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Sempre leio sobre teatro e ao invés de encontrar respostas,
na maioria das vezes, entendendo a amplitude da arte de
representar, termino com mais e mais perguntas. Aprendi que
assim é entender o palco, atuando e questionando atuações,
técnicas, idéias. A alma teatral é muito mais funda do que
se imagina. E mesmo no momento sagrado em que damos vida
para as personagens, temos perguntas sobre elas. Assim como
acontece no mundo da realidade, onde a vida nada mais é do
que um grande baú de perguntas e nós, seres humanos cheios
de conflitos, também merecemos muitos porquês.
Aqui é meu cantinho para refletir teatro. Afinal, não tenho
as respostas, apenas trago as perguntas.
O
mundo do teatro é um baú de perguntas, assim como na vida...
Os Sonhos de Ana e de todos nós!
de
Tammy Luciano
(escrito em 12 de dezembro de 2004)
Estou
feliz, mas uma etapa realizada. Deu tudo certo em "Os Sonhos
de Ana" e de repente todo o medo que eu tinha da família da
Aninha não gostar da homenagem ou fazê-los sofrer foi
embora. A peça foi linda, todos amaram. Apesar das cenas
mais emocionantes, o nosso teatro conseguiu falar de Ana sem
machucar o coração de ninguém.
(Foto: Eu, de palhacinha, mandando beijinho para todos que
estão curtindo e acompanhando minhas conquistas!)
Posso contar aqui que na parte final da peça, o público
ficou tão silencioso que eu comecei a me sentir estranha,
achando que as pessoas não estavam curtindo nossa
apresentação. Quando acederam as luzes, percebi que as
pessoas estavam na verdade chorando de emoção, de saudade e
de amor. Foi um dos momentos mais emocionantes que passei na
vida.
A
mãe da Ana quis falar, agradecer nosso carinho. Ficamos
todos muito emocionados. Foi uma noite de fazer o coração
bater forte. Hoje tem mais, aliás, passei aqui só para
deixar meu beijo e avisar que deu tudo certo. Graças a Deus!
Estou devendo fotos! Eu sei. Prometo colocar essa semana.
Aproveitem o domingo, fiquem na paz e sejam felizes. Somente
a felicidade é urgente!
Volto logo, rapidinho, assim que der...
Mais uma novela dentro das muitas novelas que a gente vive e
encerra...
de
Tammy Luciano
(escrito em 07 de dezembro de 2004)
Tanta
coisa aconteceu esse final de semana. Nossa...graças ao bom
Deus, deu tudo certinho na peça e encerramos com a maior
alegria nossa missão. Parecia cena de novela. Todo mundo se
abraçando, chororô, declarações, conversas, surpresas,
descobertas e um belo final para uma turma que viveu várias
emoções.
Meu trabalho consegue lavar a minha alma e me realizar
inteira. Mesmo cansada, preocupada, no final fica tudo bem.
Bom demais descobrir as amizades conquistadas no suor, as
pessoas conhecendo mais de mim e trocando a maior energia
teatral. Como o Planeta Teatro consegue unir e fazer
bem para tanta gente.
(Foto: Eu e Tiago Bessa, garoto sangue bom, gente fina toda
vida que eu sempre agradeço ter conhecido. No nosso segundo
dia de apresentação, depois dos agradecimentos, Tiago disse
aos presentes que me amava, amor amigo, em alto e bom som. O
elenco rindo dele, ele nervoso e encerrando com: "Poxa,
gente, eu amo ela! Não ri não, eu amo ela" Também te amo,
Tiaguinho! Alguns momentos dane-se o português!!!
*Importante dizer: Tiago, usando a camiseta da peça, tem
um sotaque mineiro de lindo. Ele pediu licença pro meu
Amore para dizer que me amava, o sutiã aparecendo na
foto é coisa da personagem e a borboleta no meu cabelo foi
presente da minha prima Nanda!)
O
processo de ensaio de "Nosso Louco Cativeiro" não foi fácil.
Alguns momentos, precisei ser forte para fazer o barco remar
no sentido certo. Tinha como certeza o tempo. Ele
confirmaria minhas opiniões, como cortar drasticamente
pedaços enormes do texto. O público não agüentaria tanto
tempo de peça. Para os autores, eu era uma açougueira. Hoje,
eles entendem, concordam e apoiam minha decisão.
Outros desencontros aconteceram ao longo dos nossos ensaios,
momentos superados, conversas encerradas com palavras
sinceras e abraços apertados. Não esquecerei jamais os
momentos de puro encontro, a turma unida, um ajudando o
outro, todo mundo na mesma fé. Como falei, o encerramento
dessa turma foi o final FELIZ de uma novela boa. A
única diferença era não existir nenhum antagonista, apenas
protagonistas, pessoas especiais que eu vou sempre desejar
todo bem do mundo. Pessoas, obrigada por tudo!
Beijos especiais para a Juliana, namorada do Alexandre,
visitante assídua desse Blog, mesmo sem deixar recado, que
eu tive o prazer de conhecer. Beijo também para a Thaty
Álamo, que eu conheci ao vivo no teatro. Que luz, que
sorriso, que jeito doce. Thaty antes de ir embora me disse:
"Não fica triste, porque não gosto de ler no Blog que você
está triste". Pois é, Thaty, alguns momentos, esqueço e
desando a falar das dores. Só agora conhecendo vocês no
mundo real me dou conta que a brincadeira aqui é séria!
Senhoras e senhores,
as fotos!!!
Sou um grãozinho de areia e tô feliz...
de
Tammy Luciano
(escrito em 05 de dezembro de 2004)
Sou mais uma, sou apenas uma pessoa comum querendo fazer
teatro, querendo escrever, querendo ser. Sou eu, batalhando
desde 1999 na Casa dos Artistas e realizando minhas pequenas
coisas como acho que tem que ser.

(Foto: Eu e a turma de "Nosso Louco Cativeiro". Valeu a
batalha!!!)
Alguns podem dizer que sou maluca. Graças a Deus já deixaram
de dizer que estou perdendo meu tempo. Pelo menos depois de
anos e anos, tudo começou quando eu tinha 14 anos, as
pessoas já entenderam que a brincadeira é séria e eu não vou
parar. Só quando a música diminuir, o som acabar e eu for
convidada a dançar em outra festa, de outro planeta, com
novas estrelas...por enquanto, fico.
Realizar uma peça de teatro é sempre um susto bom. A gente
nunca acha que vai dar certo e sempre dá. Ontem, foi lindo,
emocionante e especial. Mais um dia para contar para quem
quiser no dia em que eu estiver lembrando meu passado. Meu
grande medo com resultados acabou. Hoje em dia, confio e
vou. Vou, vou, vou e vou. Com algumas pessoas atrás de mim,
confiando no que eu faço e dando a maior força para jamais
parar. Todo os anos, pessoas novas aparecem, novos atores
para ensinar, trabalhar, ensaiar e apresentar. O processo
nunca é fácil, mas, emocionados nas apresentações,
entendemos o quanto a luz do teatro nos envolve e nos faz
feliz.
Lindo ver a
esposa do meu assistente de direção, Marcio Navarro, aos
prantos, orgulhosa do maridão. Melhor ainda ver todo mundo
feliz, pulando no meu encerramento
Happy
de sempre. São anos e anos com a mesma música! É marca
registrada. Maravilhoso escutar os comentários especiais,
receber abraços emocionados, rir dos momentos que só o
elenco sabe e voltar para a casa pensando: ainda bem, amanhã
tem mais!!!
Hoje, estou feliz. Ontem, foi lindo e hoje também vai ser.
Obrigada para você que torceu e participou desse momento.
Tô na corrida...amanhã falo mais...
Nervosa, eu? Imagina...
de
Tammy Luciano
(escrito em 04 de dezembro de 2004)
Sim,
eu estou nervosa. Sim, eu estou preocupada. Sim, eu preciso
ficar tranqüila e calma. Sim, hoje tem apresentação de
"Nosso Louco Cativeiro". A voz começou a falhar desde
quinta-feira. Um nervoso e uma reza forte para dar tudo
certo.
(Foto: Os cabelos estão em pé!!!)
O
dia de ontem foi uma corrida louca e ficou impossível não
terminar o dia cansada. Sabe quando dentro de você só coisa
boa? Meu Deus, alguns dias me pergunto como me deixei
enganar por tanto tempo, achando que era feliz sem ser. Não
era culpa de ninguém, apenas dificuldade de visão na hora de
avaliar a própria vida. Estou dentro de uma energia muito
boa, confiando demais no bem estar, na paz interior, nos
encontros de luz. Mesmo estando de cabeça para baixo, estou
bem...(risos)
Pensamento é coisa boa. Correr na mente frases positivas faz
um bem enorme para a alma. Então, penso, penso, penso, mas
só coisa boa. Quando, sem querer, a mente manda algum
pensamento errado passear pelos neurônios, corro com a
vassoura dos novos tempos e vou varrendo o pessimismo. Não
sei se essa conquista de paz vai ser para sempre. De
qualquer forma, já combinei comigo mesma, eu e meus grandes
tratados, manter o equilíbrio, mesmo nos dias de incêndio,
dilúvio ou dor. Quem mais pode atingir você é você mesmo. O
único encantamento que funciona é o do poderoso!!! O único
pensamento que está valendo é o nosso...de energia boa!
Estou aprendendo novamente a me encantar feito criança pelo
puro momento de estar ali, rindo da vida, sem esperar nada
além do meu próprio sorriso. Esse "reaprendizado"
infantil me fez dançar essa semana, emocionada com o simples
fato de existir.
Fica na paz, pessoinha! Estou torcendo por você!
Minha alma que escreve e ama atuar
de
Tammy Luciano
(escrito em 15 de setembro de 2004)
Minha
arte não é fácil. Nunca escondi de ninguém o caminho que
quero, as idéias na cabeça, tudo me fazendo batalhar para
ser alguém legal e bacana na carreira. O peso de ser
exemplo, de ter sempre que mostrar conquista é um peso
latente. Quando acerto, lindo! Todos querem ser meu pai,
minha mãe, minha irmã, meu irmão, meu primo, meu amigo, meu
colega, meu conhecido, meu alguém. Assim é a lei da vida. Se
você não chega em lugar nenhum, o que eles são seus?
A falta de orgulho mata os parentescos.
(Foto: Não sei porque gostei dessa foto! Acho que é por
lembrar que ele pediu para eu olhar e eu disse não. Depois,
quando virei, estava sorrindo! O sorriso não está dando para
ver, mas se reparar minha alma está sorrindo...detalhe para
o efeito de luz nos meus dedos...)
Não quero de jeito nenhum ser uma
qualquer que usa o teatro e a TV para aparecer. Quero passar
uma mensagem, ter o que dizer, deixar alguma coisa em algum
lugar para um dia alguém ler e ver. Os superficiais passam
batidos, somem, merecem isso. Os superficiais são comidos
pelas traças.
Eu espero de mim. Eu me espero em mim.
Alguns dias, fico triste de ver a vida passando e eu
enjaulada entre letras e textos, minha melhor escolha parece
maldita. Em outros dias, minhas letras e textos são tudo que
tenho. Ah, solidão acompanhada que me segue mesmo quando
tento fugir dela. Ah, solidão criminal que me faz sozinha
nessa casa grande que eles moram.
Já prometi para mim que esse verão vou aproveitar até o fim.
Quero praia, quero sol, quero a minha cidade linda correndo
na veia. Quero meus finais de semana de paz, longe do quarto
que me afoga, que me deixa triste, que me diz que não saio
do lugar e das vozes que escuto de longe e não me convidam
para nada.
Escrevo páginas e mais páginas de uma história que estou
vendo passar dentro de mim. A personagem está perdida como
eu fui um dia. Vai errar na vida, como eu errei. Vai tentar
concertar as coisas como eu tentei. No final, vai ver que o
melhor é seguir, achando que perdeu. Ganhou. Calo a boca.
Pulo parágrafos. Vários.
Vários.
Vários.
Vários.
O
poema mais bonito que escrevi não é o mais feliz.
Hoje, o que me basta e me faz bem é o caminho que escolhi.
Não quero mais pedir desculpas pelos meus atos. Não estou
fazendo nada de errado. Não quero abaixar a cabeça. Abaixei
o suficiente. Também não acho mais necessário me defender.
Estou no auge da vida e quero experimentar uma nova cidade,
uma nova voz no meu ouvido, um novo jeito de olhar. Quero
apenas me defender de mim, porque alguns dias cismo de
torcer contra, parecendo ser da torcida organizada da queda.
Ando escrevendo bastante, desejando me encontrar nessas
palavras sem rota certa, sonhando em escrever novos poemas e
viver em novos mundos. Escrevo várias folhas de um livro
novo e eles não notam. Dizem que estou no mesmo lugar há
meses.
Estou feliz. Pelo menos algo em mim vai bem. Eu mesma.
Agora,
posso falar!
(sobre
participação na novela Senhora do destino)
de
Tammy Luciano
(escrito em 14 de setembro de 2004)
(Fiquei
de explicar aqui porque mudei o texto do Blog do dia 10.
Nada sério. É que prometi uma notícia exclusiva para a
Regina Rito, jornalista querida do Jornal O Dia. Ela, muito
simpaticamente, escreveu uma notinha linda falando do meu
trabalho. Por educação e ética, a gente não fala antes do
jornal. Fica aqui meu agradecimento para Regina que deu a
maior bola para a minha batalha! Agora que
a nota está no
jornal de hoje,
posso contar como foi minha pequena participação na novela!)
A gravação foi ótima! Gravei duas cenas, quase não falo
(risos), com Mylla Cristie e já recebi a boa notícia que
devo voltar a gravar. Espero que a novela tenha bastante
cena de hospital. Pelo menos na ficção, posso torcer para
aparecer bastante gente doente, porque minha querida
enfermeira vai ter assim novas cenas para gravar.
(Foto: Jéssica Sodré, Agles Steib e
eu)
Televisão é aquela coisa louca. Quando cheguei no estúdio, o
roteiro de gravação avisava que a equipe gravaria 30 cenas
só naquele dia. Quando a gente assiste a novela, não
acredita nessa loucura toda. Não sei se foi Lima Duarte, ou
Francisco Cuoco, que dizia:
"A
TV é a arte da espera".
E é mesmo. Também é a arte de saber viver ali dentro.
Porque, apesar de falarem de todo o glamour, não existe
glamour nenhum. Todos os sentimentos humanos que reinam aqui
fora, reinam lá dentro.
Com a equipe do figurino, não demorei
quase nada. As meninas tinham reservado alguns vestidos e
depois de provar dois, fiquei com o terceiro. Roupa de
enfermeira não tem muito charme mesmo. Resolvi vestir o
menos pior. Ganhei também um jaleco e adorei o
cabelinho antiguinho, com direito à rendinha e tudo!
Bom demais encontrar Agles, ver meu
aluno querido pelas pessoas, entusiasmado com o trabalho.
Com certeza, essa é a primeira de muitaaasssss
novelas que ele ainda vai fazer. Conversei um pouco com o
Ronnie Marruda, faz o cigano na novela, e Adriana Lessa, mãe
do Agles na trama. Com ela, papiei um pouco
mais no camarim. Dois atores profissionais e queridos. A
Jéssica Sodré, faz papel de irmã do Agles, também é outra
queridinha. Entrou para a novela por testes. Basta acreditar
que acontece!
Fiquei impressionada com o talento do
Nelson Xavier. Repetitivo dizer? Ele gravou uma cena linda
com o André Gonçalves, voltando atrás na promessa de
arrancar o filho do coração. O olhar do Nelson dizia tudo, a
emoção na cena foi linda e estou louca para ver como ficou o
momento depois de editado. Ao contrário de outros atores que
ficam horas para gravar uma cena curta, eu já assisti isso
acontecer várias vezes e, claro, não vou citar nomes, e
mesmo assim não convencem, Nelson mandou ver, emocionou a
alma de quem assistiu a gravação.
Fotos! Fotos! Fotos!
Vale ver as fotos e ler a história sobre o par
de brincos que usei na gravação!
Mesmo quando o filme não parece bom...
de
Tammy Luciano
(escrito em 06 de agosto de 2004)
Quando decidi que ia sonhar, não pensei muito nos outros,
mas em mim. Decidi que somente desistiria, caso algo me
deletasse da vida. Meus sonhos nunca morreram. Ao contrário,
parecem mais vivos do que nunca. Hoje, sinto a importância
deles na vida das pessoas que me querem bem. Quando alguém
que amo me cobra retorno, mesmo piorando meu estado de
tensão, me fazendo mais estressada do que já sou, aceito a
ajuda, entendendo que é uma maneira de fazer vivo essa
realidade que enfiei na cabeça.
Aí, outro dia, estive em uma reunião na casa da atriz Carla
Diaz. Ao chegar lá, encontrei um ator, amigo de muito tempo,
pessoa muito especial. Infelizmente, ainda não conseguiu ser
conhecido do grande público, mas Deus vai ajudar e um dia
vai acontecer. Ele estava triste. Começamos a conversar e as
frases pela metade iam me informando que ele estava
desgostoso da vida: idade, tempo passando, só sou ator, não
sei fazer mais nada, meus amigos foram, eu fiquei...
Observei aquele rapaz bonito, jovem, cheio de vida e...e...e...triste.
Muito chato perceber que, de alguma forma, os sonhos dele
parecem impossíveis. Não demorou e ele disse: queria
dar esse presente para minha mãe. Sabe...meu sucesso
profissional.
Eu entendo isso como ninguém. Durante anos batalhei, para
vencer, pensando que alguém mais na minha casa ficaria
feliz. Hoje em dia, vejo meus pais orgulhosos de mim e penso
o quanto fico feliz em poder proporcionar isso. Só que nada
teria acontecido se eu tivesse pensado algum momento em
desistir. É preciso a máquina estar ligada para andar. É
preciso jogar a flecha para atingir o alvo.
(Estou, hoje, vivendo o seguinte desafio: depois da primeira
conquista, todos esperam a segunda)
Não sei ao certo se isso é um vírus, mas esse não é o
primeiro amigo que encontro assim. Vamos lá! Seus sonhos são
seus! A gente divide com alguém, os outros criam
expectativas, mas a realização fica na nossa mão. Muita
gente amada ajudou e estimulou minhas pequeninas conquistas,
mas se eu tivesse abaixado a cabeça, era minha cabeça na
mesa, servida para a turma de esfomiados. Eu resolvi
acreditar em mim, acreditar em algum amanhã que parecia
certo, mesmo que nenhuma certeza seja nossa nessa vida.
Resolvi dizer ao meu amigo o quanto ele precisava ser forte.
Mandei tirar da cabeça o romantismo da carreira. Nesse meio,
ninguém liga para você. Você é que telefona para as pessoas.
Você negocia seu trabalho, apresenta sua arte, faz o plantio
das suas sementes. Nada é fácil nessa carreira difícil. A
mãe da Carlinha Diaz confirmou o que eu dizia, falando da
necessidade de meter a cara na vida, parar de esperar em
casa e contou das famosas que acabam uma novela e batalham
para voltar, ligando para diretores e buscando
oportunidades. Eu falei da minha corrida diária, do vai e
vem, dos textos, dos desejos e da vontade...e disse a ele
que a hora é agora!
Saí da casa da Carla com uma sensação que aquela noite não
era para mim, mas para o meu amigo. Vou ficar na torcida por
ele. Eu sei que não é fácil. Muitas vezes, a gente acaba
achando que não nasceu para a sorte. Lembre que a SORTE mora
no arco-íris e está lá para quem quiser buscar. É preciso
apenas andar até lá.
Fica com Deus e pensa no que você tem feito para seus sonhos
virarem realidade. Como diria Boni, o grande homem da TV
brasileira: se está fácil, eu não quero!
Com fé e pé, a gente chega!
Contando não vai ser
igual...
de
Tammy Luciano
(escrito em 14 de julho de 2004)
Passei um dos momentos mais
emocionantes da minha vida. Sim, estava com eles, meus
alunos. Sempre eles! Fizemos um exercício individual em que
cada um fala um pouco de si. Sempre demoro a fazer essa
aula, porque eles precisam estar entrosados e, ao mesmo
tempo, o encontro aproxima a turma mais ainda, porque sempre
alguém conta um detalhe que ninguém sabe. Dessa vez, pensei
até em interromper a aula. Choramos muito, todos, com as
histórias ditas. Quem não chorou, ficou com o nó na
garganta.
Foi tudo lento, cada um falando aos
poucos. Pouca expectativa para a aula e de repente as
histórias ali nos fazendo entender a vida de outra maneira.
Uma aluna lamenta a relação com a mãe. Chora ao lembrar o
quanto apanhou, as palavras agressivas que escutou durante
anos e do namorado que perdeu para a própria mãe na
adolescência. Elas não se falam há um ano. Depois, o menino,
que todos pensavam ter vida perfeita, contou do pai que só
conheceu aos onze anos de idade. Falou com olhos emocionados
do homem que o fez e ele demorou a ter intimidade, porque
simplesmente jamais havia encontrado antes.
Achei que ali seria o bastante. Nada.
Uma aluna chora seguidamente porque lamenta a situação ruim
da família. Diz que está vendo a mãe se acabar, porque as
dificuldades financeiras são muitas. Ela não agüenta ver os
pais lutarem tanto e não saírem do lugar. Comentei o quanto
aquela dificuldade estava ajudando a unir o lar, já que
antes as coisas eram melhores no assunto dinheiro, mas não
havia tanto entrosamento. As dores nos fazem mais unidos.
Foi tudo que consegui dizer.
E veio a aluna que é calada, sorri
envergonhada, tem um olhar triste, mas demonstra muita fé na
vida. O que passou faz entender melhor suas caraterísticas.
Contou emocionada da leucemia que sofreu e venceu depois de
dois anos. Disse jamais esquecer a luta da mãe ao lado dela.
Em sua mão é possível ver a aliança que usa até hoje:
Pedi para o meu pai comprar e me
casei com a vida.
Meu Deus, quantas histórias temos
dentro de cada um de nós...
As palavras escutadas ainda estão
latentes em mim. A noite que compartilhei com a turma jamais
esquecerei. Ainda tenho muito que aprender com a vida, mas
uma das maiores lições já está fortalecendo dentro de mim:
nada é igual ao poder do amor. Vamos amar o outro, entender
que cada um tem o que dizer e dividir. Ninguém é melhor do
que ninguém. Pelo contrário, somos todos iguais com nossas
dores e amores.
Vamos amar sempre que der. Vamos amar
sempre que a vida permitir. Vamos amar mesmo quando não for
possível. Vamos amar mesmo de longe. Vamos amar para fazer
nascer o amor. Só o amor nos faz feliz. Só o amor vive até o
sempre.
Sonho e destino de todos nós...
de
Tammy Luciano
(escrito em 04 de julho de 2004)
Outro dia, assistindo à reprise do
prêmio MultiShow, a banda Los Hermanos, ao receber o prêmio
disse: "Sonhar é uma grande responsabilidade, porque sonho é
destino". A frase parou meu pensamento, instantaneamente.
Parei de ver TV e passei a pensar em sonho e destino. Meu
sonho da escrita, meu destino de escrita hoje. Trabalhando
no que eu sempre quis. Ainda não estou onde quero, como
quero, mas vou chegar, porque sou cabeça dura e faço
acontecer. Alguns dizem que já consegui muito. Digo ainda
precisar lutar bastante.
O engraçado é lembrar que os seres do
baixo astral foram embora. Antes das coisas acontecerem na
minha vida, eles vinham no meu ouvido, dizendo que eu
desistisse. Isso não ia dar em nada. Eu tinha na cabeça a
frase do sonho e destino, mas não sabia dizê-la, porque
ainda não havia escutado. Mesmo assim, sentia a força da
mensagem. Eu tinha um sonho, me dedicaria a ele e batalharia
muito para vencer, para ser e viver o destino sonhado. O
resto é gente chata querendo ver sua derrota. Para mim, um
dia, ia acontecer. Bastava eu me dedicar, lutar e esperar o
resultado. Pouco interessava quando, mas um dia, eu teria
meu nome em algum lugar legal, as pessoas gostariam do meu
trabalho e eu estaria feliz por isso.
Conversando com Valéria Valenssa,
falamos de sonho. Ela comentou os anos de batalha, as
dificuldades para ficar tanto tempo sendo preparada para
aparecer na tela da TV Globo, com o corpo pintado. Nada
fácil, apesar de pensarem. Nada simples, como muitos
imaginam. Valéria deixa claro não ser do tipo que espera
acontecer. Na agência, está presente todos os dias,
participa ativamente das decisões e posso dizer que existe
sempre uma docilidade em suas palavras. O quê, aliás, serve
de exemplo para muita gente presunçosa, que se acha a dona
da verdade e enche de arrogância as palavras ditas, escritas
e pensadas.
As meninas que aparecem na Agência com
seus sonhos e destinos na mão sempre se surpreendem ao ver
Valéria. De salto alto, bem vestida, ela adora usar branco,
andando pela sala de atendimento, conversando animadamente,
sem esquecer a responsabilidade. Vejo o olhar surpreso das
jovens que chegam e o sorriso educado que nossa Globeleza
envia como retorno do carinho. É quase como escutar: Você
por aqui, Valéria. Sim, estou correndo atrás do meu sonho e
do meu destino! Ela sempre ressalta como acredita no
sucesso da agência TRIBO. As esperanças de cada um que chega
são o combustível para o trabalho seguir.
Perguntei qual seria a profissão de
Valéria. Ela sorriu. Não sabemos exatamente. Eu pedi a ela
que pergunte ao Hans Donner, que, afinal criou a Globeleza.
Comentei que acho interessante ela ter uma profissão que,
acho eu, não existe igual no planeta. Afinal, na época do
carnaval brasileiro, ela é a moça que rodopia na tela da
maior emissora de televisão do país, avisando que o carnaval
e o seu encanto estão chegando. Os olhos de Valéria
brilharam. Ali vi o sonho e o destino. O sonho e o destino
que todos temos, só que alguns lutam por ele e outros só os
encontram quando assistem outros conseguindo os seus.
Por isso, não esqueça da frase que
agora é nossa: Sonhar é uma grande responsabilidade, porque
sonho é destino.
O
mundo não é de um só. Tem lugar para todo mundo, basta
querer...
de
Tammy Luciano
(escrito em 29 de junho de 2004)
Parecíamos um grupo que não chegaria em lugar nenhum. Em
1999, comecei a trabalhar na Casa dos Artistas. Logo me
apaixonei por uma turma que tinha na cabeça o sonho do
teatro experimental e iniciei com eles meu projeto de vida.
Queríamos muito tentar chegar no espaço onde o teatro é o
mais importante e todo o resto, esse desejo louco de mostrar
sucesso, ficaria para um plano pouco visitado por nós.
E
assim, seguimos nós, quando a Casa dos Artistas era apenas
um lugar silencioso com cara de domingo. Pelo menos durante
dois anos, fui a única professora de teatro dando aula.
Muitas vezes, as luzes da instituição eram desligadas e
fícavamos apenas nós vivendo nossa arte na sala que chamamos
de Caixa Preta. Aprendi muito com os alunos e
descobri de cara que o sonho presente em mim também vivia
neles.
Um tempo depois, Deus me deu a chance de mostrar meu
trabalho em escala muito maior do que jamais imaginei na
vida. O lançamento do meu livro fez minha carreira forte e
com sentido. Os alunos sonharam o livro comigo, acompanharam
toda a batalha, semanalmente sabiam as novidades e torciam
pela minha carreira de escritora. Eu sempre os encorajei a
sonhar, porque uma hora o sonho acontece mesmo. Depois do
meu livro, uma certeza era latente. Meu sonho não seria só
meu e outros alunos conquistariam seu espaço. Era questão de
tempo!
O primeiro foi Pedro Nercessian, apesar do tio importante,
conseguiu seu espaço batalhando um teste na TV Globo. O
sobrenome famoso pode ter influenciado, mas Pedrinho estava
mais do que preparado para viver o Fabrício de Malhação. Uma
alegria só vê-lo na novelinha. Em uma de suas primeiras
aparições, ele sendo jogado para dentro da água por colegas,
me fez lembrar de todas as nossas conversas. Emocionante ver
meu aluno ali conquistando sua chance de mostrar arte.
Chorei de orgulho e felicidade.
Agora, nova alegria. Meu segundo aluno tocando a face do
sucesso. Agles Steib, anos batalhando também, só comigo fez
alguns bons quatro anos de teatro, passou no teste para a
novela das oito e será o Maikel Jeckson das Neves (o
nome é assim mesmo que escreve!), na Senhora do destino.
Esteve aqui em casa ensaiando para o teste a ser feito com
Wolf Maya. Estava nervoso, mas depois de algumas leituras e
algumas correções, eu disse a ele: O papel vai ser seu!
Não tinha como, ele estava pronto, é a cara da
personagem e vai fazer MUITO sucesso se Deus quiser. Aliás,
ele já está nas chamadas. Fica de olho porque o menino Agles
é cria da Casa dos Artistas.
O
bom disso é que Pedro e Agles são amigos e tenho certeza que
vão poder curtir bastante o lado bom da fama juntos. Só
torço para jamais mudarem seu jeito de ser, porque feliz
daquele que fica famoso e continua humilde na essência. As
meninas vão adorar e a fessora aqui vai ficar orgulhosa de
ter duas crias arrebentando na vênus platinada. Eles
merecem! E merece todo mundo que luta. Acredite você também
no seu sonho. Não durma um dia sem ter mergulhado fundo para
realizar seu desejo de felicidade. A luz, o sol, a sorte, a
estrela tem para todo mundo. Basta um pouquinho de
paciência, determinação e verdade com a sua própria
história.
Eu fico aqui torcendo por você. Mesmo seu sonho não sendo no
mundo artístico, algum sonho você tem. Coloque em prática,
faça acontecer...
Na corrida pelos testes da vida...
de
Tammy Luciano
(escrito em 26 de junho de 2004)
Essa
semana, estive em dois testes para comerciais. Confesso que
é o lado chato da carreira de atriz. Normalmente, a gente
acaba muito tempo esperando, muita gente se olhando, todo
mundo querendo a mesma vaga. Sempre levo um livro e meu
caderno de anotações. Uma vez até escutei: Eu deveria ter
feito como ela e trazido algo para me distrair.
(Foto:
Esse comercial eu fiz para uma campanha em defesa da
educação pública. Pouca gente me reconhece nessa imagem. O
papel de atriz é assim mesmo. A gente não deve ter medo de
ser o outro, mesmo que a nova imagem fuja da nossa essência.
Não ligo para isso. Modifico, deformo e transformo minha
imagem na arte sem medo do que vão achar. Aliás, o palco é o
único lugar que eu mando embora a vaidade sem me importar!)
Acredite se quiser, já fiquei oito horas esperando para
fazer um teste que durou apenas dois minutos. Pior é estar
em algum desses estúdios escondidos, onde não se tem nada
perto para comer. A única alternativa é lembrar de levar
alguma coisa. Eu sempre esqueço. O que tenho na bolsa são
balas, mas elas não matam a fome.
No primeiro teste que fiz essa semana, decorei um texto com
dois personagens. Ao chegar lá, entrei no estúdio, o câmera
pediu que eu me posicionasse no famoso X. A produtora
de elenco disse que falaria as falas masculinas. Estava
dando uma última olhada no texto, quando alguém, uma voz
feminina, gritou o famoso gravando. Joguei o papel no chão e
comecei a falar. Devo ter atropelado o áudio, porque ela
pediu que eu recomeçasse. Voltei o texto na mente e lá fui
eu de novo. A produtora de elenco leu sem conhecimento do
texto, com nenhum entusiasmo, respondendo minhas falas com
frases secas que pouco me emocionavam. Foi lendo, lendo,
lendo, lendo. Eu tentando criar emoção em cima daquela
leitura. Além disso, ela estava do lado direito e eu
precisava responder olhando fundo na câmera, posicionada no
meio do estúdio.
O
desafio dos testes é você conseguir se sair bem gravando com
pessoas que nunca viu e na pressão de provar que saber fazer
alguma coisa. Não sei como, consegui não errar o texto e fui
até o fim, olhando para o lugar marcado, tentando responder
com emoção a leitura da produtora. No final, antes que eu
pudesse sair do estúdio, escutei a voz fria feminina pedindo
a próxima candidata. Eu era apenas mais uma candidata. Não
sei, juro que não sei, como alguns acham que essa carreira é
mais glamour do que ralação.
O
outro teste foi um encontro de amigos. Encontrei Marcelo
Santiago, meu amigo de adolescência, que, durante a
gravação, me deu a boa notícia que a filhota da nossa amiga
em comum Adriana, mais conhecida como Nana, nasceu. Liguei
feliz para minha amiga em Sampa. Parabéns, Dri! Quem também
encontrei por lá foi o Airam Pinheiro, fizemos juntos um
curso com o Maurício Farias, diretor da Grande Família
que me dirigiu quando participei do programa.
A
carreira artística faz de você um ser forte para aceitar os
desafios, as negativas, os testes e a luta diária de ser
artista em um país que confundiu e embaralhou uma carreira
inteira.
O amor no palco (o avesso feliz também)
de
Tammy Luciano
(escrito em 04 de junho de 2004)
Fui descendo a minha rua. Um tímido sol dizia ser inverno,
mas mostrava a chance de ser feliz mesmo no frio. Lembrei da
época em que morava no Estados Unidos e esse tímido sol era
tudo que tínhamos. Um ar gelado, uma luz angelical, meus
passos simples, como eu gosto.
Alguém me avisa que sou romântica demais. Sou mesmo. Dessas
incorrigíveis. Dessas da pior espécie que acredita, em pleno
2004, existir um cara predestinado a ela, para amar na saúde
e na doença, na alegria e na tristeza...na alegria, na
alegria, na alegria...
O
querido Cico Caseira, diretor teatral de primeira, comentou,
com curiosidade, eu ter feito dois espetáculos seguidos,
escolhendo o tema amor, "Enlouqueceram e casaram" e "Mais no
coração". Eu desconversei, falei que estava em um momento
bem sentimental. Em parte é verdade. 2004 está servindo para
colocar no lugar as coisas do amor. Ao contrário do ano
passado, por exemplo, em que eu só tinha olhos para o
trabalho. Eu não disse ao Cico, mas sou mesmo uma dessas que
ama o amor e ama amar o coração apaixonado.
Esse ano, tenho olhado meus sentimentos e meus desejos. Não
quero mais ver minha vida pessoal correndo sem que eu lute
por ela. Eu sempre quis dar muito certo na carreira, era
quase um desafio, com tudo batendo forte em mim. Era
necessário provar para as pessoas que eu era capaz. Era
importante dizer a mim que eu conseguiria respeito como
autora. Era valioso imaginar dias de sucesso como artista,
fosse como escritora, atriz...no dia em que estava
autografando meu livro na Timbre,
Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, acho que nunca contei
isso para ninguém, um pequeno flash da minha vida passou.
Fiquei ali, uma fila enorme de pessoas queridas querendo
autógrafo, eu pensando que estava vivendo na vida real o que
sonhara.
Depois, em casa, aquelas vozes ainda dentro de mim, o
sucesso da noite dançando magicamente na minha frente,
deitei na cama e olhei o teto. O teto do meu quarto não tem
nada demais, mas acaba me fazendo sentir e pensar em várias
coisas. Ali entendi que seria hora de lutar pela minha
felicidade pessoal. Eu me achava feliz, não era. Tinha uma
vida morna, uma história pacata que, simplesmente, não saia
do lugar. Eu não podia viajar para muito longe sem que a
realidade me dissesse o quanto o longe era apenas sonho.
Hoje, sem ninguém ao meu lado, entendo estar no melhor
momento. Eu sei o que eu quero. Minha capacidade de amar
alguém intensamente e ser só dele, o que hoje em dia é uma
raridade, não é pouca. E eu não quero mais aceitar
felicidade de um lado só. Quero o avesso feliz também. Todo
mundo quer. Alguns acabam aceitando relacionamentos
medíocres por medo de terminar. Entretanto, a vontade de
encher o coração de paz existe sempre, não importando a
idade. Durante uma consulta no meu dermatologista essa
semana, ele atendeu uma senhora. Ela havia colocado o famoso
botox. Eu elogiei seu rosto, lisinho, remoçou alguns anos,
imagino, ela sorriu: "Estou me cuidando, porque vou
reencontrar um namorado de vinte anos atrás". Pensei em como
sou boba em ter imaginado o fim das minhas emoções no início
do ano, cogitando até estar velha para iniciar um novo
relacionamento. Se eu dissesse isso para aquela senhora, ela
pensaria até que eu estava brincando com o rosto de botox
dela. Não existe tempo, nem idade para amar. Existe vontade.
Todos querem. Eu comentei isso com meu médico, ele riu e
disse que eu estou sozinha porque eu quero. Eu? Porque
quero? Ninguém é um só por querer, nascemos para o duplo,
mesmo que eu cisme em negar isso. Aos poucos, meu discurso
está mudando. Sou mesmo um ser mutante...
Acho que tudo começou naquele dia, foi sim. Enquanto
autografava os livros, assinava minha liberdade. Ela doeu,
eu sofri, mas hoje não vai ter mais quem me faça viver meia
verdade. Tudo começou ali, eu não sabia, mas começou. Ao
mesmo tempo que tem tudo para ser uma vicissitude encontrar
o amor, sei que ele está marcado em algum lugar dentro de
mim. Pena não saber quando. Alguém pediu que quando eu
estiver apaixonada, conte aqui. Imagina se eu, cristalina
como sou, vou conseguir esconder.
Sobre estar pelada...
de
Tammy Luciano
(escrito em 19 de abril de 2004)
Uma aluna me pergunta se eu posaria pelada. Tenho
como hábito responder sem pensar, algumas vezes falo
brincando e o outro leva a sério. De uns tempos para
cá, criei um espaço maior entre o cérebro e a boca,
espaço esse antes inexistente, e demoro mais alguns
segundos para responder. Fala aí, fessora, você
posaria pelada? Pensei que era engraçado ela me
perguntar isso. Como mudamos, ora pois, essa
carreira. A mocinha não quer saber se eu tenho
vontade de atuar em Lisístrata, de
Aristófanes, ou se já pensei em montar algum texto
de Maria Claro Machado, muito menos o que eu penso
sobre a influência de Plínio Marcos no teatro
brasileiro. Anda logo, fessora, fala aí. Posaria
pelada ou não?
Enquanto demorei os segundos combinados para
responder, me perguntei porque ela me imaginou
pelada. Sim, porque se perguntou, imaginou que essa
pessoa aqui tem condições de mostrar as peles em uma
revista. Ou alguém acha alguma outra definição para
posar pelada do que mostrar peles? Pensei em dizer
que não freqüento academia, já passei dos vinte e
cinco anos há algum tempo e não sou modelo.
(Foto: Prova da minha aula no Profissionalizante da
Casa dos Artistas. Os alunos André Innocêncio e Anna
Paula Barros encenam "Anjo Negro" de Nelson
Rodrigues)
Estamos confundindo tudo. Lá se foi morrer a
carreira artística. Antes as atrizes de teatro
conseguiam chegar às novelas. Agora, as modelos
entram em seqüência, enquanto quem luta no teatro
parece carregar a missão de ser para sempre
desconhecida, mostrando talento para poucos. As
modelos viram atrizes de uma novela para outra,
posam nuas porque carregam belos corpos e seguem
assim alimentando um mercado que exclui atrizes
despreocupadas com a bunda. Só entra se estiver com
os peitos em pé, querida! Se cogitar entrar na
brincadeira, tem que imaginar a possibilidade de
mostrar pentelhos para desconhecidos. Ou alguém acha
alguma outra definição para posar pelada do que
mostrar pentelhos?
Sejamos francos, colocaram magia em mostrar o corpo
em páginas de revista, mas na prática é como exibir
carne em açougue. Já pensou na quantidade de gente
que olha uma revista de pelada? É sempre maior do o
número de pessoas que comprou a dita cuja. Cada uma
delas se multiplica por muitos olhos curiosos,
tarados, incrédulos e por aí vai. Raras são as
revistas que recebem apenas dois olhos. Elas acabam
sendo vistas em rodas de amigos, em banheiros
públicos, em academias, parece que essa última a
seleção brasileira amou, até que a nova revista
chegue e a alma da pelada do mês possa descansar em
paz.
Você vai me mandar cair na real e olhar o dinheiro
que essas mulheres ganham. Realmente, imaginar que
alguém passou dois dias mostrando peles e vai ganhar
um milhão por isso é de babar. Parabéns para as
mocinhas que conseguem! Ou você acha que capa de
Playboy é fácil? Adoraria que autores, escritores,
roteiristas ganhassem tão bem assim ao escreverem
seus textos. Acho que em meu próximo livro, vou
explicar que fiquei nua nas palavras, tirei a roupa
das letras. Quem sabe chego perto de ganhar algum
troco a mais? Dinheiro não é tudo, mas nossos
valores trocados enriquecem apenas pessoas com
talentos superficiais. Quando podíamos negociar
melhor isso, dividir pelo menos.
Se eu tiro a razão de quem tem coragem de sair nua
em pêlo, mostrando peles e pentelhos? Não. Tem quem
pague, tem que ganhe, tem quem veja, fazer o quê?
Se eu posaria pelada? Tô escrevendo outro livro,
serve?
(Para título de informação: Uma famosa atriz, que
posou pelada esse ano, afirmou em entrevista jamais
ter estudado teatro na vida. Uma das últimas atrizes
que conquistou fama nacional depois de ralar anos no
teatro foi Camila Morgado que nunca posou nua).
Sobre a peça Geraldo Pereira
de
Tammy Luciano
(escrito em 05 de maio de 2004)
Muita gente reclama dos textos tristes que ando
escrevendo aqui no Blog. Amigos perguntam se estou bem,
leitores mandam mensagens de otimismo, correntes falando
da necessidade de confiar em Deus etc etc etc... Quero
acalmar vocês, dizer que estou ótima! De verdade. Aqui
no Blog, acabo escrevendo mais melancólica, mas posso
garantir que a vida real vai bem, ando curtindo meu
mundo novo direitinho. Muita coisa boa acontecendo,
posso garantir. Ando feliz, me cuidando e planejando
minhas conquistas. Estou pelo mundo, prestando atenção
nesse universo lindo.
(Foto: Bruno Dias e eu antes de começar o espetáculo
"Enlouqueceram e casaram". Nossa cara de pateta está o
máximo, Bruno! Também com esses figurinos. Já estou com
saudade!!!)
Fui ao teatro sozinha assistir "Geraldo pereira" no
Miguel Falabella. Sozinha, sozinha mesmo, sem ninguém. A
sensação foi boa. Me sinto como um bebê que aos poucos
começa a andar sozinho e descobrir um mundo um pouco
acima do que sua visão podia ver.
Assusto os outros quando digo que a solidão tem sido boa
companheira. Fazer o quê? Ela é aquilo que é, não faz
tipo, não me enrola, não promete, não mente, não me
deixa mais só do que declara desde o início em que
aparece. A solidão é isso e pronto.
Na ida para o teatro, as músicas que andam dançando na
minha cabeça atualmente. O bom som que adoro. Eu
cantando em voz alta. Alguém olha minha expressão de
animação, minha cena solitária no carro e sorri. Outro
alguém faz cara feia. Quantas vezes uma atitude minha
recebe sorriso e caretas como retorno ao mesmo tempo?
Fico sem entender como uma mesma ação recebe duas
reações tão opostas.
No Shopping, cheguei mais cedo, de propósito, para ter a
sensação de andar só, pensar só, respirar só e ser só.
Vitrines. Vitrines com roupas que eu jamais usaria.
Vitrines com sapatos que eu adoro olhar, afinal meu
gosto por pé me faz admirar a arte dos criadores de
sapato. Tenho falado muito em pé nos últimos dias.
Voltei a andar com os meus próprios sem ajuda de
ninguém.
Detalhe: sentei para assistir o espetáculo na cadeira 2
da fila A. Ou seja, cara no palco. Sozinha com a cara no
palco.
A peça "Geraldo Pereira" conta a vida do compositor de
samba que tantas músicas nos deixou. Ali, assistindo sua
história, um homem com uma vida pessoal cheia de tantos
desencontros, me perguntei se o artista foi feliz no
fim. Não. Morreu triste Geraldo Pereira. Morreu depois
de muito beber, brigar pela rua e perder a mulher amada,
Isabel, porque preferiu valorizar o sexo com mulheres
desconhecidas. Acabou arrependido. A mulher amada não
voltou mais, apenas quando ele morreu, velando o corpo
de Geraldo. Triste história.
Curioso conhecer a maneira como o compositor fazia suas
músicas. Fatos do dia a dia eram facilmente
transformados em letra e melodia. Conheceu uma baiana
que não sambava e logo a moça virou tema de samba. O
amor por Isabel, os momentos na música, tudo era samba.
A arte de cada um é o que vivemos, escutamos e somos.
Minha arte alguns dias é triste. Também é feliz. Eu não
sou apenas vazio e dor.
A graciosidade do espetáculo envolve o talento dos
atores. Alguém pode explicar porque nosso país valoriza
tanto os anti-artistas e deixa gente boa desconhecida
sem maiores divulgações? O merecimento no Brasil anda
caindo em mãos erradas. Conversando com a atriz Monique
Lafon, essa semana, ela disse: "Nossa carreira acabou".
Triste demais. Triste como foi a vida de Geraldo
Pereira. A direção do espetáculo, mesmo tendo seguido no
tom mais cômico, deixa a gente pensando sobre esse
mundo de sucesso que ao mesmo tempo traz tantos vazios
dentro da gente.
Ao final do espetáculo, voltei, escutando as mesmas
músicas animadas que ouvi na ida. Antes só do que mal
acompanhada, penso com o som do carro nas alturas. Boa
teoria essa. Não vou enfiar alguém nos meus dias só para
me exibir por aí. Estou me divertindo com a vida atual e
ela está limitada a mim. Aprendi a me virar sozinha e
não tem sido ruim. Pessoas andam acompanhadas para não
ficar só. A solidão é mais feia de fora do que dentro.
Quando estamos nela existe uma dose de paz que acalma os
dias. Diz o poeta que é difícil ser feliz sozinho. É
difícil, mas não é impossível. Por enquanto, é assim que
vamos, ou melhor, vou.
Ainda dirigindo, um outro carro pára do meu lado. Eu
cantando, me senti olhada e, vestindo a vergonha, olhei
para ver quem me observava. Um rapaz sozinho. Seria ele
um representante da solidão como eu? Não sei dizer.
Sorriu. Sorri em resposta. Difícil saber se ele sorria
para mim ou de mim. Denunciou que ia dizer alguma coisa.
O sinal abriu, resolvi acelerar e partir. O que o rapaz
ia dizer, não sei. A noite terminou como começou. Eu
sozinha, cantando, vivendo por aí...
Seguir a arte e ser feliz
de
Tammy Luciano
(escrito em 25 de abril de 2004)
Criei uma espécie de acordo diário comigo. Aquele dia,
esse dia, tem que render, tem que ser bom, divertido,
com conquistas. Ao deitar a cabeça no travesseiro, tenho
que dizer, valeu! Os dias têm sido bons. Momentos
especiais com amigos queridos. Conversas longas com meus
pais, sempre na cozinha, onde é o ponto de encontro
familiar. Ficamos ali, embalados pelo cheiro da boa
comida da minha mãe. As opiniões sendo expostas, os
pensamentos honestos, os pedidos familiares para que eu
me concentre em ser feliz. Eu prometendo ser feliz,
mesmo que isso faça o mundo achar que não sou lá muito
boa da cabeça.
Alguns dias, fico rindo sozinha. Não sou nada do que
esperam de mim e só faço aquilo que ninguém acha
possível. Definitivamente, sou um ser estranho.
Estranheza essa que me alimenta, me faz viva. Acredito
no que existe dentro de mim. Idéias fervilhando. Tratos
solitários de momentos que vou viver. Porque faço a cena
na cabeça e um tempo depois ela acontece. Sou a rainha
de desenhar mentalmente meu futuro. Errei algumas vezes.
Errei feio no início desse ano. Não aconteceu nada do
que minha cabeça idealizou. Quando erro, descubro que o
destino estava mais certo do que eu. E quando sou eu que
levo a melhor, adoro, porque as cenas seguem como
escrevi o roteiro da minha vida.
Fui na casa do André, amigo querido, nesse feriado. Uma
turma grande reunida, violão, vozes, música boa, a noite
correndo sem que a gente se desse conta. Todos amadores,
cantando na emoção. Até que alguém levanta, André com o
violão na mão, e ela desanda a cantar como fazem as
cantoras profissionais. Melodia boa de escutar, voz de
veludo que vai lá em cima sem perder o ritmo. Música que
não desafina na voz da moça. Os olhos fechados, ela
cantando com a alma. Todos com a expressão meio chocada.
Até quem sabia que ela cantava se emocionou. Quem não
sabia ficou com vergonha de ter cantado antes ou se
perguntou porque diacho passou a noite tagarelando
melodicamente se ela faria isso muito melhor.
Um tempo depois, a cantora sentou do meu lado. Falamos
da benção de Deus que era a sua voz. Perguntei se ela
nunca pensou em cantar profissionalmente. A história era
mais longa do que eu imaginava. Ela, simplesmente, ama
cantar. O problema gira em torno da negação da mãe que é
completamente contra uma possível carreira artística da
filha. Religiosa ao extremo, a mãe não aceita uma filha
cantora. Além de dizer não para a voz linda da pequena
que colocou no mundo, a matriarca a pressiona a não
seguir, não lutar. Se lutando o meio da música já é
difícil, imagina sem batalhar.
Sabe se lá porquê, fui colocada para estar sentada ao
lado da cantora. Em todo caso, acabei falando de mim, do
quanto acreditei que seria capaz de realizar, ao invés
de somente assistir o mundo da arte passando ao meu
lado. Disse a ela que entendi que muitos anos depois do
início do sonho, vem a pergunta chave: o que você fez
para realizar seu desejo antigo? Expliquei da alegria de
hoje me olhar no espelho e ter a certeza de que está
valendo demais meu suor. Inevitavelmente, todos nós
responderemos um dia a pergunta da realização interior.
E estaremos sozinhos, sem pai nem mãe, sem ninguém por
perto. Essa pergunta acontece quando está apenas você e
você. Mais ninguém.
Falei tanto sobre a necessidade de realizarmos nosso
sonho, enquanto ela me olhava emocionada. Sabia
exatamente do que eu estava falando. Disse que sabe da
certeza interior, desse desejo honesto pela arte.
Acredita que um dia não vai ter mãe nem ninguém como
barreira no seu caminho. Não quer fazer outra coisa.
Quer cantar. A gente quer escutar. Está formado, então.
Ah, como eu queria a vida mais fácil para todo mundo.
Comentei com a cantora que meus pais no início se
assustaram um pouco com meu desejo de atuar, escrever e
somente o tempo explicou que não seria eu a mocinha de
salto alto e blazer a andar no fórum da cidade. Eu era
do mundo do palco, com minhas calças coloridas,
pintadas, meus cabelos soltos, meus figurinos, minha
madrugada, meu sono que só acaba ao meio dia. Hoje, meus
pais não só incentivam como passam horas comigo
conversando sobre a minha carreira, conquistas e planos.
Minha mãe, ao ser perguntada outro dia sobre não ter
netos, respondeu: "Tenho sim. Eles estão em todas as
livrarias do Brasil. Minha filha me deu netos
literários!". E darei novos netos, mãe, literários e
humanos, netos lindos que chegarão no momento certo.
Minhas fragilidades de artista e mulher
de
Tammy Luciano
(escrito em 19 de abril de 2004)
(Foto:
Eu e Diego Braga. Ator que adoro de paixão!)
Estou aqui, pensando no fim de semana agitado. A vida me
puxando pela mão, me fazendo viver um monte de coisas.
Bons montes de coisas no momento. No
domingo, enquanto agradecíamos a platéia com casa cheia,
olhei bem aquelas pessoas e tentei registrar mentalmente
aquela imagem. O sorriso no rosto de cada um, o
barulhinho do aplauso que tanto bem nos faz. Uma alegria
sem tamanho que rondava quem estava no palco e quem
estava de pé, encerrando com chave de ouro o fim de
semana.
Essa semana, fui de noite com alguns amigos ver o mar. O
céu lindo tão certo, tudo tão na paz. Olhei aquela
imensidão azul escura e consegui ver Deus naquele céu.
Olhei o mar. O mesmo Deus iluminava a noite. As estrelas
ao longe me fizeram pensar no grão de areia que cada um
de nós é e no quanto nos achamos grandiosos, quando na
verdade somos um pequeno ser no universo.Nossos
problemas, aqueles que a gente consegue ver como
enormes, parecem pequenos com o céu de estrelas que
sorri pacientemente para nós.
Eu penso na pessoa que sou. Nas minhas fragilidades
andantes, porque onde estou, elas vão atrás, com seus
passinhos atropelados, seus rostos assustados, uma
fragilidade puxando a outra, cochichando cheias de medo.
Vou seguindo, deixando que elas segurem a barra da
insegurança. Então, a fila acaba maior do que deveria.
Estou eu, impávida, acreditando na força de ser, mas
atrás de mim caminham as moças fragilidades e a
insegurança, moça essa pior de todas, porque tamanho
receio fez dela uma pessoa sem cor, pálida, sem brilho.
Acha que se demonstrar alegria, luz, vai chamar atenção
demais. O medo faz da moça insegurança um ser sem graça
no planeta.
E isso não é tudo. Minhas fragilidades me fazem
acreditar que não serei capaz de sair do lugar onde
estou, mesmo sendo aqui um aconchego de carinho e
tranqüilidade. Caso não fosse, as fragilidades se
divertiriam mais e diriam que eu seria condenada a viver
o caos, porque não tenho capacidade de ir tão longe.
Também são as fragilidades que me dizem ser muito
difícil eu conseguir formar uma família, com alguém
especial, tendo filhos brincando felizes no jardim:
"Ninguém tem tudo que quer. Já anda realizada no
trabalho? Agradece e segue, porque felicidade total não
é possível. Já tem a companhia da labuta. Já tem o filho
livro nas livrarias, aceita e encerra o tema".
Minhas fragilidades alguns dias são bastante cruéis.
Foram elas que me chamaram de velha quando eu tinha
apenas 19 anos. Me disseram também que eu estava
horrível, quando passei alguns dias chorando. Elas
acabam sendo amigas íntimas daqueles que de alguma
maneira torcem para algo dar errado por aqui. Posso com
isso?
Só que ali, na praia, as fragilidades sentaram longe de
mim. A insegurança foi ficando extremamente incomodada
com minha maneira de confiar em algo MUITO maior do que
ela. As moças fragilidades bem que tentaram não dar
atenção ao meu momento. Ficaram por algum tempo molhando
os pés na água, correndo na areia molhada pelas ondas,
levantavam os vestidos com uma graciosidade que eu,
confesso, me pergunto se as fragilidades não tem algo
mais do que apenas fraqueza dentro delas. Charmosas,
pelo menos, as mocinhas são.
Olhando o céu, perdida em estrelas, de repente, eu,
minha insegurança e todas as fragilidades presentes
ficamos congeladas. Sim, lá estava ela, uma estrela
cadente. Linda no céu, rápida como só ela sabe ser e
exata, confirmando que eu tinha direito a um pedido
especial. Fiquei tão nervosa que fiz dois. A estrela
sorriu. Entendeu o recado e foi embora levando meus dois
pedidos atropelados, engasgados pelo susto do bem.
Prometeu ver o que podia ser feito. Espero não entrar em
uma fila muito demorada de pedidos cadentes.
Olhei para os lados, vi a insegurança caminhando ao
longe, indo embora, pés descalços pelo asfalto. Enjoou
de mim e ainda gritou ao longe: "Volto quando você
estiver triste!" As mocinhas fragilidades, simplesmente,
desapareceram. O perfume de flores delicadas foi embora
junto e aquela imagem de moças com aparência de ninfa,
pelo menos por enquanto, está apenas na minha mente.
Elas ainda não voltaram aqui no meu quarto, fazendo
aquela bagunça de sempre, com vozes esganiçadas,
repetindo em coro que eu não sou capaz de nada.
Aos poucos, fui percebendo o céu mais claro. Era o
amanhecer chegando. Voltei para casa, cheia de fé na
estrela que me visitou os olhos, entendendo que um risco
de luz no céu agora sabia o que eu quero e espero dos
dias. É esperar e viver.
Primeiro espetáculo, depois do hiato!
de
Tammy Luciano
(escrito em 17 de abril de 2004)
Aquela
sensação ainda está em mim. O olhar vivo das pessoas,
casa cheia, vozes, atores andando de um lado para o
outro, o calor das mãos dadas, a oração falada antes da
apresentação. Dissemos o famoso merda, querendo
reafirmar que desse tudo certo, que a peça acontecesse
da melhor maneira, que nosso público sorrisse com a
gente. Eu queria muito que "Enlouqueceram e casaram"
fosse um grande encontro, um recomeço.
É o primeiro espetáculo depois do hiato que passei. Meu
primeiro grande momento sozinha. Era hora de estar em
cena, sabendo que quem sempre me apoiou nas estréias não
estaria lá. Sim, eu tinha alguém especial, me dando o
maior apoio sempre que colocava no palco uma nova peça.
A vida, você sabe, nos separou e a estréia de ontem
seria a estréia de um novo ciclo. Eu sabia que ao acabar
o espetáculo, olharia para a cabine de som e ele não
estaria lá.
Sentada em cena, congelada, vi na penumbra daquela
iluminação proposital, a entrada da platéia, o coração
disparado, batendo demais, eu achando que teria um
colapso nervoso. Imaginei como seria terrível a autora,
diretora e atriz da peça tendo um ataque cardíaco na
frente do público. Começamos a peça e de repente o que
era tensão virou euforia, alegria e paz interior. Os
atores que esperavam seu momento de entrar em cena viam
com alegria os acertos no palco. Os atores que saíam de
cena chegavam na coxia com um sorriso no rosto. Estava
ali nosso filho, nosso espetáculo, nossa nova alegria.
Deus é muito bom comigo, porque para todos os lados que
olhei, vi amigos e pessoas me ajudando. Eu estava ali
vivendo o imenso valor da amizade. Pessoas queridas
demais doando seu tempo em nome de um laço de carinho.
Só sei hoje seguir, porque sinto a energia positiva das
pessoas. Não acredito nas pessoas que não gostam de mim.
Aliás, as pessoas que não gostam de mim não existem. Eu
não consigo ver quem não me interessa. Não escuto voz
ruim. Não bate mais em mim sentimento pequeno. Ele vem
na minha direção, mas com todas as bênçãos, volta antes
de bater aqui. A pessoa que mastigue sua dor
transmitida. Tudo já voltou para quem mandou.
Meus olhos só brilham na direção desse carinho que
recebo. Você não tem idéia de como sou privilegiada.
Agradeço todos os dias os abraços recebidos, essa gente
querida que divide momentos comigo e acredita que eu sou
capaz de alguma coisa.
No final da apresentação, agradeci olhando aquela
platéia linda, o teatro cheio, aquela energia, o barulho
do aplauso registrado na mente, para sempre arquivado na
cabeça. Principalmente, quando eu estiver bem velhinha e
os aplausos forem saudade. Agradeci a presença de todos,
expliquei que aquela apresentação era dedicada a todos
do planeta que sonham em estar no palco e infelizmente
não têm condições de participar dessa dádiva que é o
teatro. Depois, contei que algumas pessoas perguntaram
qual foi o tamanho da maconha que eu fumei para
escrever aquele texto. Disse em cena, mais que aberta,
que não fumo, não bebo, não uso nenhum tipo de
alucinógeno. Minha droga do bem é o teatro, porque me dá
euforia, alegria, animação sem precisar de nada químico
correndo em mim. E mesmo que meu texto parecesse uma
loucura, mesmo que as pessoas queiram saber de onde
tirei aquela história louca, explico que saiu tudo da
cabeça mesmo.
Bruno Dias, ator da peça, interrompeu minhas palavras.
Naquele momento, depois de olhar a cabine de som, eu já
estava chorando. Lágrimas de emoção, alegria, caíam sem
que meu dedo de diretora tivesse ensaiado. Bruno leu uma
carta linda e um trecho dizia tudo: "Passamos
momentos felizes durante o curso. Nos últimos três
meses, partilhamos de momentos difíceis com você. Alguns
veteranos, outros iniciantes, mas sempre juntinhos.
Tammy, gostaríamos de agradecer a oportunidade desse
grande encontro. Pedimos desculpas pelos erros, alguns
por experiência na arte e os demais por episódios
pessoais". Talvez a platéia não soubesse as
entrelinhas daquelas palavras, mas nós, grupo, sabíamos
o que cada linha dizia. Chorei muito, como nunca em
apresentação nenhuma na minha vida. Chorei por estar
começando uma nova fase com pessoas tão especiais ao meu
lado. Amo cada uma dessas criaturas que me fazem sentir
especial.
Ninguém encontra ninguém nessa vida por acaso. Saindo de
cena, entendi que não tenho mesmo nada de especial. O
charme é do teatro, essa arte viva que me faz esse ser
andante e realizado, e das pessoas que divido minhas
criações. A vida está na simplicidade das coisas.
Obrigada por esse momento!
Cansaço, ensaio e letras perdidas
de
Tammy Luciano
(escrito em 13 de abril de 2004)
Quem me olha de longe, sorrindo, dançando pela vida, por
onde passo sempre brincando, não tem idéia como a mente
anda acelerada. Hoje, tentei colocar um ritmo mais lento
no dia. Em vão. Pessoas telefonam, pessoas precisam de
mim, eu preciso de pessoas, me sinto andando parada e
parada, ando sem parar. Como sempre sigo querendo tudo
demais ao mesmo tempo, resultados imediatos de coisas
que necessitam tempo. Isso é a minha cara!!! Eu
gosto da vida como microondas e tenho pouca paciência
para comida feita no fogão.
Piorando o quadro do meu dia, a pintura embaçada, sem
imagem definida, o ensaio do espetáculo acabou sendo
ruim. O que para alguns atores foi um balde de água
fria. Para mim, foi o normal de ensaio. A gente sai
chateado, cheio de dúvidas a serem resolvidas, mas mesmo
assim é o que vale, porque as incertezas nos fazem mais
atentos. No nosso caso, tudo fica por conta da
irresponsabilidade de uma só pessoa (eu tenho 18 atores
em cena) que entende o teatro apenas como apresentações
públicas, esquecendo que ensaio é necessário. Quem sou
eu para explicar que antes do aplauso é necessário
labuta insistente e inconformada? Não sei mais se tenho
paciência com pessoas que só me apresentam problemas,
ainda mais no caso do meu teatro que é solução no meu
caminho. Chegamos até aqui, agora temos que seguir até o
fim.
Do lado de fora do teatro, escutei todos os comentários,
mas minha mente não estava mais ali. Acelerada como
sempre, a cabeça já estava no dia de seguinte do ensaio,
cheia de imagens de acerto. Meu otimismo continua sem
limites. Os ensaios essa semana serão seguidos, sem
pausa. Espero, até a estréia, preparar tudo. Por isso,
enquanto vozes corriam ali na reunião informal
pós-ensaio, eu estava distante. Alguém comentou minha
aparência preocupada. A imagem da Tammy cansada, vendo
bocas falantes por todos os lados, não era apenas ligada
ao ensaio. Eu ando cansada com os dias. Não tenho nada
de perfeita, imbatível e forte. Alguns pensam que eu sou
aquela que nunca cai, agüenta tudo essa moça! Tudo?
Estou cansada. Cansada. Cansada.
Cansada. Ando um pouco cansada de outras coisas. Ando
cansada, cansada. Pode ser que até o fim da semana, eu
consiga dormir direito e acordar melhor. O que,
confesso, acho difícil. Então, já estou cansada só de
imaginar como vai ser essa semana. Também estou querendo
falar menos de mim. Até porque ando processando
acontecimentos. Por isso, digo que anda difícil falar de
mim. Estou naquele famoso meio termo, quando algumas
novidades seguem, mas ainda não são fatos definidos.
Assim fica difícil falar de mim, mesmo que alguém queira
saber. Ando cansada de procurar palavras, quando somente
dentro de mim, elas andam no sentido certo. Só eu ando
sabendo dizer para mim o que sinto. Alguns dias me
pergunto o porquê de escrever, abrir meu verbo. Não
ando me sentindo confortável para tagarelar meus
sentimentos.
Melancolia e insatisfação. Pode durar até amanhã. Pode
acabar daqui a duas horas.
Estou indo dormir. Espero acordar melhor amanhã. Preciso
de sono, muito sono. São cinco da manhã. Melhor escrever
mais cedo, para publicar textos mais animados. O que
vale nisso tudo é acreditar demais no poder do bem. Fica
com Deus, porque você é importante para mim, certo?
No papel de professora
de
Tammy Luciano
(escrito em 13 de março de 2004)
Talvez
eu jamais tenha planejado ser professora de teatro.
Talvez, aliás, com certeza, tenha planejado um monte de
coisas na vida que acabaram não acontecendo. Isso deve
ter acontecido com você. A vida levando a seguir
caminhos novos, situações não esperadas, mas você foi,
foi e de repente encontrou uma felicidade diferente e
até melhor. Minha vida teve muito disso, a felicidade
diferente e até melhor. Quando eu planejaria escrever
uma biografia e me realizar tanto? Quando eu seria tão
feliz em dar aula na Casa dos Artistas? Quando me
imaginei tão escritora? Ter um Blog? E vida pessoal?
Nossa...tantas coisas aconteceram, tantas pessoas
conheci, tantas histórias vi, tanto amadureci. E cada
dia mais entendo minha vida ser uma felicidade diferente
e até melhor. Meu destino tem planos que não sei quais
são, mas deixo que me leve.
Ontem, na Casa dos Artistas, fizemos uma apresentação na
sala de aula. Cenas que gravei para que os alunos
pudessem ver depois. Eu não só comentaria sobre as
cenas, como falaria mais sobre dificuldades e acertos de
cada um. Com a ajuda do vídeo, seria mais fácil explicar
e indicar as questões. Assim, depois que combinamos como
seria feito o processo, seguimos gravando. Em uma das
cenas, uma aluna esqueceu o texto duas vezes. Eu disse
apenas: "Segue!". Ela seguiu. Ao final, saiu, e lá fora,
enquanto arrumava as roupas, chorou. Eu abri a porta,
disse que ela não chorasse e escutasse primeiro o que eu
tinha a dizer.
Fim da gravação. As cenas foram ótimas. Eu feliz demais
por conseguir trazer essa galerinha boa para mim.
Porque, na verdade, eles não têm que atuar para mim,
precisam fazê-lo por eles. Um sentimento de dever
cumprido em todos nós, fomos assistir à gravação. Na
cena em que a aluna errou, antes que eu dissesse algo,
ela, novamente, estava chorando. Expliquei que algumas
vezes nós não erramos na vida, mas também acabamos
fazendo algo absolutamente sem brilho. Foi, fez, mas sem
nada demais. Ela havia errado, mas havia atuado como
nunca antes. Havia sido grande na cena e encenado com
brilho e vontade. Só que eu não podia falar apenas do
lado atriz, seria necessário comentar a pessoa: "Você é
uma pessoa ótima, doce, mas precisa entender que é hora
de acreditar em você. Pare de se diminuir. Está sempre
nos grupos achando que eles estão quebrando seu galho.
Não pode ser assim, você tem potencial". Ela voltou a
chorar.
Normalmente, as pessoas sempre se assustam com meu jeito
sincero de falar. Isso já me fez perder pessoas e,
principalmente, fortalecer relações. Sempre fui assim.
Piorei ao longo dos anos, mas sempre fui de falar. Era
hora daquela aluna entender que precisava ser sua
própria parceira na vida. Não existe ninguém melhor do
que a gente. Quem não está com a gente é que está
perdendo, menina! Falei para ela dessa necessidade de
acreditar no nosso potencial. Brinquei, claro,
explicando que não era para ela invadir a aula se
achando melhor do que todo mundo e dizendo ser boa
demais para a turma. Seria sim, ela confiar em estar em
um grupo de igual para igual, falar sobre seus
sentimentos sem que eles, antes mesmo de saírem de sua
boca, fossem bobagens. Qualquer um fala bobagens.
Vimos a cena dela. O esforço intenso de uma pessoa que
ama ser atriz. Em cada marca certa, eu olhava para ela.
Olho no olho, tentando explicar na prática minha opinião
sobre estar na hora de confiar nela mesma. Ela me
olhava, lágrimas caindo, concordando. Rimos de algumas
situações criadas por ela, como bater com o leque na mão
do seu parceiro de cena. Atitude que nem o ator
esperava, mas funcionou magicamente. A turma riu com a
moça que não se achava boa para fazer ninguém rir. A
turma se emocionou com a moça que não se achava capaz de
emocionar ninguém. E a turma inteira dividiu com ela ser
hora de mudar. A gente precisa saber a hora de mudar.
Você pode ir, mas chega uma hora que diz: "Chega!". Pode
ser difícil, mas é necessário. Minha aluna entendeu ser
hora de dizer chega para o sentimento de diminuição. Ao
vê-la chorando, depois de tudo que falei, perguntei:
"Você está chorando de alegria, né?". Ela sorriu e
concordou. A moça que não se achava boa para sorrir,
assim o fez. Muitos sorrisos de alegria para você,
menina!
Os chinelos da operária
de
Tammy Luciano
29/10/2003
(foto reprodução: Diego Braga e Tammy Luciano no
espetáculo "Anjos que falam")
Um dia, conversando com Guti Fraga, meu querido diretor
na Casa dos Artistas, ele se autodenominou um Peão da
Cultura. O meu olhar superficial rapidamente detectou os
chinelos no pé do peão. Entretanto, Guti falava além do
vestuário simples, comentava sua alma além da imagem
óbvia. Fiquei uns dias pensando nisso. Pensando que
então, teríamos no teatro, ou no mundo artístico, não
somente peões, mas damas da cultura, empresários da
cultura, reis da cultura, filhos da cultura e até o lado
ruim, com assaltantes da cultura, ladrões da cultura,
espiões da cultura, vagabundos da cultura e por aí mais
onde a imaginação for e a realidade comprovar.
Durante os dias que pensei nessa declaração do Guti, me
perguntei quem seria eu nesse universo de cultura. De
que maneira me comporto quando faço uso da palavra arte?
Não sei ao certo se sou apenas uma só, ou se é o teatro
responsável por me arrancar as roupas e me vestir como
quer, cada hora com um figurino diferente. Sou a
batalhadora que ensaia sem parar e consegue seguir
trabalhando mais horas do que podia supor no passado.
Sou a estagiária sonhadora que sempre imagina seu
projeto sendo aceito por todos, sendo divulgado na
imprensa, sendo elogiado pela crítica, sendo ganhador de
muitos prêmios. Sou a dama bem vestida que recebe a
platéia na porta sorridente, agradecendo a presença de
cada um. Sou a atriz que adora estar no palco, abrindo
os braços para sentir mais um pouco daquilo que nem sei
explicar. E sou a funcionária que corta tecidos, pendura
fios, varre o palco. Sou a religiosa que torce para dar
tudo certo, sendo também a mulher que agradece mais um
dia de trabalho.
Por isso não me importo com mais nada. Não quero saber o
que acontece lá fora. Estou interessada com o teatro. Só
acredito nisso. E não paro para falar, só falo andando,
resolvendo meus sonhos teatrais. Não me importo se
inventaram com o teatro essa coisa chamada fama,
sucesso, se só com isso conseguimos o devido respeito.
Porque várias vezes percebo que a fama é abrir sua
intimidade e as notícias de agora só falam de seus
dramas pessoais. Eu não vendo jornal. Pessoas simples
não vendem jornais. Na era do escândalo quem trabalha no
teatro é que menos interessa. Por isso não saio daqui.
Não quero apenas aparecer por aí de sorriso bonito sem
ter o que falar. É preciso lutar para manter o fio de
arte que ainda luta para ser vivo.
Não sei se sou apenas boazinha e quero manter viva a
arte, ou na verdade sou uma dessas vampiras que só pensa
nela. Porque não escondo de ninguém que ser funcionária,
no sentido de funcionar, da arte é o que me mantém viva.
Alguns dias, acho viver chato demais. Em outros, acho as
pessoas insuportavelmente chatas. Alguns dias, não
consigo levantar da cama porque meu corpo dói. Certas
tardes, me pergunto o que estou fazendo nesse planeta de
homem-bomba e prostitutas sem rumo. Somente o teatro me
acaricia os cabelos e me prova que vale sim seguir.
Adoro quando, tateando no escuro, encontro meus chinelos
teatrais, me torno a moça de pijama caminhando por uma
cena marcada e me torno outro alguém que jamais imaginei
ser. Mudo minha identidade e a polícia não me prende.
Somente no palco dupla identidade é permitida.
Cá entre nós, o prazer de usar um chinelo é muito maior
do que uma sandália de salto alto. E é assim que eu
quero andar e ser. Uma operária cheia de fé na cultura.
Sem Sem autor autor
de
Tammy Luciano
02/09/2003
Com tristeza no coração, li a notícia: "O Prêmio
Shell de teatro, único a contemplar os profissionais da
área depois da extinção do Prêmio Governo do Estado, não
conseguiu destacar, entre as peças que estavam em cartaz
no primeiro semestre no Rio de Janeiro, nenhuma que
merecesse uma indicação ao prêmio de melhor autor".
Porque isso não é apenas uma notícia, mas um pedido de
socorro, um aviso, um toque do futuro em cada um de nós
envolvidos com a arte nesse país.
E a culpa é de todo mundo. Não só do autor. Nos tempos
modernos, precisamos de uma forte dose de otimismo para
aceitar o mundo cultural, hoje esmagado pela futilidade.
Os não atores atuam mais do que os atores; os escritores
são diariamente trocados por estrangeiros. Que
resultado, afinal, esperavam receber? Uma atriz outro
dia tentou explicar sua decisão de montar um texto
estrangeiro: "Não temos muitos talentos na escrita nos
dias de hoje". Nelson Rodrigues também não era bom no
tempo dele e somente os anos deram ao nosso autor da
intimidade brasileira a importância que tem hoje.
E cá entre nós, as máfias culturais só pioram tudo. Caso
você não esteja lá, não será convidado. Com grau de
parentesco então fica mais fácil. Um amigo escritor
comenta: "Mandei uns textos para aquele diretor e ele
jamais respondeu". O mesmo diretor montaria depois um
texto estrangeiro, pela centésima vez em cartaz no
Brasil. Mudam os atores, mudam os diretores, os autores
são os mesmos. Onde está a ousadia de nossas produções
em apostar em algo novo? Ou teremos sempre que assistir
à personagem principal indo na janela de casa, sofrendo
o conflito da trama, vendo a neve que caindo lá fora.
Neve? A gente não podia fazer uma pessoa falando dos
Silva, do sertão, das metrópoles brasileiras? O que
temos lá, temos aqui. E a neve que existe lá pouco
interessa aqui.
Porque não basta apenas ser um bom escritor de teatro, é
preciso ser lido e aceito por atores, diretores,
produtores. Se você é o desconhecido fulano de tal...
Quem? Se você não é amigo de ninguém e apenas se dedica
a criar sozinho, em casa, sem correr atrás de escândalo,
você tem 10% de chance de conseguir vencer.
Se nossos autores não estão conseguindo produzir bons
textos é por falta de visão de quem diz isso. Porque em
suma, os bons autores existem, os novos bons autores só
não são lidos. E os bons textos já nasceram. E as boas
idéias rondam o planeta. Os bons autores só não têm quem
os escute e guardam seus textos na gaveta, no arquivo do
computador ou mandam para alguém e não recebem retorno
algum. Onde está a oportunidade na prática? Quem por
aqui abre um espaço para experimentações? Vivemos no mar
do desânimo, da ausência de resposta. Esperando na
janela cair uma neve que nunca virá. Afinal, isso aqui é
Brasil.

Rogério Ator Cardoso
de
Tammy Luciano
24/07/2003
Quando perdemos alguém da arte temos a triste certeza de
não mais ter aquele talento invadindo nossa vida. Hoje
morreu Rogério Cardoso. Atores quando partem ficam
eternizados nas imagens e aparições feitas ao longo da
carreira. Rogério deixou muitas.
O que Rogério tinha demais dos outros? Mesmo em papéis
pequenos ou em momentos de pouco brilho, ele era luz e
tinha no palco e na TV seus sucessos. Por seu talento
indiscutível, por sua comédia na ponta da língua,
conseguia fazer rir nosso país de tantas dores.
Lembro quando a Escolinha do professora Raimundo passava
no fim das tardes. Lá estava eu rindo com Rogério
Cardoso. Desejando um dia fazer como ele, atuar e
emocionar as pessoas. Professor Raimundo, interpretado
por Chico Anysio, chama o personagem de Rogério, senhor
Rolando Lero, para uma pergunta especial. Rolando Lero
era do tipo esperto, não fazia feio na frente de
ninguém, mesmo sem saber as respostas, soltava o verbo:
- Senhor Rolando Lero...
- Oh, Amado Mestre, estou eu aqui, pensando na
possibilidade de ser esquecido.
- Imagine, seu Rolando Lero. Eu jamais esqueceria o
senhor. Me responda agora: quem é Rogério Cardoso?
- Rogério Cardoso? Como esquecer Rorô, amado mestre?
Seria ele um desses seres especiais, um mensageiro da
alegria?
- Isso mesmo, senhor Rolando Lero.
- Claro que essa resposta eu sei, conheço Rorô há muitos
anos e amanhã nós estaremos juntos.
- Não quero deixá-lo triste, mas nosso querido Rogério
partiu hoje para sua nova caminhada.
- Como? Rorô partiu? Por que não ficou mais um pouco?
Por que não se despediu de mim? Rorô foi para onde?
Paris? Nova York? Itália?
- Não, senhor Rolando Lero, Rogério Cardoso faleceu
hoje.
- Ah, então não devo ficar triste, amado mestre. Porque
é na vida eterna que personagem e ator se encontram.
Rorô e eu agora estaremos para sempre juntos na
eternidade.
- Nota dez para o senhor, Rolando Lero! Nota dez!
Morre hoje Rogério Cardoso. Um dos meus atores
preferidos. Ficará sempre a arte de Rogério Cardoso. Vá
com Deus Rogério Ator Cardoso.
Aquilo que esperam de você
de
Tammy Luciano
11/06/2003
Durante muitos anos, eu pensava em mim, pensando nos
outros. Pensava ser necessário vencer para não fazer
vergonha em casa, eu teria que ser sempre certa,
correta, exata. Assim daria orgulho aos meus pais, seria
tida como exemplo, minha família ganharia pontos nas
festas de fim de ano.
Com o tempo, comecei a perceber que minha felicidade nem
sempre estava dentro do contexto de acerto do que
esperavam de mim. Era o início do conflito. Eu seria
feliz para agradar a mim, ou seria feliz para manter
minha promessa de receber somente elogios na festinha de
fim de ano da família?
Os comentários paternos em casa sempre me fizeram
acreditar na felicidade profissional da liberdade:
"Felicidade não é só dinheiro, minha filha. Felicidade
vai ser você ter o prazer de realizar um trabalho
prazeroso, ganhando para isso e tendo muitas histórias
para contar". Em algumas dessas conversas com meu pai,
eu tinha vontade de gritar e dizer: "por isso não quero
fazer concurso público, por isso quero viver de teatro.
Por isso dividir meu tempo com ensaio, textos e com a
minha arte". Durante algum tempo, confesso minha máxima
culpa, fiquei lá sendo um pouco atriz, prometendo
trabalhar seriamente no jornalismo sério. E assim, minha
família me incluía nos comentários de fim de ano com a
seguinte observação: "Essa menina tem futuro!"
E eu? E o que eu realmente gostava de fazer? Lá estavam
duas pessoas em uma. A primeira atuava em teatro nos
finais de semana, era feliz demais no palco, adorava o
camarim, olhar a platéia, o rosto desconhecido que
assiste você com olhar carinhoso. Meu segundo eu, esse
carrancudo, parecia rascunho do primeiro, colocava
sapato apertado de salto alto e usava blazer, tudo que
mais detesto, e encenava ser uma jornalista feliz. Era
possível até me ver, tentando provar que tinha
capacidade de falar sobre PIB, renda per capita,
orçamento, gasto social...
Mas no fundo, no fundo, ao chegar em casa, ao tirar o
blazer, o sapato apertado, eu descobria que precisava
tirar muito mais do que uma roupa física, era necessário
desnudar minha alma, assumir meu desejo pela arte e
viver como sempre quis. Mesmo tendo cursado jornalismo,
e não me arrependo disso, hoje trabalho com a escrita de
forma alternativa. Gosto de escrever, de questionar, de
produzir a combinação de palavras que possa fazer o
outro pensar. Não quero mais produzir notícia, quero
estar dentro dela, sendo capaz de aparecer como autora,
como artista, como criadora.
Não sei ao certo quando dei meu grito de misericórdia.
Ou, talvez, isso nunca tenha acontecido, eu esteja
apenas imaginando uma dessas cenas que toda a família
está reunida na festinha de fim de ano e você diz: "não
quero ser o que esperam de mim. Quero ser aquilo que nem
eu esperava ser!". Pronto, a família toda chorando, a
vovó querendo desmaiar, cai de pernas para o alto, a
calcinha parecendo: "Artista, meu Deus!". O fato é que
hoje não sou mais quem era, ficou apenas uma dessas duas
pessoas em mim. Alguns notaram, outros não entenderam
bem o que quero ser quando crescer, acho que não vou
crescer nunca, e me aconselharam a voltar atrás. Passo
dado, assunto encerrado.
Tirar a roupa na frente de mim, conhecer mais do meu
corpo real, sem máscara, meu próprio mar, meu céu,
minhas terras. Posso ser feliz me realizando sem
rótulos. Não sou só jornalista, não sou só atriz. E me
deixem assim. Sou artista, sou eu da forma que realmente
quero e não da forma que as pessoas querem que eu seja.
Felicidade é ser a sua felicidade e não a dos outros.
Quando somos o outro
(16/05/2003) de
Tammy Luciano
Ator tem que ser verdadeiro. Essa foi umas das primeiras
lições recebidas como aluna de teatro. Isso há uns 15
anos atrás. Eu era ainda muito menina e, talvez, esse
conceito de verdade fosse difícil de entender como um
todo. Com o tempo mergulhei fundo nessa idéia
e acabei
aproveitando o substantivo para aplicá-lo na minha vida.
Ser verdadeira me fechou portas
e trouxe algumas inimizades, mesmo assim quem eu
conquistei está do meu lado até hoje e o que conquistei
se tornou concreto na minha existência.
Voltando ao teatro, somente o tempo nos faz entender o
peso de ser sincero com a profissão, com essa arte tão
exibicionista, no sentido claro de mostrar à platéia um
trabalho, que é a representação. E como a verdade
interfere na criação de uma personagem! Não adianta
atuar com a interpretação feita só no exterior, da boca
pra fora, tem que ser um exercício mais fundo de sentir
verdadeiramente aquela personagem, de ser e agir como a
criação do autor indicou.
Aí aparece a moradia do
pecado de muitos atores. Alguns acreditam ser mais fácil
não ir fundo na pesquisa, usar aquilo que já existe,
aproveitar seus conhecimentos e suas próprias
características para absorver o personagem em si mesmo.
Tudo por uma exibição do próprio corpo, de demarcar os
limites do talento, de mostrar para o amigo-aluno ser
melhor do que ele. A preocupação em provar um serviço
teatral destrói qualquer possibilidade de crescimento
artístico. Porque essa luta de conquistar seu espaço
deve ser feita entre você e você. É dispensável mostrar
ao outro. Ele perceberá com o tempo nas suas atuações
estudadas, sentidas, verdadeiras. O ator exibido deixa
de ser ator, mostrando uma caricatura de ator perfeita
somente para ser olhada por uma platéia.
Agora, como conquistar essa verdade nas atuações? Como
minha personagem deve estar em mim sinceramente? O
primeiro passo é deixar de lado seu ego. O seu eu não
importa mais do que o eu da personagem. Sua
individualidade mesquinha ajuda se for esquecida. Se eu
me preocupo em não ficar feia no palco, ou de sempre
aproveitar uma cena para mostrar meus dotes físicos,
estou me achando mais importante do que a história, a
personagem, a idéia do autor. Se é preciso me jogar no
chão, me sujar, me ver feia, cortar minhas unhas
francesinha, picotar meu cabelo, eu farei isso. Se a
história está pedindo, eu não posso ficar em cima do
salto, preocupada como vai ser minha vida sem dez
centímetros a menos de cabelo.
O ator é um grande intérprete, mas não interprete de sua
própria vida. Eu estou no palco ciente de quem eu sou a
personagem,
o outro, e naquele
momento do espetáculo me deixo de lado. Conheço a
história, sei quem é o autor, pesquisei a época, cada
objeto de cena está ali e eu sei o motivo. Junto com
todos os artifícios do teatro, vou me vestir da
personagem e aos poucos vou mais
longe do que uma roupa, vou andar, olhar, pensar como o
outro. Eu não morri, estou ali e muito menos existe
nessa labuta de atuar um lado espiritual de receber uma
personagem, um santo, como alguns acreditam. O segredo é
apenas a personalidade do ator, o seu passado, suas
raízes e sentimentos passarem a ser menos importantes do
que a personagem. Posso até emprestar para essa
personagem alguma característica minha, isso não é
proibido, mas só faço quando necessário. Muitas vezes um
gesto meu ajuda a platéia a entender melhor um
sentimento de quem estou interpretando. Nesse caso,
posso ceder da mesma forma que no dia a dia absorvemos
atitudes, gestos e linguagem de amigos e familiares.
E o que eu faço com minha vida particular? Se eu tive um
aborrecimento na vida pessoal, não levo para o palco. Se
tenho alguma diferença com outro ator não é no palco o
momento de resolver isso, porque se minha personagem ama
o outro ator e eu não sinto o mesmo, qual sentimento
deve prevalecer? Naquele momento, na caixa teatral, eu,
em nome da personagem, amo o outro ator.
Quando existe verdade em agir no palco e quando nossa
crença não tem barreiras, tudo flui. O aprendizado
técnico aliado a esse sentimento de acreditar permite
que a história seja bem contada. A platéia sai
acreditando que por uma hora você era a mocinha, com
passado e presente de decepções, ou que você é o rapaz
malvado, matador, sem pena de ninguém. Cabe a você, no
camarim, voltar a você. Renascer a cada espetáculo e
assim aprender que a verdade da cena será sua verdade.
Uma sinceridade de ser, agir e atuar numa profissão em
que podemos ser muitos e voltar sempre a nós. E esse
voltar a nós é o melhor da história.
Fé e pé...
Fazer sorrir ou fazer chorar?
(17/04/2003) de Tammy Luciano
Outro dia, esperando
para dar aula, pensei que tenho feito bem menos teatro
do que gostaria. Atuo mais na vida, nos passos diários,
do que no sagrado palco. Por que, diga lá você, para
seguir a vida é preciso arte, não é mesmo? Não tem sido
fácil enfrentar as dores do dia a dia. Somente um certo
ar de encenação nos faz aceitar tantas diferenças,
inseguranças e
discriminações. O menino morre de fome do seu lado e
você finge ser
normal. E aos poucos vai sendo mesmo. Acontece tantas
vezes, nosso teatro vai ficando tão real e de repente
vira verdade aceita: o menino morto pela fome, o rapaz
morto pelo crime, o filho drogado morto pelo pai e a
velhinha morta pelo esquecimento.
Na hora de decidir que
peça faria com alguns alunos, escutei algumas pessoas
comentando que nossa melhor opção seria a comédia. O
mundo já tem drama demais, está tudo tão pessimista, tão
triste. Vamos alegrar as pessoas! Pensei alguns dias no
assunto e acabei optando exatamente pelo contrário.
Escreveria sobre os dramas do dia a dia, falaria de
nossa dor para quem fosse assistir.
Minha pergunta era uma
só: quando a tragédia estivesse ali, na cara da platéia,
ela reconheceria
o próprio problema, ou
algo que tenha vivido?
Eu sou aquela mulher
amargurada, eu sou aquele homem traidor, eu sou aquela
dor, aquele vazio. Eu queria fazer brotar pensamentos e
não apenas apagar por uma hora e meia o problema de cada
um. E aí, desculpa os problemas alheios, era hora de
falar dos problemas universais!
Isso não significa que
amanhã, em outra apresentação, eu não opte por abrir a
porta da alegria e falar apenas dos momentos felizes que
cada um de nós tem direito a viver. A felicidade também
pode e deve ser retratada no teatro, nosso espaço de
arte. E talvez seja mesmo uma tremenda maldade falar da
dor quando ela já é tão funda. Massacrar a pele quando a
ferida amarga da realidade é pouco, perto de uma cena no
palco. Não me interessa. Mesmo com platéia pequena,
mesmo com pouca gente vendo, mesmo sendo teatro, com
poucos lugares e não televisão com milhões de olhares,
quero verbalizar nossa realidade. O papel ruim de cada
ser humano estará ali, estampado em cada ator.
Pergunto-me onde está meu teatro? Onde está o palco que
aceitei fazer para mudar o mundo? É cada dia mais
difícil encontrar artistas engajados em nosso mundo,
alguns parecem perdidos em suas próprias contas no
banco. Não é importante ficar rico, não é necessário
muito aplauso, é apenas maravilhoso imaginar a arte
fazendo a parte dela, mudando a mente das pessoas.
Mudando cabeças para melhor, alimentando nossa fome de
ser o poder do bem. Crescendo no teatro, na vida real.
Deus, dizem as religiões, nos ofereceu o Planeta Terra.
Será que isso é o melhor que sabemos fazer com nossas
vidas?
Que o teatro seja sempre um grande agitador de platéias,
um grande articulador de mudanças, um peso a mais em
nossas transformações. E que Deus jamais se arrependa de
ter nos dado essa chance. Deus também criou o teatro!
Fé e pé...
Em poucas palavras (carta aos alunos)
(03/2003)
de Tammy Luciano
Estive pensando essa semana em vocês, nessas novas
pessoas que estão chegando ao curso profissionalizante.
Acabei lembrando de mim, do meu início como atriz, do
que realmente me fez apostar nessa labuta de ser artista
e viver da arte. Mesmo que todos aconselhassem minha
mudança profissional, mesmo escutando todas as
dificuldades, resolvi apostar na felicidade. Não
adiantaria ganhar dinheiro como advogada, passar para um
concurso público. Sim! Eu queria o público, não o
concurso. Queria a platéia. Hoje, uma certeza me
acompanha: sou feliz! Uma felicidade real sem direito a
depressão, alegre por caminhar, mesmo que seja de
chinelo, em direção ao que eu sempre busquei.
Não posso negar que algumas mudanças ocorreram na
carreira artística com o passar dos anos. Hoje em dia
são aceitos no mercado indivíduos, auto-intitulados
atores, sem ter noção da técnica, sem interesse na arte,
mostrando claramente estar bebendo na fonte da
interpretação, apenas pela fama, pelo dinheiro e pela
possibilidade de ser alguém com projeção nacional. Os
atores acabam sendo substituídos pela gente que veio
graças ao escândalo. Não é raro encontrar pessoas com
legenda de ator sem jamais ter colocado os pés no
teatro. Confesso que, em algumas noites de silêncio, me
pergunto o que será de nossa interpretação. Entendo como
ator aquele profissional interessado em estudar a arte
do palco, buscando informações, leitura, aprendizado e
ensaiando exaustivamente.
É por isso que amo essa idéia de curso, aula e ensino
teatral. É a possibilidade de imaginar nossa carreira
novamente sendo feita por quem conhece do assunto. E
vocês vão notar, quanto mais estudamos teatro mais
tomamos ciência do quanto é necessário entender para ser
alguém do ramo. Não basta apenas querer atuar, é
importante deixar correr as horas ensaiando, entendendo
o mecanismo de agir em nome de uma personagem,
esquecendo nossa essência para convencer como alguém que
muitas vezes não temos nenhuma semelhança.
Aprendi nessa vida que o ator é um dos profissionais que
mais tem história para contar. Também deve ser um
observador e jamais deixar de lado a criatividade. Esse
é o grande exercício na vida teatral. Questionem,
mergulhem na verdade do trabalho e façam a arte com suor
e garra. Aproveitem o período na Casa dos Artistas para
dar o máximo de si nas aulas, tentando superar as
barreiras e aprender.
Posso garantir que, anos depois de iniciar no teatro, ao
término de um espetáculo, as palmas me fariam sentir o
que nenhum outro trabalho conseguiria: um arrepio na
alma, uma conexão com o astral, uma surpresa ao ser
envolvida pela força do aplauso e a energia da platéia
agradecida. Aquele era o sinal definitivo e o aviso
verdadeiro para continuar buscando minha realização
profissional, pessoal e espiritual, através de um
trabalho contínuo. Porque o ator não para nunca!
Que estejam bem-vindos os alunos antigos e sejam
bem-vindos os novos. Façamos um só grupo, com um mesmo
objetivo: aprender o teatro em sua grandeza!
Fé e pé...
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