Voltar Home -
Site Tammy Luciano
Aqui
o assunto é um só: o amor pelas letras! Letras que geram
letras. Vontade de sempre escrever, de pensar arte escrita
com textos em que Tammy pensa essa maneira louca que
escolheu para viver. Escrever, escrever, escrever!!!
"Acho que quando
partir, quero estar com um livro nas mãos..." (Tammy Luciano)
Todos os textos
escritos no Reflexões sobre Escrita são de Tammy Luciano.
Eles foram registrados na Biblioteca Nacional. Respeite o
direito autoral!
E-mail
Reflexões
sobre Escrita...ano
de 2006!
Menina
Boazinha Malvada é fenômeno na internet!!!
15 de
setembro de 2006, sexta-feira.
Alguns dias,
sinto um arrepio na alma. Minhas letras definitivamente na
mão do mundo. Eu escolhi tudo isso. Repito sempre isso para
mim. Tenho mais é que jogar para o alto minhas palavras e
que elas se propaguem por aí. Mergulhem, viajem, sigam e
conquistem as pessoas. Mesmo assim, apesar de repetir esse
mantra da liberdade, ainda me assusto quando me vejo por aí,
andando pelas pessoas e escutando minha voz em suas bocas.
E no meio do
corre-corre que é minha vida, a Marielly Freitas
me escreveu a seguinte mensagem: "Olá! O motivo que
me fez achar você foi a frase daquele poema "Menina
boazinha malvada" que já vi em muitos profiles e saí
atrás da autora. Desculpa a curiosidade, viu? Você mesma
que escreveu? Você já viu em quantos perfis ele está, em
fotologs, blogs e afins? Queria saber mais do seus
trabalhos e onde posso comprar? Obrigada e desculpe a
minha invasão!"
Meu Deus,
se todas invasões fossem positivas assim. Alguns dias,
tem gente que invade da pior maneira, se acha dono de
mim, fala a vulgaridade que quer e vai embora. Eu quero
muitas Mariellys educadas, me tratando tão bem e me
deixando recados tão importantes.
Corta
para a próxima cena. Euzinha fazendo busca na internet e
chocada com o número de meninas que coloca a MINHA
poesia Menina Boazinha Malvada para explicar quem são.
Meu Deus, quantas meninas falando minhas letras! No
orkut, minha poesia fica no "quem sou eu" de tanta gente
que fiquei vesga... o que eu fiz? Bem, a Lidy,
querida, fez
uma comunidade
para avisar que a poesia é minha e eu estou pedindo que
as meninas coloquem a autoria. Vamos ver se elas me
ajudam...uma delas já me respondeu, dando parabéns e
dizendo que a poesia é a cara dela. Vale dizer, que meu
poema já tinha uma outra
comunidade.
Agora são duas... risos...
Alguns
dias, com mais frequência atualmente, sinto que meu
trabalho se encarregou de se fortalecer por si. Chega
uma hora que a lei natural dos acontecimentos acontece
natural por sua própria lei.
As flechas
do coração que precisam ser duas...aqui e lá!
03 de
abril de 2006, segunda-feira.
Não sei ao
certo como explicar como me sinto bem escrevendo. Não sei
imaginar minha vida sem poder escrever e reparo claramente
que os dias em que passo escrevendo ficam com um sentido, um
bom humor e uma alegria. E é tudo muito sutil, como um
perfume de jasmim que somente um minuto depois as pessoas
sentem no ar.
Escrevo
porque amo, porque acho que só sei fazer isso... escrever...
é isso que eu lembro quando acordo e é sempre a última coisa
que faço antes de dormir... e é escrevendo que eu falo dos
meus dias, dos dias das personagens que invento, da vida que
levo e da vida que quero levar.
Seguindo com
o pensamento...
Outro dia,
conversando com um amigo sobre gostar, não gostar de alguém
e poder controlar isso em nós, coisa que acho impossível,
meu amigo disse saber mandar no coração dele. Eu respondi:
Pessoinha desculpa dizer mas se você está conseguindo dar
ordens para o seu coracão é porque ele não está com uma
flecha espetada dentro dele. Ele disse: "eu mando... pior
que mando... tanto que eu separei a hora que quis, pesei
sozinho... e depois voltei... eu sei trabalhar meus
sentimentos, basta eu querer". Eu tentei dizer ele é o único
ser do planeta Terra a conseguir isso. Não foi difícil
prever: Quando você cair de paixão por outra me conta se
manda mesmo no seu heart. Paixão é querer pegar o
carro no meio da noite para encontrar, é
escutar uma música e o coracão disparar . Ele cometou
que "então a coisa comigo deve estar hiper forte como nunca
antes, rs!". É, quando não estamos apaixonados, nós
esquecemos a força da paixão e do encontro. Quando estamos
envolvidos, com nosso coração flechado, sabemos a força de
uma história e a falta de controle do nosso sentimento. Ele
disse que aprendeu a mandar em si, " você aprende a lidar...
para não se machucar. Não gosto tanto, porque não permito
gostar." Quando ele estiver flechado vai refazer esse
discurso. Não porque eu sei das coisas, mas porque as coisas
sabem da gente.
Ah, se sentir
fosse realmente assim, se a gente fosse patrão dos nossos
passos e cabeça da nossa mente... a gente não pode controlar
o que sente, mas pode deixar o amor próprio falar mais alto
e lembrar que ser maltratado não é carinho, ser usado não é
gostar e ter que esperar por alguém nunca vale a pena. Mas
amar e se deixar ser amado é o melhor da vida. E o bom é
quando o cupido flecha aqui mas não esquece de flechar lá.
Textos,
nomes, eu e os dias...
17 de
abril de 2006, segunda-feira.

(Foto: Eu!)
Alguns dias,
volto a mim e me vejo mais forte do que antes, como se em
algum momento essa força vá ser importante para meu
crescimento profissional. Escrevo. Sigo. Finalmente, tirei
da gaveta dois projetos que tinha medo de realizar. Duas
peças de teatro. Texto meu, não preciso pedir autorização de
ninguém para montá-las. Aliás, nessas horas, aliás, em
muitas outras, eu agradeço muito saber escrever. E nós vamos
produzir as duas peças esse ano. Digo vamos, porque não
tenho do que reclamar. Estou bem acompanhada de pessoas que
estão com o mesmo gás que eu para ver essas montagens
montadas. :O)
Enquanto
finalizo uma das peças, falta quase nada, a cena final
apenas, dei um tempo no meu livro. Volto semana que vem.
Imagino. E ontem, estava aqui no micro quando uma amiga me
pediu ajuda, querendo saber minha opinião para a história
dela com um ele, que, aliás, eu conheço. Difícil me meter,
sair dizendo o que ela deveria fazer. Fui na resposta
clichê, mas do fundo do coração. Disse que ela deveria
seguir a intuição dela. No fundo, a gente sempre sabe se
aquilo deve ser ou não. E só a gente sabe como foi, se vai
acontecer de novo... muitas vezes, a gente pede a opinião do
outro quando já sabemos a resposta, ou quando não sabemos
mas só cabe a nós saber.
Preciso
dizer, sou péssima com títulos. Meu quarto livro está aqui
sendo escrito e esperando um nome decente que seja
satisfatório. Livros são vendidos pelo título. Um bom título
diz tudo e um ruim acaba com qualquer chance. Por isso,
tenho me dedicado bastante a encontrar um rótulo bom para os
meus produtos literários. Já escolhi título tão ruim que
depois tive que mudar. É preciso levar muito a sério a
escolha da nomeclatura de um trabalho. Até porque dá tanto
trabalho! Aliás, tem uma pessoa que é ótima para encontrar
título bom. Meu amor anda dando uns palpites maravilhosos.
Só posso agradecer nossos papos, seus comentários sobre meu
trabalho e sobre as coisas que escrevo.
As
letras, sem ponto final, desejando o sempre.
21 de março
de 2006, terça-feira.
 |
|
(Foto: No carnaval, eu fui,
literalmente, para o paraíso. Amei aquele lugar, os
amigos que foram comigo, meu coração completo ao
lado do meu lindinho... perfeito! Fica a foto aqui
para dividir com vocês um pouquinho dos dias que
adorei viver!)
Estou
escrevendo uma nova peça de teatro. Depois que
descobri o mundo dos livros, deixei um pouco de lado
minha escrita teatral. Meus amigos, as pessoas
queridas que montam meus textos, vivem reclamando
que não posso deixar de produzir para o palco.
Eu vivo
escrevendo, mas a sensação é de que escrevo bem
menos do que deveria. Eu juro que queria ser uma
máquina de escrever, dessas ativas todo o tempo, com
muitas letras nascendo, textos novos o tempo todo... |
Se
passo a tarde escrevendo acho que foi pouco, se escrevo
cinco folhas, acho que é quase nada. Se não termino a
história, fico me cobrando o ponto final. Odeio deixar as
histórias pela metade. Até porque se paro, nunca mais volto.
Ficam aquelas vidas pelo meio, sem ponto final. Sei
exatamente como terminariam as histórias que não acabei.
Estão aqui, com os personagens no meio das frases,
decepcionados comigo. Por isso, preciso encerrar cada peça,
cada livro... e não sei imaginar esse temporal do bem
terminando dentro de mim.
Alguns dias,
penso que meus filhos ainda vão demorar a chegar, mas quando
eu for embora, eles terão muito da minha presença com eles.
Meus textos são o que de melhor tenho em mim.
Aprendi,
definitivamente, que o amor é a
única coisa forte nesse planeta. Quem
não o tem ao alcance das mãos,
não tem nada.
Amor, amor, amor, amor, amor... meu amor. Amor! Meu amor!
*******************************
Reflexões
sobre minha
escrita...ano de 2005!

E-mail
-
Site Tammy
Luciano
Amiga de mim...
15 de julho de
2005, sexta.
(Foto:
Eu. ponto.)
Eu olho e me vejo. Poema de mim no meio da madrugada. Dias
sem sono, vontade enorme de ver o tempo apenas como um
tempo.
Ainda bem escrevo.
Fiquei deitada no chão do meu quarto, olhando o nada. Algo
existe de interessante no mundo do nada que me encanta e me
estimula a pensar. Me acalmo tanto. Me vejo em dias
coloridos, correndo de um lado para o outro, feliz. O nada
que eu preencho da maneira que eu quiser. E como ensinam os
indianos: vamos ver o melhor, mentalizar as imagens
boas...
É possível que eu tenha medo de mim. Só eu sei como me
agredir da pior maneira. Quem tentou competir comigo só fez
cosquinha. Mas eu sim, quando quero me magôo fácil em mim.
Profundo. Sem volta, anos para cicatrizar. Por isso, penso
antes de me fazer chorar, antes de maltratar o corpo e me
arrepender depois. Nada de ontem me abala, as certezas que
tenho hoje do meu futuro são certas e jamais minha cabeça
foi tão exata. Exata na falta de exatidão assumida que é ser
eu. Essa pessoa que não quer dar satisfação, não quer ser o
que o outro é, quer apenas poder acontecer como sempre quis,
sonhou e lutou.
E sabendo disso, ando disposta a me fazer feliz. Há algum
tempo sou minha defesa, meu escudo, minha amiga sentada na
beira da cama, me pedindo mais paciência, mais fé na vida e
mais coragem. Não me quero metade em nada, me quero inteira,
pronta para o mundo e os mergulhos da vida. Me abraço e me
prometo seguir do meu lado, nós duas em uma. E mesmo me
sentindo só, me sinto acompanhada. Mesmo acompanhada, não
esqueço de mim, sou a pessoa que mais me conhece e mais
entende meu código.
É assim que estou esses dias. Leve. Deitada no chão do meu
quarto, olhando o nada, mas um nada colorido.
Melhor...voltar a pensar...
03 de junho de
2005, sexta.
(Foto:
Euzinha fazendo pose!)
Voltei a
pensar...depois
de andar parada nos pensamentos, em crise total de
neurônios, voltei a
pensar.
Por vezes é bom o corpo falhar, o meu falhou, a mente doer,
a minha doeu e a gente entender que mesmo longe da paz, a
gente pode buscar dias melhores.
Quando de
alguma forma nossa existência quer pausa, devemos dar essa
pausa. Eu dei. Para mim é quase como um castigo, afinal não
gosto muito de parar meus pensamentos ou ficar sem escrever
com mais ritmo. Era necessário. Depois da Bienal, deixei os
textos de lado um pouco, fui pensar na vida. A Bienal foi um
furacão, recebi tantas informações, tantas idéias de uma
vez, precisava refletir.
Voltei a
pensar. Estou com dois projetinhos, incluindo meu livro 4 e
um outro que é ainda um rascunho de idéias, e espero logo
adiantar esses projetos. O livro 4 resolvi mudar alguns
detalhes importantes que vão mexer, principalmente, em
algumas características das personagens. Imagino que dessa
forma elas estarão mais próximas de quem curte ler meus
textos. Sim, pessoinhas, de tanto conversar com
vocês, acho que já sei mais ou menos quem são.
A vida voltou
a mim. O sangue parece estar correndo de novo. Espero não
ser alarme falso.
Sem saber até
onde vou...
06 de junho de
2005, segunda.
Olho
para os lados, perco os limites da vida, até onde meu
trabalho consegue atingir o coração das pessoas? Nunca sei
ao certo quantos leitores tenho, se meus textos estão por
aí, quem está vendo minhas fotos, sabendo de mim. Já entendi
que jamais terei essa resposta. Quantas pessoas leram meus
livros? Quem já veio aqui nesse Blog? Quem sabe de mim e
fica interessado em saber dos meus dias? Uma moça diz que
está louca para ler meu romance. Eu também estou louca para
lançar. É uma história de amor. História de amor nunca é
demais, né?
E você? Sim, você! Até onde acha que vai? Sim, aquelas suas
palavras, ditas para alguém, o que mudaram na vida do outro?
Sua presença, o que você acha que causa nas pessoas? Até
onde elas caminham pensando em você? O quanto nos deixamos
dentro de alguém? Sim, não são apenas os escritores e suas
letras que mergulham nas almas alheias. Todos nós, seres
humanos, influenciamos pessoas e mais pessoas. Ninguém passa
sem ser notado nesse mundo. Até os mais ditos
insignificantes modificam outros seres. O homem andando com
trapos na rua me faz pensar na pobreza humana, nas mazelas
do meu país que eu gostaria de mudar ou ajudar a melhorar.
O mundo é uma grande troca de ações. Eu me sinto olhada
todos os dias, nas pessoas que observam meu trabalho, mas
pode acreditar que você também é olhado. Sua ação invade o
outro, fica nele, segue por aí. Nós somos pedaços de nós se
espalhando pelo mundo, se unindo com outras energias,
somando e diminuindo pensamentos de várias formas. Jamais se
sinta menor, não olhado ou sem importância. Não existe isso
no planeta! Temos que valorizar nossa existência, na certeza
que de alguma forma nossa presença faz girar sentimentos,
pensamentos e energia pura!!!
Então vou indo, deixando você pensar em coisas boas, fazendo
girar girar girar girar pensamentos de luz, pensando em tudo
que você pode fazer para fazer seu mundo melhor. Melhor,
melhor, melhor...nossa missão é sempre para melhor...sempre,
sempre, sempre...
Eu tenho ido para onde vocês estão me levando, na crença
desse carinho todo e de mergulhar no meu trabalho que me faz
MUITO feliz!
O Zuenir gosta de ler e por isso escreve.
11 de junho
de 2005, sábado.
Claro que eu aproveitei a Bienal para comprar livro!
Eu estou indo toda noite dormir mais tarde lendo lendo
lendo. Adoro ler. Talvez por isso...escritora.
Outro dia, me impressionei com o Zuenir Ventura
dizendo no Jô que ele não gosta de escrever. Ele
disse que escreve porque é o trabalho dele, é o sustento, e
porque adora ler. Na minha cabeça fez algum sentido. Não
todo, mas algum. Realmente, quando a gente lê um livro
maravilhoso, fica pensando porque não foi a gente que disse
aquela frase, não criou aquela personagem, não lançou aquele
livro. Outras vezes, eu penso: De onde essa fulana
tirou esse pensamento? Que máximo!
Alguns dias, quando alguém elogia um texto meu, faz algum
comentário de uma frase, eu penso que isso é melhor do que
elogiar o livro todo, a pessoa foi no detalhe, entendeu
aquela mensagem profundamente, fez bater o coração com
aquela declaração, eu fico me perguntando se alguém que já
leu um livro meu quis ser escritor. Vá saber!
Por que eu gosto tanto de escrever? No meu caso é visceral.
Lembro de um namoradinho que eu tive há muitos anos atrás,
tudo que ele me fazia, eu escrevia. Ele enchia a minha
paciência e eu jogava no papel. Ele me magoava e eu contava
todos os detalhes em uma agenda. Nunca tive coragem de dizer
o que realmente sentia para ele, mas o papel registrava
todos os podres do rapaz. Por isso, fiz um exercício tão
profundo de dizer verbalmente meus sentimentos. Por isso
também nunca quis fazer análise. Sempre me analisei lendo
dias depois, mais isenta dos sentimentos, aquilo que
escrevi. Hoje em dia então, quando leio minhas agendas
adolescentes, acho muita graça! O Ed esteve aqui, acho
que tô afim dele. O Guto me ligou! e por aí vai...
Fiquei pensando no Zuenir. Oh, meu Deus, escrever porque é
trabalho. Pensei em dizer a ele dos meus dedos nervosos que
saem falando pelos dedos sem que eu queira, do escrever sem
pensar em ganhar nada com isso, mesmo hoje em dia já
ganhando alguma coisa. O Zuenir disse que seu livro novo ele
até gostou de escrever. Até gostou? É
inevitável pensar se Zuenir gostasse de escrever
profundamente o que sairia de dentro dele. Fico sem saber se
amando, odiando ou aturando a arte de escrever modificamos o
resultado dos nossos textos. Quem gosta mais escreve melhor?
Talvez isso não faça a menor diferença. Conheço gente que
acha o máximo escrever e não consegue realizar uma linha.
Outros que passam mal jogando sua alma no papel e depois
duvidam até que escreveram aquele texto.
Os mistérios da escrita. Quem sou eu para explicar. O que eu
sei é que o Zuenir gosta de ler e por isso escreve.
Não penso
nisso. Vou escrevendo...
15 de junho de 2005, quarta.
(Foto: Euzinha fazendo careta e pose, testando o
cabelo novo...)
Outro dia, uma pessoa comentou que acha loucura esse mundo
que eu vivo, pessoas lendo meu Blog, lendo meus livros,
lendo meus textos, lendo minha alma.
Não penso nisso. Vou escrevendo...
Tá certo que nunca imaginei minha vida seguindo pelo
caminho da escrita dessa maneira. Acabou acontecendo e está
cada dia maior, cada dia melhor, cada dia mais especial.
Esse meu mundo é mais calmo do que muitos imaginam. Fico
horas aqui na frente do micro, tentando escrever alguma
coisa, confesso que meu livro novo está um nó só, estou
mudando as características da minha protagonista, isso muda
muita coisa no que pensei antes. Então...risos...se não
tiver uma musiquinha de fundo, vou seguindo aqui em
um silêncio aterrador.
Viagens na cabeça. Vejo cenas, ouço falas, vejo beijos,
sinto os sentimentos das personagens. Mudo algo, elas
reclamam, quem manda sou eu, pelo menos no meu romance. Vou
escrevendo direto, sem dividir capítulos, uma bagunça só.
Mudo um momento da história. Semi-deus, sem nenhuma
pretensão de ir além disso, porque não quero mexer no
destino real de ninguém. Mudo a vida das pessoas apenas nos
livros.
O mundo dos livros é bom, é lindo e me faz feliz. Posso
garantir...
Diário da Bienal - dia 01- Eu
sou Mais Feliz que a Lolita!
13 de maio de 2005, (de quinta para...) sexta.
É
claro que estou MUITO cansada, passei a noite passada
praticamente em claro, nervosa, tensa, andando pelo quarto,
pensando nisso e naquilo. Adoraria ter uma equipe junto
comigo, pessoas pensando, quando preciso, mas não quero
pensar. Só que resolvo tudo sozinha, recebendo quando dá uma
ajuda especial dos familiares e amigos. Vocês, meus leitores
queridos, ajudam demais emocionalmente.
(Foto: Euzinha em dia feliz!)
Enfim, agora sou uma Pessoa Bienal. Andei pela feira
emocionada demais por estar no evento. Não estava tocando
música nenhuma na hora, mas foi como se estivesse a melhor
de todas as melodias. O estande onde estou é pequenininho, o
Paulo Ferraz e sua esposa são queridos, hoje o evento foi
visitado mais por lojistas do que por pessoas físicas, dizem
que primeiro dia é assim mesmo, mesmo assim tudo foi lindo e
já vendi livrinhos. Vou repetir: já vendi livrinhos!!! Tô
feliz. Muita gente elogiou o livro, comentou a qualidade e
já fiz alguns contatos bons, porque a feira tem todo esse
lado de encontros especiais.
Em uma das voltinhas rápidas que eu dei, encontrei a
Thalita Rebouças feliz com o sucesso dos seus livros.
Ela é nome importante na feira, uma das escritoras
convidadas para eventos desse ano. Você merece, pessoa!
Gostei demais do seu recado aqui no Blog. Sucesso para nós!
Como o dia estava calmo, assisti uma entrevista com a
Lolita Pille, a francesa que escreveu Hell, no Café
Literário. Sim, fiquei cara a cara com a moça! Sei lá,
apesar dela ser milionária, vivemos a era do dinheiro manda
trazer felicidade, ter 20 pessoas bajulando, olhei nos seus
olhos e vi uma tristeza no canto, um sorriso sem sorriso.
Sabe aquele papo de tudo fácil demais? Nasceu milionária,
decidiu virar escritora, lançou fácil seu primeiro livro,
isso tudo dito por ela mesma, e agora vem como convidada VIP
da Bienal do Livro no Brasil. Ai, tédio! Me vi nos olhos da
moça ao contrário. Meu nome não está na programação oficial
da feira, ninguém sabe muito bem que eu tô lá, aliás, não
sabem nem quem sou eu, eu estou pessoalmente vendendo meus
livros e mostrando meu trabalho, mas quer saber?
Sou mais feliz
que a Lolita Pille!
Eu estou conseguindo as coisas na maior luta do bem, em
uma batalha longa, mas com resultados contínuos e
crescentes. Pela primeira vez na vida sei exatamente quem
sou e o que eu faço. Mesmo que eu esteja na Bienal na
condição de batalhadora, sem que ninguém se preocupe muito
comigo, o melhor está no peito, pendurada, minha credencial
de
AUTORA!!!
É, eu sou mais feliz que a Lolita!
Chegou o dia! Eu vou para a Bienal do Livro 2005!!!
12 de maio de 2005, quinta.
(Foto:
Essa foto foi tirada no dia da Leitura de Negro Boi.
Eu com figurino da personagem Joana. O elenco atrás de mim
fazendo os últimos ajustes. Esse dia foi muito especial, por
isso escolhi essa foto para comemorar o início da Bienal.
Viva o mundo dos livros!)
Início da Bienal. Já estive várias e várias vezes na
feira, sonhando com o dia que estaria lá com meus livros. Em
uma das vezes, consegui me ver, sorrindo, meus livros na
mão. Não via a carinha deles, mas estavam ali, estariam um
dia. Por isso, falo tanto sobre acreditar no sonho. Hoje,
sinto uma emoção enorme com a realidade conquistada.
Se a gente puder ver o sonho, acreditar como verdade, ele
acontece. Vai ser especial demais estar no evento, poder
encontrar as pessoas lindas que já falo virtualmente,
aqueles que me conhecem na vida real e quem jamais me viu,
mas vai poder conhecer minha história. Eu vou amar encontrar
cada um de vocês!!!
Eu sei que a feira é um evento comercial, empresas mostrando
produtos, escritores divulgando sua arte, negócios e mais
negócios sendo feitos, mas se a gente parar para pensar no
astral, na energia, todos aqueles livros juntos, nossa, fico
arrepiada de pensar que vou estar na reunião mais intensa
dos livros no ano de 2005 no Rio de Janeiro. Se alguém
souber de um evento maior que esse, please, me avisa! Que
Deus abençoe cada livro naquela feira e que a magia das
palavras, das histórias atinja mais e mais leitores.
E meu dia foi tão corrido! Tão corrido! Imagina, ainda tinha
tanto para arrumar. Mandei fazer umas filipetas para avisar
alguns amigos da Casa dos Artistas sobre onde ficarei na
Bienal. Também fiz essa filipeta com o endereço do meu site,
assim quem sabe conquisto novos leitores? Também fui fazer a
unha, afinal, mereço, né? Tive que mandar e-mail para uma
turma enorme. Confesso que ainda estou mandando. Estou
enviando de trás para a frente. Se seu nome começa com A
de Amanda, você ainda não recebeu meu convitinho, viu?
Vai receber ainda hoje, estou aqui mandando para todo mundo.
Se não receber, reclama que eu mando!!!
A
Orient Mix
mandou um banner lindo para colocar no estande. Eu também
preparei um cartaz com a carinha dos meus dois livrinhos
para colocar na Casa dos Artistas. E no meio disso, com que
roupa eu vou? Ainda preciso levar o quadro com a foto da
Fernanda, vários livros, coisitas mais e tudo que der
para receber você no maior carinho! Chegou a hora! E o
coração está batendo forte, forte, forte!!!
Mais sobre o livro e o projeto...
03 de maio de 2005, terça.
(Foto:
Eu ri muito quando vi essa foto. Olha a cara da pessoa,
completamente boba com o filho novo na mão! Dá para notar a
alegria nos olhos pequenininhos? Eu tava quase
chorando...passei o dia todo assim!)
Novela de Poemas. foi um período de investigar coisas
novas, tentar novos caminhos na tentativa de fazer arte. Eu
espero que vocês gostem de cada detalhe. Primeiro, apesar da
simplicidade do livro, ele não tem orelha, não tem 300
páginas, é magrinho, com poemas escolhidos carinhosamente
para a história do casal do livro. Sim, Novela de Poemas
fala de um encontro, de um casal e vai contando o encontro
deles em capítulos, em poemas...
Junto com o livro, fui fazendo outras tentativas, quadros
pintados com trechos do livro, marcadores de livros pintados
por mim. Eu queria fazer um projeto para me apresentar de
outras formas.
Conversando com um dono de uma livraria, ele disse que
talvez eu confunda leitores, apresentando um segundo livro
que nada tem a ver com o primeiro. Tá, eu fiz uma biografia
e já disse algumas vezes que não farei outra. Fernanda
Vogel foi minha única missão biográfica e eu não tenho
vontade de escrever outra biografia. Fui muito feliz no
livro da Nanda, missão mais do que realizada e,
dificilmente, outro projeto semelhante vai me realizar da
mesma forma. Por isso, não aceitei os convites que recebi
para fazer livros de famosos. Dinheiro não me diz tudo.
Quero seguir meus projetos pessoais mesmo.
Por que então recomeçar com um livro de poemas? Continuo
esperando para decidir quando vou lançar
A segunda vez
era amor.
É um livro muito especial para mim, mas eu tenho uma idéia
para ele, por isso essa espera. Se esse ano a coisa não
formatar, ele sai ano que vem do jeito que Deus ajudar. E aí
vou tentar cumprir um livrinho por ano. Esse ano, pretendo
acabar de escrever o livro 4...e estou fazendo pesquisa para
o livro 5 que pretendo escrever em 2006. A história é muito
maluquinha, por isso quero seguir esse ano todo pesquisando.
No mais, deixo com você um pouco mais sobre
Novela de Poemas!
Coloquei fotos de quadros, marcadores de livros e mais
detalhes do novo Book. Me diz o que achou? Ah! Também
atualizei o link dos
meus livros.
Coisa boa demais!!!
E no meio disso tudo, eu dou aula na Casa dos Artistas.
Mesmo que muita gente não entenda o que eu ainda faço lá, eu
exercito meu teatro e encontro quem está afim de me
encontrar. Não sou lá um ser humano fácil de entender. Nem
quero. Sou assim mesmo, vai anotando aí para resumir: ela
quer mesmo ser feliz...do jeito dela!
Meu livrinho! Meu segundo livrinho!
02 de maio de 2005, segunda.
(Foto:
Essa foto não tem nenhum tipo de montagem. Foi feita por um
desses acasos lindos da vida. Se é que existe acaso nessa
vida. Se eu quisesse não saía melhor. Os raios de sol, eu
com meu livrinho na mão, mostrando para você a cara do meu
novo filho...)
Tanta coisa aconteceu na última sexta-feira que o coração
ainda está processando. Prometo contar as emoções da semana
passada durante os próximos dias. Primeiro, fui encontrar
meu livro. Imagina como foi encontrar meu segundo filho
literário? Afinal, como devemos preparar o coração para
encontrar pronto um livro que escrevemos? Fiquei muito
emocionada quando vi a caixa fechada, com os livros dentro.
Coração batendo forte. Abri lentamente aquele pacote enorme,
presente delicioso que eu mesma enviei para mim.
Assim que abri, nossa, alegria total. Meu livrinho estava
literalmente com a minha cara, do jeito que eu queria. Posso
dizer que participei ativamente da idéia da capa. A primeira
versão, eu não gostei muito, apesar de ter entendido a idéia
da editora. Conversei com eles, explicando que tinha tanto
de mim no livro, eu queria algo mais a minha cara. Tá, não
imaginei que fosse ficar tanto...risos...fiquei muito feliz!
Estou MUITO feliz!
Na verdade, meus projetos sempre foram para mim uma certeza,
mesmo que muita gente ao redor não me achasse capaz, mesmo
que tudo parecesse muito distante, mesmo que eu não
conseguisse me explicar melhor, fui, fui, fui e ainda vou,
vou, vou...meus sonhos de escrita, de projetos que ainda
quero fazer, um de cada vez, o sonho de realizar cada dia,
cada degrau, cada encontro com minha profissão. Atriz?
Jornalista? Escritora? Preciso escolher? Dizer? Quero apenas
ser eu, seguindo os caminhos que escolhi, sem brigar com
destino, confiando que Deus vai me ajudar, me trazer o
melhor. Sempre.
Novela de Poemas está aqui comigo, ao lado de
Fernanda
Vogel na passarela da vida
(meu sempre obrigada Myrian Vogel!) e a cabeça cheia
de idéias, pensamentos e agradecimentos. Os primeiros dias
de um livro ao lado de seu autor são muito especiais. A
gente fica meio mãe babona, olhando o filhote novo, rindo
sem saber porque e um sentimento enorme de realização que em
alguns momentos a gente esquece o motivo, mas rapidamente
lembra e tudo vira uma paz enorme.
Meu livrinho está aqui no colo. Tô boba, boba, feliz, feliz,
realizada.
Vamos lá!
Com vocês, Novela de Poemas...
14 de
abril de 2005, quinta.
Eu acredito
nas coisas que eu penso. Tem dias que não é nada disso, o
pessimismo toma conta de mim, eu me acho a maior idiota da
parada, a pior de todas, mas sou salva na porcentagem.
Afinal, no saldo geral, estou 92% do tempo otimista,
acreditando nos meus projetos e crendo que tudo pode se
realizar, basta eu acreditar e confiar.
(Foto:
Leia esse texto até o fim para entender meu sorriso na
foto!)
Depois que
lancei a biografia da Fernanda, me orgulho muito do meu
livro, fiquei meio sem rumo. Afinal, jamais havia vivido
algo tão grande e especial em minha vida. Era como se minha
missão tivesse começado ali. Escrever, escrever, escrever. A
atriz que existe em mim também ama escrever, a jornalista
que me habita prefere criar, por isso nenhum conflito se
instalou no meu ser desde que me vi como escritora
profissional. Nossa...que responsabilidade!
No meio de
tantos pensamentos, escrevi o romance "A segunda vez era
amor". O livro preferiu ficar por aqui, guardado na minha
intimidade, ainda não aconteceu. As pessoas me perguntam
porque não lancei. Porque confio no destino, porque acredito
na palavra mais forte do céu, porque quando for para ser,
vai ser.
E depois de
"A segunda vez era amor", que nem lançado foi, o que vai
vir? Quantos e-mails eu recebo de gente do Brasil todo me
pedindo um segundo livro. Quanta responsabilidade! Acabei
deixando a arte me levar pelas mãos, os dias correrem.
Quando vi, estava com a carinha em um novo projeto, que
chamei de Novela de Poemas. Um livro com meus poemas
como se fossem uma só história, a vida de um casal unido por
poemas escritos com sentimentos meus.
Escreveu mais
um livro? Lançar que é bom nada! Resolvi parar com meu medo,
mandei o projeto para uma editora que trabalha com esse
estilo de literatura e Iupi! Eles acabaram se
interessando pelo meu trabalho. Acredite se quiser, meses
correram, eu, emocionalmente cheia de perguntas, dei para
trás, pensei em não lançar livro nenhum com poemas nenhum.
Nem poeta eu sou, meu Deus!
Mudo de
parágrafo. O tempo corre. Eu volto a ter contato com as
pessoas da editora que desde o início tão carinhosamente me
receberam. Para eles, tudo continuava de pé. Santa
paciência. Voltamos a falar do projeto, das minhas idéias e
Novela de Poemas foi tomando forma, forma, forma.
Tanta forma que virou um projeto maior. Será um livro de
poemas, com telas que pintei ao longo desse período de
criação do projeto, vinte telas em tinta óleo, marcadores de
livros, também pintados por mim, mais um pequeno recital de
poemas que estou ensaiando com o meu querido Raphael Janeiro
e direção do Marcio Navarro.
A coisa foi
tomando tanta forma, foi ficando tão certa na minha cabeça,
o medo foi embora, resolvi preparar um projeto e mandar para
algumas empresas e ver no que daria. Se alguém desse
patrocínio, tudo seria mais fácil. Esperei alguns dias.
Alguém quis conversar comigo, marcamos uma reunião. Lá fui
eu de flor na camiseta, cheia de fé no peito e na alma.
Apresentei minha idéia, mostrei o que posso fazer para
corresponder o carinho de me darem apoio financeiro, falei,
falei, falei.
Final da
reunião, a dona da empresa puxou um talão de cheques e me
perguntou: "De quanto você precisa?". Pois é. Voltei para
casa com o dinheiro para realizar Novela de Poemas.
Enquanto estava preocupada em contrato, em dar à empresa a
certeza de eu ser uma pessoa honesta, fiz questão de deixar
meus dados, assinei meu acordo com eles, a Jô, dona da
empresa, me tranqüilizou, dizendo: "Leva esse dinheiro e
realiza seu projeto. Eu só quero isso. Ajudar alguém com um
projeto bonito e cultural".
Gente, não
vou mais falar nada. Estou emocionada demais. Só quero
agradecer a Orient Mix, a empresa trabalha na área de
fitoterápicos, por acreditar no meu trabalho e me dar a
chance de crescer ainda mais na minha carreira. Não posso
esquecer da Marcia que desde a primeira vez que viu meu
projeto, tentou me ajudar. Obrigada! Valeu para todo mundo
que vem aqui e deixa uma esperança. Essa alegria hoje quero
dividir com vocês. Obrigada.
Aly
McGraw fez sua escolha e mudou o rumo da sua vida para
sempre...
28
de março de 2005, segunda.
Outro dia,
comprei em um sebo que eu sempre dou uma passadinha um livro
chamado "Adeus Love Story". Você deve lembrar ou já ter
escutado falar do filme "Love Story", sucesso da década de
70.
(sinope de
Love Story: Oliver Barrett IV (Ryan
O'Neal), um estudante de Direito de Harvard, conhece Jenny
Cavilleri (Ali McGraw), uma estudande de música de
Radcliffe. Um rápido envolvimento surge entre eles e o casal
decide casar. No entanto, Oliver Barrett III (Ray Milland),
o pai do jovem, que é um multimilionário, não aceita tal
união e deserda o filho. Algum tempo depois de casados,
Jenny não consegue engravidar e, ao fazer alguns exames,
descobre estar muito doente).
"Adeus Love
Story" me chamou atenção pelo título, acabei comprando, sem
esperar muito, imaginando ser apenas a autobiografia de Aly
McGraw, estrela de um dos filmes mais românticos já feitos,
contando detalhes das filmagens. Errei no achismo. O livro
foi lançado em 1990, quando Aly tinha 50 anos. Pensei logo
de cara como estaria hoje a atriz no auge dos seus 65.
Fiquei muito impressionada com os detalhes de sua vida, além
do filme que a colocou no estrelato. De cara, a dificuldade
de viver um grande sucesso no cinema e depois ter que
conviver com a falta de convites para atuar em filmes bons.
Nunca mais ela faria um outro grande sucesso. Chegou a atuar
em outros filmes, teve orgulho deles, mas jamais foi
novamente levada ao topo do estrelato. Ficaria para o resto
de sua atuação profissional à margem do mundo dos grandes
sucessos cinematográficos.
Louco também ler
e viver um pouco do amor de Aly com Steve McQueen. Com ele,
ela viveu um amor intenso, por vezes maldoso e único,
jogando para o alto um casamento feliz com Bob Evans, com
quem teve o filho Joshua, achando que poderia ser mais feliz
do que já era. Felicidade deve ter seu limite. O cotidiano
não nos preenche intensamente feliz como um todo. É preciso
entender as regras dessa vida para não esperar mais do que
não vamos ter. Em mundo de gente que mata gente, ter alguém
do seu lado, viver um amor é uma dádiva.
Voltando ao
livro, por causa de Steve, Aly abandonou o cinema por seis
anos. Isso a faria sofrer muito. Quando tentou voltar ao
mercado de trabalho, não conseguiu nenhum papel especial que
pudesse fazê-la retomar a carreira. Depois de ser uma das
estrelas mais comentadas do cinema, virou alcoólatra,
viciada em sexo, acabou terminando seu casamento com Steve,
tentou voltar depois, mas o ator casaria com outra e
morreria alguns anos depois de câncer. Caberia a Aly a
sensação superficial de investir em relacionamentos sem nada
de verdadeiro e profundo. Sexo por sexo. Só conseguiria se
reencontrar quando decidiu se internar, assumir suas doenças
e enfrentar suas dores.
O livro me fez
pensar fundo em sentimentos. Refleti como uma escolha pode
mudar sua vida para sempre. A gente toma uma decisão,
achando ter sido a certa, mas vai pagar dentro da gente o
preço do caminho errado. Você decide sua vida em um segundo
e pode passar meses, anos, pensando no que foi e no que se
transformou. Você tinha tudo e de repente perdeu. Ficou só
ou com alguém que na verdade não faz você feliz, quando
antes tinha a felicidade, mas não sabia como tratá-la. Steve
era violento com a atriz, batia nela e a fazia infeliz para
se sentir melhor, com jogos emocionais e muita pressão. E
mesmo o desejo enorme mútuo e intenso não os acrescentou em
nada e só os fez confundir ainda mais a cabeça.
Ao fechar o
livro, só consegui pensar nisso, nas escolhas. Aly mentia a
felicidade para si. Quando a verdade veio, estava afogada em
mentir para o mundo, bebida e sexo. Ainda bem, conseguiu
superar tudo isso. Encontrei fotos antigas e atuais dela na
internet e hoje, já senhora, tem um sorriso de quem superou
o vazio. Se Aly não tivesse escolhido Steve McQueen, poderia
ser uma atriz de renome mundial. Porque determinação para
isso, ela tinha.
O processo de Tammy Kafka..rs
10 de março
de 2005, quinta.
Fui
escrever um pouco meu livro. Hoje em dia, o bruto do texto
vai para um caderno. Na hora de digitar para o computador
vou fazendo as mudanças calmamente, lendo e relendo,
aumentando uma frase, cortando outra, repensando
sentimentos. Mudo muita coisa nesse ritual, o primeiro texto
nunca fica igual ao definitivo.
Para explicar
melhor, eu tenho um caderno 1 em que escrevo paralelo a um
caderno 2. O caderno 1 fica com o capítulo ímpar e o 2 com o
par, vou alternando assim para poder levar para a rua um
caderno que se eu perder vou perder no máximo um capítulo do
meu Book. E, claro, vou passando todo esse material para o
micro. Ainda tenho comigo um caderno 3 para fazer algumas
anotações ou pensamentos menores sobre as personagens. Nesse
momento, o caderno 3 tem servido para o Blog, porque acabo
colocando pensamentos que depois acabam nesse nosso espaço.
Saiba também que escrevo MUITO MAIS do que coloco nessa
página. Muita coisa acabo desistindo de publicar, arquivando
para a eternidade. Não me censuro mas me veto algumas vezes,
entende?
Tudo isso é para
dizer que essa semana o caderno 1 sumiu por
duas horas.
Eu tinha coisas do caderno 2 para passar, mas ainda restava
material do caderno 1 para ser colocado no micro, ou seja,
qualquer desaparecimento nesse meu cotidiano de escrita
atrapalha o andamento do trabalho. Cadê o caderno 1?
Enquanto isso, aproveitei para atualizar umas coisas no
site, dar uma pensada no livro, mas render trabalho mesmo
não rendeu. Aliás, esse trabalho de escrita é lento mesmo.
Fico horas aqui, vou ver troquei as horas de uma tarde toda
por três parágrafos.
Enquanto o
caderno 1 se escondia, pensei até em escrever da cabeça
mesmo, esquecendo esse cotidiano dos cadernos, mas aí os
próprios personagens vieram de mansinho, reclamando que
aquela parte do livro já haviam vivido no caderno, não iam
repetir a cena só para me facilitar a vida. Eu que fosse
atrás da preguiça, brigasse com ela, tomasse jeito na vida e
achasse o tal caderno. Sim, senhoras e senhores, personagens
me chateiam quando os mais amo. Eles tinham razão e eu
estava errada. Fui procurar o caderno. Não achei. Só mesmo
depois, quando estava saindo para a Casa dos Artistas vi que
o meu lindo caderninho 1 estava caído do lado da poltrona do
escritório onde trabalho, escrevo e passo grande parte da
vida.
Essa explicação
toda foi só para contar: hoje passei o dia com a cara no
micro, adiantando a vida literária. Escritor é assim mesmo.
Escreve, escreve, escreve só para contar uma coisinha.
Vomitando para seguir...
03 de março
de 2005, quinta.
Não
tem jeito, eu sou um ser emocional. Tá, já tentei ser
mecânica, técnica, máquina, fria, superior, mas não sou.
Penso com o coração, faço minhas escolhas pelos sentimentos,
trato as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas têm.
Ando pelo mundo com o coração batendo forte...sempre!
(Foto:
Outro dia, uma pessoa me escreveu dizendo que adora minhas
fotos de pé. Então, aqui mais uma...como minha câmera foi
levada de mim, vou desengavetar umas fotinhas legais...)
Ontem, passei
muito mal, vomitando horrores, meu organismo colocando para
fora coisas que me fizeram mal escutar, coisas que me fazem
mal sentir novamente. Sou assim mesmo, quando algo me
incomoda o físico avisa e vem logo aquela dor de cabeça,
aquele enjôo. Hoje, estou melhor, bem melhor e colocando
aqui as energias no que é importante e está valendo a pena.
Voltei a
escrever meu livro. Timidamente. Voltei. Essa é uma maneira
positiva de vomitar meus pensamentos. Não sei se um dia
serei só escritora, mas escrever é uma maneira muito
especial de me sentir viva. Fiquei com pena das minhas
personagens, congeladas no tempo desde outubro, quando dei
uma parada no livro. O engraçado é que parei em um momento
forte, um descobre mentiras de um personagem sobre o outro.
Abri o rascunho e está lá o personagem masculino com a boca
aberta congelada, louco para falar, mas impedido por
mim. Ele voltou a viver hoje...risos...
No mais, as
coisas estão andando...para a frente! Assim que der, conto
mais...
*******************************
Reflexões sobre
Escrita 2004!
A arte clara de
Claudia Letti...
de
Tammy Luciano
(escrito em 27 de novembro de 2004)
A
noite foi especial. Conheci pessoas que só sabia a carinha
pela tela do micro. Imagina que sensação! Eles pareciam
famosos, com aqueles rostos tão familiares. Gente que eu
conheço há algum tempo, mas jamais tinha dado um abraço
especial. Lançamento do livro da
Claudia Letti
lá na Arte Clara foi uma noite agradável.
Primeiro, foi maravilhoso
assistir ao vivo o bom humor da Claudia. Depois, melhor
ainda, ver de perto a alegria da autora em lançar
Onde não se responde.
Parabéns! Desejo luz e sucesso no seu caminho de escritora.
Sou apaixonada pela delicadeza da sua escrita, Claudinha!
Quem também estava lá foi a Paulinha Foschia. Gente fina
toda vida, a Paula é a dona do
Epinion,
site que eu indico, porque visito todo dia. A conversa foi
animada e o maridão da Paula, o querido Polzonoff estava
implorando a gente para desacelerar, porque ele queria ir
embora. Duas escritoras-mulheres-tagarelas só podiam falar
muito e ter uma história atrás da outra para contar.
O engraçado da noite foi a Paula me escutando falar e
resumindo a surpresa: "Eu imaginava sua voz completamente
diferente". Ela disse que imaginava minha voz fininha.
Pessoas, se alguém também imagina pode tirando da cabeça!
Herdei do meu paizão, esse cara é demais, a voz quase rouca.
Tenho um emitir de som forte e grave. A Claudia imaginava
minha voz assim mesmo...ficamos as três rindo. Esses
encontros virtuais quando se tornam reais são sempre
agradáveis e cheios de comentários engraçados!
(Na volta, desejo enlouquecido de comer uma comida especial,
só servia aquela. Fomos eu e ele terminar a noite realizando
a vontade mútua. Voltamos para casa cantarolando no
carro...e falando da lua)
Aproveitando a existência dos meus amigos escritores, criei
uma página para mostrar a arte dessa turma. Com vocês,
meus amigos
escritores!
Frida Kahlo que
gosto de ver...
de
Tammy Luciano
(escrito em 18 de novembro de 2004)
(Acabei de ler o livro de Frida Kahlo e fui para um canto
escrever. Pensamentos mais pesados que os meus. Pelo menos,
rendeu um texto e ficou o exercício da literatura, porque o
que mais quero é melhorar minha escrita).
Me interessa pensar na arte. Mesmo que eu não saiba os
limites dos meus passos, tentando entender para onde estou
indo. Digo e entendo que nós podíamos falar mais sobre arte,
mas não falamos. Com poucos, consigo pensar e conversar
sobre o mundo que quero viver. Adoraria ver nossa arte
brasileira mais divulgada, organizada e revelada.
Não sei quando começou, faz pelo menos dez anos, resolvi que
ia aprender tudo que pudesse. Para a aluna mediana que fui,
deixei o mundo orgulhoso. Os livros que pouco me
interessavam viraram amigos e estão por toda a parte da
minha intimidade. Virei escritora. Continuei leitora.
Pergunto para alguém sobre ela, sobre a pintora que eu
adoro. Ele não sabe, sabe mais ou menos, lembrava alguma
coisa, ouvira falar, não sabe. A pintora dizia: "Vamos lá
para fora, para a rua. Vamos pintar a vida na rua". Eu digo
que quero ir lá fora escrever a vida na rua. Mesmo que eu
escreva sobre solidão, ausência, dor e deserto. Sou o
deserto de mim e se não escrevo me sinto vazia demais.
Quando não me desabo em letras e não escrevo seja o que
for...
Me sinto só. Já não sei mais se isso é tão ruim. Cada dia
mais aprendo a ser amiga de mim. Abro o peito e vejo o que
tem dentro como se pudesse arrumar prateleiras e gavetas.
Também tenho livros dentro de mim. Arrumo livros por
assunto. Não leio tanto quanto antes, porque escrevo muito
mais que antes.
Alguns dias, a gente brinca de fantasia, fantasia de Frida
Kahlo. Me vejo especial em espelho de plástico. Aprendi a
ser só, olhando a imagem solitária. Depois, escrevo. Alguém
arregala os olhos quando falo minha profissão. Deve ser a
primeira escritora que ele conhece ao vivo. Sou alguém que
escreve um livro até o fim e deixa outros pela metade, por
pura incapacidade. Incapacidade de dominar os sentimentos
das personagens. Alguns dias, sou uma escritora bem
medíocre. Ainda bem. Em outros, agradeço um monte de coisas
que Deus enfiou na minha cabeça.
Eu tento. Escrevo o parágrafo seguinte. Apago. Desisto do
que escrevi. Palavras descombinadas. Tenho vivido demais sem
viver. Alguns dias, pensamos demais na segunda pessoa do
singular e nós? Tenho vivido demais, vivendo.
Arte que exibe as entranhas retorcidas que durante o dia não
mostro. Minha arte, espelho de vidro que releio para me
entender melhor. Frida Kahlo. A pintura de Frida Kahlo.
Para pensar, duas frases: Frase 1: "Surrealismo é uma
surpresa mágica de encontrar um leão num guarda-roupa onde
tínhamos a certeza que encontraríamos camisas". (Frida
Kahlo) / Frase 2: "Adoraria ser mais desprendida do
meu ego, viver menos preocupada com o que os outros pensam
de mim. Se bem que, não fosse esse meu ego, jamais chegaria
onde estou". (Madonna)
A paixão pelos
livros que eu simplesmente não controlo...
de
Tammy Luciano
(escrito em 29 de setembro de 2004)
No
final de semana, fui na Primavera dos Livros. Vários
escritores cariocas estavam por lá. Ambiente certo para
rever os amigos e trocar uma idéia com quem vale a pena. É
um mundo lindo aquele de livros e mais livros. Imagino que
para alguns seja chato e tedioso. Para mim, é o paraíso.
Apesar de comprar bastante em sebo, descobri que adoro
cheiro de livro novo e de passar a mão nas capas lisinhas
dos originais.
Ano passado, a feira foi na época do
lançamento do meu Book, e eu estava, pela primeira vez na
vida, vendo tudo com olhos de autora. Esse ano, foi muito
especial também. Notícias boas rolando, recebi o aviso que
uma distribuidora de São Paulo pediu 50 livros meus. Vale
lembrar que livro não é como cd que vende rápido e muito.
Livro é livro, um de cada vez, trabalho de formiguinha, 50
livros são simplesmente um presente. Amém!
Encontrei muita gente querida. Salve
Jorge!, meu editor, a pessoa que acreditou nas minhas
letras. Os meninos da 7Letras, André e Rodrigo, dois
queridos que sempre deram a maior força para o meu trabalho.
André é o cara das notícias boas!
Andando pela feira, encontrei o
JP Cuenca,
o garoto da vez, não sei se ele vai gostar que o chame
assim. Escritor que conheci, claro, pelo trabalho em comum,
está tirando onda depois que nosso Chico Buarque elogiou seu
trabalho. JP, aliás, acaba de inaugurar coluna no JB. Meu
amigo está bem na fita! Fiquei feliz por ele, porque é um
cara bacana, talentoso e tudo de bom. Quem mais poderia
falar tão bem de Carmem?
"Li um romance do Pirandello, a quem só conhecia como autor
de teatro. Tenho lido bastante, existe um autor novo que
gosto muito, o João Paulo Cuenca". Chico Buarque
Quem também encontrei foi o Guilherme,
amigo da época de faculdade, está super envolvido com o
mundo do cinema, bem realizado, produzindo comerciais e
programas. É outro que também merece. Há anos, encontro
Guilherme na batalha, pelo mundo das artes. Tem que ser, tem
que ser, tem que ser!!! Que o sucesso venha para quem
batalha. Penso nessa gente toda cheia de sonhos que eu
conheço. Povo legal, pessoas de bem que eu tenho o prazer de
ser amiga. Uma turma que não espera acontecer e faz antes de
chegar a moda.
Não existe nada melhor que o mundo dos livros. Saí da feira,
tirando foto com flor no cabelo e trazendo na bolsa dois
livros maravilhosos: A paixão pelos livros, da Casa
da Palavra. Parabéns para a galera da editora que fez um
livro lindo com uma capa de emocionar os olhos. Um incêndio
acaba com uma livraria e a foto mostra dois homens olhando
na estante os livros não queimados. Um deles está lendo um
livro, nos seus pés madeiras em estado carvão, restos de um
incêncio que virou apenas lixo.
O outro livro que comprei foi Chico
Buarque do Brasil, coincidentemente, Chico reinando aqui
no Blog de hoje! O livro foi organizado pelo Rinaldo de
Fernandes e pelo pouquinho que eu vi está um luxo só, com
trechos de músicas, fotos e muita história sobre nosso poeta
das melodias perfeitas, do teatro e da literatura.
******
"Quando
tenho algum dinheiro, compro livros. Se ainda me sobrar
algum, compro roupas e comida".
(Erasmo)
O livro escrito
por Marc Levy...
de
Tammy Luciano
(escrito em 08 de setembro de 2004)
Esses
dias foram definitivamente o da leitura. Li um livro atrás
do outro: "Vida de gato", da Clarah Averbuck, "Tchau,
Nestor", da Gisela Rao e "E se fosse verdade..." de Marc
Levy. Gostei de todos, mas o terceiro me fez invadir a
madrugada até chegar no final. Em várias passagens, a mente
cantarolou que gostaria de escrever tão bem como Marc
Levy. Um luxo só o texto. Em alguns momentos, achei que
fosse chorar, mas o bom humor do autor me fez sorrir. O amor
entre o casal da trama é lindo demais! A gente fica pensando
se na vida real é assim. Bom demais quando é...
O livro conta a
história de um arquiteto que aluga um apartamento. No seu
primeiro banho no apartamento, ele nota que alguém dentro do
armário parece acompanhar com um estalar de dedos a música
de Peggy Lee: "Intrigado, sai da água e, pé ante pé, respira
fundo, abre as portas do armário, arregala os olhos e faz um
movimento de recuo ao perceber, oculta entre os cabides, uma
mulher sentada, de ohos fechados, fascinada com o ritmo da
música.
Arthur conclui que aquela cena, no mínimo patética, foi
planejada por seu sócio - uma espécie de brincadeira - com o
intuito de dar-lhe as boas-vindas. Ele só não sabe ainda que
essa mulher - que só ele poderá ver dali em diante, um
fantasma vivo, um corpo inerte numa cama de hospital em
estado de coma profundo - irá mudar totalmente a sua vida".
(Peésse:
Eu fui mês passado em uma livraria e perguntei se a moça
tinha o livro do moço que escreveu a história de
outro moço que encontrava uma moça dentro do
armário dele, mas na verdade a tal moça estava em
coma no hospital. Sei que não fui lá muito clara, mas a
atendente, sem a menor vontade de ser gentil, disse que o
livro em questão não existia. Pensei: Não estou doida!
Esse livro existe! Ainda bem, encontrei o livro. O
título estava anotado em um caderno de rascunho. Fecha
Peésse e parênteses)
"E
se fosse verdade..."
fala de um amor difícil, quase impossível, mas possível..
Aquele amor em que o espaço físico não ajuda, o tempo não é
favorável e duas pessoas podem ficar longe a qualquer
momento. Um amor que fica no fino fio da vida. Arthur e
Lauren tinham tudo para jamais se conhecerem e se
encontrarem. Os dois viveram a lei em que de repente aquele
tal de destino faz tudo acontecer.
Quando fechei o
livro, depois de me despedir do ponto final da história,
entendi que amores mudam vidas e passos. Amor é algo tão
gostoso de sentir e viver, né?
Agora entendo,
porque o autor recebeu dois milhões de dólares do mago do
cinema, Steven Spielberg, que comprou os direitos da
história para o cinema. Vou ficar torcendo para assistir o
filme nas telonas.
Sim, senhor, as
fragilidades são minhas!
de
Tammy Luciano
(escrito em 24 de agosto de 2004)
Só consigo
entender que preciso concordar comigo. Difícil agradar as
pessoas, ser quem elas querem, corresponder ao gosto
popular. Então, prefiro usar as roupas que me fazem sentir
bem, deixo o cabelo como acho que fica melhor, ando com as
pessoas que acredito, vivo a vida como acho que é certo,
escrevo os textos que estou com vontade. Ih, isso não é bom
não. A turma adora quem caminha na multidão, eu não curto
ser muito igual, acaba sendo mais difícil me entender.
Minhas respostas demoram mais para chegar do que qualquer
outra coisa.
Devo estar
aprendendo com tudo isso. Acho que sim. Nada vem de graça. A
luta é dobrada e quando alguém joga na minha cara, só
consigo dizer que não podia ser diferente, porque eu só
queria assim. Tá, o resultado não foi dos melhores, o
pensamento anda pensando coisas o dia todo e eu sei que eu
devia ter feito um monte de coisas que indicaram. Ou não
devia ter feito nada, porque não me arrependo do dito e
feito. Tudo que fiz foi para um dia estar na vitrine,
olhando meu primeiro livro sendo vendido. Os erros também me
ajudaram a acertar. Eu nunca achei que minhas opções
profissionais fossem ser fáceis. Ou você achou que eu achei?
Passei a noite, praticamente, em
claro. Passei mal da barriga. Não foram os bolos. Foi a
mente que reage intensa a tudo que eu sinto. Quando penso
nisso...já vomitei na cara de quem mentia para mim. Um final
de semana inteiro vomitando, porque um
Ex-ex-ex-sei-lá-quem
estava mentindo. Quando a verdade, mentirosa, vale lembrar,
apareceu, meu vômito tinha nome, sobrenome, idade, CPF e até
título de eleitor.
Vomitei a noite
passada. Pensei que diabo de coisa estava vindo na minha
direção. Logo, a resposta veio. Eu tenho o hábito de esperar
o segundo depois para confirmar pensamentos. Penso demais.
Eu diria. Penso demais mesmo. Eu digo. Escrevo na frente das
pessoas e todo mundo fica horrorizado como escrevo rápido.
Eu adoro escrever, faço isso todo dia há anos e anos. Então,
nada mais é do que hábito e insistência. Não sei se tem esse
papo de dom, de talento, antes do trabalho árduo.
Que história é essa que você
está escrevendo? Um livro, respondo. Qual deles? O terceito
livro? Eu chamo de livro 3, mas
deixa avisar baixinho
que na verdade é o quarto. Escondi o 1 na gaveta e não quero
lançar enquanto estiver viva. Não gosto do livro, quem sabe
depois de morta vai valer alguma coisa?
Meus familiares que ganhem dinheiro em cima do que não me
orgulha.
Passei mal,
porque já decidi o que eu quero e fico me forçaaaaaaando
a fazer o que não estou afim, só para tentar ser como querem
que eu seja. Não sei presenciar gente errada. Passo mal
mesmo. Detesto essas minhas fragilidades psicológicas. Se
ainda fossem das minhas personagens, mas não...são minhas.
Apesar de...
de
Tammy Luciano
(escrito em 17 de agosto de 2004)
Não
sou de fazer coisas erradas. A vida toda foi assim.
Inconseqüência só morou na minha alma. Legalmente falando,
fui sempre uma garota boazinha. Nunca fiz uma tatuagem,
apesar de sentir metade do meu corpo tatuado com frases que
escrevi e desenhos lindos que vi ao longo da vida. Jamais
tomei um porre, álcool não desce pela garganta, apesar de me
sentir completamente bêbada mentalmente e gritar dentro de
mim para qualquer neurônio desavisado, que cismou em passar
pelo meu caminho, que ele não tem nada a ver com a minha
vida. Nunca matei, também não vou, mas, dentro de mim,
cadáveres de pessoas do passado, dormem mortos. Somente aos
poucos, consigo mandar essa gente de ontem embora.
Dentro de mim, um mundo
enorme dança, enquanto aqui fora caminho para chegar não sei
onde. Adoraria ser apenas alguém sem pensamentos profundos,
alguém que vive sem pensar forte, sem refletir, questionar e
reclamar. Duvido que exista alguém assim no mundo e encontro
várias dessas pessoas todos os dias.
Penso que ser problemática
faz parte desse jeito de escrever, dessa ânsia que manda em
mim e me faz sentir hora a pessoa mais alegre do mundo, hora
a mais triste. Aceito conselhos, mas não sigo nada. Fico
fugindo deles, porque sei que vão dar palpites na minha vida
e dizer que estou completamente errada. Desde quando me acho
certa?
Estou apenas vivendo, pode ser? Não quero concordar com a
condenação que vão me dar. Só consigo escrever que lamento
muito não ser quem esperam. Eles vão gentilmente me amar,
mesmo vendo as tatuagens que carrego no corpo mental, os
porres que só tomo quando estou absolutamente lúcida e os
corpos que mato mentalmente e eles ajudam a esconder. Eles
me amam. Eu agradeço todos os dias ainda ter um lugar para
ficar, mesmo que não me sinta mais em casa. Meu lar agora é
o mundo e um dia eu acho que vou ter asas maiores do que
tenho hoje, mas jamais deixarei de amá-los.
OBS. Importante:
Meu lado escritora é melancólico e pronto...
Não tem mais nada para
dizer?
de
Tammy Luciano
(escrito em 29 de julho de 2004)
Antes era tudo longe de mim. De
repente, ficou tudo mais perto. Perto mesmo. Minhas
anotações já não são mais códigos indecifráveis. Eu olho,
leio e me entendo. Sinto meus sentimentos mais simples. É,
é. Não é, não é. O mapa para descobrir meus caminhos já não
tem mais labirinto. Apenas linhas retas que me levam sem me
deixar no meio da estrada. Ando sempre chegando ao alvo.
Acho que por isso mesmo, ando me preocupando pouco com o que
devo me preocupar pouco. Antes, as insignificâncias faziam
uma diferença enorme nos meus dias. Hoje em dia, me fazem
apenas entender e refletir um pouco mais sobre o ser humano.
Nada mais.
Meus projetos de gaveta deixaram de
ser projetos de gaveta. Ando corajosa, mostrando idéias,
telefonando e marcando reuniões. Algumas horas, fico de
longe me olhando e fico cheia de orgulho. Resolvi apostar no
meu taco, sendo ele torto, curto ou capenga. É ele que eu
tenho e pronto. Se antes, eu gaguejava para dizer quem sou,
agora digo fácil: diz que é a Tammy Luciano. Quem?
Tammy, do livro da Fernanda Vogel.
Curioso foi iniciar uma conversa no
trabalho, falar por alto sobre meu livro...Qual livro?
Quis saber a pessoa do outro lado da mesa. Escrevi a
biografia da Fernanda Vogel. Agora, virei escritora mesmo.
Vou lançar um romance. A pessoa sorriu: você é a Tammy?
Tammy Luciano?
Sim, sou Tammy Luciano. Ainda é um
pouco estranho olhar meu nome na capa do livro, minha foto
na orelha, minhas letras por aí e mais ainda receber e-mails
lindos que fazem meu dia diferente e especial. Sou eu sim.
Nossa, já escutei falar muito de você, Tammy. Seu
livro ficou lindo. Que legal! Parabéns. Tá, eu não estou
acostumada com elogios. Normalmente, espero patadinhas doces
do tipo: não escreveu mais nada, não? Vai ficar a vida
toda se gabando da biografia da Fernanda? Arruma o que
fazer, filhinha! Eu não parei de escrever um só
segundinho da minha vida. Ainda cismo de escrever um Blog
que ninguém comenta. Escrevo assim mesmo. É quase mecânico,
viceral. Quando publiquei o livro da Nanda já tinha gastado
o dedo de escrever outras coisas. É que a mídia só fala do
livro. Já fui colunista, escrevi peça de teatro, roteiro e
até carta de amor...foram anos de agendas intermináveis.
Hoje em dia, os cadernos estão na estante cheios de palavras
e frases minhas. Eu não fui e não serei apenas um livro,
apesar do enorme orgulho dele.
Ei, aqui quem fala é seu ego,
Tammy! Você só sabe falar de você? Ué, o Blog não é meu?
Bem que eu tento variar. Ando mesmo umbigueira ou sempre
tenha sido. Gosto de falar de mim. Gosto de gastar meu tempo
comigo. Melhor assim...de uns tempos para cá, só direciono
para somar. E está valendo muito mais assim.
Dia triste que
eu adoraria escrever de outra maneira...
de
Tammy Luciano
(escrito em 27 de julho de 2004)
Em
alguns momentos da vida, a gente precisa decidir passos
importantes e assumir que é hora de seguir novos caminhos.
Pode ficar tudo como está, pode ser que tudo aquilo exista
só na sua cabeça e ninguém mais note, mas você percebe que o
tempo chegou e definitivamente está na sua vez de decidir
pelo novo. A história está na sua mão. Seria lindo se fosse
apenas a vida de personagens, mas de ssa vez é você mesmo,
sem ficção, sem muita chance de errar no texto. A vida real
é agora.
Assim estava começando meu texto de
hoje, queria falar do meu momento de pensamentos
importantes, mas, de repente, uma morena muito linda ficou
na minha mente, na minha lembrança. A morena que acompanha
meus dias e fará sempre parte do meu currículo profissional
e do meu aprendizado pessoal. A vida não é apenas
alegria como meus pais durante tantos anos de infância
fizeram parecer, querendo me proteger dos vazios e das
angústias dos adultos.
Hoje, está fazendo três anos que
Fernanda Vogel partiu.
Jamais passará um dia 27 de julho sem
que eu lembre de Fernanda, uma pessoa que eu gostaria muito
de ter conhecido pessoalmente, mas que conheço profundamente
depois de ir fundo na sua história. Sempre que abro meu
livro, olho as fotos de Fernanda, imagens eternizadas em
páginas que estarão aí por muito tempo, penso que adoraria
ter escrito um outro final para a morena modelo. Ela nadaria
incansável até a praia, conseguiria nadar na direção da
única luz presente no momento, iria sem medo e sem frio, até
chegar em terra firme. A maldita terra firme que faltou na
história original. Tudo não passaria de um grande susto. Eu
gostaria muito de ter escrito um outro fim para aquele
momento.
É uma triste ironia eu ter conseguido
respeito profissional, escrevendo sobre uma história que
termina de maneira tão triste. Alguns dias, precisei do
apoio profundo dos amigos e familiares para não me sentir
confusa no meio disso tudo. Myrian, mãe da Nanda, me ajudou
muito e me deu o apoio necessário para estar no dia do
lançamento do livro, um dos dias MAIS importantes da minha
vida, autografando, sorrindo, realizando um sonho sem sentir
culpa. Cada familiar de Fernanda que chegava com o livro na
mão fazia meu coração apertar. Eu diminuia a alegria de
estar lançando meu primeiro livro para dividir com eles
aquela saudade sem fim.
Algumas vezes, incomoda a frase:
Fernanda foi aquela que morreu no acidente de helicóptero.
Não uso a palavra morte. Prefiro partir. Lembro sempre
da época do acidente, uma semana daquela tragédia na TV, nos
jornais, eu vivendo minha vida, trabalhando, escrevendo uma
crônica que, sem querer, foi responsável por nascer o livro.
Como todo mundo, vivi esse momento, seguindo minha vida e
fazendo parte da torcida para que Fernanda estivesse viva.
Hoje, três anos depois, Fernanda é parte da minha família.
Um quadro com a capa do livro, o rosto lindo da minha modelo
preferida, ocupa uma parede inteira da minha casa. Ocupará
sempre.
Fernanda mudou muito minha vida. Não
só por ter meu trabalho hoje mais respeitado, mas porque ao
colocar no papel sua biografia, ficar perto de seu mundo,
tive a certeza que felicidade é agora. As pessoas vão
embora, mas continuam vivas dentro de nós.
(No início desse texto, eu disse:
Seria lindo se fosse apenas a vida de personagens, mas de
ssa vez é você mesmo, sem ficção, sem muita chance de errar
no texto. A vida real é agora. Eu estava falando da
minha vida, mas pensando na história do livro, consigo
entender a importância dessas palavras. Não devemos mesmo
deixar nada para amanhã)
Obrigada para todos os fãs queridos da
Nanda que escrevem sempre.
Por hoje é só. Vocês entendem que o
dia não é lá dos mais agradáveis para mim e não será nunca.
A anemia das
muitas coisas...
de
Tammy Luciano
(escrito em 25 de julho de 2004)
A
vida está corrida. Aquela listinha de milhões de coisas para
fazer no mesmo segundo me fazem respirar fundo. Trabalhar em
mais de um lugar não é lá muito tranqüilo. Ainda mais quando
você sai de um trabalho no horário em que precisa estar em
outro. Música alta no carro, exercício de relaxamento e
alegria saindo pelos poros. Existe felicidade maior do que
estar vivo, fazer da vida o que escolheu? Eu escolhi o caos
da falta de tempo e tento me encontrar nos dias sem tempo e
nas refeições apressadas. Meus pais reclamam que estou magra
demais e posso estar com anemia. Não sinto fome e quando
sinto fome, sinto sono. Durmo.
Acordo no meio da madrugada apenas
para escrever aquela frase que abre uma porta enorme para
outras milhares de frases. Meus verbos de palavras sinceras,
de textos que contam cenas de momentos que já vivi e outros
que adoraria ser a protagonista. Quando uma personagem
chora, aquela lágrima já foi minha. Se escuto uma gargalhada
no meio da minha história, penso que é o som do sorriso que
vou dar amanhã.
Desço aquelas escadarias, encontro
alguém querido e digo: Acho que não posso mais ser uma
só. Preciso ser duas, três, quatro para estar em vários
lugares ao mesmo tempo. O rapaz sorri. Com certeza uma
de mim estaria na praia, de férias, aproveitando os dias
livres que o cotidiano da vida teima em roubar, furtar e
levar. Não tenho tempo para escutar aquela música até o fim.
Passo batom, enquanto dirijo. Falo, enquanto escrevo. Vejo
TV, enquanto leio. Tento ser algumas em mim para aproveitar
o tempo. Acredito naquela teoria do tempo de hoje passar
mais rápido que o tempo de ontem.
No
meio do caos, onde tudo acontece, eu olho o céu e agradeçco
estar atuante no meu trabalho, ter tantos pensamentos para
colocar no papel. Quero mais mil livros para escrever. Quero
mais mil idéias para colocar no papel. Quero mil beijos, mil
noites, mil desejos, mil fontes de inspiração no meu
coração.
Aos poucos, Patrícia B. vai
tomando forma dentro de mim. Leio em voz alta um capítulo
novo que formatei. Alguns trechos confusos, precisando
explicar melhor. Minha nova personagem tem quase tudo, menos
ela mesma. Eu tenho quase nada e, aos poucos, um tudo invade
minha alma. Mesmo que o caos do excesso esteja em mim. Mesmo
que eu almoce todos os dias, enquanto falo de trabalho.
Tudo que antes me preocupava, me faz cócegas. Coisa
horrível, mas ando rindo das bobagens que fizemos, do quão
pequenos fomos quando podíamos ser grandes. Eu já fui
medíocre. Agora isso só interessa a mim e estou me lixando
para o que pensam de mim. Não tenho mais tempo para perder.
Tive. Agora não.
Novos
movimentos para o bem de todos...
de
Tammy Luciano
(escrito em 21 de junho de 2004)
Alguns dias,
escrever por aqui é chato. Fico dosando as palavras. Ao
contrário do que faço nos meus livros que escrevo o que
quiser, ninguém irá me pegar pelo pé, nesse espaço virtual
contando alguma passagem da minha vida, todo mundo pensa que
sabe o que é. Se eu falo NELE todo mundo pensa que é ELE.
Recebo mensagens pedindo que eu supere isso de uma vez. Isso
o quê? Eu já superei, pessoa! Tô bem mesmo. Se eu falo de
uma moça, a própria moça acha que é ela. Meu passado não tem
apenas um ele e uma moça.
Alguns dias, não
sei mesmo ser escritora de mim...
Alguns dias, é
chato imaginar que você vem aqui para ler e saber dos meus
passos, mesmo não me curtindo muito...
Alguns dias, é
chato aqui, mas muito bom lá fora...
Alguns dias, o
frio incomoda...
Alguns dias são apenas alguns
dias...
Ao invés de brigar com o mundo,
entendi que existem muitos mundos dentro desse que a gente
acha enorme. Resolvi seguir a vida, deixar em ontem o que
era de ontem. Não vou mesmo agradar todo mundo sempre e o
que está com ponto final não vale ser mexido. Foi a melhor
decisão de todos os tempos. Deixei de visitar lugares que
ia, achando melhor não insistir com o destino e quis mesmo
caminhar por novos mundos. Não foi fácil. Alguns movimentos,
a gente já faz por puro vício. Mudei ruas virtuais e reais e
usei a palavra recomeço sem restrição.
Depois de uma decisão como essa, você
pode reencontrar quem for do mundo de ontem e não sentir
mais nada. Olha fotos que antes falavam por si e elas
parecem paradas no tempo, esperando que o pó se encarregue
de levar todo o resto da imagem. Isso para mim foi o grande
desafio dos últimos meses. Deixar para trás quem o ciclo
havia encerrado, pessoas que não me queriam bem, gente que
havia me interpretado errado, porque ninguém é no todo bom e
nem no todo ruim, e ser apenas eu, alguém comum como todo
mundo.
Quem me conhece sabe o quanto seguir
em frente era desafiador aos meus olhos. Tinha mania de
voltar para ler, de ficar para ver, de lutar para ter. Hoje
não mais. Um dia, parei e disse CHEGA porque me feria,
insistindo em ter amizades que não eram amigas e tentando
criar laços que jamais seriam atados. Quero, hoje, quem me
quer. Resolvi ser aceita por quem me aceita. Aprendi a ser
boa companhia para mim e estou achando que me divirto mais
do que antes em situações que seriam uma verdadeira
escravidão. Os amigos que ficaram quero tê-los com amor,
porque no final só fica mesmo o bom e belo amor.
Todos esses pensamentos não são uma
forma de rebelião contra ninguém. Apenas uma vontade enorme
de acertar, sem atrapalhar o mundo das pessoas. Tocar meu
mundo sem interferir no seu e entender que mesmo não sendo
desejada, nada impede que eu seja feliz. É mais ou menos por
aí...
Se a roda tá girando, tá valendo.
Vamos seguindo e realizando, porque essa é a missão!
Até...Beijos no seu coração...
Pedidos na mesma
noite estrelada...
de
Tammy Luciano
(escrito em 20 de julho de 2004)
De repente, tudo ficou claro e as
peças voltaram ao lugar. Esquizofrenia pura, vendo gente
onde não existe e assistindo cenas sem o menor vínculo com o
real. Minha amiga mental, aquela que vive a me dar conselhos
sobre o ser e o ser da melhor maneira possível, diz que
preciso parar de colocar coisa onde não existe. Só mesmo um
fim de semana lindo, com dias tão bons para me lembrar do
quanto necessito tirar férias do meu lado escritora que
inventa argumentos de roteiros tristes. Os dias são normais,
sem os ditos conflitos da trama acontecendo toda hora.
Existe a vida simples, sem personagens doentes.
Fico calada, porque assim sei dizer
que não quero. Fico na minha para explicar o quanto a vida
me ensinou a esperar. Lembro dos dias anteriores em que
sonhava com alguém como um só. Lembro das barras que forcei
em cenas artificiais só para acreditar que ia valer a pena
lá na frente. Nunca valia. Alguém querido me disse que a
vida começa com um projeto de vida. Descobri que projetos de
vida começam com um torcendo incondicionalmente pelo outro.
Eu torço por você, quero rasantes no céu límpido do seu
caminho. Vai chegar, vai ser, vai vencer, porque a vida
quer, você merece. Eu não tenho mérito nisso. Estou apenas
na torcida.
É impressionante como os dois
personagens conversam, trocam idéia, falam dos desejos, como
suas vontades estão começando a ser as mesmas. De repente, o
ciúme que não existia apareceu. Junto com ele um pedido de
você é só minha e a resposta de sou sim
que a gente só diz quando tem vontade. O furacão
curiosamente trouxe um dia de sol. Ninguém quer acertar
sozinho na vida, seguimos na solidão por circunstância, mas
todos querem acertar juntos, porque a dois a vida tem mais
graça.
Foi embora o medo. Foi embora a chance
do mundo lá fora se meter e incomodar. A mocinha acena
para o amado que sorri para a mocinha que olha fundo nos
olhos do amado que fica feliz em saber que a mocinha não
chora mais. Era chato vê-la chorar e até o cavalo branco
se sentia incomodado quando a moça, sentada na beira do
lago, com uma tarde repleta de flores, lamentava seu
passado. Ela não chora mais, porque o mocinho é bom demais,
cuida intensamente dela. Ele também andava desacostumado,
acomodado no frio, agasalhado pelo tempo. Pediu um dia,
antes de dormir, que uma mocinha aparecesse na sua vida e
mostrasse um caminho novo. Os dois, talvez, tenham feito o
pedido na mesma noite estrelada. Só mesmo o destino
assistindo o desejo mútuo para apresentar os dois.
Alguns dias, gosto de ser uma
escritora de final feliz e encontros verdadeiros. Lulu
Santos, um dos caras que melhor sabe falar nossa alma
humana, canta enquanto escrevo esse texto e me ajuda a
encerrar nosso encontro de hoje: Ouça o que eu lhe
digo, acredite se quiser. É a mais bela história que alguém
já contou. (música Vai Entender)
Fique com Deus. Luz no seu coração...
Só mesmo
aquele amor...
de
Tammy Luciano
(escrito em 16 de julho de 2004)
Agora
posso dizer. Eu fingi que não notei estar triste. Passei uma
semana com o coração apertado, uma vontade enorme de sumir e
um desejo gigante de saber o porquê do sentimento malvado,
mesmo não tendo coragem de perguntar. Podia ser o trabalho,
podia ser o coração ou até a alma. Não sei ao certo o que
foi, mas algo dentro de mim gemia e reclamava uma dor
desconhecida. Cogitei até estar sentindo a proximidade de
algo ruim. O que só me fez piorar.
(Foto: Sol que tive o prazer de fotografar em Búzios!)
Ainda tentei remexer os sentimentos, tentar entender o que
estava acontecendo se tanta coisa boa repousa no meu colo
hoje. É fácil entender quando estamos tristes em momentos
difícieis. Só a loucura explica estar melancólica quando
coisas boas vêem na nossa direção.
Até a psicologia me chamou de maluca esses dias. Tudo de bom
acontecendo e a amargura agindo no automático?
Tentei melhorar. Batalhei para me
livrar da sensação de angústia que me afligiu. Quem me
conhece pergunta logo o que eu tenho. É chato, tudo fica
estampado na minha cara. As pessoas acham que só tenho duas
emoções: muito feliz ou muito triste. Fica tudo como
carimbo, registrado. Se algo acontece e me faz sofrer, está
ali e pronto. Não sei amenizar nada. Cai tudo como uma
bomba, um peso, uma assinatura dos acontecimentos.
Agora difícil foi explicar sentimentos que não entendi.
Estava me sentindo triste, mas não encontrava motivos. Por
isso, continuei seguindo os compromissos, fingindo estar
tudo bem. A gente não pode valorizar muito a dor. Tem que
seguir. Já aprendi a conviver com vudus quando eles
aparecem. Você não liga, segue seu caminho. Aí a energia
desiste e vai embora. Foi um pouco o que fiz. Não parei.
Deixei os pensamentos depressivos se sentirem em casa. Quer
pensar?
Pensa, querido! Pode sentar, me infernizar a cabeça. Vamos
lá, fala bastante que não vou conseguir sair do lugar. Os
pensamentos desistem de lutar comigo. Viro amiga deles e
ofereço até cafezinho.
Só mesmo o carinho paterno seria capaz
de estender a mão e me tirar do buraco ordinário que me
enfiei. Estava sentada na cozinha, conversando com meu pai,
expliquei meu cansaço, falei do vazio que senti essa semana,
vazio sem motivo alojado nas pequenas veias do coração.
(Alguns dias me acho tão egoísta, valorizo tanto minha vida
que me irrita. Por isso, tento também ajudar quem me ama.
Não pode ser apenas nas águas do meu umbigo que a vida
contece). Meu pai me escutou, não disse nada. Apenas ouviu.
Como sempre. Fomos andando, eu apressada para o trabalho,
textos caindo pela mão, celular tocando e meu pai me
olhando. Depois, olhou o céu, admirou o sol e disse:
Reli seu livro novo hoje, me emocionei. O livro está lindo,
minha filha!
Ah, pai, queria que o mundo fosse bom para mim como você é.
Queria que os dias me tratassem tão bem quanto você. Se a
vida me entendesse e desejasse as mesmas coisas boas que
recebo do seu amor paterno, eu seria para sempre feliz. Já
estou inteira por ter a benção da sua presença. Grande pai
que Deus me deu! Foi você que mandou embora uma dor. Um
vazio que não tinha sentido e você, com o carinho de sempre,
o fez me deixar em paz. Fez isso sem saber. Ou sabia e eu
bobinha é que não notei sua tentativa direta de me salvar do
nada. Sua declaração Reli seu livro novo hoje, me
emocionei. O livro está lindo, minha filha! ficou
latente em mim por todo o dia. Só depois disso, admirei o
sol que você tinha observado e eu, triste, não tinha
notado...
Deus abençoe você, Meu Pai!
(Elogio de pai e mãe podem ser
suspeitos, mas fazem um bem enorme...)
Quando ela
sai e as letras falam demais...
de
Tammy Luciano
(escrito em 15 de julho de 2004)
Estou só, é dia de semana, meio da
madrugada. As paredes falam comigo e ao mesmo tempo não me
dizem nada. É estranho pensar que muita gente se preocupa
comigo e todos cuidam muito bem de mim. O que só aumenta
minha culpa. Não posso ser triste. Não posso me dar ao luxo.
Peço férias. Penso em ler um dos cinco livros que comprei e
mal tenho tempo. Durmo com o caderno de anotações na mão.
Esqueço onde coloquei a agenda. Ela precisa aparecer por
conta própria em poucas horas. Quando amanhecer, meu caderno
de horários vai estar na beira da cama, me olhando dormir,
torcendo para que eu abra logo meus olhos e veja que ele
está ali para me servir novamente com seu tempo
claustrofóbico.
Mais dois minutos de sono. Penso em
tudo que ainda quero fazer. Escrevo mais do que deveria.
Ando em curto. Não bebo água, tenho formigamento nas costas,
caminho de salto alto, jogo os cabelos para o lado, mudo o
shampoo, me obrigo a comer agrião e não tenho tempo para
telefonar para os amigos. Só ligo para quem precisa me
fornecer informações profissionais. Anoto tantas coisas para
fazer, escrevo tanto sobre sonhos, largo o que posso na mão
de quem me ama e vivo alguns pesadelos diários que me fazem
questionar quem inventou o maldito engarrafamento. Juro que
daqui a cinco anos a vida estará melhor. Jurei há cinco anos
atrás que a vida estaria melhor. Está tudo como antes?
Penso em parar de escrever, mas já não
sinto mais os pensamentos combinando para formar um só
texto. Hoje em dia, as letras mandam em mim, saem da minha
mente sem avisar, sem autorização. Se eu abandono o texto
pela metade, eles falam de mim, contam tudo mesmo sabendo do
meu desejo de estar escondida dentro de todos os pensamentos
que dançam na minha cabeça.
Saio e as letras falam por si.
Escrevem sem que eu queira...
Vogais e consoantes entregam meus
sentimentos sem autorização. Ela não está bem, gritam eles.
Ela anda meio cheia, por isso está meio vazia, comenta a
letra A do alfabeto insistente. Ela só quer um tempo,
mas não sabe como pode conseguir se todo o seu tempo foi
negociado até o fim do ano. Aulas, livros, textos, letras,
pensamentos devidamente escravizados para que um dia alguém
comente com orgulho de ter conhecido a tal
es-cri-to-ra-zi-nha.
Parte do alfalbeto resolve contar que
pelo menos feliz no assunto coração ela continua. O que
passou daria um livro, ressalta a senhorita exclamação.
Todos concordam. Rapaz do céu deu rasante no coração da moça
e agora a melodia mais bonita está tocando na cabeça dela.
Ela escreve sem reler. Anda publicando textos sem muita
revisão. Não quer pensar duas vezes antes de escrever
pensamentos. Talvez nunca repare que as letras escreveram
além de suas linhas, nas entrelinhas. Ela pensa que não
deveria ter dito nada, mas já que começou, as pessoas
aparecem aqui e ela cisma de escrever mais e mais. Recebe
e-mails elogiando. Um rapaz importante, de sobrenome chique,
poder nas mãos, diz gostar do texto dela, comenta que ela
vai arrebentar em poucos anos e pergunta sobre seu próximo
livro. Ela volta a pensar no próximo livro depois de dois
meses o deixando na gaveta. Não está nem aí para o tempo
correndo e não sente mais obrigação em lançar outro. Mesmo
assim já sonha em vê-lo na livraria.
Ela não entende como alguém pode
gostar do que é puro pensamento exaustivo. Escrever,
escrever e escrever. Acha chato o que escreve. Acha chato um
monte de coisa e apenas cala a boca. Precisa pensar nas
pessoas que cuidam dela.
Ontem, estava presa no trânsito e pensou nisso. Tinha apenas
meia hora para sair de um trabalho e chegar em outro. Ainda
precisa escrever um texto no Blog e enfiar a cara no livro
3. Escreve, menina! Vamos logo! Tem gente esperando para ler
você, a letra A grita. Tem gente querendo seu livro
novo! Ela conclui que não envelheceu e que por isso mesmo
alguns sentimentos bobos de menina continuam dentro dela.
Entende que a gente aumenta idade, mas continua como era,
querendo os mesmos sonhos e falando as mesmas bobagens.
Sonhadores do mundo real exaustivo.
Volto ao computador e as letras
escreveram muito do que eu não quero. Mania de me denunciar,
de declarar meu verbo quando o que eu mais quero é parecer
um ser ameno. Olho o relógio. Preciso ir. Sempre preciso ir.
Alguém diz que falaram do meu livro em um jornal legal e eu
não vi. O mundo me espera. Vou. Deixo as letras sozinhas
agora e espero que não falem mais nada de mim...
(Agradeço todos os dias quem passa por
aqui e divide sentimentos comigo. Obrigada por cuidarem
tanto de mim...)
O que vou querer
mesmo amanhã...
de
Tammy Luciano
(escrito em 12 de julho de 2004)
Não sei explicar direito, mas meu livro novo anda guardado
embaixo do braço. Tenho levado bronca de todo mundo, porque,
simplesmente, não o entrego de uma vez para a mão de quem
segue com meu projeto: o grande editor. Acredito muito no
tempo das coisas. Confio que algumas vezes é preciso ser
para acontecer ou que é necessário não ser para ser. Gosto
mais ainda de agir quando meu corpo pede. Meu corpo anda
pedindo espera, calma e cautela. É isso que tenho feito. Eu
sei das minhas esperas melhor do que ninguém.
Já briguei tanto com o mundo. Já
tentei tanto provar, ser, explicar. Hoje, cada dia mais no
meu canto, entendi que o melhor é deixar seguir a máquina
funcionar como ela quer. Não que eu vá ficar parada em casa.
Você me conhece, sabe que jamais esperei o mundo acontecer
sozinho. Estive sempre lá, fazendo o carrinho da vida pegar.
Quis sempre ajudar o veículo a funcionar. Meu transporte já
esteve tão ruim, já enguiçou em cada estrada, quase pegou
fogo, caiu de barrancos e eu continuei com fé. Se perdia as
confiança, durava pouco. Sempre acreditei no poder de lá na
frente as coisas estarem melhor. Hoje, elas estão, mas meus
planos são contínuos e intermináveis.
A vida profissional não me interessa
muito além do mundo da arte que me faz imaginar e seguir uma
vida de paz. Não tenho que provar mais nada para ninguém. Se
é que algum dia isso me interessou. Meu próximo livro breve
estará na sua mão. Mesmo que bruxinhas do mal tenham
duvidado do lançamento do primeiro. Hoje, quem está em uma
livraria tem que aturar meu livro na prateleira, meu nome no
computador da loja, meu original na mão das pessoas. Seja
que livraria for, de alguma maneira meu nome já passou por
lá. Já chorei ao pensar nisso. É uma espécie de vingança do
bem. Quem um dia me disse que eu não chegaria em lugar
nenhum sumiu no meio da poeira. Nunca mais vi. Quem riu
quando um dia me escutou dizer que alguém iria ler minhas
histórias, nunca apareceu por aqui.
Cada dia mais me sinto escritora. Cada
dia mais planejo minha solidão profissional. Não estarei por
muito tempo trabalhando pelo mundo como hoje. Não sei, por
exemplo, quando vou deixar de aulas, mas minha história como
professora não será por muito mais tempo. Sinto isso. Minha
vida como escritora anda latente, pedindo que eu invista de
uma vez e aos poucos deixe o mundo lá fora ausente do meu
mundo aqui dentro. Eu que já quis muita gente ao redor de
mim. Eu que já clamei por trabalhos que hoje na me dizem
nada. Quero estar sozinha para escrever. Sinceramente, meu
desejo é, aos poucos, caso a vida permita, abandonar todo o
mundo de hoje para ser a moça escondida no meio do mato que
vive para escrever.
Lembro quando um repórter do O Globo,
há muito tempo atrás, escreveu uma matéria intitulada
Jovem roteirista a caminho do sucesso. O texto era
lindo, mas em determinado momento, ele dizia que eu não
queria mais papo com meu lado atriz e havia escolhido ser
escritora para o sempre. Na época, fiquei muito ofendida.
Até porque não havia dito nada daquilo e me senti quase sem
os braços me imaginando longe do teatro. Hoje, atuando bem
menos do que gostaria, acabei me acostumando com a idéia de
ser apenas escritora. Minha escrita depende de mim e não das
lembranças dos outros para me colocar em uma novela. Minha
vontade de me esconder para apenas escrever e cuidar de uma
família que ainda vou formar, com os filhos que ainda vou
ter, o marido que quero amar até o sempre são a verdadeira
razão de ser nos meus dias atuais.
Ninguém mais precisa me reconhecer,
pedir autógrafo ou querer tirar foto. Hoje, me sinto bem ao
entrar em uma livraria, como aconteceu no último fim de
semana, e a vendedora comentar que sabe quem sou eu, falar
do meu livro, elogiar o trabalho. Já está valendo. O resto é
esperar o tempo escrever a história que eu quero para mim.
Uma história para escrever, escrever, escrever...
Tinha um motivo
especial
de
Tammy Luciano
(escrito em 08 de junho de 2004)
(Foto:
Eu e Bruno. Na mão, o cd que ganhei de presente! Deus envia
recados. Eu sou boba, demoro a entender, mas esse de domingo
foi bem claro! O que me importa, sinceramente, é quem se
importa comigo! Que essa minha missão para escrever se
multiplique cada dia mais...)
Alguém comenta que eu deveria ser mais fechada quando o
assunto é minha vida pessoal, afinal: "Você é uma pessoa
pública". Fiquei rindo. Pública? Eu? Até parece. Ando por
todos os lugares e pouca gente sabe o que faço da vida. "Não
interessa, você é pública sim. Escreveu um livro, escreveu
outro, escreve poemas, atua, sua profissão é pública!" Por
que devo resguardar minha vida pessoal se como escritora
coloco para fora minhas vísceras? Eu não sei deixar de
assumir meus pensamentos. Existiu um tempo nesse blog em que
eu contava coisas minhas como se fossem de amigos. Hoje são
minhas e pronto. E quando digo serem de amigos, são
realmente de amigos. Não é melhor assim? E então essa de ser
pública não existe. Podem já ter escutado falar do meu
livro, mas eu não sou o tipo de pessoa que causa furor
quando anda pela rua e acho até melhor. Para minha profissão
é melhor observar do que ser observado.
Por isso, não vou esconder que acordei no domingo triste.
Não sei ao certo o porquê. Pode ser uma ausência, um vazio
de alguém que não conheço e mesmo assim deixa o nada em mim.
Estou tentando processar os fatos do novo que cisma em me
puxar pelo pé e me fazer ter vontade de brindar com a
melancolia. Down, resolvi convidar minha amiga Kiki para ir
ao teatro ver uma peça que ganhei convites. Aproveitamos
antes para jantar uma bela massa. Como adoro a deliciosa
comida italiana! Um tempo depois, estávamos na porta do
teatro, convites na mão, gargalhadas no ar, me dei conta que
as entradas eram para semana que vem, a peça não havia
estreado ainda. Só eu. Sem comentários...
Kiki e eu decidimos tomar um café na livraria Letras e
Expressões, lugar adorável, para aproveitar o restinho de
domingo. Ficamos ali entre todos aqueles livros, aquele
cheiro, os originais novos, misturados aos antigos,
histórias recém criadas perto de antigas criações. Todos os
anos de todos os mundos no mesmo lugar. Escolhi três
originais desejados há algum tempo. Fui pagar para depois
subir até o segundo andar e tomar o tradicional café. Quando
estava pagando, decidi perguntar pelas vendas do meu livro
que, felizmente, assim como na Siciliano, estava nos mais
vendidos. O rapaz respondeu que estava vendendo bem. Eu
sorri e comentei, sem maiores pretensões na emoção dele, ser
a autora. Ele arregalou o par de olhos verdes e perguntou:
"Você é a Tammy Luciano?". É impressionante como o metidinho
do meu nome faz mais sucesso do que eu. Isso me faz lembrar
de Gogol, escritor russo, que disse: "Sei que meu nome será
mais feliz que eu". Pensando nisso, sorri, sim, eu sou Tammy
Luciano. Ele, surpreendentemente, falou: "Olha, eu não
acredito que é você. Eu pedi muito em pensamento para um dia
você aparecer aqui na loja. Eu li seu livro, adorei, é muito
bem escrito. Nossa, eu pedi tanto esse encontro. Pensei até
em procurar você na Casa dos Artistas, mas acabei não indo".
Agradeci, acho que ainda tenho uma trava para esses momentos
e sempre fico sem graça quando recebo esse tipo de elogio.
Adoro, claro, mas não sei se minha reação externa representa
a alegria interna.
Ele me apresentou para o outro vendedor, explicando que eu
havia escrito o livro da Fernanda e ressaltando as
qualidades do meu texto. Quem passava perto deveria estar
perguntando: "Que livro é esse ora bolas! Quem é essa
mulher?". Eu e Bruno, sim ele se apresentou, conversamos
sobre a vida da Nanda, eu comentei que Myrian gostaria
conhecê-lo. Ela sempre adora essa energia do bem de pessoas
que gostaram do livro. Sempre penso nela quando vivo
momentos assim. Bruno falou que era emocionante estar ali na
minha frente. Tinha certeza que com Myrian também seria
maravilhoso. Eu afirmei que sim, a mãe da Nanda tem uma luz
linda, um carinho com todos que se aproximam.
Depois de um tempo conversando, subi para o café. Kiki acha
legal acompanhar essas situações. Comentei com ela da minha
tristeza durante o dia. Depois, lembramos do meu comentário
sobre ter ido à toa ao teatro: "A gente veio até aqui por
algum motivo. Eu não sei ainda o motivo, mas vamos para a
livraria para aproveitar a noite!". Nada é do nada, tudo tem
sentido. Eu não havia perdido meu tempo. Estar ali naquele
lugar, escutar aquelas palavras de carinho faziam parte do
plano do céu. O vazio sentido durante o dia deu lugar a um
orgulho enorme. Não me sinto mais uma pessoa sem conquistas.
Sempre quis acertar pelo menos uma vez na vida. Não só pelo
lado banal de calar a boca de quem duvidou, encheu meu saco
e desejou que eu não chegasse em lugar nenhum, todo mundo
vive isso, mas porque descobri ser capaz de realizar um
projeto que está dando certo, atingiu o coração das pessoas,
atingindo assim em cheio o meu. Esse carinho todo faz minha
alma muito feliz.
Antes de ir embora, fui me despedir do Bruno. Queria tirar
uma foto com ele para publicar aqui no Blog. Comecei a falar
e ele me entregou um pacote. Um presente! Queria que eu
aceitasse um cd como agradecimento por tê-lo visitado.
Nossa...imagina como fiquei? Lindo foi ler a dedicatória
escrita na contracapa do cd afterglow, da Sarah McLachlan:
"Para Tammy com muito carinho. Obrigado pelo "presentão" de
ter te conhecido. Muita luz! Sempre pense grande! Bruno".
Minhas esquisitices e meus livros
de
Tammy Luciano
(escrito em 31 de maio de 2004)
Eu tenho muitas esquisitices.
Privilégio de muitos, claro, não sou a única louca planeta.
Uma pessoa querida faz questão de informar: "Uma pesquisa
constatou que apenas 26% da população é normal! Acho que
estou com a maioria!". Eu fiquei pensando como deve ser
estar na linha da normalidade. Os normais devem ser
entediantes. Gente normal demais não sai do lugar. Somente
com parafusos a menos andamos no Rio de Janeiro, acreditando
estarmos seguros. Malucos conseguimos fazer amigos e amores
virtuais. Com um pouco de maluquice no cérebro, somos
felizes.
Penso que minha loucura foi
responsável por me fazer acreditar que isso tudo aqui era
possível. Eu podia escrever, outros iam ler e eu seria
considerada escritora. Louca eu, louco quem lê meus textos,
loucos no planeta da insanidade. Prefiro ser assim uma louca
que não bebe, não fuma, acredita em Deus, faz pactos com a
paz e se fingindo de louca, acumula alegrias e conquistas.
Por algumas vezes, estou rindo, camuflando uma
superficialidade, mas percebo o olhar me observando, me
avaliando, me questionando, me criticando. Já não me importo
com quem está longe.
Tenho a benção de ter pessoas queridas
tão perto de mim. Pessoas que aceitam minhas esquisitices
como elas são. Minha mania irritante de contar a mesma
história várias vezes. Meus vazios que alimentam minha
loucura. Sou uma sobrevivente das esquisitices que criei,
das que me jogaram na cara ou me deram de presente sem que
eu quisesse.
Um amigo quer saber mais de mim lendo
meu livro novo. Está lendo a pedido meu para dar sua
opinião. Primeiro capítulo e ele logo questiona se vivi
aquilo. Eu digo não. Explico não ser uma biografia. Ele acha
que a cada parágrafo vai decifrar meu eu. Volto no tempo.
Lembro do período em que escrevi esse livro. Época em que
ainda tinha alguém ao meu lado. Época em que mesmo assim,
agora eu sei, estava só. Será que o livro tem muito de mim?
Lembro que em vários trechos, tentei fugir da minha
essência, mas acabava estacionada nela. Queria contar o
cotidiano da gente longe de mim e terminava no eu.
Escritores só falam de seus umbigos, essa é a grande
verdade. Porque a gente só sabe escrever do que viu. Como
vou falar da sensação de pisar na lua se jamais estive nela?
Jorge Amado contava tão bem sua Bahia. Carlos Drummond de
Andrade escrevia lindamente de seus amores eternizados em
poemas e fazia viver em nós os detalhes da cidade Itabira,
onde nasceu. Manoel Carlos, o grande autor das novelas, sabe
como ninguém falar sobre o Leblon onde mora.
Falei no meu livro 2 sobre perder um
amor, conhecer outro e de ser feliz na última página. Vou
ser feliz na última página e isso é o que faz seguir. Tenho
sido feliz agora na página 60, ou seria 82? Ainda não
encontrei o grande amor, mas tenho me amado bastante. Isso
já vale. Em que página da vida estou? Não sei ao certo.
Minhas esquisitices não permitem saber onde me encontro no
presente. De bom é isso, ando vivendo o presente. Minha
personagem, que não sou eu, já está feliz com seu príncipe.
Esquisitices de autora contando o final do livro. Tammy
Luciano é definitivamente uma esquisita.
Devo assumir aqui que minhas
esquisitices foram responsáveis por me fazer escrever linhas
que somente uma mente navegante seria. Não tenho medo de
acreditar no além da normalidade. Que venham as
esquisitices, sejamos nós seres diferentes, esquisitos e
únicos. Unicamente esquisitos!
O arquivo
que sumiu do micro
de
Tammy
Luciano
(escrito em 09 de maio de 2004)
Sexta-feira.
Acordo com meu carro doente na garagem. Sem querer me
aborrecer muito, ligo para o reboque e enquanto chega,
volto a dormir. Deixo o carro na oficina, o problema não
é sério. Fim da tarde, o veículo, palavra engraçada,
estará pronto. Acho que meu maior problema no dia será
isso.
Em casa,
ligo o micro, comecei a aumentar o ritmo no meu livro
novo, tento abrir o arquivo do meu livro 3. Arquivo?
Onde? Como assim, pessoa? Onde está o arquivo do meu
livro novo? Antes, que você caia no chão e chore por
mim, o arquivo que eu falo não é "A segunda vez era
amor". Esse já tem backup, registro em dia, cópia na
editora, no computador do meu pai, foi impresso e
encadernado para caso faltar luz no mundo. Ou seja, zero
chance de sumir, desaparecer. O que eu não encontrei
mais aqui no meu mundo virtual foi um arquivo de um
terceiro livro. Simplesmente, sumiu.
Nas verdade,
essa história deveria começar não com meu carro
quebrado, mas com o novo HD do meu computador. Agora sou
uma moça de 120 Gi. Provavelmente, na mudança de
arquivos do HD velho para o novo o arquivo sumiu. A
pasta Livro Tammy, onde eu guardava não só os
livros já prontos, leia-se o arquivo original de
"Fernanda Vogel na passarela da vida" e "A segunda vez
era amor", mas os rascunhos de outras idéias/livros. Até
aí, tudo bem, eu tenho backup de tudo isso. Só que o
rabisco novo, eu já havia escrito umas 15 páginas, um
mês de trabalho, várias madrugadas devidamente
jogadas no lixo, desapareceu sem maiores despedidas.
Isso atinge
diretamente o emocional da gente. Uma parte dessas 15
folhas, eu tenho anotadas no meu caderno, porque andei
meio carente de papel e voltei a escrever no método
tradicional, deixando um pouco o computador de lado. O
problema não é passar a limpo, mas muitas frases nascem
aqui no micro e eu não anoto. Ou seja, vários parágrafos
que não existiam no papel foram embora. Quando passo
para o micro, vou organizando as idéias, refazendo
frases, criando e deixando o livro com cara de livro. Ou
seja, um mês de trabalho, várias madrugadas
devidamente jogadas no lixo.
Eu sou um
ser bastante curioso, capaz de me aborrecer por
situações mínimas, detalhes pequenos de nós dois, eu com
o cabelo para alto, arrancando os fios, querendo morrer.
Quando o momento é de desespero, minhas letras nesse
momento perdidas em algum lugar desse micro, eu estou
aqui calma, escrevendo no Blog como se tudo fosse se
arrumar. Pensando que Deus decide minha vida. Se ele
deletou o arquivo, vai ver o livro não estava tão bom
assim. Deus é um cara especial demais, sabe o que faz,
confio nele. Tá, algumas vezes, questiono suas decisões.
Passei alguns dias dedicada nesse novo texto. Agora,
simplesmente, ele desapareceu do meu micro e estou aqui
torcendo para ver se Paulinho Aguiar, meu amigo
entendido de computador, consegue dar uma de detetive e
encontrar as tais 15 páginas de rabisco que Deus não
gostou muito.
Já estou até
negociando. Prometi para o céu que seu meu arquivo
voltar, eu tento melhorar. Vou ler mais vezes o texto,
em voz alta, tentar de todas as formas melhorar o que
escrevo. Agora perder tudo assim? Ah, tá,
esqueci...estou passando por um momento de testes. Tem
sido assim com tudo. Está tudo bem e de repente sumiu,
acabou. Lá vou eu ter que recomeçar. Antes eu tinha medo
do futuro. Agora tenho confiança no presente. Muita
coisa deixei para lá. Ando assim, preocupada com o que
preciso viver hoje. A vassoura foi usada para varrer a
mágoa. Para onde, afinal, eu vou se estiver com peso nas
costas? Pensei tanto esses dias em tanta gente, tantos
momentos. Não quero seguir mais com nada que possa me
deixar amargurada. Sobre tudo, sobre todos os papéis que
posso ler sobre ontem, esqueço. Encontro uma nova vida.
Lá se foi meu rascunho de livro. Aceito. Sigo.
(Detalhe:
enquanto
buscava o arquivo perdido, assisti o Sem Censura, com Myrian
(Vogel), querida, sendo entrevistada, merecidamente, no
programa especial Dia das Mães. Pensei sobre essa missão de
escritora. Paulinho Aguiar disse vendo Leda Nagle mostrar a
capa do livro, a foto do meu rosto na orelha da foto,
mensagens de uma pessoa que leu o livro duas vezes, Myrian
me agradecendo por tudo, explicando nosso projeto, que eu
estava entendendo a diferença entre fama e sucesso: "O cara
assalta um banco e fica famoso. Você não é famosa, mas tem
sucesso. Escreveu um livro que conquistou as pessoas. Você é
sucesso e não fama". Posso contar uma coisa? O gostinho do
sucesso é muito melhor. Fico quieta no meu canto, vendo meu
livro tomar vida, seguir a trilha dele sem que eu precise
fazer mais nada. Foi emocionante assistir de casa o papo
sobre o livro e ver que uma história começada na
simplicidade, sem urgência, no carinho chegou tão longe!
detalhe dito!)
Ali, assistindo o programa, sem saber se vou ou não
encontrar o arquivo do meu livro novo, decidi que
independente disso, vou continuar escrevendo a história. Já
sei o que eu quero fazer com as personagens, aliás, perder o
livro me fez estruturar a ordem dos acontecimentos. Escrevi
no caderno, claro, para não perder, esquecer...ou seja, não
vou desistir da história, da batalha. Que os problemas me
façam cada vez mais forte.
Se você souber uma maneira de encontrar um arquivo perdido
no computador, eu tenho certeza de não ter deletado, me
avise. É MUITO importante para mim...
******
Alguém,
não deixou nome, perguntou nos comentários: "Você
escreve esse calhamaço de texto todo dia? Como
consegue? Não cansa? Não fica sem vontade? De onde
tira tanto assunto?"
Minha
resposta: Já tive muita preguiça para escrever. As
pessoas comentavam que eu escrevia bem, meu papai
vivia me dando força para produzir mais, só que eu
só escrevia mesmo quando a inspiração me empurrava a
produzir. O tempo foi passando, as responsabilidades
chegando, eu fui me dedicando mais a escrever até
que virei escritora profissional. Pessoa que escreve
com ritmo diário, dedicando seu horário a produzir
mesmo que a mente esteja sem muita idéia. O Blog me
ajudou muito nisso. Esse compromisso de estar aqui,
escrever seja lá o que for, me fez dobrar o ritmo e
encontrar um espaço na minha vida para o escrever.
Hoje, escrever é prazer total. Adoro. Se não venho
aqui, não escrevo, não deixo uma idéia no papel,
parece que não estou evoluindo como gente. Sobre as
idéias, passei a olhar o mundo com mais carinho,
observar mais os acontecimentos, sentir mais as
emoções alheias e assim vou tentando transpor para
fazer chegar até você minha visão de mundo.
Minha mania de escrever e contar
de
Tammy Luciano
(escrito em 30 de abril de 2004)
Ser escritora é sofrer a tentação de abrir seu verbo e falar
muito de si. Ter vontade de estender a sua vida para quem
quiser, virar biógrafo dos próprios dias. Ser escritor é
achar que de alguma forma sua história pode aconselhar
alguém a não fazer aquilo. Ter apenas mania de contar as
coisas. Estou me fechando. Sinto isso. Ser escritor é
não sofrer a tentação de falar seu verbo e jamais falar de
si mesmo. Não ter vontade de estender sua vida para quem
quiser e nunca virar biógrafo dos próprios dias. Ser
escritor é não achar que sua história pode aconselhar alguém
a fazer aquilo. Mania mesmo de contar as coisas?
(Saio do computador, vou até o quintal da minha casa. Olho a
cor da piscina...cristalina. Lembro de olhos cristalinos.
Não quero mais deixar de ver os olhos das pessoas. Me olha
nos olhos ou não quero você. Sim, é assim que penso hoje.)
Uma pena, mas estou cada dia mais em mim. Cada dia mais
sozinha. Não confio nas pessoas, não quero acreditar que
alguém possa ser legal comigo. Fico repetindo em voz alta
que ninguém pode ser legal comigo, só eu mesma. Horrível.
Penso em não escrever esse texto. Em apagar tudo e desligar
o micro. É uma pena, mas estou cada dia mais nos outros.
Cada dia mais acompanhada de gente. Confio nas pessoas e
acho que todo mundo pode ser legal comigo, menos eu. Fico
repetindo em voz alta que todo mundo pode ser legal comigo,
menos eu mesma. Profundamente horrível.
(Saio do computador de novo. Fico olhando minha vida boiando
na piscina. Os dias correndo, coisas boas acontecendo, eu
esperando mais, nada material, minhas expectativas são
emocionais, uma vida para valer a pena)
Queria poder dizer que não sou o quê você pensa. Talvez
pior. Talvez melhor. Você não me conhece direito. Minha arte
anda sendo mais eu do que eu. Minha vida pessoal em um
momento que não quero mais falar. Não quero falar para
ninguém. Não quero ser aquilo que pensam. Não sou
intelectual. Não sou também nada que não queira ser. Sou
apenas eu, apenas eu, escrevendo, escrevendo sem pensar no
que isso vai dar, sem pensar se um dia alguém vai ou não
respeitar meu trabalho. Isso não me importa mais. Não.
Não. Não. Eu queria dizer que sou exatamente quem você
pensa. Talvez melhor. Talvez pior. Você me conhece por
inteiro. Minha arte anda sendo menos do que eu. Minha vida
pessoal em um momento que quero falar. Quero falar com
alguém. Eu quero ser aquilo que pensam. Sou intelectual. Sou
tudo que não queria ser. Sou apenas você, apenas você,
escrevendo, escrevendo pensando no que isso vai dar,
pensando que um dia alguém vai respeitar meu trabalho. Isso
sim me importa. Sim. Sim. Sim. Eu queria dizer que eu sou
aquela que você sabe exatamente quem é, aquela que você não
sabe nada.
(Saio do computador. Leio o jornal. Penso na vida. Penso que
minhas verdades mudam. Não anote o que eu disse para me
cobrar depois, porque eu mudo de idéia sim. Eu mudo. Eu não
tenho obrigação em ser exata para você. Eu não sou a
matemática. Não quero ser. Sou como o português, as palavras
que mudam quando querem, saem do comum, novos sentimentos em
cada linda.)
Alguém me diz: "Você anda muito por baixo, você coloca muito
NÃO nos seus textos. Você precisa deixar de ser negativa, o
positivo traz o sim". Enquanto escuto isso, imagino que vou,
como sempre, receber comentários, e-mails e mensagens de
pessoas dizendo que essa fase vai passar e que eu vou
conhecer alguém MUITO especial. Ué, mas eu não quero
conhecer ninguém. Sim, sim, sim, deixa tudo como está. Sim,
eu estou positiva. Sim, eu acredito no amor. Sim, acredite
em mim. Sim, eu não importo mais com o passado. Finalmente,
entendi, o que eu mais queria estava dentro de mim.
(Vou para o quintal de novo. Sento na beira da piscina e
penso. Penso. Repito em voz baixa, quase como se estivesse
rezando: ser escritora é sofrer a tentação de abrir seu
verbo e falar muito de si. Ter vontade de estender a sua
vida para quem quiser, virar biógrafo dos próprios dias. Ser
escritor é achar que de alguma forma sua história pode
aconselhar alguém a não fazer aquilo. Ter apenas mania de
contar as coisas. Estou me fechando. Sinto isso...)
Escrevendo com a
alma que sofre...
de
Tammy Luciano
(escrito em 07 de abril de 2004)
De repente me vejo forte, escrevendo o fundo de mim, minhas
dores mais recentes. Escrevo rápido, em poucos minutos um
texto enorme está ali pronto para ser lido. Envio sem mudar
muita coisa. Mando embora uma verdade de mim que não quero
mais esconder.
Sou do tipo que não sabe mais fingir. Sou dessas que cada
dia mais acredita que ser honesta com o outro, com a vida,
só me fará feliz no amanhã. Eu tinha a opção de iniciar um
jogo, de deixar seguir o superficial, mas não quero ser
assim. Não quero entrar em nenhum tipo de vai e vem sem
sentido.
Vou ser para sempre alguém que mergulha no que é, no que
quer, no que faz. Por isso, resolvi ser verdadeira, falar de
uma vez os pensamentos . Mesmo sendo difícil demais dizer
aquilo tudo. Mesmo não tendo autorização de mim mesma para
dizer aquelas palavras. Não quero me perguntar sempre. Não
quero sempre saber o que sinto, quando eu mesma tento me
defender. Eu deixo hoje que a razão decida as coisas pela
razão. Não me interesso pelo que penso quando estou lutando
pelo melhor para mim. Bato a porta na cara da emoção e peço
que volte depois.
Sim, escrevi verdades para me defender, para ser honesta,
para dizer que não posso com isso. Não posso, porque não
quero seguir adiante, porque chegou a hora de abrir os
braços e esperar o novo. Não quero mais chorar antes de
dormir, quero acordar sem lágrimas secas na face. Ainda
existem lágrimas secas na minha face, cristalizadas na face
da alma, eternizadas. Eu serei para sempre uma moça que
chorou, mas não quero ser a moça candidata a chorar no
futuro.
Eu podia permanecer, aceitar, pensar, mas não quero. Se você
perguntar se é isso que eu desejo, vou responder não
interessar mais o que eu quero. Estou batalhando pelo certo.
Pelo certo até com quem fez errado comigo. Porque o terceiro
na brincadeira jamais pensou em mim. Levou embora minha
companhia nas noites de chuva, me deixando ver o céu cair
pela janela e alagar a cidade. Mesmo assim penso na mão que
arrancou o jardim. Mesmo assim, volto para salvar quem me
mordeu o braço.
Mesmo assim não tenho raiva. Ao menos isso está valendo.
Aprendi com os dias sem sol. Aprendi muito sobre o amor.
Livro como projeto de vida
de
Tammy Luciano
(escrito em 03 de abril de 2004)
Outro dia, cheguei na Casa dos Artistas, meu livro novo na
mão, tinha acabado de registrá-lo. Estava feliz demais e
acabei conversando com alguns alunos. Um deles ficou vendo
meu livro, olhou as páginas, aquele olhar de "como ela
agüenta escrever tudo isso?", quando uma aluna questionou
por que eu escrevia. Não foi querendo saber o que me
motivava a isso, mas sim o que esperava com o escrever.
Senti que ela tinha no tom de voz um ar de "isso não vai
levar a lugar nenhum". Eu questionei por que ela fazia
teatro. O que ela esperava com aquilo? Queria estar no palco
um dia, viver da sua arte, se realizar com a interpretação?
Eu disse desejar o mesmo. O teatro e a escrita me realizam,
me sustentam a alma, me preenchem e, principalmente, são a
minha arte. Eu, claro, acredito poder seguir escrevendo,
trabalhando sempre com isso. A aluna ficou meio sem graça,
não esperava que eu dissesse aquilo. Quando eu mudei a
ótica, deixei de falar de mim e a usei como exemplo, ela
entendeu, porque ela sabe do seu projeto de vida, sabe como
é importante vencer como atriz. Ela tem talento, vai chegar!
O sonho do outro dá sempre para adiar. O nosso não.
Essa
semana, saí com uma pessoa e falamos sobre relacionamentos.
De repente, ele questionou sobre o depois da paixão. O que
eu achava que vem depois? Amor? Sim, pode ser, a gente torce
para que venha. E depois do amor? Acabamos concluindo que a
grande diferença acontece quando se tem, ou não, um projeto
de vida com alguém. Se não existir um ideal em comum, sonhos
na cabeça dos dois, não existe um projeto de vida e não
existe amanhã.
Talvez seja isso que determina a longevidade de um
relacionamento. No início, paixão mútua, um desejo intenso
de estar junto, de agarrar, beijar, escutar, sentir e estar.
Com o tempo, a rotina, os encontros seguidos e um
conhecimento maior do outro, o casal decide se quer ou não
continuar se vendo. Algumas pessoas terminam logo após a
paixão, ninguém sabe ao certo o porquê mas...acabou. Outros
sentem cada dia mais vontade de se envolver, estar junto e
dividir. Não sabem por quanto tempo será assim, mas sentem
vontade. Aí, as famílias são apresentadas, os laços
aumentam. Os dois pensam que poderiam estar na mesma casa,
sentem vontade de acordar e dormir juntos e um belo dia
falam dos projetos de vida. Começam a falar no assunto uma
vez por semana, depois todos os dias, depois todas as horas
até que resolvem unir as forças e seguir a vida juntos.
Concluem que antes não sabiam por quanto tempo gostariam de
estar lado a lado, mas, agora, com o mesmo projeto de vida
na cabeça, querem que seja para sempre.
O barco afunda quando um só tem um projeto de vida. Pior
ainda quando esse mesmo um não nota que o outro está ali por
estar, sem nenhum plano na cabeça. Sim, nós, seres humanos,
conseguimos deixar de ver fatos que podem causar uma
verdadeira transformação em nossas vidas. Ou algumas vezes,
estamos ali vendo, mas preferimos fingir que não notamos,
achando que o outro vai mudar. Sinceramente, o outro não vai
mudar. Desculpa falar isso assim para você, mas se ela está
arrumando desculpa para não ver você, se anda dizendo que
amanhã vai sair, amanhã encontrar, afirma estar passando uma
fase complicada, mas parece bem fisicamente, sei não. Eu
acredito que quando alguém quer estar junto, está. Não
existe "estou trabalhando demais", "preciso primeiro colocar
a cabeça no lugar" e muito menos "você é especial demais
para mim, merece alguém melhor do que eu!". Quem gosta,
quer. Quem pensa, fica. Quem deseja não dá bobeira para
outro levar a pessoa amada. Não seria melhor você seguir sua
vida deixando a porta aberta para outro alguém? Uma amiga
uma vez me disse: "Esquece o passado, se não a pessoa certa
não consegue chegar perto! Os anjos precisam agir e eles só
o fazem quando você se desprende do que já era".
Construir projeto de vida com quem não pensa em estar com
você amanhã é começar a escrever um livro com a certeza que
jamais terá a chance de colocar no papel os capítulos
finais. Posso garantir que o gosto de ter um livro pronto
nas mãos é maravilhoso.
Minha personagem pode ser eu
de
Tammy Luciano
(escrito em 27 de março de 2004)
De
alguma forma, eu me sinto diferente. É assim com todo mundo.
Você sente o mesmo, não?
Digo que não bebo, a pessoa se surpreende. Sim, eu não sou
dessas mocinhas de copo de cerveja na mão e cabelos com
luzes, desculpa se ofendo seus cabelos pintados de
loiro-tá-na-cara-que-é-falso-mas-você-pinta-assim-mesmo.
Até porque tenho
amigas queridas, loiras e outras morenas de alma loira, sem
nada a dizer. Deixe-me hoje seguir o pensamento e não leia
nada aqui como ofensa. Eu me ofendo por você. Eu estudei a
vida toda para enfiar na minha cabeça o que eram núcleos
dramáticos, relação com platéia, conflitos existentes na
trama, processo de estruturação de um roteiro. Estudei,
enquanto outros viviam e, talvez, tenha perdido o bonde para
conhecer mais do ser humano e descobrir que pessoas são
cruéis, vazias, impuras, igual aos personagens que criei,
achando que minha mente era pior do que a realidade. A
realidade é pior do que minha dramaturgia.
Não estou falando isso exaltando minha vida pessoal. Estou
falando no geral. Das personagens tristes escritas por mim e
nas personagens tristes vivas por aí. O rapaz que matou no
sinal é pior do que o rapaz criado no papel por mim e também
matou alguém. A mocinha sofrida, que sofreu a
vida toda, como se o sofrimento fosse o melhor dela
para o mundo, pode ter sofrido menos do que outras
mocinhas andantes pelo mundo. E eu ainda achava que entender
os tipos de sinopses me ajudaria na vida. O que é story
line? Vamos lá! O objetivo da personagem fica bastante
claro? Qual é o clímax? Possui impacto?
Corro pelas ruas na madrugada e entendo que passei tempo
demais perdida entre folhas de papel e vírgulas sem graça.
Se eu tivesse antes entendido que ser alguém
profissionalmente realizada não me faria alguém pessoalmente
feliz, tudo seria diferente. Eu ando lendo os livros que não
tem importância, falam apenas de amor. Amor, sim, tem
importância. Abro a gaveta, vejo aquela carta. Não vou
rasgar, mas jamais vou ler novamente aquelas palavras. O que
mais me interessa hoje são as novas ações da protagonista.
Minha protagonista decidiu andar com salto alto cor de rosa.
Ela também assumiu seus decotes, coloca seu melhor perfume,
finge ser apenas uma imagem, mas por dentro continua a mesma
moça que adora estudar, enquanto outros saem pela noite
bebendo. Ela decidiu que jamais vai pintar os cabelos de
loiro, mas sempre que estiver calor, vai usar mini-saia.
Aquela que escrevia, agora quer a caneta redesenhando seu
corpo, seu jeito e seu texto. Quer mais desejo do que
qualquer outra coisa, anda sorrindo por ter uma vida fútil,
acha graça por escutar que tem um corpo bonito e se diverte
quando não precisa dizer que escreve histórias. Ela mente.
Sim, ela nunca mentiu, mas agora mente. Fala do mundo
material como se sempre tivesse morado nele e ri de quem
quer ser intelectual. Ela quer ser visceral.
Minha nova personagem pode ser eu. Eu posso, na verdade, só
escrever de mim, do que sinto e do que quero. Eu posso não
existir e ser apenas uma criação absurdamente errada de mim
mesma. O importante é esquecer a teoria de Syd Field, o
homem do roteiro, jamais dizer que adora Frida Kahlo, apagar
da mente que um dia leu Castro Alves e fingir apenas que é
um sorriso andante que adora passear em carro bonito. Alguns
dias, ser vazio é bem melhor, ou não é, mas diverte mais.
A paixão da
personagem
de
Tammy Luciano
(escrito em 09 de março de 2004)
Hoje, meio da tarde, eu estava telefonando, acertando a
vida, escrevendo, lendo, anotando, pensando quando de
repente chegou uma sensação boa, um ar puro invadindo a
alma, um sorriso nos lábios. Pensei que estou ficando louca.
Por que eu estava sentindo aquilo? Por que estava com uma
sensação tão boa? Alguns segundos depois, veio a resposta.
Eu estava, simplesmente, acredite se quiser, curtindo a
paixão da minha personagem do livro. Isso mesmo. Estou
revisando o momento em que ela encontra o homem da sua vida
e os dois estão vivendo um encontro cheio de verdade,
intimidade. Acho que escrevi ali tudo que, sinceramente,
acredito. Coloquei no papel um desses encontros únicos que
todos nós sonhamos. De repente, me vi feliz como se aquilo
fosse comigo. Freud explicaria fácil esse momento. Eu espero
que você já tenha encontrado o seu par perfeito e tenha tido
essa sensação boa de estar ao lado do grande amor. Ou seja,
como a vida aqui anda trabalho, trabalho, trabalho, resolvi
curtir a paixão da protagonista do meu livro. A sensação foi
inusitada, mas valeu o momento. Me fez pensar no quanto amo
minha arte e como ela me preenche, enquanto tiro férias de
uma parte de mim.
De bom é que ando sendo
arrastada para conversas, encontros, bate-papo...tudo que
possa render o falar da vida, pensamentos, idéias,
sentimentos, histórias que cada um carrega dentro de si.
Momentos que podem virar história de livro, como assim eu
tento fazer. Letra de música, como o letrista talentoso sabe
criar. Dias transformados em amor como as pessoas de bem
sabem magicamente realizar. Ou apenas nada. Da gente que
vive e não faz nada com o que sofre, aprende, cresce, supera
e realiza. Digo isso, porque encontrei os meninos da Banda
Regra Zero essa semana. Ganhei deles um cd com algumas
músicas que eles pretendem lançar. Falamos do sonho, de
acreditar e seguir. Faço isso todos os dias, assim que
acordo. Confio em mim, porque no fim das contas, estou
sozinha no travesseiro com meus sonhos. E por isso minha
arte tem esse peso todo dentro da barriga. Senti nos meninos
tanto gás, tanta vontade de recontar seu interior em melodia
que por isso vim falar deles aqui.
E ao som do Regra Zero, na voz do Rodrigo, a letra também é
dele, a noite não fica tão solitária: "Estou subindo as
pedreiras, mas as pedras vem abaixo...O tesouro está sob os
meus pés descalços. E acima o gancho, então no ritmo eu
marcho nesse chão que pisa em falso...você precisa esperar
meu coração e continuar a ver o sol nascer porque ainda
estou naqueles campos..."
Mesmo que eu tenha passado alguns dias em curto, com os fios
saindo pela cabeça e sendo espalhados pelo chão, achando que
não conseguiria realizar mais nada na vida, voltei com o
desejo de sempre: através da minha arte escrever a minha
história. Mais uma vez digo: se a vida decidir por uma vida
pessoal medíocre que a vida profissional fale por si. O que
depende de mim, vou até o fim para fazer. Não quero mais
depender da emoção de ninguém. O que depende do outro não é
seguro, muito menos sinônimo de certeza.
Sobre meu livro
2...
de
Tammy Luciano
(escrito em 06 de março de 2004)
Não
existe nada melhor do que morar em casa. Hoje, fiquei um
tempo enorme deitada na beira da piscina. Um vento fresco. O
coqueiro balançando, tendo como fundo um céu de estrelas
lindo. Uma luz, a única luz presente na cena além do
iluminado céu, refletia na água e depois refletia nos meus
olhos. Fiquei um tempo enorme ali, olhando a cena, pensando
na vida, na vida, na vida. Até que de repente, me joguei na
piscina e aquela luz iluminava a água toda. Comecei a rir
dentro da piscina, joguei a água com a mão para o alto e
senti meu corpo leve.
Depois de muitos dias olhando somente
para baixo, a personagem do meu livro começa a alternar
entre olhares caídos e ao céu. Bom sinal? Deve ser. É que de
alguma forma somente a palavra frustração rondava seus dias
e a palavra culpa também não a deixava em paz. Passou dias
somando, diminuindo, pensando em como, quando havia errado.
Passou um tempo grande preocupada demais com o passado. O
que dizem, não é bom sinal. Até porque se Amanda errou, não
quer repetir a dose no futuro. Como autora, confesso, talvez
eu tenha sido bastante malvada com a moça.
Amanda ficou dias tentando entender a
própria vida. Queria também entender a falência do seu
relacionamento. Pensou tanto que sofreu onze páginas
seguidas de depressão profunda, quase enlouquecendo a
família. Aí, essa semana, durante a revisão, eu comecei a
ficar mais aliviada. Como autora, eu não havia sido somente
ruim com a coitadinha. É que lá pela página oitenta, Amanda
começa a dar a volta por cima. Entende que não foi um ser
errado. Foi sim um ser que acreditou no amor, investiu nele
e que não deveria ela carregar a dor da decepção. Ela pelo
menos tentou.
Aos poucos, coloquei as imagens boas
do relacionamento, os sorrisos de Amanda querendo que tudo
desse certo, as alegrias que somente ela e o ex-namorado
haviam vivido. Somente os dois sabiam como havia sido. Ela
havia aberto o coração, sonhado, pensado nele como alguém
que ela queria bem. Ele havia dito várias vezes o quanto a
amava, estava feliz ao seu lado e jamais terminaria aquela
história de qualquer jeito. Ela ainda não entende, tudo
acabou de repente, mas o passado existiu, não foi ilusão.
Afinal, um encontro foi alimentado, os dois foram por
bastante tempo pessoas felizes.
O que acontece depois? Ah, isso você
só vai saber quando o livro for lançado. Já falei até
demais. Antes que você faça conclusões, o livro foi escrito
no fim do ano passado, sendo ele pura ficção. Qualquer
semelhança com a realidade é coincidência. Menos mal, eu
escrevi para a Amanda um final maravilhoso, do tipo melhor
impossível...se a coincidência continuar...o escritor da
minha vida é Deus e sei que nos próximos capítulos, ele
também vai me fazer sorrir...assim como eu fiz com Amanda.
Que a vida me traga surpresas do bem.
Surpresas, surpresas, surpresas...
Minha mente na
história
de
Tammy Luciano
(escrito em 04 de março de 2004)
Apesar do pensamento algumas vezes
desanimar, ou o combustível diminuir, sei lá como, eu ando
sem freio. Passo o dia fazendo coisas e produzindo como
ninguém. Deve ser mesmo ajuda de Deus, porque enquanto estou
escrevendo, minha mente esquece de mim e vai lá na vida da
Amanda. Sim, Amanda é minha personagem. O nome, claro,
acabou sendo uma homenagem merecida para Amandita. E passei
essa semana toda revivendo os passos de Amanda e, claro,
acabei refletindo a minha vida, porque tenho muito da Amanda
em mim. Todas nós, mulheres, temos. Amanda vive um momento
louco na vida, Amanda acha que não vai ser feliz, Amanda
precisa recomeçar, Amanda vive intensamente, Amanda aprende
um monte de coisas com a vida. Eu aprendo um monte de coisas
com Amanda.
Pode ser
defesa, mas o escritor vive sim os dias de suas personagens.
Algumas vezes é mais fácil seguir assim.
Ando mesmo
preferindo viver Amanda em mim do que viver eu em mim.
Hoje sou autista de mim mesma. E somente quando me sentir
melhor, voltarei a mim. Saí sem prazo de retorno. Sabe
quando você faz a mochila e sai pelo mundo conhecendo países
nunca antes visitados? Eu estou assim, conhecendo o mundo.
Por isso, algumas vezes é difícil entender porque sumi,
porque não quero, porque não aceito, porque prefiro ficar na
minha. É uma fase, dizem, vai passar.
O que ando tendo comigo é paciência.
Me olho e não me culpo. Me vejo e não desando com sermão.
Estou no que a autora Iyanla Vanzant chama de meio-tempo. Um
momento de descobrir quem é você. Notei por exemplo que se
alguém me olha além da conta, eu coloco a mão na orelha para
confirmar se as tarraxas do brinco estão certas, no lugar. O
que uma coisa tem a ver com a outra? Não sei. Acho ser pura
distração para não ficar vermelha de vergonha. Também sei
hoje que se dormir pensando em alguma coisa, acordo com o
mesmo pensamento. Isso me incomoda. Jamais vou gostar de
mamão e hoje meu relógio é olhar as horas no celular. Meu
aparelho, aliás, dorme comigo e quando toca no meio da
madrugada, eu não ligo. Eu tenho meias lindas com desenhos
fofos e nunca lembro de usar. Ao contrário de Amanda, a
Amanda real não a do livro, acho que não gosto de usar
meias. Nunca imaginei gostar tanto de escrever e muito menos
fazer disso minha profissão. Mesmo que durante toda a
infância, eu tivesse escrito sem parar, jamais me vi como
alguém profissionalmente autora, escritora e jornalista.
Sempre achei que o palco me abraçaria. Só que aí a carreira
de atriz virou essa coisa louca de celebridade instantânea e
a atriz que existe em mim aproveitou para escrever.
Escrevendo, fez nascer a escritora que eu carregava sem
saber.
Essa
semana, eu disse para um amigo:
Lute pelo seu sonho. Eu jamais imaginei um livro meu nas
livrarias e hoje ele está lá, dormindo com outros livros de
pessoas importantes. Você faz sua vida acontecer da melhor
maneira, quando faz dos seus dias o melhor.
Liquidificando...
de
Tammy Luciano
(escrito em 19 de fevereiro de 2004)
Hoje, passei o dia no computador. Finalmente, estou
terminando um dos textos que preciso entregar. As letras
pareciam travadas, mas agora resolveram prosseguir. As
minhas letras são reflexo de mim. Há algum tempo, já não sei
mais sair de casa sem meu caderno. Tento achar uma saída
para guardar todas essas anotações, minhas escritas
deformadas, rabiscadas, isoladas. Os cadernos acabam rápido
demais, as folhas parecem pequenas para tantas frases que
correm nas minhas veias. Logo, mais um estará aqui na
estante. Eu pergunto onde eu estarei. Ainda olhando a
estante? Fico com pena de jogar fora os textos que crio.
Volta e meia, leio frases perdidas em folhas de papel que
não sei ao certo porque pensei aquilo, muito menos onde. Em
um deles, muito antigo, eu disse: Posso ser
individualista com meus objetivos profissionais, mas, na
vida pessoal, abraço o mundo para dividi-lo com quem amo. E
se a pessoa não for boba, nunca mais será vazia de
sentimentos por dentro.
Recebi um e-mail muito carinhoso e fiquei pensando no
liquidificar que existe em mim. No liquidificador que talvez
sempre estivesse aqui, mas antes desligado, agora na altura
máxima. Tá, eu não sei mais tanto das pessoas como sabia
antes. Tá, o que ficou não me deixa muita alternativa a não
ser duvidar dos passos, das palavras, dos dias. Tá, eu sei
que tudo passa, sei que um dia vai, mas mesmo assim penso.
Então, me pergunto o que ainda me faz acreditar, o que ainda
me faz estar, o que ainda me faz seguir...tenho escutado
muita gente, tenho dito muitas coisas, tenho me dado direito
de me dar direito...e meu liquidificador continua
liquidificando meus pedaços ruins até transformá-los em
nada. Meus defeitos triturados, tentativa de ser alguém
melhor. Mesmo se não conseguir, valeu. Não sou de
arrependimentos, mesmo que me arrependa deles, não me
arrependo deles.
Roberto Shinyashiki disse: "Muitas pessoas pensam que a
felicidade somente será possível depois de alcançar algo,
mas a verdade é que deixar para ser feliz amanhã é uma forma
de ser infeliz". Me pergunto se andei sendo infeliz sem
saber, se sonhei com amanhã sendo hoje um momento tão
importante. Fiquei tentando lembrar de tudo de bom que vivi
nos últimos anos, das simplicidades que alegravam meu mundo.
Meu liquidificador mental repassa as cenas, soma e diminui
fatos, vejo gestos, escuto vozes, refaço aquele dia,
pergunto se eu fui correta, percebo que não estava só, não
naquele instante. A luz apaga. As cenas vão embora. Fico só
de novo. E por enquanto assim está bom. Só quero dançar. A
voz de Dido me faz balançar de um lado para o outro. Vou
rindo de tudo, porque afinal nada será para sempre assim. E
danço. Pessoas olham. Acho engraçado. Não sou capaz de
acreditar em sorrisos, não hoje, não ainda. Nem no meu
sorriso. Olho para ele e me pergunto até onde é verdade, até
onde é honesto, até onde sou eu sorrindo de verdade. E
danço. A única coisa boa. Danço ao som de Dido.
Vou. O celular está tocando e é uma maldade deixar quem está
na linha sem resposta...fui, mas volto. Eu sempre volto...
*******************************
Reflexões
sobre minha
escrita...ano de 2003!

Pensamentos, textos, detalhes, reflexões, palavras,
perdidas, em mim, assim, com vírgulas, sem, indo...
de
Tammy Luciano
(escrito em 27 de dezembro de 2003)
Alguém
pergunta minha profissão. Eu? Olha, bem, ai, Deus, por que
não nasci querendo ser apenas uma só dentro de mim? Por que
eu tinha que descobrir o teatro aos quatorze anos, decidir
fazer faculdade de jornalismo, virar atriz, jornalista e
ainda por cima dar força para a escritora que existia aqui
dentro? Pois é, na hora de explicar a profissão tudo
complica. Falar em voz alta, então, é um horror:
atriz-jornalista-escritora. Quero logo explicar que não
sou candidata ao Big Brother, nunca pensei em posar pelada,
gosto mesmo é de letras, textos, atuações e palco. Aliás, o
palco jamais vou tirar de mim. Adoro aquele cheiro de
teatro, aquele ar que a gente respira no escuro das paredes
teatrais. Mesmo que algumas vezes tenha cheiro de tinta,
mofo, antigo e plástico.
Não existe
nada melhor do que essa profissão de criar. Não sei como
isso vem. Estou aqui e sinto vontade de escrever para você.
Estou indo dormir e sinto vontade de viver meu livro, dar
vida e passos para minha nova personagem. Penso que também
quero atuar o mais breve possível, porque as letras andam me
fazendo estar longe do palco. Ando com saudade de ser outro
alguém que não eu. Quero sentir os pecados, as mentiras, as
mágoas das personagens. Sendo alguém que não sou, eu posso
ir contra tudo que eu acredito, confio e quero. Minhas
personagens querem o que eu nunca pensei. Elas andam com
pessoas que eu jamais gostaria de ter ao lado, com aqueles
que eu saberia logo não serem legais. Minhas personagens não
viveram nada do que eu vivi até aqui. E eu aprendo com elas
de mundos que nunca fui.
Já senti o
sofrimento de gente que criei. Isso é o mais louco da minha
profissão. Quando aquele amor que eu não amava disse não me
amar, eu me joguei no chão e chorei feito louca. Senti
vontade de arrancar as tripas, de quebrar meus ossos, de
morrer e acabar com tudo. Era eu e não era eu. Era eu e um
monte de dores que eu vi e senti ao longo da minha vida. Já
emprestei meus vazios para personagens e já chorei por elas
sem depois cobrar nada. E chorando por mulheres que fui sem
ser, eu me senti melhor, maior por dentro.
Também já
fiquei na coxia chorando por um amor meu e depois tive que
entrar em cena sorrindo, porque a personagem não queria
dividir comigo aquela dor. Era uma comédia, uma peça alegre
e tive que guardar em mim minha dor da vida real. Porque
personagens adoram nos dar suas dores, mas não vivem as
nossas. Assim é meu teatro em mim...
Um criador
maior lá em cima me vendo
de
Tammy Luciano
(escrito em 23 de dezembro de 2003)
Nunca achei
que o destino era ruim comigo. Algumas pessoas achavam isso
por mim. Diziam que tudo estava demorando demais. Em parte,
alguns dias, posso contar para você, arranquei alguns fios
de cabelo por não estar trabalhando tanto quanto gostaria.
Mesmo assim, minha fé inabalável em alguém muito acima de
mim e no meu próprio trabalho me fazia continuar
acreditando. Hoje, olho para trás e penso que, realmente,
demorou muito para tudo acontecer. Nem eu sei como tive
tanta paciência para seguir sem desanimar. No meu livro, eu
faço um agradecimento especial a Deus: "...por falar
baixinho em meu ouvido para seguir com determinação e fé,
jamais me deixando só". Ele jamais me disse não, jamais
virou as costas, jamais me fez sentir pequena, mesmo sendo
MUITO maior do que eu. Coisa que só Deus sabe fazer.
E aí, andando
pelo mundo, vejo muito ser humano se achando Deus. Brincam
de ser dono. Donos do que? Onde? Que poder é esse? Poder do
dinheiro? Poder de ser melhor do que os outros? Que outros?
Quem é o outro de quem?
Comento com
alguém sobre minha nova personagem, sobre a pessoa que estou
criando para o livro e a pessoa diz que falo como se esse
alguém tivesse vida, como se fosse de verdade. Com certeza,
quando fiz a biografia da Nanda, eu sabia que ela era real,
pessoa viva que precisava ser retratada com verdade. No caso
do meu novo livro, a personagem só tem vida porque eu criei,
mas, confesso, a vejo como um ser humano que também merece
meu respeito. Assim como Nanda sempre estará aqui comigo,
mesmo que alguns a vejam como alguém falecido. Fernanda é
viva! Minha personagem também. Por que quais são os limites
entre o real, o vivo, o perto, o longe? Quem disse que o
lado certo é o nosso? Será que nós aqui, sempre nos achando
tão importantes, não podemos na verdade ser personagem de
algum criador? Somos, né? Quem disse que essa vida aqui não
pode ser apenas um livro de história: o planeta Terra e
sua existência. E na verdade, a vida de verdade seria
sim a dos livros. As minhas personagens é que seriam reais e
eu, criadora delas, apenas uma personagem criadora de
criações. E Fernanda, agora, longe daqui, ia rir da gente,
entendendo o que afinal existe onde não sabemos. Tudo deve
ser mais simples do que nós achamos que é. Nós somos apenas
seres pequeninos em um planetinha que pensa. Espero aqui que
o criador maior escreva para mim capítulos de fé e
conquistas. Assim como também desejo isso para você
Minhas
mentes, todas elas, ao mesmo tempo...
de
Tammy Luciano
(escrito em 19 de dezembro de 2003)
Você deve
sentir pelas palavras aqui no Blog que eu passo momentos de
alegria, outros mais difíceis, dias alegres, outros
deprimida. Você pode me dizer que isso é normal, todo ser
humano é assim. Eu sei. Até entendo essa minha roda da
fortuna como reflexo do meu organismo, da minha TPM, do ser
humano mulher que Rita Lee sempre disse ser esquisito,
porque todo mês sangra. Somos mesmo bastante estranhas.
Ando
leve esse dias, sem muito drama mental, pouca preocupação se
algo não vai bem. Não vai bem? Ah, meu filho, você que se
resolva, seu senhor não vai bem. Não agüento mais pensar,
pensar, pensar. Eu preciso de um tempo sem pensar. Os
neurônios estão adorando. A lei esses dias é escrever sem
pressa, você deve estar reparando nos textos do Blog,
continuar meu livro com fé, relaxar das folgas nas aulas que
só iniciam em janeiro. Quanto tempo isso vai durar? Não sei.
Amanhã posso entrar aqui e voltar com o discurso fundo do
poço, sem luz, com baratas e ratos.
E olha que
hoje perturbei bastante meus neurônios. Desde que comecei
meu livro novo, ele tinha apenas um título provisório que
aos poucos foi me incomodando e deixando de ser o que eu
queria dizer sobre a história, eu queria mudar para algo
mais acelerado, mais atual, porque meu romance fala de hoje,
agora. Não é uma história de ontem e, para piorar, o título
antigo tinha o verbo no passado. Fiquei longas horas, mesmo
sem querer, pensando em um nome para o meu Book. E cheguei a
me irritar com tamanha insistência. Momento EU irritando EU.
Mil vez pior do que momento alguém irritando EU, porque no
segundo caso, vou embora e pronto. No momento EU e EU não
tem jeito, fico ali, tendo que escutar as possibilidades
pensantes. Onde quer que vá, minha mente vai junto,
perturbando minha mente. Tem cura?
1 Tammy, 2
Tammys, 3 Tammys...
de
Tammy Luciano
(escrito em 02 de dezembro de 2003)
A gente
aprende logo que dois corpos não podem ocupar o mesmo
espaço, ainda que alguns tentem. Também aprendemos ser
impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse ponto,
eu questiono sempre. Por que não recebemos a dádiva de
duplicar sempre que necessário? O telefone celular até tenta
me ajudar. Estou ali, respondendo para lá. Estou aqui,
falando com quem está lá, mas mesmo assim se o negócio fosse
feito no corporal mesmo, facilitaria muito a vida.
Digo isso,
porque de um tempos para cá, se eu pudesse estar em dois
lugares ao mesmo tempo, resolveria e muito minha vida. Acho
até que dividiria em setores. Tammy 1 para o setor vida de
atriz. Tammy 2 para a vida escritora. Como diz meu pai, o
que eu menos sou é jornalista. Pode ser. E depois eu usaria
as duas Tammys para novas atribuições. Tammy 1 visitar sua
avó! Agora! Tammy 2 vai cuidar da vida sentimental e colocar
em dia o coração! Tammy 1 vai ao banco, enquanto Tammy 2 se
manda para a praia! Um trabalha e dois
dooooorrrrrrrmmmmmeee! Que maravilha!
E nos dias em
que a mente fosse só trabalho, a Tammy 1 iria escrever seu
novo livro e a 2 daria uma atualizada no Blog, ou escreveria
um livro 2. Ou seja Tammy 1 no livro 1 e Tammy 2 no livro 2.
Perfeito! Claro, não queria estar perto quando as duas se
encontrassem, porque uma sempre trabalharia mais do que a
outra. Uma se sentiria sempre mais carregada de obrigações
do que a concorrente. Porque, dificilmente, elas
conseguiriam se entender, e se olharem como aliadas. Aí uma
terceira Tammy teria que entrar no jogo para amenizar as
coisas. Logo depois da paz instalada, a Tammy 3 receberia
responsabilidades, porque dentro de mim não existe tempo
para parar. Assim, a Tammy 3 acabaria escrevendo um livro 3.
Talvez por
isso, o céu não tenha criado essa história de uma mesma
pessoa em dois lugares diferentes. Seriam muitas gentes
por aí, confusas e brigonas, querendo os espaços criados
apenas para uma só pessoa. É melhor que cada um de nós
continue sendo mesmo cada um de nós.
Identidade
questionada no quesito forçar uma barra!
de
Tammy Luciano
(escrito em 01 de dezembro de 2003)
Outro
dia, uma conhecida, numa boa, falando do meu Blog, me disse:
"De vez em quando ainda dou uma passada para ler (embora
aquele fundo rosa me dê uma ligeira dor de
cabeça...risos...). Alguns posts, porém, acho meio forçados.
Talvez porque você tenha muita gente conhecida que te lê e
fique com um certo receio de se expor demais, travando o
texto em alguns pontos. Mas isso é natural, inclusive de vez
em quando acontece comigo". Eu, claro, respeitei a opinião
dela. Prefiro a verdade, detesto pessoas dizendo coisas que
não pensam para me agradar. Como essa conhecida só me
conhece por internet, pode ter entendido que algumas frases
minhas são muito pensadas, ou que aqui eu me faço de sei lá
o que, para agradar sei lá quem.
Eu bem que
tentei dizer que não penso muito antes de escrever no Blog,
como agora em que digito sem parar, em uma respirada só, sem
somar, diminuir frases. Talvez a única coisa diferente seja
meu lado engraçado que eu só consigo fazer ao vivo.
Escrevendo, acabo sendo mais séria. No dia a dia, sou a
rainha das tiradas, bem que tento guardar na cabeça para
contar aqui no blog, mas acabo esquecendo.
Pensando na
possibilidade de forçar aqui no Blog, me desesperei, porque
pensei que se forço aqui, forço o tempo todo, todos os
momentos, todos os segundos...eu não sou eu, sou na verdade
uma forçada de mim. Na verdade, as frases mais doces, os
sentimentos mais puros, minhas tentativas de fazer o bem
pode ser tudo armação da minha mente em cima dos meus
neurônios, tudo montado para eu ser melhor do que sou. Na
verdade, eu não penso nada, não crio nada, é tudo coisa de
uma segunda mente que escravizou minha primeira. Ai, Deus do
céu... e agora?
Me olho no
espelho, me encaro, tento arrancar a verdade de mim. Ainda
lembro o que disse na resposta para minha conhecida: "Eu
vejo o Blog como um exercício diário. Eu era tão chata com
textos meus, de repente comecei a publicar com menos peso.
Um Blog tem isso de bom. Algumas vezes, escrevo e as pessoas
respondem com outra interpretação. Na verdade, é uma forma
de testar minhas palavras, saber como elas chegam nas
pessoas. Ninguém nunca tinha dito que eu forço..risos...mas
também você não me conhece, aí pode imaginar que eu falo
algumas coisas para aparecer ou sei lá para criar uma
imagem. Eu sou muito honesta no Blog, não forço nada ali.
Sou eu. Escrevo, releio, publico. O que você leu ali é o que
eu penso, os meus sentimentos mesmo. Devo ser algumas vezes
diferente do que as pessoas pensam, mas quem, afinal, é de
verdade a imagem que fazem dela? Numa boa, aceito seu
comentário. Até porque prefiro que seja sincera comigo. Mas
aquela ali sou eu mesma..."
Depois de
desistir de fazer uma busca interna, vou para meu mundo
externo. Resolvo perguntar aos mais próximos, aquelas
pessoas que falo de minhas angústias, conto meus erros,
mostro todos os lados do meu EU. Um grande amigo diz:
Sinceramente, você é você no Blog. Vive falando o que está
sentindo, suas confusões mentais, seu jeito, suas palavras.
Não vejo outra Tammy ali.". Todos que falei disseram o
mesmo. Conseguem me ver nas linhas escritas por aqui. Minha
mente pede trégua, diz não ter nada com isso, tá limpa nessa
história. Pillarzinha completa: "Acho você no Blog mais
profunda, fala o que está sentindo. Ao vivo, você já não vai
tão fundo, também vive rodeada de gente...".
E deixando a
palavra com quem me conhece e convive comigo, mostro a carta
escrita pelas minhas alunas gêmeas Michelle e Priscilla,
duas fofas que Deus colocou no meu caminho: "Tammy,
queríamos dizer que adoramos muito você. Somos suas fãs.
Apesar das broncas nos ensaios, sempre gostamos de você.
Você é engraçada, bonita, legal, honesta e trabalhadora. Vai
atrás do que quer e na maioria das vezes, consegue. Como,
por exemplo, o seu livro que foi uma vitória, porque pelo
tempo que estamos no curso, você sempre vem falando do livro
e também que você ligava para as emissoras e eles sempre
fechando as portas para você. Mas como você é uma pessoas
persistente, Deus te concedeu essa luz, pelo seu esforço e
claro pelo seu talento. Obstáculo nenhum atrapalharia sua
grande vitória que foi o seu livro que você lutou por muito
tempo. Desejamos para você tudo ou nada. Tudo de bom e nada
de ruim. Que Deus ilumine sempre você e sua família. De suas
alunas Michelle e Priscilla. MBLA (muitos beijos lotados de
amor). Que a Fernanda Vogel, um espírito de muita luz,
esteja iluminando você e a vitória do seu livro. Sempre.
Sempre".
Chorei ao
escutar essa carta, lida no final do espetáculo. Eu não
estava esperando. Caí no choro mesmo. Isso não é uma
resposta ao e-mail que recebi sobre forçar barra, é uma
resposta a mim mesma, afirmando que tá valendo seguir, tá
valendo tentar, tá valendo lutar...mesmo que nem todo mundo
compreenda, mesmo que alguns duvidem, continuo aqui
batalhando meus sonhos. Eles, eu posso garantir, não são
forçados.
Orgulho
dos meus amigos...
de
Tammy Luciano
(escrito em 25 de novembro de 2003)
Minha fase de
rebeldia começou tardia. Somente adulta comecei a dizer
frases do tipo: "Quero viver minha vida como eu sempre quis.
Ninguém tem nada a ver com isso. Eu vou e pronto. Eu quero
assim! Cala a boca, deixa eu fazer da minha maneira!". Todas
essas frases seriam dignas de roteiro pré-adolescente, mas
volta e meia estão na minha boca. E quando não estão na
ponta da minha língua, estão saindo pelos poros da minha
alma. Preciso dizer e repetir a mim sobre a importância de
continuar fazendo as coisas do meu jeito, mesmo parecendo
que eu sofro de sérios problemas mentais. Nunca quis mesmo
ser normal. Uma pessoa que vive de aulas de teatro, dirigi
um grupo de atores mais loucos que ela, sim eles existem,
escreve em um site, imaginando que ninguém lê e quando vê o
contador só falta gritar, escreveu uma biografia quando
tinha certeza que jamais chegaria ao fim dela, escreve
poemas sempre que alguém cospe na sua cara, faz questão de
esconder sua vida particular, eu diria privada mas essa
palavra me causa naúseas, está escrevendo um roteiro, um
livro e pensando muito em alguém. Escreve horas seguidas,
até amanhecer. Quando alguém liga pela manhã, outro alguém
na casa avisa: "Ela está dormindo!". A pessoa não fala, mas
pensa: "Que vagabunda essa garota!"
Sofro com o
achismo das pessoas. Não uso roupa de escritório, não
saio de casa para trabalhar todos os dias e, apesar disso,
tenho a sensação de estar diariamente com a cara no
trabalho. Porque minha mente virou uma máquina de frases,
conceitos, reflexões. Quero colocar isso nos meus textos,
quero dividir aquilo com as pessoas, quero falar, quero
poder ir mais longe do que como ser humano iria. Minhas
letras têm muito mais força do que sua dona. Foi assim desde
o início. Eu não tenho charme algum, eu posso não ser
ninguém, minhas letras são. Peço todos os dias que o poder
das letras seja usado para o bem, não para promoção, não
para aproveitamento unicamente próprio, é claro que eu vivo
disso, mas gostaria de entender a escrita como órgão latente
de mudança.
Uma das
minhas maiores alegrias é ver alguém querido conquistando
seu lugar ao Sol. Esse é um dos desafios da vida, conseguir
ser feliz com a alegria na vida do outro. Uma conhecida
comentou comigo que sentiu algumas pessoas raivosas com o
sucesso do meu livro. Disse ter sentido a inveja no ar. Isso
até me assusta, porque não entendo como alguém pensa que
sucesso nasce se não tiver plantio, raiz, dias intermináveis
regando. Eu até gostaria de ter o poder das fadas. Fechar os
olhos, acordar de manhã e meu livrinho estar ali pronto, na
beira da cama. Foi trabalho, árduo que qualquer um pode
tentar fazer, mas precisa reservar paciência. Meu livro não
nasceu do nada. Hoje, quando pego um outro livro, a primeira
atitude é olhar a orelha, vamos valorizar o trabalho do
autor e ver quem foi o dito cujo que ficou dias, horas,
meses e até anos sentadinho, escrevendo, escrevendo, porque
posso garantir: o trabalho de um escritor é artesanal, linha
a linha, detalhe a detalhe.
Tenho o maior
orgulho de ser próxima de dois escritores queridos. Quando o
tempo permite, nós trocamos idéias, falamos nossos passos e
refletimos o mercado. Bom imaginar isso. O primeiro é o JP
Cuenca, autor de
Corpo Presente.
Autor insano como ele mesmo não faz questão de esconder:
"Coisas que ouvi sobre o livro essa semana. Que a mãe de um
amigo leu a primeira página e disse, "escreve muito bem esse
rapaz", mas na página terceira, jogou o livro longe, "é um
doente mental". Minha outra querida é
Thalita Rebouças.
Acabamos virando próximas sem fazer o menor esforço. Tudo
fluiu. Thalita é muito cuca fresca, deixa a gente se sentir
confortável para falar, abrir o jogo sobre o que a vida já
lhe ensinou sobre a carreira. Enquanto tem gente fingindo
ser escritor, publicando livros de baixa qualidade, JP e
Thalita me ensinaram que vale sim seguir, batalhando pela
letra maior.
Minhas
letras que apago...
de
Tammy Luciano
(escrito em 30 de outubro de 2003)
O Blog já
estava escrito, o texto pronto. Coloquei no ar, desliguei o
computador e, sei lá o porquê, algo me disse: "Vai lá e
deleta tudo". Talvez, porque muita gente anda lendo minhas
palavras, minhas feridas expostas no meio de um mundo
virtual para quem quiser ler. Não estou dizendo que não
gosto disso. Esse exercício de estar aqui todo dia, testar
meu verbo, tem ajudado MUITO no meu novo livro. Coisas
paralelas acontecem e eu sei que a pessoa errada acabaria
entendendo tudo mais errado ainda. Falei de mim. O outro ia
achar que falei dele. Contei uma história. O outro ia achar
que comentei dele. E nesse caso, tenho alguns outros e
outros deles que poderiam se imaginar citados em um contar
que era de alguém que nem internet usa. Glupt...engulo um
gole enorme de água. Me calo. Porque uma coisa nada
estava escrita aqui e viraria uma coisa tudo. Não era
nada demais, mas dependendo do olhar, seria coisa demais.
Por que nós, seres humanos, adoramos ler entrelinhas? E se
eu disser que escrevo sem revisar muito, sem entrelinhas e o
que está dito não é de forma dupla. Tô criando o péssimo
hábito de reler algumas correspondências enviadas, porque o
destinatário questiona partes e eu fico tentando compreender
a interpretação dele. E isso não aconteceu apenas uma vez.
Porque essas análises errôneas me aprisionam e me fazem
entender que parte da minha liberdade foi comida, cuspida,
engolida e vomitada. Ou seja, foi, voltou, foi, voltou e
agora é resto. O que eu disser amanhã também estará sendo
interpretado. Não sei se quero falar mais alguma coisa.
Vamos brincar de não falar nada? Quem ri primeiro, perde.
Silêncio.
Fico aqui olhando a tela do micro. Apago um parágrafo
inteiro. Treze linhas de texto. Silêncio. Tudo apagado. Não
quero mais esse texto. Não agüento mais gente interpretando
minhas entrelinhas para me responder com duplicidades que
não criei. Escrevo de maneira singular, unitária, sem
plural.
Busco falar
do trivial. Falo do cotidiano.
Hoje, acordei
com a notícia de que o lançamento tinha sido página inteira
na revista Caras. Fui correr com a vida, porque sair em
revista não muda meu caminho, meu trabalho. Estive na
editora com Salve Jorge!, meu editor. Falamos do andamento
do livro que, graças a Deus, está vendendo bem, mais do que
o previsto. O seu previsto já era bem
otimista, então estamos indo bem mesmo. No Brasil, não basta
apenas lançar um livro, tem que divulgar, dar vida e viver o
livro. Um amigo meu soltou a seguinte pérola: "Se você
posasse nua, estava famosa, mas foi lançar livro, agora
trabalha!". Minha mente tem mais a dizer que meu corpo,
prefiro mesmo o mundo literário, o corpo da letra, a forma
redonda da vogal, a intimidade da consoante.
De tarde, fui
na Siciliano, ver como andam as coisas para a tarde de
autógrafos do dia 08 de novembro. Finalmente, muitos, muitos
livros já estão por lá e a equipe da livraria vai preparar
uma vitrine só com o material de divulgação. Deve ficar
pronta amanhã e eu claro mostro aqui no Blog a foto da
frente da livraria. O retorno das pessoas tem sido muito bom
e eu me sinto muito protegida. Alguns já terminaram de ler o
livro e andam me escrevendo, o que estou amando. Muita gente
abraçando a história, curtindo, falando da Nanda com tanto
carinho. Com certeza, ela recebe essa energia e vibra com a
luz positiva dos leitores.
Então, no
meio da livraria, vendo o funcionário da loja contar os meus
livros, pensei em mim, na vida, na minha intimidade. Pessoas
olhavam o livro, uma vendedora folheava e dizia: "Essa moça
é aquela...". Os olhos brilhantes das pessoas tocando o
livro me fascinam. Sempre achei que quando ele estivesse
pronto, eu sentiria ciúme e não ia gostar dessa situação de
ver meu texto multiplicado por muitos, indo para casas
desconhecidas. Hoje, isso me encanta. Gosto da idéia. Me
agrada imaginar olhares diversos correndo as linhas que
escrevi.
Desculpa se
mudei o texto do Blog. Escrevo de maneira singular,
unitária, sem plural. Foi para o bem do bem. Não quero mais
falar tudo que quero falar.
Ele
abandonou as letras
de
Tammy Luciano
(escrito
em 27 de outubro de 2003)
Sempre fui de
planejar as coisas. Isso nem sempre foi positivo. Quando
alguém queria se meter na minha vida, dava uma complicação
danada. Alguém questionava alguma atitude minha, eu tentava
dizer que era parte do que eu estava planejando, a pessoa me
pedia para mudar. Mudar planejamento é algo que não se deve
pedir ao outro. E eu sempre disse não. E dizer não ao outro
nunca é algo muito bom de se fazer. Confusão formada.
Estou aqui,
escrevendo para você, quando escuto uma música muito doce,
dos tempos em que eu dançava balé. Acho que o balé foi a
única coisa nada planejada por mim. Eu era um desastre,
achava escravo demais seguir os passos, várias vezes
começava a pensar em outras coisas, minhas coisas, de
repente minha mão se perdia na coreografia, meu olhar
acompanhava o vôo de uma borboleta que invadia a aula e eu
acordava com o chamado da professora: "Atenção no movimento!
Um, dois, três...". O balé e eu entendemos que não seríamos
justos um com o outro, caso continuássemos o contato mais
próximo.
Não quero
fugir do que quero dizer. Quando eu chegar no que quero
dizer, você vai achar que dei voltas demais. Preciso falar,
falar, fazer introduções, introduções até chegar onde devo.
Pensando assim, um livro nada mais é do que várias
introduções, introduções até que chegamos no final. E o
escritor nada mais é do que um grande emaranhado de
introduções, introduções. Ando envolvida em novos textos e
sinto que quanto mais escrevo, mais tenho vontade, mais
aprendo. E me pergunto se será assim sempre. Sempre serei
escritora? Sempre desejarei fazer arte com as palavras?
Sempre serei essa devoradora de realidade que reflete no
papel uma nova ótica? Pergunto isso, porque volta e meia me
surpreendo com a história de Raduan Nassar, autor do
belíssimo livro Lavoura Arcaica, base do filme de mesmo
nome, que depois de provar seu talento na literatura
abandonou tudo e como diz a lenda foi "cuidar de galinhas".
Isso é tão louco, surpreendente. Quantas outras belíssimas
histórias esse homem não seria capaz de fazer, caso não
tivesse desistido de ser escritor?
Eu penso em
mim. No que desejo e em tudo que planejei. Muita coisa mudou
em mim. O mais surpreendente, talvez, tenha sido o desejo de
preservar minha intimidade. Antes, quando cogitava a
possibilidade da minha carreira dar certo, eu aceitava fazer
concessões e aparecer mostrando minha vida particular. Isso
mudou. Por exemplo, quase diariamente, estranhamente, recebo
mensagens de pessoas querendo saber detalhes da minha vida
amorosa. (Leia o e-mail do Antônio no final dessa reflexão)
Eu respondo apenas que vai bem e feliz com o lançamento do
livro. E já dei respostas assim antes. Uma jornalista,
querendo saber da minha primeira vez, escutou: "No JB
Online", onde estreei minha primeira coluna oficial. Então,
preservar minha vida é o que mais quero hoje. Isso me faz
lembrar do querido Selton Mello, ator presente no filme
Lavoura Arcaica, que disse: "Eu vejo artista que vai na
revista falar do novo namorado, do carro que comprou, mostra
o closed na matéria. Depois termina o relacionamento,
aparece em Campos do Jordão e posa de triste perto da
lareira. Isso cria na carreira uma situação horrível. Eu tô
fora disso! Tô fora!". Essa declaração dita nos tempos
atuais tem um peso todo especial. Eu estou com Selton Mello
e não abro.
Alguns planos
que desejo realizar: Continuar escrevendo, a história de
Raduan Nassar me causa arrepios, jamais mudar com as
pessoas, sendo simples e na minha, tendo sempre meus pés no
chão, ter noção exata da minha carreira e realizar projetos
que acrescentem as pessoas. Viver minha intimidade, pode
parecer óbvio, intimamente. E Antônio, querido, obrigada
pela mensagem carinhosa, pode acreditar que o diferencial da
minha vida é o trabalho. O resto é normal e cotidiano.
Eu sou normal e cotidiana e não quero deixar de ser
normal e cotidiana.
Cotiano
demais...
de
Tammy Luciano
(escrito em 25 de outubro de 2003)
O que
tenho de melhor não deixo aqui. O que melhor consigo
escrever, coloco nos livros que quero publicar. As frases
que admiro guardo para um momento mais black-tie. É que
alguém reclamou que meu blog é cotidiano demais. Ué, mas
blogs não devem ser cotidianos demais? E se blogs devem ser
cotidianos demais, por que eu não deveria escrever cotidiano
demais?
Aqui em casa,
todo mundo passa o dia inteiro me dizendo para só direcionar
minha energia para as pessoas que apóiam meu trabalho, tanta
gente curtindo esse momento comigo. Meus amigos e familiares
pedem para eu esquecer os comentários ruins. Uma coluna
questionou a iniciativa de fazer um livro sobre Fernanda
Vogel, sendo ela alguém tão jovem. Pensei: respondo? Não
respondo? Não respondi, só lamento as duas jornalistas que
escrevem a coluna falarem de um projeto que ainda não tinha
sido lançado. A vida inteira eu fui de só falar do que eu
sei. Deixa para lá, pulemos de parágrafo.
Sobre
cotidiano demais, recebi um e-mail que comentava: "Tava
vendo o seu site e embora ache k é muito importante divulgar
e incentivar a escrita da nossa língua, penso k se deveria
escrever com mais qualidade. Não se deve escrever por
escrever, pois podemos cair na oralidade. A escrita deve ser
algo mais cuidado". Como e-mail respondo todos, lá fui
com meu dedinho no teclado para dizer: "Tudo bem? Agradeço o
envio da mensagem. Só não entendi o que quis dizer
exatamente com o e-mail? Se quis apenas comentar a escrita
sem sentido ou se quis dizer que o meu site deveria ter mais
qualidade. De qualquer forma, a escrita na minha vida é um
exercício de aprendizado. Estou tentando sempre melhorar.
Espero que não tenha decepcionado você no todo e algo de bom
você tenha visto no meu site. Fale mais, adoro trocar idéia
e não sou nada orgulhosa e jamais viro as costas para os
comentários. Fale de você, você também escreve? Aguardo seu
retorno. Bjinhos. Tammy". Uma amiga disse que eu não
deveria ser tão doce, disse que eu sou muito delicada com
quem não merece. Falou que eu deveria dizer a ela que o
mundo tem milhares de outros escritores, pouco me importa o
que ela diz e, finalmente, por que perdeu o tempo escrevendo
para mim, se não gostou do meu site? Decidi nessa vida ser
leve. E leve tenho tentado seguir rodeada de pessoas
iluminadas com energia positiva. Ainda que algumas vezes,
tal leveza pareça ironia. Não acerto sempre, aliás, já fui
muito errada com quem não merecia. Cada dia mais, tento
reverter emoções. Não quero mais sentir dor e nem fazer
ninguém sofrer.
Por outro
lado, me pergunto por que não aceitamos os comentários ruins
e os recebemos tão bem como os bons? Seria tão melhor abrir
o jornal e curtir um comentário ruim: "Que delícia! Que
legal! Olha o que fulano falou de mim". Só rindo.
Infelizmente, sofremos se não somos amados, entendidos,
acarinhados, respeitados, adorados. Leonina como sou, isso
bate mais forte. Estou tentando mudar. Estou treinando para
conviver com as palavras mais duras. Imagina agora que tenho
um livro na praça. Meu texto está na rua para quem quiser
ler e conhecer meu trabalho. Lançar um livro é tirar a roupa
e aceitar que pessoas olhem suas marcas, seus defeitos.
Às vezes, imagino que será bom o dia em que estiver
acima do bem e do mal. Deve ser muito bom falar e fazer
qualquer coisa e qualquer coisa virar obra de arte. Às
vezes, imagino que será bom o dia em que os dias forem
somente bons. Para todo mundo.
Ué, mas eu
não comecei falando sobre Blogs cotidianos demais? Por que
depois mudei de assunto e entrei no tema crítica? Talvez, os
dois temas sejam cotidianos demais e bom para falar em um
blog.
(Ontem, fui
no lançamento de
Corpo Presente
do meu amigo João Paulo Cuenca. Criatura linda, linda também
no texto, estamos sempre trocando idéia sobre essa vida
louca de escritor e essa dificuldade de lançar livro, de
mostrar trabalho. Existem mais escritores no Brasil, tenho
certeza disso, do que o espaço físico para livros. Cuenca,
querido, desejo que Corpo Presente faça seu corpo
presente nas livrarias com enorme sucesso! Continue
batalhando, você sabe que não é fácil, mas a gente chega. A
obs da noite foi ver meu livrinho vendendo na
Livraria da Travessa. Fiquei orgulhosa demais!)
"Abro a
porta, encaro o espelho. Ser alguém tem algo de grave. Não
há outra opção. Você precisa carregar sozinho esse fardo que
é você mesmo para todo lugar". (João Paulo Cuenca)
Sintonia e
livro
de
Tammy Luciano
(escrito em 23 de setembro de 2003)
Sintonia.
Como é bom estar em sintonia. Está aí uma palavra que é
péssima para combinar. Não adianta telefonar e pedir "vamos
entrar em sintonia". Isso só se consegue quando tem que ser,
quando duas pessoas querem, o mundo concorda e o tempo
ajuda. Porque se um não quer, se o mundo atrapalha e o tempo
vai contra nada acontece. Até a natureza precisa estar em
sintonia. Por aqui, há alguns dias as coisas andam assim. E
eu não combinei, não tentei acertar, fui apenas me
esforçando para entrar no ritmo certo comigo mesma. Então
passei a fazer as coisas que eu estava a fim, passei a
seguir os dias como me sinto melhor. Um exemplo: não consigo
e não me faz bem acordar cedo. Não sou dessas que curte
estar seis horas da manhã olhando o céu, admirando a
natureza. Acho lindo como cena de cinema. A mocinha abre a
porta para a varanda do quarto acompanha o sol nascer.
Acabou de acordar. No meu caso, seis horas da manhã, eu
estou indo dormir depois de trabalhar horas seguidas aqui no
micro. E não adianta um infeliz me dizer que faço mal
orgânico para o meu corpo, porque só eu sei a dor de cabeça
que eu sinto quando não acordo minutos antes do meio-dia.
Descobri que mudar isso era brigar comigo, ficar de mal
comigo mesma. O desejo de sintonizar afetou as pessoas ao
meu redor. Elas sentiram a verdade nos meus olhos: "Ela não
gosta de acordar cedo e pronto!". Assunto encerrado. Hoje,
vejo o sol de fim de tarde indo embora, dando lugar a lua. A
reciprocidade que era de mim comigo mesma, brigo com
o português para falar o que estou a fim, passou a ser dessa
pessoa que aqui escreve com o mundo além do meu portão.
Sintonia: Estado de dois sistemas suscetíveis de emitir e
receber oscilações elétricas da mesma freqüência. Eu
ando em acordo mútuo com a vida. O assunto em comum é a
gente seguir bem. Eu e a vida. Eu e você. Como quiser.
Os amigos
andam ligando para saber de mim, escrevem pedindo retorno e
eu pergunto, caradepaumente, se eles andam lendo meu
Blog. Olha que ridículo! É que o tempo anda tão curtinho,
não consigo mais falar muito com todo mundo que gostaria. No
meu Blog, acabo dando notícia para todo mundo de uma vez só.
Estou bem. Melhor que antes. Pior do que amanhã. Espero.
Para explicar
melhor como anda a vida, vou dar um pequeno resumo do dia de
hoje: respondi 20 e-mails profissionais, isso demanda tempo,
revi com meu editor Salve Jorge! alguns detalhes
finais do livro, antes de...glupt...meu livrinho entrar,
finalmente, na gráfica. Menos de um mês para o
lançamento! Depois escrevi alguns textos para o site que
estamos preparando para lançar com o livro, escrevi duas
cenas para o espetáculo com a turminha jovem do Curso
Preparatório da Casa dos Artistas, revi as legendas que vão
acompanhar as fotos do livro, tentei escrever um pouco um
novo texto, não consegui, o telefone tocou, respondi e-mails
que chegaram no meio tarde, almocei entre um texto, uma
ligação e uma respirada. Acha que acabou? Fui ensaiar o novo
espetáculo na Casa dos Artistas, voltei em casa, falei com
Salve Jorge! de novo e agora estou aqui. Vou escrever o
Blog, preparar novas cenas para o espetáculo, responder
e-mails que chegaram e escrever minha nova história que anda
abandonadinha esses dias, mas também não é para menos. E tem
gente que, me vendo em casa, acha que eu estou com a vida
leve e solta. Estou? Pode ser! O meu trabalho é libertário,
me sinto livre e feliz fazendo tudo isso que falei aí em
cima.
Reflexões.
Dia e noite. Paramos, onde estamos, no meio do passo, na
entrada de uma casa, ao lado de alguém querido, durante um
telefonema, para pensar quem somos nós e se um dia a gente
quis mesmo viver isso que vivemos. Minha resposta é sim.
Porque mesmo que meu mundo lá fora pare, meu mundo aqui
dentro segue acelerado, pensando, digitando sem parar,
refletindo, rebatendo, repensando quem sou eu, onde estou,
como, quando, o porquê e principalmente o para quê.
E o bom é
sentir que as pessoas entendem isso, respeitam meu ideal e
continuam me dando carinho. Ando recebendo carinho de várias
pessoas, carinho contínuo, simples, e-mails lindos dizendo
apenas "torço por você, falta pouco, você chegará onde
quer". Confesso que não é bem chegar a algum lugar, mas
continuar no mesmo ritmo. Hoje, meus passos felizes estão
presentes quando posso escrever. Escrevo rápido, sem olhar o
teclado, vendo aumentar minhas linhas, minhas palavras, meu
texto que me faz feliz. Sabendo que você vai ler isso tudo,
só assim vale meu furacão interno. Foi como falei. Eu e a
vida. Eu e você. Como quiser.
Uma paixão
diferente de todas...
de
Tammy Luciano
(escrito em
02 de setembro de 2003)
(Foto:
Um lado do meu quarto de escrever...)
Não vou
mentir, aliás, nem sei. Estou de nova paixão. Uma paixão
ainda no começo, começou tudo semana passada e para os que
me conhecem, a cabeça está a mil. Assumir assim
publicamente uma nova paixão? Tá louca? E seu desejo de
manter a vida pessoal de longe? E sua vontade de não falar
se é solteira, casada, divorciada. Tá doida? Estou!
Aconteceu! Não posso mais esconder. Nem sei se aconteceu
como eu queria, nem sei onde isso vai dar, mas estou
apaixonada demais para não assumir abertamente para quem
mais quiser ler. Sempre acho que essas minhas conversas não
interessam ninguém, mas como o mesmo ninguém me manda calar
a boca, eu desando a falar. E volta e meia algum doido
escreve dizendo gostar desses meus pensamentos. Assim são
muitos anos falando, falando. E agora, não posso esconder de
você o que estou sentindo. Aconteceu. Acordei semana
passada, o coração disparou mais do que o normal. Já senti
isso algumas vezes. HORROR! Já sei que não vou dormir mais,
não vou querer saber do relógio, vou comer pouco, sonhar com
um final feliz, desejar conseguir realizar tudo da melhor
maneira possível.
Tá, antes que
reclame, vou tentar não ser tão subjetiva. Sei que devo ser
mais direta, abrir mais esse jogo apaixonado. É que estava
aqui curtindo você estar feliz por mim, estar me vendo
apaixonada. Eu estou mesmo. Só que não é uma paixão como
você imagina. É um relacionamento mais raro. É uma paixão
pela nova história que estou escrevendo. Desculpa se
decepciono, mas escritores sentem tanto amor por letras
quanto sentem por pessoas humanas.
Para provar
meu amor pelos livros, uma foto de uma parte da minha
estante. A estante foi presente do meu paizão. Eu criei o
formato e ele mandou construir em alvenaria, ou seja: zero
chance dos livros pesarem as prateleiras (risos). Você já
sabe o teor do material em questão, né? Tenho livros de
teatro, claro, roteiro, romances, espirituais e biografias
(paixão antiga)! Os livros em vermelho são da coleção
Teatro Vivo, lançados na década de 70. Tenho boa parte
da coleção que além de trazer ótimas peças, tem boas
traduções e ainda conta detalhes sobre montagens, o autor e
etc. Cecil Thiré, aliás, traduziu "Casa de Bonecas" de
Henrik Ibsen. Quando tive o prazer de trabalhar com Cecil,
não resisti, um dia levei meu livrinho para ele autografar.
Ele deve ter achado graça, mas recebeu meu livrinho comprado
em sebo com o maior amor e escreveu o seguinte: "Tammy,
bom proveito com o mestre Ibsen. Sucesso!! Cecil Thiré".
Cecil foi uma das pessoas que tive o prazer de trabalhar que
mais entende de teatro. Curiosidade: Cecil dirigiu "Casa de
Bonecas" em 1971. No elenco, sua mãe Tônia Carrero no papel
de Nora e Rubens de Falco como Torwald.
Espero que
goste da foto! Essa estante fica aqui atrás de mim quando
estou no micro...esse é o meu quarto da escrita. Não podia
ser melhor, né?! Por isso que minha TV fica no outro quarto
tagarelando quase sozinha...
O trabalho
nos Jornais
de
Tammy Luciano
(escrito em 20 de maio de 2003)
Uma e
vinte e cinco da manhã, eu aqui ainda pensando em jantar.
Pode isso? Qualidade na alimentação: zero. Não preciso nem
dizer que perdi cinco quilos no último ano. O que seria uma
delícia, se o motivo não fosse falta de horário para comer e
escolha errada no que decido colocar no prato.
Hoje, claro,
tenho que falar do meu livro. Fica difícil não tocar no
assunto, afinal a biografia da Fernanda Vogel foi estrela na
imprensa paulista de ontem. Foi nota em tudo quanto foi
coluna. E lá estava meu livrinho sendo assunto no
Estado de São
Paulo,
no
Diário de São
Paulo,
no
Portal Terra.
Tá certo ninguém disse que eu sou a autora e, no fim da
tarde, eu estava achando graça disso. No fundo, venho há
alguns meses me preparando para o livro ganhar vida, estar
na mão das pessoas e não ser mais meu. E também os
colunistas foram tão legais focando o projeto assistencial
que Myrian Vogel está criando. Meu ego foi embora, o livro é
MUITO maior do que minha existência. Cheguei a curtir o
sabor do anonimato, um sabor de dever realizado. As notícias
falaram também do apoio de João Paulo Diniz ao livro.
Nenhuma surpresa pra mim. Quando estive com ele em Sampa, me
recebeu tão bem, só mostrou carinho com nosso projeto.
Joãozinho,
amigo de Sampa, que apesar do mesmo nome, não é o JP Diniz
mandou até mensagem: "Oi, Menina!!! Fiquei muito feliz
com a nota no ESTADÃO! Como o próprio colunista disse, o
João Paulo está mesmo apoiando a idéia...... Com a ajuda
dele aqui em SP, a coisa "levanta vôo"...Você deve saber que
este é o principal jornal de SP... Muitos gostam da FOLHA DE
SÃO PAULO, mas o ESTADÃO é F...! Meus parabéns!!! Beijos....
João". Joãozinho é um fofo, amigo desde 1996, época em
que eu morava nos EUA. Adoro tanto você, menino! Obrigada
por essa torcida, por esse apoio. Mesmo você em Sampa, sinto
a força da tua fé no meu trabalho aqui na terra carioca. E
mesmo quando reclama comigo, pega no meu pé, sinto ser para
o meu bem. Um bem que me faz um bem enorme, meu bem!
Joãozinho,
aliás, brigou comigo. Mandou mensagem abusada, brigou de
verdade. Diz que ando pensando tudo errado. Nem sei se um
Blog é o lugar certo para falar. Tanta gente vendo, lendo,
sentindo minhas palavras. Qualquer declaração poderá ser
usada contra mim: "Não use o que eu disse contra mim.
Nada mais vai me ferir é que eu já me acostumei com a
estrada errada que eu segui e com a minha própria lei"
(Quanta saudade, Renato Russo!) E no fim das contas, me
fecho em mim, quero mudar os móveis de lugar, desejo virar a
página, lembro de um beijo, abro os braços, canto o refrão
da nova música da Jewel quinze vezes seguidas: "Do you want
me. Like I want you...". Penso no futuro, escrevo, apago,
refaço, rezo, desejo e lembro. Bebo um copo de refrigerante,
penso em futilidades, decido o que não tenho certeza, apago
a luz e volto a acender. Sou assim. fazer o quê?
Pra encerrar.
Dei uma parada aqui na internet e fui lá fora olhar o céu.
Nuvens enormes me fazem ver o outono. Mesmo assim viajo além
delas, passo o espaço de algodão e vou longe, depois da
Terra. Ano passado foi um ano tão corrido. Eu, Myrian Vogel
e Bebel Vogel, as duas me ajudaram a encontrar amigos e
familiares de Fernanda, batalhamos tanto para que o livro
fosse verdadeiro, sincero sem mas mas. Nossa. Agora,
tudo isso acontecendo, essa divulgação do nosso sonho. E só
nós sabemos a dor do parto. Livro é filho! Sei, não somos
apenas nós curtindo essa alegria. Nanda, lá em cima, deve
estar orgulhosérrima. A luz vem dela...podem acreditar!
Preciso
pensar em fazer as malas. Passo o fim de semana fora. Depois
falo mais...