalho, ter tantos pensamentos para colocar no papel. Quero mais mil livros para escrever. Quero mais mil idéias para colocar no papel. Quero mil beijos, mil noites, mil desejos, mil fontes de inspiração no meu coração.

Aos poucos, Patrícia B. vai tomando forma dentro de mim. Leio em voz alta um capítulo novo que formatei. Alguns trechos confusos, precisando explicar melhor. Minha nova personagem tem quase tudo, menos ela mesma. Eu tenho quase nada e, aos poucos, um tudo invade minha alma. Mesmo que o caos do excesso esteja em mim. Mesmo que eu almoce todos os dias, enquanto falo de trabalho.  Tudo que antes me preocupava, me faz cócegas. Coisa horrível, mas ando rindo das bobagens que fizemos, do quão pequenos fomos quando podíamos ser grandes. Eu já fui medíocre. Agora isso só interessa a mim e estou me lixando para o que pensam de mim. Não tenho mais tempo para perder. Tive. Agora não.

 

 

 

 Novos movimentos para o bem de todos...

de Tammy Luciano (escrito em 21 de junho de 2004) 

Alguns dias, escrever por aqui é chato. Fico dosando as palavras. Ao contrário do que faço nos meus livros que escrevo o que quiser, ninguém irá me pegar pelo pé, nesse espaço virtual contando alguma passagem da minha vida, todo mundo pensa que sabe o que é. Se eu falo NELE todo mundo pensa que é ELE. Recebo mensagens pedindo que eu supere isso de uma vez. Isso o quê? Eu já superei, pessoa! Tô bem mesmo. Se eu falo de uma moça, a própria moça acha que é ela. Meu passado não tem apenas um ele e uma moça.

Alguns dias, não sei mesmo ser escritora de mim...

Alguns dias, é chato imaginar que você vem aqui para ler e saber dos meus passos, mesmo não me curtindo muito...

Alguns dias, é chato aqui, mas muito bom lá fora...

Alguns dias, o frio incomoda...

Alguns dias são apenas alguns dias...

Ao invés de brigar com o mundo, entendi que existem muitos mundos dentro desse que a gente acha enorme. Resolvi seguir a vida, deixar em ontem o que era de ontem. Não vou mesmo agradar todo mundo sempre e o que está com ponto final não vale ser mexido. Foi a melhor decisão de todos os tempos. Deixei de visitar lugares que ia, achando melhor não insistir com o destino e quis mesmo caminhar por novos mundos. Não foi fácil. Alguns movimentos, a gente já faz por puro vício. Mudei ruas virtuais e reais e usei a palavra recomeço sem restrição.

Depois de uma decisão como essa, você pode reencontrar quem for do mundo de ontem e não sentir mais nada. Olha fotos que antes falavam por si e elas parecem paradas no tempo, esperando que o pó se encarregue de levar todo o resto da imagem. Isso para mim foi o grande desafio dos últimos meses. Deixar para trás quem o ciclo havia encerrado, pessoas que não me queriam bem, gente que havia me interpretado errado, porque ninguém é no todo bom e nem no todo ruim, e ser apenas eu, alguém comum como todo mundo.

Quem me conhece sabe o quanto seguir em frente era desafiador aos meus olhos. Tinha mania de voltar para ler, de ficar para ver, de lutar para ter. Hoje não mais. Um dia, parei e disse CHEGA porque me feria, insistindo em ter amizades que não eram amigas e tentando criar laços que jamais seriam atados. Quero, hoje, quem me quer. Resolvi ser aceita por quem me aceita. Aprendi a ser boa companhia para mim e estou achando que me divirto mais do que antes em situações que seriam uma verdadeira escravidão. Os amigos que ficaram quero tê-los com amor, porque no final só fica mesmo o bom e belo amor.

Todos esses pensamentos não são uma forma de rebelião contra ninguém. Apenas uma vontade enorme de acertar, sem atrapalhar o mundo das pessoas. Tocar meu mundo sem interferir no seu e entender que mesmo não sendo desejada, nada impede que eu seja feliz. É mais ou menos por aí...

Se a roda tá girando, tá valendo. Vamos seguindo e realizando, porque essa é a missão!

Até...Beijos no seu coração...

 

 

Pedidos na mesma noite estrelada...

de Tammy Luciano (escrito em 20 de julho de 2004) 

De repente, tudo ficou claro e as peças voltaram ao lugar. Esquizofrenia pura, vendo gente onde não existe e assistindo cenas sem o menor vínculo com o real. Minha amiga mental, aquela que vive a me dar conselhos sobre o ser e o ser da melhor maneira possível, diz que preciso parar de colocar coisa onde não existe. Só mesmo um fim de semana lindo, com dias tão bons para me lembrar do quanto necessito tirar férias do meu lado escritora que inventa argumentos de roteiros tristes. Os dias são normais, sem os ditos conflitos da trama acontecendo toda hora. Existe a vida simples, sem personagens doentes.

Fico calada, porque assim sei dizer que não quero. Fico na minha para explicar o quanto a vida me ensinou a esperar. Lembro dos dias anteriores em que sonhava com alguém como um só. Lembro das barras que forcei em cenas artificiais só para acreditar que ia valer a pena lá na frente. Nunca valia. Alguém querido me disse que a vida começa com um projeto de vida. Descobri que projetos de vida começam com um torcendo incondicionalmente pelo outro. Eu torço por você, quero rasantes no céu límpido do seu caminho. Vai chegar, vai ser, vai vencer, porque a vida quer, você merece. Eu não tenho mérito nisso. Estou apenas na torcida.  

É impressionante como os dois personagens conversam, trocam idéia, falam dos desejos, como suas vontades estão começando a ser as mesmas. De repente, o ciúme que não existia apareceu. Junto com ele um pedido de você é só minha e a resposta de sou sim que a gente só diz quando tem vontade. O furacão curiosamente trouxe um dia de sol. Ninguém quer acertar sozinho na vida, seguimos na solidão por circunstância, mas todos querem acertar juntos, porque a dois a vida tem mais graça.

Foi embora o medo. Foi embora a chance do mundo lá fora se meter e incomodar. A mocinha acena para o amado que sorri para a mocinha que olha fundo nos olhos do amado que fica feliz em saber que a mocinha não chora mais. Era chato vê-la chorar e até o cavalo branco se sentia incomodado quando a moça, sentada na beira do lago, com uma tarde repleta de flores, lamentava seu passado. Ela não chora mais, porque o mocinho é bom demais, cuida intensamente dela. Ele também andava desacostumado, acomodado no frio, agasalhado pelo tempo. Pediu um dia, antes de dormir, que uma mocinha aparecesse na sua vida e mostrasse um caminho novo. Os dois, talvez, tenham feito o pedido na mesma noite estrelada. Só mesmo o destino assistindo o desejo mútuo para apresentar os dois.

Alguns dias, gosto de ser uma escritora de final feliz e encontros verdadeiros. Lulu Santos, um dos caras que melhor sabe falar nossa alma humana, canta enquanto escrevo esse texto e me ajuda a encerrar nosso encontro de hoje: Ouça o que eu lhe digo, acredite se quiser. É a mais bela história que alguém já contou. (música Vai Entender)

Fique com Deus. Luz no seu coração...

 

 

Só mesmo aquele amor... 

de Tammy Luciano (escrito em 16 de julho de 2004)  

Agora posso dizer. Eu fingi que não notei estar triste. Passei uma semana com o coração apertado, uma vontade enorme de sumir e um desejo gigante de saber o porquê do sentimento malvado, mesmo não tendo coragem de perguntar. Podia ser o trabalho, podia ser o coração ou até a alma. Não sei ao certo o que foi, mas algo dentro de mim gemia e reclamava uma dor desconhecida. Cogitei até estar sentindo a proximidade de algo ruim. O que só me fez piorar.

(Foto: Sol que tive o prazer de fotografar em Búzios!)

Ainda tentei remexer os sentimentos, tentar entender o que estava acontecendo se tanta coisa boa repousa no meu colo hoje. É fácil entender quando estamos tristes em momentos difícieis. Só a loucura explica estar melancólica quando coisas boas vêem na nossa direção. Até a psicologia me chamou de maluca esses dias. Tudo de bom acontecendo e a amargura agindo no automático?

Tentei melhorar. Batalhei para me livrar da sensação de angústia que me afligiu. Quem me conhece pergunta logo o que eu tenho. É chato, tudo fica estampado na minha cara. As pessoas acham que só tenho duas emoções: muito feliz ou muito triste. Fica tudo como carimbo, registrado. Se algo acontece e me faz sofrer, está ali e pronto. Não sei amenizar nada. Cai tudo como uma bomba, um peso, uma assinatura dos acontecimentos.

Agora difícil foi explicar sentimentos que não entendi. Estava me sentindo triste, mas não encontrava motivos. Por isso, continuei seguindo os compromissos, fingindo estar tudo bem. A gente não pode valorizar muito a dor. Tem que seguir. Já aprendi a conviver com vudus quando eles aparecem. Você não liga, segue seu caminho. Aí a energia desiste e vai embora. Foi um pouco o que fiz. Não parei. Deixei os pensamentos depressivos se sentirem em casa. Quer pensar? Pensa, querido! Pode sentar, me infernizar a cabeça. Vamos lá, fala bastante que não vou conseguir sair do lugar. Os pensamentos desistem de lutar comigo. Viro amiga deles e ofereço até cafezinho.

Só mesmo o carinho paterno seria capaz de estender a mão e me tirar do buraco ordinário que me enfiei. Estava sentada na cozinha, conversando com meu pai, expliquei meu cansaço, falei do vazio que senti essa semana, vazio sem motivo alojado nas pequenas veias do coração. (Alguns dias me acho tão egoísta, valorizo tanto minha vida que me irrita. Por isso, tento também ajudar quem me ama. Não pode ser apenas nas águas do meu umbigo que a vida contece). Meu pai me escutou, não disse nada. Apenas ouviu. Como sempre. Fomos andando, eu apressada para o trabalho, textos caindo pela mão, celular tocando e meu pai me olhando. Depois, olhou o céu, admirou o sol e disse: Reli seu livro novo hoje, me emocionei. O livro está lindo, minha filha!

Ah, pai, queria que o mundo fosse bom para mim como você é. Queria que os dias me tratassem tão bem quanto você. Se a vida me entendesse e desejasse as mesmas coisas boas que recebo do seu amor paterno, eu seria para sempre feliz. Já estou inteira por ter a benção da sua presença. Grande pai que Deus me deu! Foi você que mandou embora uma dor. Um vazio que não tinha sentido e você, com o carinho de sempre, o fez me deixar em paz. Fez isso sem saber. Ou sabia e eu bobinha é que não notei sua tentativa direta de me salvar do nada. Sua declaração Reli seu livro novo hoje, me emocionei. O livro está lindo, minha filha! ficou latente em mim por todo o dia. Só depois disso, admirei o sol que você tinha observado e eu, triste, não tinha notado... 

Deus abençoe você, Meu Pai!

(Elogio de pai e mãe podem ser suspeitos, mas fazem um bem enorme...)

 

 

Quando ela sai e as letras falam demais...

de Tammy Luciano (escrito em 15 de julho de 2004) 

Estou só, é dia de semana, meio da madrugada. As paredes falam comigo e ao mesmo tempo não me dizem nada. É estranho pensar que muita gente se preocupa comigo e todos cuidam muito bem de mim. O que só aumenta minha culpa. Não posso ser triste. Não posso me dar ao luxo. Peço férias. Penso em ler um dos cinco livros que comprei e mal tenho tempo. Durmo com o caderno de anotações na mão. Esqueço onde coloquei a agenda. Ela precisa aparecer por conta própria em poucas horas. Quando amanhecer, meu caderno de horários vai estar na beira da cama, me olhando dormir, torcendo para que eu abra logo meus olhos e veja que ele está ali para me servir novamente com seu tempo claustrofóbico.

Mais dois minutos de sono. Penso em tudo que ainda quero fazer. Escrevo mais do que deveria. Ando em curto. Não bebo água, tenho formigamento nas costas, caminho de salto alto, jogo os cabelos para o lado, mudo o shampoo, me obrigo a comer agrião e não tenho tempo para telefonar para os amigos. Só ligo para quem precisa me fornecer informações profissionais. Anoto tantas coisas para fazer, escrevo tanto sobre sonhos, largo o que posso na mão de quem me ama e vivo alguns pesadelos diários que me fazem questionar quem inventou o maldito engarrafamento. Juro que daqui a cinco anos a vida estará melhor. Jurei há cinco anos atrás que a vida estaria melhor. Está tudo como antes?

Penso em parar de escrever, mas já não sinto mais os pensamentos combinando para formar um só texto. Hoje em dia, as letras mandam em mim, saem da minha mente sem avisar, sem autorização. Se eu abandono o texto pela metade, eles falam de mim, contam tudo mesmo sabendo do meu desejo de estar escondida dentro de todos os pensamentos que dançam na minha cabeça.

Saio e as letras falam por si. Escrevem sem que eu queira...

Vogais e consoantes entregam meus sentimentos sem autorização. Ela não está bem, gritam eles. Ela anda meio cheia, por isso está meio vazia, comenta a letra A do alfabeto insistente. Ela só quer um tempo, mas não sabe como pode conseguir se todo o seu tempo foi negociado até o fim do ano. Aulas, livros, textos, letras, pensamentos devidamente escravizados para que um dia alguém comente com orgulho de ter conhecido a tal es-cri-to-ra-zi-nha.

Parte do alfalbeto resolve contar que pelo menos feliz no assunto coração ela continua. O que passou daria um livro, ressalta a senhorita exclamação. Todos concordam. Rapaz do céu deu rasante no coração da moça e agora a melodia mais bonita está tocando na cabeça dela. Ela escreve sem reler. Anda publicando textos sem muita revisão. Não quer pensar duas vezes antes de escrever pensamentos. Talvez nunca repare que as letras escreveram além de suas linhas, nas entrelinhas. Ela pensa que não deveria ter dito nada, mas já que começou, as pessoas aparecem aqui e ela cisma de escrever mais e mais. Recebe e-mails elogiando. Um rapaz importante, de sobrenome chique, poder nas mãos, diz gostar do texto dela, comenta que ela vai arrebentar em poucos anos e pergunta sobre seu próximo livro. Ela volta a pensar no próximo livro depois de dois meses o deixando na gaveta. Não está nem aí para o tempo correndo e não sente mais obrigação em lançar outro. Mesmo assim já sonha em vê-lo na livraria.

Ela não entende como alguém pode gostar do que é puro pensamento exaustivo. Escrever, escrever e escrever. Acha chato o que escreve. Acha chato um monte de coisa e apenas cala a boca. Precisa pensar nas pessoas que cuidam dela. Ontem, estava presa no trânsito e pensou nisso. Tinha apenas meia hora para sair de um trabalho e chegar em outro. Ainda precisa escrever um texto no Blog e enfiar a cara no livro 3. Escreve, menina! Vamos logo! Tem gente esperando para ler você, a letra A grita. Tem gente querendo seu livro novo! Ela conclui que não envelheceu e que por isso mesmo alguns sentimentos bobos de menina continuam dentro dela. Entende que a gente aumenta idade, mas continua como era, querendo os mesmos sonhos e falando as mesmas bobagens. Sonhadores do mundo real exaustivo.

Volto ao computador e as letras escreveram muito do que eu não quero. Mania de me denunciar, de declarar meu verbo quando o que eu mais quero é parecer um ser ameno. Olho o relógio. Preciso ir. Sempre preciso ir. Alguém diz que falaram do meu livro em um jornal legal e eu não vi. O mundo me espera. Vou. Deixo as letras sozinhas agora e espero que não falem mais nada de mim...

(Agradeço todos os dias quem passa por aqui e divide sentimentos comigo. Obrigada por cuidarem tanto de mim...)

 

 

O que vou querer mesmo amanhã...

de Tammy Luciano (escrito em 12 de julho de 2004)  

Não sei explicar direito, mas meu livro novo anda guardado embaixo do braço. Tenho levado bronca de todo mundo, porque, simplesmente, não o entrego de uma vez para a mão de quem segue com meu projeto: o grande editor. Acredito muito no tempo das coisas. Confio que algumas vezes é preciso ser para acontecer ou que é necessário não ser para ser. Gosto mais ainda de agir quando meu corpo pede. Meu corpo anda pedindo espera, calma e cautela. É isso que tenho feito. Eu sei das minhas esperas melhor do que ninguém.

Já briguei tanto com o mundo. Já tentei tanto provar, ser, explicar. Hoje, cada dia mais no meu canto, entendi que o melhor é deixar seguir a máquina funcionar como ela quer. Não que eu vá ficar parada em casa. Você me conhece, sabe que jamais esperei o mundo acontecer sozinho. Estive sempre lá, fazendo o carrinho da vida pegar. Quis sempre ajudar o veículo a funcionar. Meu transporte já esteve tão ruim, já enguiçou em cada estrada, quase pegou fogo, caiu de barrancos e eu continuei com fé. Se perdia as confiança, durava pouco. Sempre acreditei no poder de lá na frente as coisas estarem melhor. Hoje, elas estão, mas meus planos são contínuos e intermináveis.

A vida profissional não me interessa muito além do mundo da arte que me faz imaginar e seguir uma vida de paz. Não tenho que provar mais nada para ninguém. Se é que algum dia isso me interessou. Meu próximo livro breve estará na sua mão. Mesmo que bruxinhas do mal tenham duvidado do lançamento do primeiro. Hoje, quem está em uma livraria tem que aturar meu livro na prateleira, meu nome no computador da loja, meu original na mão das pessoas. Seja que livraria for, de alguma maneira meu nome já passou por lá. Já chorei ao pensar nisso. É uma espécie de  vingança do bem. Quem um dia me disse que eu não chegaria em lugar nenhum sumiu no meio da poeira. Nunca mais vi. Quem riu quando um dia me escutou dizer que alguém iria ler minhas histórias, nunca apareceu por aqui.

Cada dia mais me sinto escritora. Cada dia mais planejo minha solidão profissional. Não estarei por muito tempo trabalhando pelo mundo como hoje. Não sei, por exemplo, quando vou deixar de aulas, mas minha história como professora não será por muito mais tempo. Sinto isso. Minha vida como escritora anda latente, pedindo que eu invista de uma vez e aos poucos deixe o mundo lá fora ausente do meu mundo aqui dentro. Eu que já quis muita gente ao redor de mim. Eu que já clamei por trabalhos que hoje na me dizem nada. Quero estar sozinha para escrever. Sinceramente, meu desejo é, aos poucos, caso a vida permita, abandonar todo o mundo de hoje para ser a moça escondida no meio do mato que vive para escrever.

Lembro quando um repórter do O Globo, há muito tempo atrás, escreveu uma matéria intitulada Jovem roteirista a caminho do sucesso. O texto era lindo, mas em determinado momento, ele dizia que eu não queria mais papo com meu lado atriz e havia escolhido ser escritora para o sempre. Na época, fiquei muito ofendida. Até porque não havia dito nada daquilo e me senti quase sem os braços me imaginando longe do teatro. Hoje, atuando bem menos do que gostaria, acabei me acostumando com a idéia de ser apenas escritora. Minha escrita depende de mim e não das lembranças dos outros para me colocar em uma novela. Minha vontade de me esconder para apenas escrever e cuidar de uma família que ainda vou formar, com os filhos que ainda vou ter, o marido que quero amar até o sempre são a verdadeira razão de ser nos meus dias atuais.

Ninguém mais precisa me reconhecer, pedir autógrafo ou querer tirar foto. Hoje, me sinto bem ao entrar em uma livraria, como aconteceu no último fim de semana, e a vendedora comentar que sabe quem sou eu, falar do meu livro, elogiar o trabalho. Já está valendo. O resto é esperar o tempo escrever a história que eu quero para mim. Uma história para escrever, escrever, escrever...

 

 

Tinha um motivo especial

de Tammy Luciano (escrito em 08 de junho de 2004) 

(Foto: Eu e Bruno. Na mão, o cd que ganhei de presente! Deus envia recados. Eu sou boba, demoro a entender, mas esse de domingo foi bem claro! O que me importa, sinceramente, é quem se importa comigo! Que essa minha missão para escrever se multiplique cada dia mais...)

Alguém comenta que eu deveria ser mais fechada quando o assunto é minha vida pessoal, afinal: "Você é uma pessoa pública". Fiquei rindo. Pública? Eu? Até parece. Ando por todos os lugares e pouca gente sabe o que faço da vida. "Não interessa, você é pública sim. Escreveu um livro, escreveu outro, escreve poemas, atua, sua profissão é pública!" Por que devo resguardar minha vida pessoal se como escritora coloco para fora minhas vísceras? Eu não sei deixar de assumir meus pensamentos. Existiu um tempo nesse blog em que eu contava coisas minhas como se fossem de amigos. Hoje são minhas e pronto. E quando digo serem de amigos, são realmente de amigos. Não é melhor assim? E então essa de ser pública não existe. Podem já ter escutado falar do meu livro, mas eu não sou o tipo de pessoa que causa furor quando anda pela rua e acho até melhor. Para minha profissão é melhor observar do que ser observado. 

Por isso, não vou esconder que acordei no domingo triste. Não sei ao certo o porquê. Pode ser uma ausência, um vazio de alguém que não conheço e mesmo assim deixa o nada em mim. Estou tentando processar os fatos do novo que cisma em me puxar pelo pé e me fazer ter vontade de brindar com a melancolia. Down, resolvi convidar minha amiga Kiki para ir ao teatro ver uma peça que ganhei convites. Aproveitamos antes para jantar uma bela massa. Como adoro a deliciosa comida italiana! Um tempo depois, estávamos na porta do teatro, convites na mão, gargalhadas no ar, me dei conta que as entradas eram para semana que vem, a peça não havia estreado ainda. Só eu. Sem comentários... 

Kiki e eu decidimos tomar um café na livraria Letras e Expressões, lugar adorável, para aproveitar o restinho de domingo. Ficamos ali entre todos aqueles livros, aquele cheiro, os originais novos, misturados aos antigos, histórias recém criadas perto de antigas criações. Todos os anos de todos os mundos no mesmo lugar. Escolhi três originais desejados há algum tempo. Fui pagar para depois subir até o segundo andar e tomar o tradicional café. Quando estava pagando, decidi perguntar pelas vendas do meu livro que, felizmente, assim como na Siciliano, estava nos mais vendidos. O rapaz respondeu que estava vendendo bem. Eu sorri e comentei, sem maiores pretensões na emoção dele, ser a autora. Ele arregalou o par de olhos verdes e perguntou: "Você é a Tammy Luciano?". É impressionante como o metidinho do meu nome faz mais sucesso do que eu. Isso me faz lembrar de Gogol, escritor russo, que disse: "Sei que meu nome será mais feliz que eu". Pensando nisso, sorri, sim, eu sou Tammy Luciano. Ele, surpreendentemente, falou: "Olha, eu não acredito que é você. Eu pedi muito em pensamento para um dia você aparecer aqui na loja. Eu li seu livro, adorei, é muito bem escrito. Nossa, eu pedi tanto esse encontro. Pensei até em procurar você na Casa dos Artistas, mas acabei não indo". Agradeci, acho que ainda tenho uma trava para esses momentos e sempre fico sem graça quando recebo esse tipo de elogio. Adoro, claro, mas não sei se minha reação externa representa a alegria interna.

 

Ele me apresentou para o outro vendedor, explicando que eu havia escrito o livro da Fernanda e ressaltando as qualidades do meu texto. Quem passava perto deveria estar perguntando: "Que livro é esse ora bolas! Quem é essa mulher?". Eu e Bruno, sim ele se apresentou, conversamos sobre a vida da Nanda, eu comentei que Myrian gostaria conhecê-lo. Ela sempre adora essa energia do bem de pessoas que gostaram do livro. Sempre penso nela quando vivo momentos assim. Bruno falou que era emocionante estar ali na minha frente. Tinha certeza que com Myrian também seria maravilhoso. Eu afirmei que sim, a mãe da Nanda tem uma luz linda, um carinho com todos que se aproximam.

Depois de um tempo conversando, subi para o café. Kiki acha legal acompanhar essas situações. Comentei com ela da minha tristeza durante o dia. Depois, lembramos do meu comentário sobre ter ido à toa ao teatro: "A gente veio até aqui por algum motivo. Eu não sei ainda o motivo, mas vamos para a livraria para aproveitar a noite!". Nada é do nada, tudo tem sentido. Eu não havia perdido meu tempo. Estar ali naquele lugar, escutar aquelas palavras de carinho faziam parte do plano do céu. O vazio sentido durante o dia deu lugar a um orgulho enorme. Não me sinto mais uma pessoa sem conquistas. Sempre quis acertar pelo menos uma vez na vida. Não só pelo lado banal de calar a boca de quem duvidou, encheu meu saco e desejou que eu não chegasse em lugar nenhum, todo mundo vive isso, mas porque descobri ser capaz de realizar um projeto que está dando certo, atingiu o coração das pessoas, atingindo assim em cheio o meu. Esse carinho todo faz minha alma muito feliz. 

Antes de ir embora, fui me despedir do Bruno. Queria tirar uma foto com ele para publicar aqui no Blog. Comecei a falar e ele me entregou um pacote. Um presente! Queria que eu aceitasse um cd como agradecimento por tê-lo visitado. Nossa...imagina como fiquei? Lindo foi ler a dedicatória escrita na contracapa do cd afterglow, da Sarah McLachlan: "Para Tammy com muito carinho. Obrigado pelo "presentão" de ter te conhecido. Muita luz! Sempre pense grande! Bruno".

 

 

Minhas esquisitices e meus livros

de Tammy Luciano (escrito em 31 de maio de 2004) 

Eu tenho muitas esquisitices. Privilégio de muitos, claro, não sou a única louca planeta. Uma pessoa querida faz questão de informar: "Uma pesquisa constatou que apenas 26% da população é normal! Acho que estou com a maioria!". Eu fiquei pensando como deve ser estar na linha da normalidade. Os normais devem ser entediantes. Gente normal demais não sai do lugar. Somente com parafusos a menos andamos no Rio de Janeiro, acreditando estarmos seguros. Malucos conseguimos fazer amigos e amores virtuais. Com um pouco de maluquice no cérebro, somos felizes.

Penso que minha loucura foi responsável por me fazer acreditar que isso tudo aqui era possível. Eu podia escrever, outros iam ler e eu seria considerada escritora. Louca eu, louco quem lê meus textos, loucos no planeta da insanidade. Prefiro ser assim uma louca que não bebe, não fuma, acredita em Deus, faz pactos com a paz e se fingindo de louca, acumula alegrias e conquistas. Por algumas vezes, estou rindo, camuflando uma superficialidade, mas percebo o olhar me observando, me avaliando, me questionando, me criticando. Já não me importo com quem está longe.

Tenho a benção de ter pessoas queridas tão perto de mim. Pessoas que aceitam minhas esquisitices como elas são. Minha mania irritante de contar a mesma história várias vezes. Meus vazios que alimentam minha loucura. Sou uma sobrevivente das esquisitices que criei, das que me jogaram na cara ou me deram de presente sem que eu quisesse. 

Um amigo quer saber mais de mim lendo meu livro novo. Está lendo a pedido meu para dar sua opinião. Primeiro capítulo e ele logo questiona se vivi aquilo. Eu digo não. Explico não ser uma biografia. Ele acha que a cada parágrafo vai decifrar meu eu. Volto no tempo. Lembro do período em que escrevi esse livro. Época em que ainda tinha alguém ao meu lado. Época em que mesmo assim, agora eu sei, estava só. Será que o livro tem muito de mim? Lembro que em vários trechos, tentei fugir da minha essência, mas acabava estacionada nela. Queria contar o cotidiano da gente longe de mim e terminava no eu. Escritores só falam de seus umbigos, essa é a grande verdade. Porque a gente só sabe escrever do que viu. Como vou falar da sensação de pisar na lua se jamais estive nela? Jorge Amado contava tão bem sua Bahia. Carlos Drummond de Andrade escrevia lindamente de seus amores eternizados em poemas e fazia viver em nós os detalhes da cidade Itabira, onde nasceu. Manoel Carlos, o grande autor das novelas, sabe como ninguém falar sobre o Leblon onde mora. 

Falei no meu livro 2 sobre perder um amor, conhecer outro e de ser feliz na última página. Vou ser feliz na última página e isso é o que faz seguir. Tenho sido feliz agora na página 60, ou seria 82? Ainda não encontrei o grande amor, mas tenho me amado bastante. Isso já vale. Em que página da vida estou? Não sei ao certo. Minhas esquisitices não permitem saber onde me encontro no presente. De bom é isso, ando vivendo o presente. Minha personagem, que não sou eu, já está feliz com seu príncipe. Esquisitices de autora contando o final do livro. Tammy Luciano é definitivamente uma esquisita.

Devo assumir aqui que minhas esquisitices foram responsáveis por me fazer escrever linhas que somente uma mente navegante seria. Não tenho medo de acreditar no além da normalidade. Que venham as esquisitices, sejamos nós seres diferentes, esquisitos e únicos. Unicamente esquisitos!

 

 

O arquivo que sumiu do micro

de Tammy Luciano (escrito em 09 de maio de 2004) 

 

Sexta-feira. Acordo com meu carro doente na garagem. Sem querer me aborrecer muito, ligo para o reboque e enquanto chega, volto a dormir. Deixo o carro na oficina, o problema não é sério. Fim da tarde, o veículo, palavra engraçada, estará pronto. Acho que meu maior problema no dia será isso.
 
Em casa, ligo o micro, comecei a aumentar o ritmo no meu livro novo, tento abrir o arquivo do meu livro 3. Arquivo? Onde? Como assim, pessoa? Onde está o arquivo do meu livro novo? Antes, que você caia no chão e chore por mim, o arquivo que eu falo não é "A segunda vez era amor". Esse já tem backup, registro em dia, cópia na editora, no computador do meu pai, foi impresso e encadernado para caso faltar luz no mundo. Ou seja, zero chance de sumir, desaparecer. O que eu não encontrei mais aqui no meu mundo virtual foi um arquivo de um terceiro livro. Simplesmente, sumiu. 
 
Nas verdade, essa história deveria começar não com meu carro quebrado, mas com o novo HD do meu computador. Agora sou uma moça de 120 Gi. Provavelmente, na mudança de arquivos do HD velho para o novo o arquivo sumiu. A pasta Livro Tammy, onde eu guardava não só os livros já prontos, leia-se o arquivo original de "Fernanda Vogel na passarela da vida" e "A segunda vez era amor", mas os rascunhos de outras idéias/livros. Até aí, tudo bem, eu tenho backup de tudo isso. Só que o rabisco novo, eu já havia escrito umas 15 páginas, um mês de trabalho, várias madrugadas devidamente jogadas no lixo, desapareceu sem maiores despedidas.
 
Isso atinge diretamente o emocional da gente. Uma parte dessas 15 folhas, eu tenho anotadas no meu caderno, porque andei meio carente de papel e voltei a escrever no método tradicional, deixando um pouco o computador de lado. O problema não é passar a limpo, mas muitas frases nascem aqui no micro e eu não anoto. Ou seja, vários parágrafos que não existiam no papel foram embora. Quando passo para o micro, vou organizando as idéias, refazendo frases, criando e deixando o livro com cara de livro. Ou seja, um mês de trabalho, várias madrugadas devidamente jogadas no lixo.
 
Eu sou um ser bastante curioso, capaz de me aborrecer por situações mínimas, detalhes pequenos de nós dois, eu com o cabelo para alto, arrancando os fios, querendo morrer. Quando o momento é de desespero, minhas letras nesse momento perdidas em algum lugar desse micro, eu estou aqui calma, escrevendo no Blog como se tudo fosse se arrumar. Pensando que Deus decide minha vida. Se ele deletou o arquivo, vai ver o livro não estava tão bom assim. Deus é um cara especial demais, sabe o que faz, confio nele. Tá, algumas vezes, questiono suas decisões. Passei alguns dias dedicada nesse novo texto. Agora, simplesmente, ele desapareceu do meu micro e estou aqui torcendo para ver se Paulinho Aguiar, meu amigo entendido de computador, consegue dar uma de detetive e encontrar as tais 15 páginas de rabisco que Deus não gostou muito.
 
Já estou até negociando. Prometi para o céu que seu meu arquivo voltar, eu tento melhorar. Vou ler mais vezes o texto, em voz alta, tentar de todas as formas melhorar o que escrevo. Agora perder tudo assim? Ah, tá, esqueci...estou passando por um momento de testes. Tem sido assim com tudo. Está tudo bem e de repente sumiu, acabou. Lá vou eu ter que recomeçar. Antes eu tinha medo do futuro. Agora tenho confiança no presente. Muita coisa deixei para lá. Ando assim, preocupada com o que preciso viver hoje. A vassoura foi usada para varrer a mágoa. Para onde, afinal, eu vou se estiver com peso nas costas? Pensei tanto esses dias em tanta gente, tantos momentos. Não quero seguir mais com nada que possa me deixar amargurada. Sobre tudo, sobre todos os papéis que posso ler sobre ontem, esqueço. Encontro uma nova vida. Lá se foi meu rascunho de livro. Aceito. Sigo. 

(Detalhe: enquanto buscava o arquivo perdido, assisti o Sem Censura, com Myrian (Vogel), querida, sendo entrevistada, merecidamente, no programa especial Dia das Mães. Pensei sobre essa missão de escritora. Paulinho Aguiar disse vendo Leda Nagle mostrar a capa do livro, a foto do meu rosto na orelha da foto, mensagens de uma pessoa que leu o livro duas vezes, Myrian me agradecendo por tudo, explicando nosso projeto, que eu estava entendendo a diferença entre fama e sucesso: "O cara assalta um banco e fica famoso. Você não é famosa, mas tem sucesso. Escreveu um livro que conquistou as pessoas. Você é sucesso e não fama". Posso contar uma coisa? O gostinho do sucesso é muito melhor. Fico quieta no meu canto, vendo meu livro tomar vida, seguir a trilha dele sem que eu precise fazer mais nada. Foi emocionante assistir de casa o papo sobre o livro e ver que uma história começada na simplicidade, sem urgência, no carinho chegou tão longe! detalhe dito!) 

Ali, assistindo o programa, sem saber se vou ou não encontrar o arquivo do meu livro novo, decidi que independente disso, vou continuar escrevendo a história. Já sei o que eu quero fazer com as personagens, aliás, perder o livro me fez estruturar a ordem dos acontecimentos. Escrevi no caderno, claro, para não perder, esquecer...ou seja, não vou desistir da história, da batalha. Que os problemas me façam cada vez mais forte.

Se você souber uma maneira de encontrar um arquivo perdido no computador, eu tenho certeza de não ter deletado, me avise. É MUITO importante para mim...

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Alguém, não deixou nome, perguntou nos comentários: "Você escreve esse calhamaço de texto todo dia? Como consegue? Não cansa? Não fica sem vontade? De onde tira tanto assunto?"
 
Minha resposta: Já tive muita preguiça para escrever. As pessoas comentavam que eu escrevia bem, meu papai vivia me dando força para produzir mais, só que eu só escrevia mesmo quando a inspiração me empurrava a produzir. O tempo foi passando, as responsabilidades chegando, eu fui me dedicando mais a escrever até que virei escritora profissional. Pessoa que escreve com ritmo diário, dedicando seu horário a produzir mesmo que a mente esteja sem muita idéia. O Blog me ajudou muito nisso. Esse compromisso de estar aqui, escrever seja lá o que for, me fez dobrar o ritmo e encontrar um espaço na minha vida para o escrever. Hoje, escrever é prazer total. Adoro. Se não venho aqui, não escrevo, não deixo uma idéia no papel, parece que não estou evoluindo como gente. Sobre as idéias, passei a olhar o mundo com mais carinho, observar mais os acontecimentos, sentir mais as emoções alheias e assim vou tentando transpor para fazer chegar até você minha visão de mundo.

 

 

Minha mania de escrever e contar

de Tammy Luciano (escrito em 30 de abril de 2004) 

Ser escritora é sofrer a tentação de abrir seu verbo e falar muito de si. Ter vontade de estender a sua vida para quem quiser, virar biógrafo dos próprios dias. Ser escritor é achar que de alguma forma sua história pode aconselhar alguém a não fazer aquilo. Ter apenas mania de contar as coisas. Estou me fechando. Sinto isso. Ser escritor é não sofrer a tentação de falar seu verbo e jamais falar de si mesmo. Não ter vontade de estender sua vida para quem quiser e nunca virar biógrafo dos próprios dias. Ser escritor é não achar que sua história pode aconselhar alguém a fazer aquilo. Mania mesmo de contar as coisas?

(Saio do computador, vou até o quintal da minha casa. Olho a cor da piscina...cristalina. Lembro de olhos cristalinos. Não quero mais deixar de ver os olhos das pessoas. Me olha nos olhos ou não quero você. Sim, é assim que penso hoje.)

Uma pena, mas estou cada dia mais em mim. Cada dia mais sozinha. Não confio nas pessoas, não quero acreditar que alguém possa ser legal comigo. Fico repetindo em voz alta que ninguém pode ser legal comigo, só eu mesma. Horrível. Penso em não escrever esse texto. Em apagar tudo e desligar o micro. É uma pena, mas estou cada dia mais nos outros. Cada dia mais acompanhada de gente. Confio nas pessoas e acho que todo mundo pode ser legal comigo, menos eu. Fico repetindo em voz alta que todo mundo pode ser legal comigo, menos eu mesma. Profundamente horrível.

(Saio do computador de novo. Fico olhando minha vida boiando na piscina. Os dias correndo, coisas boas acontecendo, eu esperando mais, nada material, minhas expectativas são emocionais, uma vida para valer a pena)

Queria poder dizer que não sou o quê você pensa. Talvez pior. Talvez melhor. Você não me conhece direito. Minha arte anda sendo mais eu do que eu. Minha vida pessoal em um momento que não quero mais falar. Não quero falar para ninguém. Não quero ser aquilo que pensam. Não sou intelectual. Não sou também nada que não queira ser. Sou apenas eu, apenas eu, escrevendo, escrevendo sem pensar no que isso vai dar, sem pensar se um dia alguém vai ou não respeitar meu trabalho. Isso não me importa mais. Não. Não. Não. Eu queria dizer que sou exatamente quem você pensa. Talvez melhor. Talvez pior. Você me conhece por inteiro. Minha arte anda sendo menos do que eu. Minha vida pessoal em um momento que quero falar. Quero falar com alguém. Eu quero ser aquilo que pensam. Sou intelectual. Sou tudo que não queria ser. Sou apenas você, apenas você, escrevendo, escrevendo pensando no que isso vai dar, pensando que um dia alguém vai respeitar meu trabalho. Isso sim me importa. Sim. Sim. Sim. Eu queria dizer que eu sou aquela que você sabe exatamente quem é, aquela que você não sabe nada.

(Saio do computador. Leio o jornal. Penso na vida. Penso que minhas verdades mudam. Não anote o que eu disse para me cobrar depois, porque eu mudo de idéia sim. Eu mudo. Eu não tenho obrigação em ser exata para você. Eu não sou a matemática. Não quero ser. Sou como o português, as palavras que mudam quando querem, saem do comum, novos sentimentos em cada linda.)

Alguém me diz: "Você anda muito por baixo, você coloca muito NÃO nos seus textos. Você precisa deixar de ser negativa, o positivo traz o sim". Enquanto escuto isso, imagino que vou, como sempre, receber comentários, e-mails e mensagens de pessoas dizendo que essa fase vai passar e que eu vou conhecer alguém MUITO especial. Ué, mas eu não quero conhecer ninguém. Sim, sim, sim, deixa tudo como está. Sim, eu estou positiva. Sim, eu acredito no amor. Sim, acredite em mim. Sim, eu não importo mais com o passado. Finalmente, entendi, o que eu mais queria estava dentro de mim. 

(Vou para o quintal de novo. Sento na beira da piscina e penso. Penso. Repito em voz baixa, quase como se estivesse rezando: ser escritora é sofrer a tentação de abrir seu verbo e falar muito de si. Ter vontade de estender a sua vida para quem quiser, virar biógrafo dos próprios dias. Ser escritor é achar que de alguma forma sua história pode aconselhar alguém a não fazer aquilo. Ter apenas mania de contar as coisas. Estou me fechando. Sinto isso...)

 

 

Escrevendo com a alma que sofre...

de Tammy Luciano (escrito em  07 de abril de 2004) 

De repente me vejo forte, escrevendo o fundo de mim, minhas dores mais recentes. Escrevo rápido, em poucos minutos um texto enorme está ali pronto para ser lido. Envio sem mudar muita coisa. Mando embora uma verdade de mim que não quero mais esconder.

Sou do tipo que não sabe mais fingir. Sou dessas que cada dia mais acredita que ser honesta com o outro, com a vida, só me fará feliz no amanhã. Eu tinha a opção de iniciar um jogo, de deixar seguir o superficial, mas não quero ser assim. Não quero entrar em nenhum tipo de vai e vem sem sentido.

Vou ser para sempre alguém que mergulha no que é, no que quer, no que faz. Por isso, resolvi ser verdadeira, falar de uma vez os pensamentos . Mesmo sendo difícil demais dizer aquilo tudo. Mesmo não tendo autorização de mim mesma para dizer aquelas palavras. Não quero me perguntar sempre. Não quero sempre saber o que sinto, quando eu mesma tento me defender. Eu deixo hoje que a razão decida as coisas pela razão. Não me interesso pelo que penso quando estou lutando pelo melhor para mim. Bato a porta na cara da emoção e peço que volte depois.

Sim, escrevi verdades para me defender, para ser honesta, para dizer que não posso com isso. Não posso, porque não quero seguir adiante, porque chegou a hora de abrir os braços e esperar o novo. Não quero mais chorar antes de dormir, quero acordar sem lágrimas secas na face. Ainda existem lágrimas secas na minha face, cristalizadas na face da alma, eternizadas. Eu serei para sempre uma moça que chorou, mas não quero ser a moça candidata a chorar no futuro.

Eu podia permanecer, aceitar, pensar, mas não quero. Se você perguntar se é isso que eu desejo, vou responder não interessar mais o que eu quero. Estou batalhando pelo certo. Pelo certo até com quem fez errado comigo. Porque o terceiro na brincadeira jamais pensou em mim. Levou embora minha companhia nas noites de chuva, me deixando ver o céu cair pela janela e alagar a cidade. Mesmo assim penso na mão que arrancou o jardim. Mesmo assim, volto para salvar quem me mordeu o braço. 

Mesmo assim não tenho raiva. Ao menos isso está valendo. Aprendi com os dias sem sol. Aprendi muito sobre o amor. 

 

 

Livro como projeto de vida

de Tammy Luciano (escrito em  03 de abril de 2004) 

Outro dia, cheguei na Casa dos Artistas, meu livro novo na mão, tinha acabado de registrá-lo. Estava feliz demais e acabei conversando com alguns alunos. Um deles ficou vendo meu livro, olhou as páginas, aquele olhar de "como ela agüenta escrever tudo isso?", quando uma aluna questionou por que eu escrevia. Não foi querendo saber o que me motivava a isso, mas sim o que esperava com o escrever. Senti que ela tinha no tom de voz um ar de "isso não vai levar a lugar nenhum". Eu questionei por que ela fazia teatro. O que ela esperava com aquilo? Queria estar no palco um dia, viver da sua arte, se realizar com a interpretação? Eu disse desejar o mesmo. O teatro e a escrita me realizam, me sustentam a alma, me preenchem e, principalmente, são a minha arte. Eu, claro, acredito poder seguir escrevendo, trabalhando sempre com isso. A aluna ficou meio sem graça, não esperava que eu dissesse aquilo. Quando eu mudei a ótica, deixei de falar de mim e a usei como exemplo, ela entendeu, porque ela sabe do seu projeto de vida, sabe como é importante vencer como atriz. Ela tem talento, vai chegar! O sonho do outro dá sempre para adiar. O nosso não.

 Essa semana, saí com uma pessoa e falamos sobre relacionamentos. De repente, ele questionou sobre o depois da paixão. O que eu achava que vem depois? Amor? Sim, pode ser, a gente torce para que venha. E depois do amor? Acabamos concluindo que a grande diferença acontece quando se tem, ou não, um projeto de vida com alguém. Se não existir um ideal em comum, sonhos na cabeça dos dois, não existe um projeto de vida e não existe amanhã. 

Talvez seja isso que determina a longevidade de um relacionamento. No início, paixão mútua, um desejo intenso de estar junto, de agarrar, beijar, escutar, sentir e estar. Com o tempo, a rotina, os encontros seguidos e um conhecimento maior do outro, o casal decide se quer ou não continuar se vendo. Algumas pessoas terminam logo após a paixão, ninguém sabe ao certo o porquê mas...acabou. Outros sentem cada dia mais vontade de se envolver, estar junto e dividir. Não sabem por quanto tempo será assim, mas sentem vontade. Aí, as famílias são apresentadas, os laços aumentam. Os dois pensam que poderiam estar na mesma casa, sentem vontade de acordar e dormir juntos e um belo dia falam dos projetos de vida. Começam a falar no assunto uma vez por semana, depois todos os dias, depois todas as horas até que resolvem unir as forças e seguir a vida juntos.  Concluem que antes não sabiam por quanto tempo gostariam de estar lado a lado, mas, agora, com o mesmo projeto de vida na cabeça, querem que seja para sempre.

O barco afunda quando um só tem um projeto de vida. Pior ainda quando esse mesmo um não nota que o outro está ali por estar, sem nenhum plano na cabeça. Sim, nós, seres humanos, conseguimos deixar de ver fatos que podem causar uma verdadeira transformação em nossas vidas. Ou algumas vezes, estamos ali vendo, mas preferimos fingir que não notamos, achando que o outro vai mudar. Sinceramente, o outro não vai mudar. Desculpa falar isso assim para você, mas se ela está arrumando desculpa para não ver você, se anda dizendo que amanhã vai sair, amanhã encontrar, afirma estar passando uma fase complicada, mas parece bem fisicamente, sei não. Eu acredito que quando alguém quer estar junto, está. Não existe "estou trabalhando demais", "preciso primeiro colocar a cabeça no lugar" e muito menos "você é especial demais para mim, merece alguém melhor do que eu!". Quem gosta, quer. Quem pensa, fica. Quem deseja não dá bobeira para outro levar a pessoa amada. Não seria melhor você seguir sua vida deixando a porta aberta para outro alguém? Uma amiga uma vez me disse: "Esquece o passado, se não a pessoa certa não consegue chegar perto! Os anjos precisam agir e eles só o fazem quando você se desprende do que já era".

Construir projeto de vida com quem não pensa em estar com você amanhã é começar a escrever um livro com a certeza que jamais terá a chance de colocar no papel os capítulos finais. Posso garantir que o gosto de ter um livro pronto nas mãos é maravilhoso.

 

 

 

Minha personagem pode ser eu

de Tammy Luciano (escrito em  27 de março de 2004) 

De alguma forma, eu me sinto diferente. É assim com todo mundo. Você sente o mesmo, não? Digo que não bebo, a pessoa se surpreende. Sim, eu não sou dessas mocinhas de copo de cerveja na mão e cabelos com luzes, desculpa se ofendo seus cabelos pintados de loiro-tá-na-cara-que-é-falso-mas-você-pinta-assim-mesmo. Até porque tenho amigas queridas, loiras e outras morenas de alma loira, sem nada a dizer. Deixe-me hoje seguir o pensamento e não leia nada aqui como ofensa. Eu me ofendo por você. Eu estudei a vida toda para enfiar na minha cabeça o que eram núcleos dramáticos, relação com platéia, conflitos existentes na trama, processo de estruturação de um roteiro. Estudei, enquanto outros viviam e, talvez, tenha perdido o bonde para conhecer mais do ser humano e descobrir que pessoas são cruéis, vazias, impuras, igual aos personagens que criei, achando que minha mente era pior do que a realidade. A realidade é pior do que minha dramaturgia.

Não estou falando isso exaltando minha vida pessoal. Estou falando no geral. Das personagens tristes escritas por mim e nas personagens tristes vivas por aí. O rapaz que matou no sinal é pior do que o rapaz criado no papel por mim e também matou alguém. A mocinha sofrida, que sofreu a vida toda, como se o sofrimento fosse o melhor dela para o mundo, pode ter sofrido menos do que outras mocinhas andantes pelo mundo. E eu ainda achava que entender os tipos de sinopses me ajudaria na vida. O que é story line? Vamos lá! O objetivo da personagem fica bastante claro? Qual é o clímax? Possui impacto?

Corro pelas ruas na madrugada e entendo que passei tempo demais perdida entre folhas de papel e vírgulas sem graça. Se eu tivesse antes entendido que ser alguém profissionalmente realizada não me faria alguém pessoalmente feliz, tudo seria diferente. Eu ando lendo os livros que não tem importância, falam apenas de amor. Amor, sim, tem importância. Abro a gaveta, vejo aquela carta. Não vou rasgar, mas jamais vou ler novamente aquelas palavras. O que mais me interessa hoje são as novas ações da protagonista. Minha protagonista decidiu andar com salto alto cor de rosa. Ela também assumiu seus decotes, coloca seu melhor perfume, finge ser apenas uma imagem, mas por dentro continua a mesma moça que adora estudar, enquanto outros saem pela noite bebendo. Ela decidiu que jamais vai pintar os cabelos de loiro, mas sempre que estiver calor, vai usar mini-saia. Aquela que escrevia, agora quer a caneta redesenhando seu corpo, seu jeito e seu texto. Quer mais desejo do que qualquer outra coisa, anda sorrindo por ter uma vida fútil, acha graça por escutar que tem um corpo bonito e se diverte quando não precisa dizer que escreve histórias. Ela mente. Sim, ela nunca mentiu, mas agora mente. Fala do mundo material como se sempre tivesse morado nele e ri de quem quer ser intelectual. Ela quer ser visceral.

Minha nova personagem pode ser eu. Eu posso, na verdade, só escrever de mim, do que sinto e do que quero. Eu posso não existir e ser apenas uma criação absurdamente errada de mim mesma. O importante é esquecer a teoria de Syd Field, o homem do roteiro, jamais dizer que adora Frida Kahlo, apagar da mente que um dia leu Castro Alves e fingir apenas que é um sorriso andante que adora passear em carro bonito. Alguns dias, ser vazio é bem melhor, ou não é, mas diverte mais.

 

 

A paixão da personagem

de Tammy Luciano (escrito em  09 de março de 2004)  

Hoje, meio da tarde, eu estava telefonando, acertando a vida, escrevendo, lendo, anotando, pensando quando de repente chegou uma sensação boa, um ar puro invadindo a alma, um sorriso nos lábios. Pensei que estou ficando louca. Por que eu estava sentindo aquilo? Por que estava com uma sensação tão boa? Alguns segundos depois, veio a resposta. Eu estava, simplesmente, acredite se quiser, curtindo a paixão da minha personagem do livro. Isso mesmo. Estou revisando o momento em que ela encontra o homem da sua vida e os dois estão vivendo um encontro cheio de verdade, intimidade. Acho que escrevi ali tudo que, sinceramente, acredito. Coloquei no papel um desses encontros únicos que todos nós sonhamos. De repente, me vi feliz como se aquilo fosse comigo. Freud explicaria fácil esse momento. Eu espero que você já tenha encontrado o seu par perfeito e tenha tido essa sensação boa de estar ao lado do grande amor. Ou seja, como a vida aqui anda trabalho, trabalho, trabalho, resolvi curtir a paixão da protagonista do meu livro. A sensação foi inusitada, mas valeu o momento. Me fez pensar no quanto amo minha arte e como ela me preenche, enquanto tiro férias de uma parte de mim.

De bom é que ando sendo arrastada para conversas, encontros, bate-papo...tudo que possa render o falar da vida, pensamentos, idéias, sentimentos, histórias que cada um carrega dentro de si. Momentos que podem virar história de livro, como assim eu tento fazer. Letra de música, como o letrista talentoso sabe criar. Dias transformados em amor como as pessoas de bem sabem magicamente realizar. Ou apenas nada. Da gente que vive e não faz nada com o que sofre, aprende, cresce, supera e realiza. Digo isso, porque encontrei os meninos da Banda Regra Zero essa semana. Ganhei deles um cd com algumas músicas que eles pretendem lançar. Falamos do sonho, de acreditar e seguir. Faço isso todos os dias, assim que acordo. Confio em mim, porque no fim das contas, estou sozinha no travesseiro com meus sonhos. E por isso minha arte tem esse peso todo dentro da barriga. Senti nos meninos tanto gás, tanta vontade de recontar seu interior em melodia que por isso vim falar deles aqui. 

E ao som do Regra Zero, na voz do Rodrigo, a letra também é dele, a noite não fica tão solitária: "Estou subindo as pedreiras, mas as pedras vem abaixo...O tesouro está sob os meus pés descalços. E acima o gancho, então no ritmo eu marcho nesse chão que pisa em falso...você precisa esperar meu coração e continuar a ver o sol nascer porque ainda estou naqueles campos..."

Mesmo que eu tenha passado alguns dias em curto, com os fios saindo pela cabeça e sendo espalhados pelo chão, achando que não conseguiria realizar mais nada na vida, voltei com o desejo de sempre: através da minha arte escrever a minha história. Mais uma vez digo: se a vida decidir por uma vida pessoal medíocre que a vida profissional fale por si. O que depende de mim, vou até o fim para fazer. Não quero mais depender da emoção de ninguém. O que depende do outro não é seguro, muito menos sinônimo de certeza. 

 

 

Sobre meu livro 2...

de Tammy Luciano (escrito em  06 de março de 2004) 

Não existe nada melhor do que morar em casa. Hoje, fiquei um tempo enorme deitada na beira da piscina. Um vento fresco. O coqueiro balançando, tendo como fundo um céu de estrelas lindo. Uma luz, a única luz presente na cena além do iluminado céu, refletia na água e depois refletia nos meus olhos. Fiquei um tempo enorme ali, olhando a cena, pensando na vida, na vida, na vida. Até que de repente, me joguei na piscina e aquela luz iluminava a água toda. Comecei a rir dentro da piscina, joguei a água com a mão para o alto e senti meu corpo leve.

Depois de muitos dias olhando somente para baixo, a personagem do meu livro começa a alternar entre olhares caídos e ao céu. Bom sinal? Deve ser. É que de alguma forma somente a palavra frustração rondava seus dias e a palavra culpa também não a deixava em paz. Passou dias somando, diminuindo, pensando em como, quando havia errado. Passou um tempo grande preocupada demais com o passado. O que dizem, não é bom sinal. Até porque se Amanda errou, não quer repetir a dose no futuro. Como autora, confesso, talvez eu tenha sido bastante malvada com a moça.

Amanda ficou dias tentando entender a própria vida. Queria também entender a falência do seu relacionamento. Pensou tanto que sofreu onze páginas seguidas de depressão profunda, quase enlouquecendo a família. Aí, essa semana, durante a revisão, eu comecei a ficar mais aliviada. Como autora, eu não havia sido somente ruim com a coitadinha. É que lá pela página oitenta, Amanda começa a dar a volta por cima. Entende que não foi um ser errado. Foi sim um ser que acreditou no amor, investiu nele e que não deveria ela carregar a dor da decepção. Ela pelo menos tentou.

Aos poucos, coloquei as imagens boas do relacionamento, os sorrisos de Amanda querendo que tudo desse certo, as alegrias que somente ela e o ex-namorado haviam vivido. Somente os dois sabiam como havia sido. Ela havia aberto o coração, sonhado, pensado nele como alguém que ela queria bem. Ele havia dito várias vezes o quanto a amava, estava feliz ao seu lado e jamais terminaria aquela história de qualquer jeito. Ela ainda não entende, tudo acabou de repente, mas o passado existiu, não foi ilusão. Afinal, um encontro foi alimentado, os dois foram por bastante tempo pessoas felizes.

O que acontece depois? Ah, isso você só vai saber quando o livro for lançado. Já falei até demais. Antes que você faça conclusões, o livro foi escrito no fim do ano passado, sendo ele pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade é coincidência. Menos mal, eu escrevi para a Amanda um final maravilhoso, do tipo melhor impossível...se a coincidência continuar...o escritor da minha vida é Deus e sei que nos próximos capítulos, ele também vai me fazer sorrir...assim como eu fiz com Amanda.

Que a vida me traga surpresas do bem. Surpresas, surpresas, surpresas... 

 

 

Minha mente na história

de Tammy Luciano (escrito em  04 de março de 2004) 

Apesar do pensamento algumas vezes desanimar, ou o combustível diminuir, sei lá como, eu ando sem freio. Passo o dia fazendo coisas e produzindo como ninguém. Deve ser mesmo ajuda de Deus, porque enquanto estou escrevendo, minha mente esquece de mim e vai lá na vida da Amanda. Sim, Amanda é minha personagem. O nome, claro, acabou sendo uma homenagem merecida para Amandita. E passei essa semana toda revivendo os passos de Amanda e, claro, acabei refletindo a minha vida, porque tenho muito da Amanda em mim. Todas nós, mulheres, temos. Amanda vive um momento louco na vida, Amanda acha que não vai ser feliz, Amanda precisa recomeçar, Amanda vive intensamente, Amanda aprende um monte de coisas com a vida. Eu aprendo um monte de coisas com Amanda.

Pode ser defesa, mas o escritor vive sim os dias de suas personagens. Algumas vezes é mais fácil seguir assim. Ando mesmo preferindo viver Amanda em mim do que viver eu em mim. Hoje sou autista de mim mesma. E somente quando me sentir melhor, voltarei a mim. Saí sem prazo de retorno. Sabe quando você faz a mochila e sai pelo mundo conhecendo países nunca antes visitados? Eu estou assim, conhecendo o mundo. Por isso, algumas vezes é difícil entender porque sumi, porque não quero, porque não aceito, porque prefiro ficar na minha. É uma fase, dizem, vai passar.

O que ando tendo comigo é paciência. Me olho e não me culpo. Me vejo e não desando com sermão. Estou no que a autora Iyanla Vanzant chama de meio-tempo. Um momento de descobrir quem é você. Notei por exemplo que se alguém me olha além da conta, eu coloco a mão na orelha para confirmar se as tarraxas do brinco estão certas, no lugar. O que uma coisa tem a ver com a outra? Não sei. Acho ser pura distração para não ficar vermelha de vergonha. Também sei hoje que se dormir pensando em alguma coisa, acordo com o mesmo pensamento. Isso me incomoda. Jamais vou gostar de mamão e hoje meu relógio é olhar as horas no celular. Meu aparelho, aliás, dorme comigo e quando toca no meio da madrugada, eu não ligo. Eu tenho meias lindas com desenhos fofos e nunca lembro de usar. Ao contrário de Amanda, a Amanda real não a do livro, acho que não gosto de usar meias. Nunca imaginei gostar tanto de escrever e muito menos fazer disso minha profissão. Mesmo que durante toda a infância, eu tivesse escrito sem parar, jamais me vi como alguém profissionalmente autora, escritora e jornalista. Sempre achei que o palco me abraçaria. Só que aí a carreira de atriz virou essa coisa louca de celebridade instantânea e a atriz que existe em mim aproveitou para escrever. Escrevendo, fez nascer a escritora que eu carregava sem saber.

Essa semana, eu disse para um amigo: Lute pelo seu sonho. Eu jamais imaginei um livro meu nas livrarias e hoje ele está lá, dormindo com outros livros de pessoas importantes. Você faz sua vida acontecer da melhor maneira, quando faz dos seus dias o melhor. 

 

Liquidificando...

de Tammy Luciano (escrito em  19 de fevereiro de 2004) 

Hoje, passei o dia no computador. Finalmente, estou terminando um dos textos que preciso entregar. As letras pareciam travadas, mas agora resolveram prosseguir. As minhas letras são reflexo de mim. Há algum tempo, já não sei mais sair de casa sem meu caderno. Tento achar uma saída para guardar todas essas anotações, minhas escritas deformadas, rabiscadas, isoladas. Os cadernos acabam rápido demais, as folhas parecem pequenas para tantas frases que correm nas minhas veias. Logo, mais um estará aqui na estante. Eu pergunto onde eu estarei. Ainda olhando a estante? Fico com pena de jogar fora os textos que crio. Volta e meia, leio frases perdidas em folhas de papel que não sei ao certo porque pensei aquilo, muito menos onde. Em um deles, muito antigo, eu disse: Posso ser individualista com meus objetivos profissionais, mas, na vida pessoal, abraço o mundo para dividi-lo com quem amo. E se a pessoa não for boba, nunca mais será vazia de sentimentos por dentro. 

Recebi um e-mail muito carinhoso e fiquei pensando no liquidificar que existe em mim. No liquidificador que talvez sempre estivesse aqui, mas antes desligado, agora na altura máxima. Tá, eu não sei mais tanto das pessoas como sabia antes. Tá, o que ficou não me deixa muita alternativa a não ser duvidar dos passos, das palavras, dos dias. Tá, eu sei que tudo passa, sei que um dia vai, mas mesmo assim penso. Então, me pergunto o que ainda me faz acreditar, o que ainda me faz estar, o que ainda me faz seguir...tenho escutado muita gente, tenho dito muitas coisas, tenho me dado direito de me dar direito...e meu liquidificador continua liquidificando meus pedaços ruins até transformá-los em nada. Meus defeitos triturados, tentativa de ser alguém melhor. Mesmo se não conseguir, valeu. Não sou de arrependimentos, mesmo que me arrependa deles, não me arrependo deles.

Roberto Shinyashiki disse: "Muitas pessoas pensam que a felicidade somente será  possível depois de alcançar algo, mas a verdade é que deixar para ser feliz amanhã é uma forma de ser infeliz". Me pergunto se andei sendo infeliz sem saber, se sonhei com amanhã sendo hoje um momento tão importante. Fiquei tentando lembrar de tudo de bom que vivi nos últimos anos, das simplicidades que alegravam meu mundo. Meu liquidificador mental repassa as cenas, soma e diminui fatos, vejo gestos, escuto vozes, refaço aquele dia, pergunto se eu fui correta, percebo que não estava só, não naquele instante. A luz apaga. As cenas vão embora. Fico só de novo. E por enquanto assim está bom. Só quero dançar. A voz de Dido me faz balançar de um lado para o outro. Vou rindo de tudo, porque afinal nada será para sempre assim. E danço. Pessoas olham. Acho engraçado. Não sou capaz de acreditar em sorrisos, não hoje, não ainda. Nem no meu sorriso. Olho para ele e me pergunto até onde é verdade, até onde é honesto, até onde sou eu sorrindo de verdade. E danço. A única coisa boa. Danço ao som de Dido.

Vou. O celular está tocando e é uma maldade deixar quem está na linha sem resposta...fui, mas volto. Eu sempre volto...

 

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Reflexões sobre minha escrita...ano de 2003!

 

Pensamentos, textos, detalhes, reflexões, palavras, perdidas, em mim, assim, com vírgulas, sem, indo...

de Tammy Luciano (escrito em  27 de dezembro de 2003) 

Alguém pergunta minha profissão. Eu? Olha, bem, ai, Deus, por que não nasci querendo ser apenas uma só dentro de mim? Por que eu tinha que descobrir o teatro aos quatorze anos, decidir fazer faculdade de jornalismo, virar atriz, jornalista e ainda por cima dar força para a escritora que existia aqui dentro? Pois é, na hora de explicar a profissão tudo complica. Falar em voz alta, então, é um horror: atriz-jornalista-escritora. Quero logo explicar que não sou candidata ao Big Brother, nunca pensei em posar pelada, gosto mesmo é de letras, textos, atuações e palco. Aliás, o palco jamais vou tirar de mim. Adoro aquele cheiro de teatro, aquele ar que a gente respira no escuro das paredes teatrais. Mesmo que algumas vezes tenha cheiro de tinta, mofo, antigo e plástico.

Não existe nada melhor do que essa profissão de criar. Não sei como isso vem. Estou aqui e sinto vontade de escrever para você. Estou indo dormir e sinto vontade de viver meu livro, dar vida e passos para minha nova personagem. Penso que também quero atuar o mais breve possível, porque as letras andam me fazendo estar longe do palco. Ando com saudade de ser outro alguém que não eu. Quero sentir os pecados, as mentiras, as mágoas das personagens. Sendo alguém que não sou, eu posso ir contra tudo que eu acredito, confio e quero. Minhas personagens querem o que eu nunca pensei. Elas andam com pessoas que eu jamais gostaria de ter ao lado, com aqueles que eu saberia logo não serem legais. Minhas personagens não viveram nada do que eu vivi até aqui. E eu aprendo com elas de mundos que nunca fui.

Já senti o sofrimento de gente que criei. Isso é o mais louco da minha profissão. Quando aquele amor que eu não amava disse não me amar, eu me joguei no chão e chorei feito louca. Senti vontade de arrancar as tripas, de quebrar meus ossos, de morrer e acabar com tudo. Era eu e não era eu. Era eu e um monte de dores que eu vi e senti ao longo da minha vida. Já emprestei meus vazios para personagens e já chorei por elas sem depois cobrar nada. E chorando por mulheres que fui sem ser, eu me senti melhor, maior por dentro.

Também já fiquei na coxia chorando por um amor meu e depois tive que entrar em cena sorrindo, porque a personagem não queria dividir comigo aquela dor. Era uma comédia, uma peça alegre e tive que guardar em mim minha dor da vida real. Porque personagens adoram nos dar suas dores, mas não vivem as nossas. Assim é meu teatro em mim...

 

Um criador maior lá em cima me vendo

de Tammy Luciano (escrito em  23 de dezembro de 2003) 

Nunca achei que o destino era ruim comigo. Algumas pessoas achavam isso por mim. Diziam que tudo estava demorando demais. Em parte, alguns dias, posso contar para você, arranquei alguns fios de cabelo por não estar trabalhando tanto quanto gostaria. Mesmo assim, minha fé inabalável em alguém muito acima de mim e no meu próprio trabalho me fazia continuar acreditando. Hoje, olho para trás e penso que, realmente, demorou muito para tudo acontecer. Nem eu sei como tive tanta paciência para seguir sem desanimar. No meu livro, eu faço um agradecimento especial a Deus: "...por falar baixinho em meu ouvido para seguir com determinação e fé, jamais me deixando só". Ele jamais me disse não, jamais virou as costas, jamais me fez sentir pequena, mesmo sendo MUITO maior do que eu. Coisa que só Deus sabe fazer.

E aí, andando pelo mundo, vejo muito ser humano se achando Deus. Brincam de ser dono. Donos do que? Onde? Que poder é esse? Poder do dinheiro? Poder de ser melhor do que os outros? Que outros? Quem é o outro de quem? 

Comento com alguém sobre minha nova personagem, sobre a pessoa que estou criando para o livro e a pessoa diz que falo como se esse alguém tivesse vida, como se fosse de verdade. Com certeza, quando fiz a biografia da Nanda, eu sabia que ela era real, pessoa viva que precisava ser retratada com verdade. No caso do meu novo livro, a personagem só tem vida porque eu criei, mas, confesso, a vejo como um ser humano que também merece meu respeito. Assim como Nanda sempre estará aqui comigo, mesmo que alguns a vejam como alguém falecido. Fernanda é viva! Minha personagem também. Por que quais são os limites entre o real, o vivo, o perto, o longe? Quem disse que o lado certo é o nosso? Será que nós aqui, sempre nos achando tão importantes, não podemos na verdade ser personagem de algum criador? Somos, né? Quem disse que essa vida aqui não pode ser apenas um livro de história: o planeta Terra e sua existência. E na verdade, a vida de verdade seria sim a dos livros. As minhas personagens é que seriam reais e eu, criadora delas, apenas uma personagem criadora de criações. E Fernanda, agora, longe daqui, ia rir da gente, entendendo o que afinal existe onde não sabemos. Tudo deve ser mais simples do que nós achamos que é. Nós somos apenas seres pequeninos em um planetinha que pensa. Espero aqui que o criador maior escreva para mim capítulos de fé e conquistas. Assim como também desejo isso para você

 

Minhas mentes, todas elas, ao mesmo tempo...

de Tammy Luciano (escrito em  19 de dezembro de 2003) 

Você deve sentir pelas palavras aqui no Blog que eu passo momentos de alegria, outros mais difíceis, dias alegres, outros deprimida. Você pode me dizer que isso é normal, todo ser humano é assim. Eu sei. Até entendo essa minha roda da fortuna como reflexo do meu organismo, da minha TPM, do ser humano mulher que Rita Lee sempre disse ser esquisito, porque todo mês sangra. Somos mesmo bastante estranhas.

Ando leve esse dias, sem muito drama mental, pouca preocupação se algo não vai bem. Não vai bem? Ah, meu filho, você que se resolva, seu senhor não vai bem. Não agüento mais pensar, pensar, pensar. Eu preciso de um tempo sem pensar. Os neurônios estão adorando. A lei esses dias é escrever sem pressa, você deve estar reparando nos textos do Blog, continuar meu livro com fé, relaxar das folgas nas aulas que só iniciam em janeiro. Quanto tempo isso vai durar? Não sei. Amanhã posso entrar aqui e voltar com o discurso fundo do poço, sem luz, com baratas e ratos.  

E olha que hoje perturbei bastante meus neurônios. Desde que comecei meu livro novo, ele tinha apenas um título provisório que aos poucos foi me incomodando e deixando de ser o que eu queria dizer sobre a história, eu queria mudar para algo mais acelerado, mais atual, porque meu romance fala de hoje, agora. Não é uma história de ontem e, para piorar, o título antigo tinha o verbo no passado. Fiquei longas horas, mesmo sem querer, pensando em um nome para o meu Book. E cheguei a me irritar com tamanha insistência. Momento EU irritando EU. Mil vez pior do que momento alguém irritando EU, porque no segundo caso, vou embora e pronto. No momento EU e EU não tem jeito, fico ali, tendo que escutar as possibilidades pensantes. Onde quer que vá, minha mente vai junto, perturbando minha mente. Tem cura?

 

1 Tammy, 2 Tammys, 3 Tammys...

de Tammy Luciano (escrito em  02 de dezembro de 2003) 

A gente aprende logo que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ainda que alguns tentem. Também aprendemos ser impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse ponto, eu questiono sempre. Por que não recebemos a dádiva de duplicar sempre que necessário? O telefone celular até tenta me ajudar. Estou ali, respondendo para lá. Estou aqui, falando com quem está lá, mas mesmo assim se o negócio fosse feito no corporal mesmo, facilitaria muito a vida. 

Digo isso, porque de um tempos para cá, se eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, resolveria e muito minha vida. Acho até que dividiria em setores. Tammy 1 para o setor vida de atriz. Tammy 2 para a vida escritora. Como diz meu pai, o que eu menos sou é jornalista. Pode ser. E depois eu usaria as duas Tammys para novas atribuições. Tammy 1 visitar sua avó! Agora! Tammy 2 vai cuidar da vida sentimental e colocar em dia o coração! Tammy 1 vai ao banco, enquanto Tammy 2 se manda para a praia! Um trabalha e dois dooooorrrrrrrmmmmmeee! Que maravilha! 

E nos dias em que a mente fosse só trabalho, a Tammy 1 iria escrever seu novo livro e a 2 daria uma atualizada no Blog, ou escreveria um livro 2. Ou seja Tammy 1 no livro 1 e Tammy 2 no livro 2. Perfeito! Claro, não queria estar perto quando as duas se encontrassem, porque uma sempre trabalharia mais do que a outra. Uma se sentiria sempre mais carregada de obrigações do que a concorrente. Porque, dificilmente, elas conseguiriam se entender, e se olharem como aliadas. Aí uma terceira Tammy teria que entrar no jogo para amenizar as coisas. Logo depois da paz instalada, a Tammy 3 receberia responsabilidades, porque dentro de mim não existe tempo para parar. Assim, a Tammy 3 acabaria escrevendo um livro 3.

Talvez por isso, o céu não tenha criado essa história de uma mesma pessoa em dois lugares diferentes. Seriam muitas gentes por aí, confusas e brigonas, querendo os espaços criados apenas para uma só pessoa. É melhor que cada um de nós continue sendo mesmo cada um de nós.

 

 

Identidade questionada no quesito forçar uma barra!

de Tammy Luciano (escrito em  01 de dezembro de 2003) 

Outro dia, uma conhecida, numa boa, falando do meu Blog, me disse: "De vez em quando ainda dou uma passada para ler (embora aquele fundo rosa me dê uma ligeira dor de cabeça...risos...). Alguns posts, porém, acho meio forçados. Talvez porque você tenha muita gente conhecida que te lê e fique com um certo receio de se expor demais, travando o texto em alguns pontos. Mas isso é natural, inclusive de vez em quando acontece comigo". Eu, claro, respeitei a opinião dela. Prefiro a verdade, detesto pessoas dizendo coisas que não pensam para me agradar. Como essa conhecida só me conhece por internet, pode ter entendido que algumas frases minhas são muito pensadas, ou que aqui eu me faço de sei lá o que, para agradar sei lá quem. 

Eu bem que tentei dizer que não penso muito antes de escrever no Blog, como agora em que digito sem parar, em uma respirada só, sem somar, diminuir frases. Talvez a única coisa diferente seja meu lado engraçado que eu só consigo fazer ao vivo. Escrevendo, acabo sendo mais séria. No dia a dia, sou a rainha das tiradas, bem que tento guardar na cabeça para contar aqui no blog, mas acabo esquecendo.

Pensando na possibilidade de forçar aqui no Blog, me desesperei, porque pensei que se forço aqui, forço o tempo todo, todos os momentos, todos os segundos...eu não sou eu, sou na verdade uma forçada de mim. Na verdade, as frases mais doces, os sentimentos mais puros, minhas tentativas de fazer o bem pode ser tudo armação da minha mente em cima dos meus neurônios, tudo montado para eu ser melhor do que sou. Na verdade, eu não penso nada, não crio nada, é tudo coisa de uma segunda mente que escravizou minha primeira. Ai, Deus do céu... e agora? 

Me olho no espelho, me encaro, tento arrancar a verdade de mim. Ainda lembro o que disse na resposta para minha conhecida: "Eu vejo o Blog como um exercício diário. Eu era tão chata com textos meus, de repente comecei a publicar com menos peso. Um Blog tem isso de bom. Algumas vezes, escrevo e as pessoas respondem com outra interpretação. Na verdade, é uma forma de testar minhas palavras, saber como elas chegam nas pessoas. Ninguém nunca tinha dito que eu forço..risos...mas também você não me conhece, aí pode imaginar que eu falo algumas coisas para aparecer ou sei lá para criar uma imagem. Eu sou muito honesta no Blog, não forço nada ali. Sou eu. Escrevo, releio, publico. O que você leu ali é o que eu penso, os meus sentimentos mesmo. Devo ser algumas vezes diferente do que as pessoas pensam, mas quem, afinal, é de verdade a imagem que fazem dela? Numa boa, aceito seu comentário. Até porque prefiro que seja sincera comigo. Mas aquela ali sou eu mesma..."

Depois de desistir de fazer uma busca interna, vou para meu mundo externo. Resolvo perguntar aos mais próximos, aquelas pessoas que falo de minhas angústias, conto meus erros, mostro todos os lados do meu EU. Um grande amigo diz: Sinceramente, você é você no Blog. Vive falando o que está sentindo, suas confusões mentais, seu jeito, suas palavras. Não vejo outra Tammy ali.". Todos que falei disseram o mesmo. Conseguem me ver nas linhas escritas por aqui. Minha  mente pede trégua, diz não ter nada com isso, tá limpa nessa história. Pillarzinha completa: "Acho você no Blog mais profunda, fala o que está sentindo. Ao vivo, você já não vai tão fundo, também vive rodeada de gente...".

E deixando a palavra com quem me conhece e convive comigo, mostro a carta escrita pelas minhas alunas gêmeas Michelle e Priscilla, duas fofas que Deus colocou no meu caminho: "Tammy, queríamos dizer que adoramos muito você. Somos suas fãs. Apesar das broncas nos ensaios, sempre gostamos de você. Você é engraçada, bonita, legal, honesta e trabalhadora. Vai atrás do que quer e na maioria das vezes, consegue. Como, por exemplo, o seu livro que foi uma vitória, porque pelo tempo que estamos no curso, você sempre vem falando do livro e também que você ligava para as emissoras e eles sempre fechando as portas para você. Mas como você é uma pessoas persistente, Deus te concedeu essa luz, pelo seu esforço e claro pelo seu talento. Obstáculo nenhum atrapalharia sua grande vitória que foi o seu livro que você lutou por muito tempo. Desejamos para você tudo ou nada. Tudo de bom e nada de ruim. Que Deus ilumine sempre você e sua família. De suas alunas Michelle e Priscilla. MBLA (muitos beijos lotados de amor). Que a Fernanda Vogel, um espírito de muita luz, esteja iluminando você e a vitória do seu livro. Sempre. Sempre".

Chorei ao escutar essa carta, lida no final do espetáculo. Eu não estava esperando. Caí no choro mesmo. Isso não é uma resposta ao e-mail que recebi sobre forçar barra, é uma resposta a mim mesma, afirmando que tá valendo seguir, tá valendo tentar, tá valendo lutar...mesmo que nem todo mundo compreenda, mesmo que alguns duvidem, continuo aqui batalhando meus sonhos. Eles, eu posso garantir, não são forçados.

 

 

Orgulho dos meus amigos...

de Tammy Luciano (escrito em  25 de novembro de 2003) 

Minha fase de rebeldia começou tardia. Somente adulta comecei a dizer frases do tipo: "Quero viver minha vida como eu sempre quis. Ninguém tem nada a ver com isso. Eu vou e pronto. Eu quero assim! Cala a boca, deixa eu fazer da minha maneira!". Todas essas frases seriam dignas de roteiro pré-adolescente, mas volta e meia estão na minha boca. E quando não estão na ponta da minha língua, estão saindo pelos poros da minha alma. Preciso dizer e repetir a mim sobre a importância de continuar fazendo as coisas do meu jeito, mesmo parecendo que eu sofro de sérios problemas mentais. Nunca quis mesmo ser normal. Uma pessoa que vive de aulas de teatro, dirigi um grupo de atores mais loucos que ela, sim eles existem, escreve em um site, imaginando que ninguém lê e quando vê o contador só falta gritar, escreveu uma biografia quando tinha certeza que jamais chegaria ao fim dela, escreve poemas sempre que alguém cospe na sua cara, faz questão de esconder sua vida particular, eu diria privada mas essa palavra me causa naúseas, está escrevendo um roteiro, um livro e pensando muito em alguém. Escreve horas seguidas, até amanhecer. Quando alguém liga pela manhã, outro alguém na casa avisa: "Ela está dormindo!". A pessoa não fala, mas pensa: "Que vagabunda essa garota!" 

Sofro com o achismo das pessoas. Não uso roupa de escritório, não saio de casa para trabalhar todos os dias e, apesar disso, tenho a sensação de estar diariamente com a cara no trabalho. Porque minha mente virou uma máquina de frases, conceitos, reflexões. Quero colocar isso nos meus textos, quero dividir aquilo com as pessoas, quero falar, quero poder ir mais longe do que como ser humano iria. Minhas letras têm muito mais força do que sua dona. Foi assim desde o início. Eu não tenho charme algum, eu posso não ser ninguém, minhas letras são. Peço todos os dias que o poder das letras seja usado para o bem, não para promoção, não para aproveitamento unicamente próprio, é claro que eu vivo disso, mas gostaria de entender a escrita como órgão latente de mudança. 

Uma das minhas maiores alegrias é ver alguém querido conquistando seu lugar ao Sol. Esse é um dos desafios da vida, conseguir ser feliz com a alegria na vida do outro. Uma conhecida comentou comigo que sentiu algumas pessoas raivosas com o sucesso do meu livro. Disse ter sentido a inveja no ar. Isso até me assusta, porque não entendo como alguém pensa que sucesso nasce se não tiver plantio, raiz, dias intermináveis regando. Eu até gostaria de ter o poder das fadas. Fechar os olhos, acordar de manhã e meu livrinho estar ali pronto, na beira da cama. Foi trabalho, árduo que qualquer um pode tentar fazer, mas precisa reservar paciência. Meu livro não nasceu do nada. Hoje, quando pego um outro livro, a primeira atitude é olhar a orelha, vamos valorizar o trabalho do autor e ver quem foi o dito cujo que ficou dias, horas, meses e até anos sentadinho, escrevendo, escrevendo, porque posso garantir: o trabalho de um escritor é artesanal, linha a linha, detalhe a detalhe. 

Tenho o maior orgulho de ser próxima de dois escritores queridos. Quando o tempo permite, nós trocamos idéias, falamos nossos passos e refletimos o mercado. Bom imaginar isso. O primeiro é o JP Cuenca, autor de Corpo Presente. Autor insano como ele mesmo não faz questão de esconder: "Coisas que ouvi sobre o livro essa semana. Que a mãe de um amigo leu a primeira página e disse, "escreve muito bem esse rapaz", mas na página terceira, jogou o livro longe, "é um doente mental". Minha outra querida é Thalita Rebouças. Acabamos virando próximas sem fazer o menor esforço. Tudo fluiu. Thalita é muito cuca fresca, deixa a gente se sentir confortável para falar, abrir o jogo sobre o que a vida já lhe ensinou sobre a carreira. Enquanto tem gente fingindo ser escritor, publicando livros de baixa qualidade, JP e Thalita me ensinaram que vale sim seguir, batalhando pela letra maior. 

 

 

Minhas letras que apago...

de Tammy Luciano (escrito em 30 de outubro de 2003)

O Blog já estava escrito, o texto pronto. Coloquei no ar, desliguei o computador e, sei lá o porquê, algo me disse: "Vai lá e deleta tudo". Talvez, porque muita gente anda lendo minhas palavras, minhas feridas expostas no meio de um mundo virtual para quem quiser ler. Não estou dizendo que não gosto disso. Esse exercício de estar aqui todo dia, testar meu verbo, tem ajudado MUITO no meu novo livro. Coisas paralelas acontecem e eu sei que a pessoa errada acabaria entendendo tudo mais errado ainda. Falei de mim. O outro ia achar que falei dele. Contei uma história. O outro ia achar que comentei dele. E nesse caso, tenho alguns outros e outros deles que poderiam se imaginar citados em um contar que era de alguém que nem internet usa. Glupt...engulo um gole enorme de água. Me calo. Porque uma coisa nada estava escrita aqui e viraria uma coisa tudo. Não era nada demais, mas dependendo do olhar, seria coisa demais. Por que nós, seres humanos, adoramos ler entrelinhas? E se eu disser que escrevo sem revisar muito, sem entrelinhas e o que está dito não é de forma dupla. Tô criando o péssimo hábito de reler algumas correspondências enviadas, porque o destinatário questiona partes e eu fico tentando compreender a interpretação dele. E isso não aconteceu apenas uma vez. Porque essas análises errôneas me aprisionam e me fazem entender que parte da minha liberdade foi comida, cuspida, engolida e vomitada. Ou seja, foi, voltou, foi, voltou e agora é resto. O que eu disser amanhã também estará sendo interpretado. Não sei se quero falar mais alguma coisa. Vamos brincar de não falar nada? Quem ri primeiro, perde. 

Silêncio. Fico aqui olhando a tela do micro. Apago um parágrafo inteiro. Treze linhas de texto. Silêncio. Tudo apagado. Não quero mais esse texto. Não agüento mais gente interpretando minhas entrelinhas para me responder com duplicidades que não criei. Escrevo de maneira singular, unitária, sem plural. 

Busco falar do trivial. Falo do cotidiano.

Hoje, acordei com a notícia de que o lançamento tinha sido página inteira na revista Caras. Fui correr com a vida, porque sair em revista não muda meu caminho, meu trabalho. Estive na editora com Salve Jorge!, meu editor. Falamos do andamento do livro que, graças a Deus, está vendendo bem, mais do que o previsto. O seu previsto já era bem otimista, então estamos indo bem mesmo. No Brasil, não basta apenas lançar um livro, tem que divulgar, dar vida e viver o livro. Um amigo meu soltou a seguinte pérola: "Se você posasse nua, estava famosa, mas foi lançar livro, agora trabalha!". Minha mente tem mais a dizer que meu corpo, prefiro mesmo o mundo literário, o corpo da letra, a forma redonda da vogal, a intimidade da consoante. 

De tarde, fui na Siciliano, ver como andam as coisas para a tarde de autógrafos do dia 08 de novembro. Finalmente, muitos, muitos livros já estão por lá e a equipe da livraria vai preparar uma vitrine só com o material de divulgação. Deve ficar pronta amanhã e eu claro mostro aqui no Blog a foto da frente da livraria. O retorno das pessoas tem sido muito bom e eu me sinto muito protegida. Alguns já terminaram de ler o livro e andam me escrevendo, o que estou amando. Muita gente abraçando a história, curtindo, falando da Nanda com tanto carinho. Com certeza, ela recebe essa energia e vibra com a luz positiva dos leitores.

Então, no meio da livraria, vendo o funcionário da loja contar os meus livros, pensei em mim, na vida, na minha intimidade. Pessoas olhavam o livro, uma vendedora folheava e dizia: "Essa moça é aquela...". Os olhos brilhantes das pessoas tocando o livro me fascinam. Sempre achei que quando ele estivesse pronto, eu sentiria ciúme e não ia gostar dessa situação de ver meu texto multiplicado por muitos, indo para casas desconhecidas. Hoje, isso me encanta. Gosto da idéia. Me agrada imaginar olhares diversos correndo as linhas que escrevi.

Desculpa se mudei o texto do Blog. Escrevo de maneira singular, unitária, sem plural. Foi para o bem do bem. Não quero mais falar tudo que quero falar.

 

 

Ele abandonou as letras

de Tammy Luciano (escrito em 27 de outubro de 2003)

Sempre fui de planejar as coisas. Isso nem sempre foi positivo. Quando alguém queria se meter na minha vida, dava uma complicação danada. Alguém questionava alguma atitude minha, eu tentava dizer que era parte do que eu estava planejando, a pessoa me pedia para mudar. Mudar planejamento é algo que não se deve pedir ao outro. E eu sempre disse não. E dizer não ao outro nunca é algo muito bom de se fazer. Confusão formada. 

Estou aqui, escrevendo para você, quando escuto uma música muito doce, dos tempos em que eu dançava balé. Acho que o balé foi a única coisa nada planejada por mim. Eu era um desastre, achava escravo demais seguir os passos, várias vezes começava a pensar em outras coisas, minhas coisas, de repente minha mão se perdia na coreografia, meu olhar acompanhava o vôo de uma borboleta que invadia a aula e eu acordava com o chamado da professora: "Atenção no movimento! Um, dois, três...". O balé e eu entendemos que não seríamos justos um com o outro, caso continuássemos o contato mais próximo.

Não quero fugir do que quero dizer. Quando eu chegar no que quero dizer, você vai achar que dei voltas demais. Preciso falar, falar, fazer introduções, introduções até chegar onde devo. Pensando assim, um livro nada mais é do que várias introduções, introduções até que chegamos no final. E o escritor nada mais é do que um grande emaranhado de introduções, introduções. Ando envolvida em novos textos e sinto que quanto mais escrevo, mais tenho vontade, mais aprendo. E me pergunto se será assim sempre. Sempre serei escritora? Sempre desejarei fazer arte com as palavras? Sempre serei essa devoradora de realidade que reflete no papel uma nova ótica? Pergunto isso, porque volta e meia me surpreendo com a história de Raduan Nassar, autor do belíssimo livro Lavoura Arcaica, base do filme de mesmo nome, que depois de provar seu talento na literatura abandonou tudo e como diz a lenda foi "cuidar de galinhas". Isso é tão louco, surpreendente. Quantas outras belíssimas histórias esse homem não seria capaz de fazer, caso não tivesse desistido de ser escritor?

Eu penso em mim. No que desejo e em tudo que planejei. Muita coisa mudou em mim. O mais surpreendente, talvez, tenha sido o desejo de preservar minha intimidade. Antes, quando cogitava a possibilidade da minha carreira dar certo, eu aceitava fazer concessões e aparecer mostrando minha vida particular. Isso mudou. Por exemplo, quase diariamente, estranhamente, recebo mensagens de pessoas querendo saber detalhes da minha vida amorosa. (Leia o e-mail do Antônio no final dessa reflexão) Eu respondo apenas que vai bem e feliz com o lançamento do livro. E já dei respostas assim antes. Uma jornalista, querendo saber da minha primeira vez, escutou: "No JB Online", onde estreei minha primeira coluna oficial. Então, preservar minha vida é o que mais quero hoje. Isso me faz lembrar do querido Selton Mello, ator presente no filme Lavoura Arcaica, que disse: "Eu vejo artista que vai na revista falar do novo namorado, do carro que comprou, mostra o closed na matéria. Depois termina o relacionamento, aparece em Campos do Jordão e posa de triste perto da lareira. Isso cria na carreira uma situação horrível. Eu tô fora disso! Tô fora!". Essa declaração dita nos tempos atuais tem um peso todo especial. Eu estou com Selton Mello e não abro.

Alguns planos que desejo realizar: Continuar escrevendo, a história de Raduan Nassar me causa arrepios, jamais mudar com as pessoas, sendo simples e na minha, tendo sempre meus pés no chão, ter noção exata da minha carreira e realizar projetos que acrescentem as pessoas. Viver minha intimidade, pode parecer óbvio, intimamente. E Antônio, querido, obrigada pela mensagem carinhosa, pode acreditar que o diferencial da minha vida é o trabalho. O resto é normal e cotidiano. Eu sou normal e cotidiana e não quero deixar de ser normal e cotidiana.     

 

 

Cotiano demais...

de Tammy Luciano (escrito em 25 de outubro de 2003)

O que tenho de melhor não deixo aqui. O que melhor consigo escrever, coloco nos livros que quero publicar. As frases que admiro guardo para um momento mais black-tie. É que alguém reclamou que meu blog é cotidiano demais. Ué, mas blogs não devem ser cotidianos demais? E se blogs devem ser cotidianos demais, por que eu não deveria escrever cotidiano demais? 

Aqui em casa, todo mundo passa o dia inteiro me dizendo para só direcionar minha energia para as pessoas que apóiam meu trabalho, tanta gente curtindo esse momento comigo. Meus amigos e familiares pedem para eu esquecer os comentários ruins. Uma coluna questionou a iniciativa de fazer um livro sobre Fernanda Vogel, sendo ela alguém tão jovem. Pensei: respondo? Não respondo? Não respondi, só lamento as duas jornalistas que escrevem a coluna falarem de um projeto que ainda não tinha sido lançado. A vida inteira eu fui de só falar do que eu sei. Deixa para lá, pulemos de parágrafo. 

Sobre cotidiano demais, recebi um e-mail que comentava: "Tava vendo o seu site e embora ache k é muito importante divulgar e incentivar a escrita da nossa língua, penso k se deveria escrever com mais qualidade. Não se deve escrever  por escrever, pois podemos cair na oralidade. A escrita deve ser algo mais cuidado". Como e-mail respondo todos, lá fui com meu dedinho no teclado para dizer: "Tudo bem? Agradeço o envio da mensagem. Só não entendi o que quis dizer exatamente com o e-mail? Se quis apenas comentar a escrita sem sentido ou se quis dizer que o meu site deveria ter mais qualidade. De qualquer forma, a escrita na minha vida é um exercício de aprendizado. Estou tentando sempre melhorar. Espero que não tenha decepcionado você no todo e algo de bom você tenha visto no meu site. Fale mais, adoro trocar idéia e não sou nada orgulhosa e jamais viro as costas para os comentários. Fale de você, você também escreve? Aguardo seu retorno. Bjinhos. Tammy". Uma amiga disse que eu não deveria ser tão doce, disse que eu sou muito delicada com quem não merece. Falou que eu deveria dizer a ela que o mundo tem milhares de outros escritores, pouco me importa o que ela diz e, finalmente, por que perdeu o tempo escrevendo para mim, se não gostou do meu site? Decidi nessa vida ser leve. E leve tenho tentado seguir rodeada de pessoas iluminadas com energia positiva. Ainda que algumas vezes, tal leveza pareça ironia. Não acerto sempre, aliás, já fui muito errada com quem não merecia. Cada dia mais, tento reverter emoções. Não quero mais sentir dor e nem fazer ninguém sofrer.  

Por outro lado, me pergunto por que não aceitamos os comentários ruins e os recebemos tão bem como os bons? Seria tão melhor abrir o jornal e curtir um comentário ruim: "Que delícia! Que legal! Olha o que fulano falou de mim". Só rindo. Infelizmente, sofremos se não somos amados, entendidos, acarinhados, respeitados, adorados. Leonina como sou, isso bate mais forte. Estou tentando mudar. Estou treinando para conviver com as palavras mais duras. Imagina agora que tenho um livro na praça. Meu texto está na rua para quem quiser ler e conhecer meu trabalho. Lançar um livro é tirar a roupa e aceitar que pessoas olhem suas marcas, seus defeitos. Às vezes, imagino que será bom o dia em que estiver acima do bem e do mal. Deve ser muito bom falar e fazer qualquer coisa e qualquer coisa virar obra de arte. Às vezes, imagino que será bom o dia em que os dias forem somente bons. Para todo mundo.

Ué, mas eu não comecei falando sobre Blogs cotidianos demais? Por que depois mudei de assunto e entrei no tema crítica? Talvez, os dois temas sejam cotidianos demais e bom para falar em um blog. 

(Ontem, fui no lançamento de Corpo Presente do meu amigo João Paulo Cuenca. Criatura linda, linda também no texto, estamos sempre trocando idéia sobre essa vida louca de escritor e essa dificuldade de lançar livro, de mostrar trabalho. Existem mais escritores no Brasil, tenho certeza disso, do que o espaço físico para livros. Cuenca, querido, desejo que Corpo Presente faça seu corpo presente nas livrarias com enorme sucesso! Continue batalhando, você sabe que não é fácil, mas a gente chega. A obs da noite foi ver meu livrinho vendendo na Livraria da Travessa. Fiquei orgulhosa demais!) 

"Abro a porta, encaro o espelho. Ser alguém tem algo de grave. Não há outra opção. Você precisa carregar sozinho esse fardo que é você mesmo para todo lugar". (João Paulo Cuenca)

 

 

Sintonia e livro

de Tammy Luciano (escrito em 23 de setembro de 2003)

Sintonia. Como é bom estar em sintonia. Está aí uma palavra que é péssima para combinar. Não adianta telefonar e pedir "vamos entrar em sintonia". Isso só se consegue quando tem que ser, quando duas pessoas querem, o mundo concorda e o tempo ajuda. Porque se um não quer, se o mundo atrapalha e o tempo vai contra nada acontece. Até a natureza precisa estar em sintonia. Por aqui, há alguns dias as coisas andam assim. E eu não combinei, não tentei acertar, fui apenas me esforçando para entrar no ritmo certo comigo mesma. Então passei a fazer as coisas que eu estava a fim, passei a seguir os dias como me sinto melhor. Um exemplo: não consigo e não me faz bem acordar cedo. Não sou dessas que curte estar seis horas da manhã olhando o céu, admirando a natureza. Acho lindo como cena de cinema. A mocinha abre a porta para a varanda do quarto acompanha o sol nascer. Acabou de acordar. No meu caso, seis horas da manhã, eu estou indo dormir depois de trabalhar horas seguidas aqui no micro. E não adianta um infeliz me dizer que faço mal orgânico para o meu corpo, porque só eu sei a dor de cabeça que eu sinto quando não acordo minutos antes do meio-dia. Descobri que mudar isso era brigar comigo, ficar de mal comigo mesma. O desejo de sintonizar afetou as pessoas ao meu redor. Elas sentiram a verdade nos meus olhos: "Ela não gosta de acordar cedo e pronto!". Assunto encerrado. Hoje, vejo o sol de fim de tarde indo embora, dando lugar a lua. A reciprocidade que era de mim comigo mesma, brigo com o português para falar o que estou a fim, passou a ser dessa pessoa que aqui escreve com o mundo além do meu portão. Sintonia:  Estado de dois sistemas suscetíveis de emitir e receber oscilações elétricas da mesma freqüência. Eu ando em acordo mútuo com a vida. O assunto em comum é a gente seguir bem. Eu e a vida. Eu e você. Como quiser.

Os amigos andam ligando para saber de mim, escrevem pedindo retorno e eu pergunto, caradepaumente, se eles andam lendo meu Blog. Olha que ridículo! É que o tempo anda tão curtinho, não consigo mais falar muito com todo mundo que gostaria. No meu Blog, acabo dando notícia para todo mundo de uma vez só. Estou bem. Melhor que antes. Pior do que amanhã. Espero. 

Para explicar melhor como anda a vida, vou dar um pequeno resumo do dia de hoje: respondi 20 e-mails profissionais, isso demanda tempo, revi com meu editor Salve Jorge! alguns detalhes finais do livro, antes de...glupt...meu livrinho entrar, finalmente, na gráfica. Menos de um mês para o lançamento! Depois escrevi alguns textos para o site que estamos preparando para lançar com o livro, escrevi duas cenas para o espetáculo com a turminha jovem do Curso Preparatório da Casa dos Artistas, revi as legendas que vão acompanhar as fotos do livro, tentei escrever um pouco um novo texto, não consegui, o telefone tocou, respondi e-mails que chegaram no meio tarde, almocei entre um texto, uma ligação e uma respirada. Acha que acabou? Fui ensaiar o novo espetáculo na Casa dos Artistas, voltei em casa, falei com Salve Jorge! de novo e agora estou aqui. Vou escrever o Blog, preparar novas cenas para o espetáculo, responder e-mails que chegaram e escrever minha nova história que anda abandonadinha esses dias, mas também não é para menos. E tem gente que, me vendo em casa, acha que eu estou com a vida leve e solta. Estou? Pode ser! O meu trabalho é libertário, me sinto livre e feliz fazendo tudo isso que falei aí em cima.

Reflexões. Dia e noite. Paramos, onde estamos, no meio do passo, na entrada de uma casa, ao lado de alguém querido, durante um telefonema, para pensar quem somos nós e se um dia a gente quis mesmo viver isso que vivemos. Minha resposta é sim. Porque mesmo que meu mundo lá fora pare, meu mundo aqui dentro segue acelerado, pensando, digitando sem parar, refletindo, rebatendo, repensando quem sou eu, onde estou, como, quando, o porquê e principalmente o para quê. 

E o bom é sentir que as pessoas entendem isso, respeitam meu ideal e continuam me dando carinho. Ando recebendo carinho de várias pessoas, carinho contínuo, simples, e-mails lindos dizendo apenas "torço por você, falta pouco, você chegará onde quer". Confesso que não é bem chegar a algum lugar, mas continuar no mesmo ritmo. Hoje, meus passos felizes estão presentes quando posso escrever. Escrevo rápido, sem olhar o teclado, vendo aumentar minhas linhas, minhas palavras, meu texto que me faz feliz. Sabendo que você vai ler isso tudo, só assim vale meu furacão interno. Foi como falei. Eu e a vida. Eu e você. Como quiser.

 

 

Uma paixão diferente de todas...

de Tammy Luciano (escrito em 02 de setembro de 2003)

(Foto: Um lado do meu quarto de escrever...)

Não vou mentir, aliás, nem sei. Estou de nova paixão. Uma paixão ainda no começo, começou tudo semana passada e para os que me conhecem, a cabeça está a mil. Assumir assim publicamente uma nova paixão? Tá louca? E seu desejo de manter a vida pessoal de longe? E sua vontade de não falar se é solteira, casada, divorciada. Tá doida? Estou! Aconteceu! Não posso mais esconder. Nem sei se aconteceu como eu queria, nem sei onde isso vai dar, mas estou apaixonada demais para não assumir abertamente para quem mais quiser ler. Sempre acho que essas minhas conversas não interessam ninguém, mas como o mesmo ninguém me manda calar a boca, eu desando a falar. E volta e meia algum doido escreve dizendo gostar desses meus pensamentos. Assim são muitos anos falando, falando. E agora, não posso esconder de você o que estou sentindo. Aconteceu. Acordei semana passada, o coração disparou mais do que o normal. Já senti isso algumas vezes. HORROR! Já sei que não vou dormir mais, não vou querer saber do relógio, vou comer pouco, sonhar com um final feliz, desejar conseguir realizar tudo da melhor maneira possível.

Tá, antes que reclame, vou tentar não ser tão subjetiva. Sei que devo ser mais direta, abrir mais esse jogo apaixonado. É que estava aqui curtindo você estar feliz por mim, estar me vendo apaixonada. Eu estou mesmo. Só que não é uma paixão como você imagina. É um relacionamento mais raro. É uma paixão pela nova história que estou escrevendo. Desculpa se decepciono, mas escritores sentem tanto amor por letras quanto sentem por pessoas humanas.

Para provar meu amor pelos livros, uma foto de uma parte da minha estante. A estante foi presente do meu paizão. Eu criei o formato e ele mandou construir em alvenaria, ou seja: zero chance dos livros pesarem as prateleiras (risos). Você já sabe o teor do material em questão, né? Tenho livros de teatro, claro, roteiro, romances, espirituais e biografias (paixão antiga)! Os livros em vermelho são da coleção Teatro Vivo, lançados na década de 70. Tenho boa parte da coleção que além de trazer ótimas peças, tem boas traduções e ainda conta detalhes sobre montagens, o autor e etc. Cecil Thiré, aliás, traduziu "Casa de Bonecas" de Henrik Ibsen. Quando tive o prazer de trabalhar com Cecil, não resisti, um dia levei meu livrinho para ele autografar. Ele deve ter achado graça, mas recebeu meu livrinho comprado em sebo com o maior amor e escreveu o seguinte: "Tammy, bom proveito com o mestre Ibsen. Sucesso!! Cecil Thiré". Cecil foi uma das pessoas que tive o prazer de trabalhar que mais entende de teatro. Curiosidade: Cecil dirigiu "Casa de Bonecas" em 1971. No elenco, sua mãe Tônia Carrero no papel de Nora e Rubens de Falco como Torwald.

Espero que goste da foto! Essa estante fica aqui atrás de mim quando estou no micro...esse é o meu quarto da escrita. Não podia ser melhor, né?! Por isso que minha TV fica no outro quarto tagarelando quase sozinha...

 

O trabalho nos Jornais

de Tammy Luciano (escrito em  20 de maio de 2003) 

Uma e vinte e cinco da manhã, eu aqui ainda pensando em jantar. Pode isso? Qualidade na alimentação:  zero. Não preciso nem dizer que perdi cinco quilos no último ano. O que seria uma delícia, se o motivo não fosse falta de horário para comer e escolha errada no que decido colocar no prato.   

Hoje, claro, tenho que falar do meu livro. Fica difícil não tocar no assunto, afinal a biografia da Fernanda Vogel foi estrela na imprensa paulista de ontem. Foi nota em tudo quanto foi coluna. E lá estava meu livrinho sendo assunto no Estado de São Paulo, no Diário de São Paulo, no Portal Terra. Tá certo ninguém disse que eu sou a autora e, no fim da tarde, eu estava achando graça disso. No fundo, venho há alguns meses me preparando para o livro ganhar vida, estar na mão das pessoas e não ser mais meu. E também os colunistas foram tão legais focando o projeto assistencial que Myrian Vogel está criando. Meu ego foi embora, o livro é MUITO maior do que minha existência. Cheguei a curtir o sabor do anonimato, um sabor de dever realizado. As notícias falaram também do apoio de João Paulo Diniz ao livro. Nenhuma surpresa pra mim. Quando estive com ele em Sampa, me recebeu tão bem, só mostrou carinho com nosso projeto. 

Joãozinho, amigo de Sampa, que apesar do mesmo nome, não é o JP Diniz mandou até mensagem: "Oi, Menina!!! Fiquei muito feliz com a nota no ESTADÃO! Como o próprio colunista disse, o João Paulo está mesmo apoiando a idéia...... Com a ajuda dele aqui em SP, a coisa "levanta vôo"...Você deve saber que este é o principal jornal de SP... Muitos gostam da FOLHA DE SÃO PAULO, mas o ESTADÃO é F...! Meus parabéns!!! Beijos.... João". Joãozinho é um fofo, amigo desde 1996, época em que eu morava nos EUA. Adoro tanto você, menino! Obrigada por essa torcida, por esse apoio. Mesmo você em Sampa, sinto a força da tua fé no meu trabalho aqui na terra carioca. E mesmo quando reclama comigo, pega no meu pé, sinto ser para o meu bem. Um bem que me faz um bem enorme, meu bem!

Joãozinho, aliás, brigou comigo. Mandou mensagem abusada, brigou de verdade. Diz que ando pensando tudo errado. Nem sei se um Blog é o lugar certo para falar. Tanta gente vendo, lendo, sentindo minhas palavras. Qualquer declaração poderá ser usada contra mim: "Não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei" (Quanta saudade, Renato Russo!) E no fim das contas, me fecho em mim, quero mudar os móveis de lugar, desejo virar a página, lembro de um beijo, abro os braços, canto o refrão da nova música da Jewel quinze vezes seguidas: "Do you want me. Like I want you...". Penso no futuro, escrevo, apago, refaço, rezo, desejo e lembro. Bebo um copo de refrigerante, penso em futilidades, decido o que não tenho certeza, apago a luz e volto a acender. Sou assim. fazer o quê? 

Pra encerrar. Dei uma parada aqui na internet e fui lá fora olhar o céu. Nuvens enormes me fazem ver o outono. Mesmo assim viajo além delas, passo o espaço de algodão e vou longe, depois da Terra. Ano passado foi um ano tão corrido. Eu, Myrian Vogel e Bebel Vogel, as duas me ajudaram a encontrar amigos e familiares de Fernanda, batalhamos tanto para que o livro fosse verdadeiro, sincero sem mas mas. Nossa. Agora, tudo isso acontecendo, essa divulgação do nosso sonho. E só nós sabemos a dor do parto. Livro é filho! Sei, não somos apenas nós curtindo essa alegria. Nanda, lá em cima, deve estar orgulhosérrima. A luz vem dela...podem acreditar! 

Preciso pensar em fazer as malas. Passo o fim de semana fora. Depois falo mais...

 

 

 

 

 

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