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05
de março de 2005, sábado. Eu vou
criar você para você me amar, porque eu me amo...
Eu tenho orgulho de viver no mundo real, com pessoas que,
realmente, existem. Essa coisa de internet anda fazendo
muita gente viajar e criar pessoas. Fico pasma. E é uma
história atrás da outra. Gente que mente o próprio jeito de
ser para conquistar pessoas, gente que inventa gente que
gosta da pessoa para se sentir melhor e passar para os
outros uma idéia de ser a mais querida do pedaço. Abro a
boca com essas coisas que me contam ou eu descubro. É de
cair no chão você descobrir que alguém criou uma outra
pessoa, com nome, vida própria, estado civil, cidade para
bajulá-la e dizer que a pessoa é o máximo. Tenho orgulho de
dizer que todo mundo que visita meu site, me escreve e deixa
recado aqui existe de verdade. Por isso, alguns dias apenas
cinco comentam. Podiam ser 100, caso eu tivesse saco de me
bajular 95 vezes. Tá louco, meu! Como diria meu amigo João,
de Sampa. Quando a Amandita resolveu fazer o
"Nós amamos Tammy Luciano"
no Orkut só fiquei sabendo quando estava pronto. Imagina se
eu ia criar alguém que não existe para dizer que a Tammy é o
máximo, linda, isso e aquilo o outro.
Conversando com uma pessoa que conhece uma dessas histórias
de mentira em internet, ele disse que a pessoa foi sempre
assim. Acompanhou de perto, quando existia proximidade entre
os dois, a pessoa criando personagens para seu bem estar,
e-mails falsos para atacar alguém e seres inexistentes para
proveito próprio: "Criar pessoas para ela é a coisa mais
normal do mundo. Isso ela sempre fez. Fez isso várias
vezes". Ele me explicou que isso era feito por ciúme, para
se aproximar de alguém que ela queria ofender...xingar
alguém com nome falso era mais fácil para ela.
Não é difícil descobrir a verdade em internet. Junte os
caquinhos, as falas, as escritas, pensamentos e você chega
na verdade. Pode ter certeza. Gente que não coloca foto, com
desculpa esfarrapada como "não gostar de se expôr" e,
coincidentemente, ataca alguém, odiando tudo que puder da
outra pessoa, para ofender, pode estar sendo na verdade quem
não tem coragem de assumir seus sentimentos. Eu fiquei um
tempo de boca aberta pensando como estará essa pessoa no
futuro, sabendo que mentiu achando que assim a felicidade ia
ser dela. A felicidade pode ser de todo mundo.
O ser humano tem uma mente fértil e acaba mentindo e
enganando achando que vai se dar bem e lucrar com isso, mas
mentira é uma coisa que sempre aparece. Fora ser muito feio,
né? Eu fiquei sabendo de pessoas que escreveram para a Rede
TV! me elogiando. Eu jamais faria isso. Todo mundo que
mandou mensagem para a emissora fez porque quis. Acredito
piamente que não há mentira que não encontre a verdade. Eu
lamento pelas pessoas que os mentirosos conquistam fazendo
isso, porque não acho certo alguém agir assim. Na minha
vida, sempre joguei com a real das coisas e todo mundo que
vem aqui e comenta, existe, é real de verdade.
02
de março de 2005, quarta.
O mundo do
menino ...
Hoje conversei com uma pessoa querida demais. Ela acabou
falando de um homem que se arrependeu muito de atos que
cometeu, de atitudes completamente impensadas que mudaram
para sempre o rumo da vida. Porque depois das escolhas
feitas, o mundo mudou e o que era antes simplesmente não
volta. Acho que a grande diferença entre a infância e a vida
adulta é essa. Quando a gente é criança o mundo é nosso, o
nosso mundo pode mudar e voltar para o mesmo lugar quando a
gente quer. Em dois minutos, as brigas entre crianças
acabam, as maiores mágoas são terminadas com um "deculpa",
falado com biquinho e tudo. Mais velhos, as coisas não são
assim. A gente tem que aprender que tudo que a gente faz tem
um resultado e as desculpas podem amenizar, mas muitas vezes
fazem mudar um destino inteiro.
Eu senti pena daquele homem, que, claro, não passa de um
menino ou para ser mais exata, um moleque. Pena dele ser tão
bobo e não saber o quanto vale um relacionamento de
fidelidade e verdade. O quanto é maravilhoso você ter alguém
de verdade do seu lado, alguém para dizer que quer ter você
para a vida toda, alguém para ser um só do seu lado.
Infelizmente, algumas pessoas são assim, jamais terão uma
grande história de amor, jamais viverão um sentimento
verdadeiro. E isso é fazer pensar. Você acha que o cara
mudou o mundo, fez girar a vida inteira para viver um grande
amor. Só que a verdade não é nada disso. Grandes amores não
traem, não são mentirosos e não arrumam desculpa para
desejar outros.
De certa forma, quem tem alguém de bem ao lado tem que
agradecer. Hoje em dia, mais do que nunca, penso eu, é
difícil você encontrar alguém que queira uma história de
verdade, dividir o dia a dia. O que muitos querem é sexo,
noites e mentiras. Aí fica um aqui, traindo como pode. O
outro ali, traindo como acha que deve ser. Se você tem
alguém legal do seu lado, que faz você feliz, pense antes de
qualquer decisão carnal, porque o mundo é alma e não desejo.
E desejos vão e vem e deixam você sozinho nos finais de
semana.
Fiquei com pena, mas a escolha foi dele e como não tenho
nada com isso, saio de fininho, deixo a mensagem para você e
vou...
Acho
que é mais ou menos assim...
Eu sou um ser curioso. Sim, eu deveria ser entrevistada para
essas estatísticas engavetadas durante cem anos e que um dia
assustam os seres do futuro. Tudo isso porque eu sou um ser
curiosamente guerreiro e não assimilo muito as coisas ruins
que acontecem ou me dizem. Não vivo da dor, vivo do amor.
Frase rimada, mas verdadeira. Sei lá, vou seguindo e sendo
feliz. Isso me ajudou a conquistar meu lugarzinho mais perto
do sol, já que eu, simplesmente, apaguei as vezes que alguém
me disse que eu não chegaria a lugar nenhum, que eu não
levava jeito, que eu não tinha olhos claros etc...eu escutei
de tudo, senhores. Segui, sempre esquecendo o que me era
dito de ruim. Ou você acha que eu desisti só porque minha
mãe esqueceu de colocar em mim a sementinha daqueles olhos
claros, lindos, que Deus deu para ela? Nada disso. Assumi
meus olhos escuros, descobri que posso sorrir e fui.
Outro dia, encontrei de frente uma pessoa que não esperava
nada de mim, simplesmente, não me curtia, queria me ver
pelas costas, como dizem por aí, e fez de tudo para me
detonar no trabalho que tínhamos em comum. Eu de microfone
da Rede TV! na mão, não quero usar meu trabalho para provar
nada para ninguém, mas senti a surpresa da pessoa, o olhar
reflexivo dentro de si, as perguntas, milhares, indo e vindo
pelos neurônios que se perguntavam como eu estava ali no meu
trampo de repórter. Consegui com trabalho, pessoa!
MUITO trabalho. Foi como eu disse aqui, no blog do dia 14:
E antes foi o quê, meu Deus? Não valeu? No pouco tempo de
cara na TV, a gente confirma a força da televisão. É como se
tudo que eu tivesse feito antes - teatro, livro, escrita,
batalha - fosse bacana, mas ainda não fosse sendo, entende?
E só agora está valendo. Eu não vou usar meu trabalho
para tirar onda com ninguém. Eu quero é ser minha vida e
minhas conquistas. Não me preocupo em provar nada, em
mostrar sucesso para fulaninho se sentir incomodado. Tô
feliz e tchau para quem quiser meu tchau.
Eu acho, aliás, tenho certeza, suas conquistas estão
diretamente ligadas ao quanto você acredita nelas. Olho para
os famosos que entrevisto e eles são iguais a todo mundo.
Posso ver o sonho inicial dentro de cada um, o dia em que
começaram a acreditar naquilo que queriam, independente do
caminho escolhido, sem duvidar de si mesmo ou colocar
areiazinha. Porque a gente mesmo critica e impede nossos
sonhos. Eu já fui censura e ditadura dentro de mim. Depois,
o tempo vai passando e você vai percebendo que o negócio é
seguir, mesmo quando você não agrada todo mundo.
Portanto, dedique-se a você, esquecendo se o mundo está
sendo bom ou ruim. Plante, entenda que colher é depois, e
seja feliz antes, durante...sempre! E se você provar que era
mais do que alguém imaginava, isso é o de menos.
Pode
ser que eu pense assim ou pode ser que eu queira apenas
cutucar você...
Sei que assusto as pessoas. Sempre foi assim. Nunca fui de
meio termo, vou fundo nas coisas. Isso, claro, cria aquele
universo do ame ou odeie. Nunca fiquei sabendo de ninguém
que dissesse que sou dessas "tanto faz, não fede, não
cheira, indiferente..." Ao contrário, fui sempre um vulcão,
uma bomba nuclear que por onde passa causa estrago ou traz
soluções. A Tammy todo mundo sabe quem é, todo mundo acha
que conhece, acha que sabe de mim e assim me amam, me odeiam
da maneira que estão me vendo. Penso que não sou nada disso
que acham de mim. Concluo que vivo aprendendo coisas e todos
os dias sou alguém novo, um ser que a vida anda do lado,
mostrando o caminho. Quem me conheceu anos atrás acha que
sabe de mim? Eu mudei. Quem era íntimo meu há um mês atrás
também já não sabe de mim. Esse mês de fevereiro, talvez,
tenha sido fundamental na minha estrutura de pensamentos.
E
alguns dias eu gostaria de ser alguém mais simples, menos
pensante. Se é que no mundo existem seres menos pensantes.
Sei que existem seres mais frios, menos emocionais do que
eu, mas pensantes todos somos, não é mesmo?
Atualmente, assusto as pessoas quando digo que não acredito
em mais ninguém, em mais nada. Vejo os olhos arregalados na
minha direção, a decepção de quem escuta um absurdo. Alguns
dizem que sou jovem, isso é momento, vai passar etc etc etc.
Não penso mais em futuro e por isso mesmo não quero saber o
que estarei pensando amanhã. Se vou mudar de idéia? Não me
interessa saber. Hoje, o que interessa é minha carreira,
minha saúde, minha vida, meus textos. Alguém nisso tudo? Só
eu. Vai ser difícil querer algo além do meu umbigo. É aqui
mesmo o assunto, é na piscina da minha barriga que eu quero
nadar.
E
quando alguém tenta conversar sobre amor, sobre estar, sobre
seguir, acho graça, porque a pessoa diz e eu não acredito em
nada. A visão que tenho hoje é que pessoas só se apaixonam
se o outro for bem de vida. Os homens só querem as mulheres
gostosas. As mulheres só querem homens quando eles têm
carro. Eu não quero mais isso para mim, vou viver para um,
eu. E a história de dois não faz mais sentido na minha
cabeça. Você vai dizer que enlouqueci, não posso ser
radical, não posso generalizar. Não estou generalizando,
pelo contrário, estou me tirando do geral, estou saindo
disso.
Você vai me perguntar: e o poder do amor, Tammy Luciano? Ah,
o poder do amor! Lindo, lindo, lindo...quando ele existe.
Amor cura dor, mata vícios, salva almas. Sei disso e
concordo plenamente. Outro dia mesmo, escrevi aqui que ainda
acredito nisso, no amor sincero. Sou contraditória sem a
menor vergonha. O problema é que duvido que a beleza do amor
verdadeiro esteja por aí dando sopa nos dias e nas noites do
mundo. Eu não tenho mais espaço para dedicar dias da minha
vida, não quero mais gastar minha voz, meu carinho, não
posso mais apostar, não agüento mais esperar, não vou mais
desejar, não quero e não vou. Se isso vai mudar em mim? Pode
ser. Semana que vem posso dizer que voltei ao amor...ou
posso ficar mais cinqüenta anos acreditando só em mim. A
única coisa que não quero é sofrer.
O
mais triste da vida é o amor morrer abandonado. Não quero
mais isso para mim...
Não
sei mais nada. Quem somos nós?
Posso confessar uma coisa? Não sei mais o que pensar das
pessoas. Sempre soube que o mundo material havia nos
devorado, muitos de nós andavam vivendo em busca só do ter.
Só que aos poucos fui descobrindo não ser somente o lado do
concreto que nos afeta. Existe algo mais, sentimentos que
envolvem verdade, porque mesmo que a pessoa possa ser
sincera, ela prefere não ser...o Blog de hoje deve sair
picotado, porque é assim que minha mente está.
Essa conversa não tem a ver com a minha vida pessoal e não
estou aqui para falar de ninguém próximo. Pelo contrário,
acabei sendo coadjuvante de uma história distante de mim,
acabei presenciando um fato e fiquei fazendo perguntas,
tentando entender os motivos e, confesso, nem sei o que
concluir.
Sabe quando você está no lugar errado, na hora errada? Foi
mais ou menos isso. Eu saí de uma gravação e resolvi comer
com a equipe. Acabei encontrei uma pessoa, conhecida, mas
ele estava em uma situação que, com certeza, não queria ser
visto por ninguém. Eu demorei a entender a cena, até porque
não somos amigos, apenas conhecidos. Ele fez questão de vir
falar, pálido, conversamos por alguns minutos. Me fiz de
idiota. Quem estava com ele não sabia quem era eu. Quando
descobriu, entendeu o tamanho do problema e passou a repetir
sílabas como ele. Não sei o que fazer, porque no meio disso
tudo tem uma pessoa que eu adoro, mas odeio fofoca.
Não tenho certeza da cena e só de imaginar o tamanho da
traição, sinto um arrepio na espinha, na alma. Me pergunto
se ainda existem pessoas por aí acreditando no mesmo que eu.
Porque eu penso na vida a dois, em uma relação verdadeira de
deitar a cabeça no peito do outro e ser feliz até o
amanhecer. Quero escutar a melodia mais bonita do mundo ao
lado de alguém e esperar o sol surgir para iluminar nossos
dias. Parece que o mundo não quer mais gente assim. Todos
decidiram beijar quantas bocas forem possíveis, sem ir fundo
no encontro, sem ser parceiro de caminhada. Mulheres dormem
com homens que mal conhecem. Homens seduzem sem interesse,
só para aumentar uma contagem mental. Ninguém mais tem plano
com ninguém e quando você tenta planejar, a pessoa se
assusta. Infelizmente, o mundo lá fora seduz e chama, mas
ele é ilusão. Quem está lá fora diz: se eu posso ter todas,
por que vou ficar só com essa? Cada dia menos acredito no
ser humano, na verdade dos sentimentos. Você pode dizer que
isso é passageiro, Deus escute você, porque no momento não
quero acreditar em mais nada, nem em ninguém. Os dias só me
provam o quanto os corações andam cérebros e quanto os
cérebros andam superficiais. As mentiras viraram verdades.
Quer saber? Estou pensando em virar freira...deve ser mais
fácil viver na clausura...
Devem,
devem, devem...
(Esse texto foi escrito, ironicamente, ao som do cd Bloco
do Eu Sozinho, do grupo Los Hermanos)
Carnaval. Os blocos devem estar na rua. A Bahia deve
estar fervendo. As Escolas de Samba devem estar entrando na
avenida. Meus amigos devem estar curtindo o carnaval em
outras cidades. O samba deve estar contagiando. A fantasia
deve estar linda. Os beijos devem estar sendo sem muito
compromisso. Os olhares devem estar iluminados. Eles devem
beber até cair. As bebidas devem estar alcoólicas. Os trios
elétricos devem estar animando a multidão. Os camarotes
devem estar com as mesmas pessoas importantes de sempre. Os
policiais devem estar tendo trabalho em dobro. Ninguém deve
estar muito preocupado com problemas. A família deve estar
reunida no churrasco. Ela deve estar feliz nesse carnaval. O
rapaz deve estar querendo ficar com todas. As estradas devem
estar com tráfego intenso. As luzes devem estar coloridas. A
menina deve estar sorrindo para o desconhecido. A delegacia
deve ter os mesmos problemas dos carnavais anteriores.
Copacabana deve estar cheia de turistas. Muita gente deve
estar ganhando dinheiro nesse carnaval. Muito pé deve estar
doendo. Os convites para a bagunça devem estar correndo por
aí. Os refrigerantes devem estar matando muita sede. Pessoas
devem estar exorcizando as dores da vida pulando sem parar.
A galera da farra deve estar feliz. Alguém deve estar lendo
esse texto...meu próximo carnaval deve ser melhor que
esse...ou não...afinal, o carnaval ainda não acabou...
Ainda
acredito...
(Sentada na escadaria do casarão da Casa dos Artistas
escrevi, olhando o lindo céu e lembrando da doce voz da
cantora Norah Jones)
Amores. Amores de todas as cores, formatos, inícios, lindos
momentos, intensos, de beijos em que perdemos o tempo e o
chão. Em batidas de coração, seguindo sem saber do amanhã e
pouco ligando para o que virá. Somente agora. Indo longe,
deixando a mão percorrer caminhos em você, jurando junto, ao
mesmo tempo, que vai ser bom para sempre. Ainda acredito
nisso.
Amores. Amores sem dores. A voz do outro, o olhar que fica,
a promessa que invade, o momento feliz que se repete, a boca
quente que pede você inteira com ele. Em horas em que
andamos com o coração na mão, paramos, deitamos na cama,
gemendo, sendo, sem medo, a luz que invade o outro e faz
bem. Ainda acredito nisso.
Amores. Desses casos raros que não acontecem sempre. Amor a
dois, em nós, amor melhor, amor maior. Em dias de lua linda
no céu. Em horas que você não quer que acabem. Na
consciência, no inconsciente, sempre. Pela pele, pelo poro,
pelo acerto, pelo certo. Amor por todos os lados. Sem
pressa, sem medo, sem mentira, sem jogo, sem ida, sem
partida, sem mágoa, sem fim. Ainda acredito nisso.
Por favor não me pergunte nada. Não quero dizer, porque não
sei. Por favor, não me venha com questionamentos, eu só
quero seguir. Não vale pedir coerência, quando as incertezas
causam medo. Mesmo assim, existe fé no amor, no amor que faz
viver e seguir. No amor que jamais fará de mim uma
solitária. O resto dane-se! Ainda acredito nisso...
Sonhos,
palavras, eu...
Alguém diz que sonha comigo. Um alguém que foi, ou nunca
foi, mas também agora não é. Deixa tudo como está. Confesso.
Preciso mesmo do meu coração vazio, quero me amar por um
tempo só. Chega de gente dentro dos meus batimentos, comendo
e dormindo custeados pelos meus neurônios. Chega! Tô cheia
de dar lugar para pessoas, antes de mim. Porque eu que
importo, acabava esquecida. Eu mesma dentro de mim tinha que
escutar que esperasse. Minha filha, você dorme depois. É a
vez dele. Filhinha, seja educada, a vaga do coração,
queridinha, é dele, tá? Não fica chateada. É que...sabe como
é....você, a gente já conhece, figura fácil dentro do lugar.
O negócio é valorizar quem é de fora. Eu bem que tentava
dizer que merecia tratamento mais cordial, porque ele, meu
interior, era eu mesma. Não adianta. Quando eu decidia que
outro alguém merecia mais atenção do que eu, era engolir e
seguir. Acho que engoli bastante e segui o suficiente para
adorar as mudanças atuais. Ninguém dentro de mim. O espaço
do meu coração inteiro meu. Eu me conhecendo, correndo pelo
coração. Um espaço enorme, com eco por onde quer que eu
ande. Eu me sentindo dentro do meu coração mais do que
nunca. Eu, eu, eu...e não vou pedir desculpa nenhuma por
esse ataque de umbigo, de eu, de olho em mim mesma. Eu, eu,
eu e dane-se! Desculpa, mas não vou pedir desculpa.
Meu amigo invade minha vida, reclamando que falo muito de
mim para todo mundo. Cala a boca! Calo? Ué, mas falo mesmo e
daí? Ué, pessoas têm defeito. Não foi assim o combinado? A
gente viria imperfeito, quebraria a cara para aprender que a
vida seria ensinamento e não apenas sucesso. Meu amigo,
claro, me aconselha: "Você fala de você e isso incomoda os
outros. Não reparou que passa a ser alvo? Não nota que atrai
olhares? Não acha que deve ser mais reservada, Tammy
Luciano?" Penso em dizer que alguém chamada Tammy Luciano
não pode ser reservada. Me calo. Concordo com ele. Falo
demais mesmo. Pode acreditar, amigo, existe um verdadeiro
exército de pessoas de olho nesse Blog para que eu não fale
além da conta. Quando isso acontece, isso acontece bastante,
escuto desse exército que a internet é um mundo aberto, eu
preciso cuidar de mim, guardar mais minha vida. Não fale
demais! O problema é que eu sou o que escrevo e o que
escrevo está em mim, na pele, no corpo, nos detalhes da
minha criação e na beira da estrada do meu caminho. Sou
escritora que atua. Mulher que escreve. Pessoa que encena.
Artista que ama. Atriz que vive. Mulher que segue.
Tento falar dos outros. Tento colocar no papel o que alguém
me conta. Tento seguir a idéia de um amigo. Pare de falar de
si! Fale dos outros! Tento. Não sei escrever do mundo que
vejo. Só sei falar do mundo que sou. Madrugada fria, andando
pela rua, passos no chão, silêncio. Eu. Não sei contar do
que pode ser, só sei escrever minhas letras, minhas frases
que nascem da minha dor e do meu sorriso. Só sei ser assim.
E se alguém souber me ensinar como ser diferente, quero
aprender. Quem abre seu mundo, se arrisca. Meu mundo foi
sempre um precipício de chances e um mergulho no ar de
viver.
No
chão...frio.
Abri os olhos, senti meu rosto colado no chão frio. Demorei
a entender onde estava. Não sei quanto tempo fiquei ali. O
sangue quente, a perna doendo e eu torcendo para aparecer
alguém e me dizer o que havia acontecido e, principalmente,
onde eu estava. Eu não tinha a menor idéia. Senti o gosto do
sangue na boca, o sangue escorrendo pelo rosto. Levantei,
segurando nas paredes, percebi estar no meu banheiro. De pé,
frente a frente no espelho, me desesperei. Eu era uma grande
mancha de sangue. Sem saber o que havia acontecido, como,
onde e porquê. Alguns minutos de pensamento disforme. Ou
seriam segundos?
Tentei voltar o tempo, refazer a cena. Pouco lembrava. Fui
andando pela casa, aquele misto de abandono e urgência. Meu
pai escutou minha voz assustada e veio me ajudar, sem saber
o que havia acontecido. Ao me olhar, ficou nervoso e fingiu
calma. Eu não sabia dizer muito. Minha mãe perguntava junto,
tensa em descobrir o que acontecera. O olhar dos dois me fez
ficar mais nervosa. Comecei a chorar. De repente, um flash
do possível incidente foi refeito. Me vi entrando no
banheiro, dando um passo, uma macha escura na minha frente,
um susto e um desmaio. Isso. Eu, simplesmente, desmaiei sem
muitas explicações.
Agora, dois dias depois do incidente, o corpo aparece com
manchas roxas na perna, o nariz dói e a boca está tentando
melhorar, porque a pobre coitada foi a mais atingida e
parece ter segurado todo o peso do corpo. Antes que pensem
na possibilidade de ter levado um soco na boca, eu explico
que me dei um soco no chão, ou o chão me deu um soco na
boca. Quem me viu ficou meio assustado, mas já estou melhor,
caso você queira saber. Muito do susto foi o sangue. Para os
curiosos, o motivo da queda foi pressão baixa, no pé. A
pressão quis me fazer entender como ela se sentia e me
derrubou onde estava, lá embaixo.
No mais, a vida me ensinou a agradecer, mesmo quando nada
parece fácil. Agradeci por não ter quebrado um dente, nem
batido com a cabeça. Aprendi que mesmo quando tudo parece
pior, a gente deve agradecer. Afinal, podia ser pior do que
o pior. Agradecer é confiar que o melhor virá. E virá.
2004
27
de dezembro de 2004, segunda.
Na agenda nova...em páginas que ainda serão escritas...
Agora é reta final mesmo. Vários sentimentos misturados. Um
pouco de mim querendo mergulhar em 2005, vendo o sol
brilhando na frente e desejando que tudo de bom aconteça com
todo mundo. Um outro pouco de mim fica orgulhosa por tudo
que conseguiu superar em 2004. Esse ano durou vários anos
juntos.
Fico em silêncio...
Volto a olhar para 2004 e ele me olha emocionado, despedidas
são assim, é hora de virar mais uma página. Esse ano, muito
aconteceu e eu jamais imaginei a loucura que eu viveria. Ano
passado, 2003, tudo era tão diferente. Quanto do meu mundo
de ontem ficou em ontem e quanto de um mundo novo apareceu
para mim? Isso não aconteceu só comigo, muita gente que eu
conheço viveu grandes mudanças esse ano.
Não existe regra, nem razão certa. Cada um faz sua escolha e
acerta no alvo escolhido. Nossas opções podem mudar, mas
cada sim ativo dito por aí faz transformar nossos
dias. Quando a vida me disse: "Hora de mudança", eu
saí pelo mundo dançando. Passei vários meses saindo para
dançar sozinha, muitos achavam que eu estava ficando louca,
mas eu queria me zerar por dentro, queria me conhecer um
pouco mais. Afinal, é sempre no caos que somos apresentados
para nós mesmos.
Agora, vendo 2004 correr nos meus olhos, a agenda de 2005 me
olhando, pronta para ser escrita e anotada, penso que quis
apenas a felicidade. A doce e nobre felicidade. Tentei ao
máximo ser feliz nas coisas pequenas, que eu antes deixaria
passar, e nos momentos mais especiais, em que a felicidade
parece precisar ser óbvia. Tenho muitos sonhos ainda para
serem realizados e sinto que, pelo menos nessa vida, eu
preciso lutar para fazer acontecer. Por isso, estou aqui
planejando continuar minha batalha. Batalha de ser feliz
hoje, agora e sempre.
Últimos dias do ano. Vamos viver na paz que é sempre melhor.
Vamos correr na frente dos sonhos para eles caírem certinho
no nosso colo!
24
de dezembro de 2004, sexta.
Eu agora também não tenho mais dúvidas!
Desde criança, incansavelmente, escuto meus pais dizerem que
Papai Noel existe. Nos primeiros anos de vida, acreditei sem
maiores questionamentos. Conseguia ver perfeitamente a
chegada do bom velhinho e no dia seguinte, ao encontrar os
presentes colocados na árvore, confirmava a teoria familiar:
Papai Noel existe!
Com o passar dos anos, eu parecia não escutar os mais
velhos. Mesmo assim, meu pai, entendendo que a fase
adolescente um dia acabaria, repetia: "Eu não tenho dúvida
que Papai Noel existe". Nesse período juvenil, além de
perguntar sobre a possível existência do bom velhinho, eu
também questionava Deus, anjos, o mundo e o poder das
energias. Natalinamente, eu continuava recebendo meus
presentes. Já sabia que os pedidos não vinham do Pólo Norte
e sim do shopping mais próximo. Definitivamente, Papai Noel
acabou se tornando apenas um símbolo comercial que eu curtia
brincando de viver o Natal.
Com o tempo, voltei a escutar esse cara abençoado, que serve
de exemplo todos os dias, chamado meu pai. Não só suas
teorias natalinas, mas todos os conselhos bons para eu ser
sempre alguém de bem. Era época de Natal e lá estava meu
paizão repetindo pela casa: ""Eu não tenho dúvida que Papai
Noel existe".
Hoje, olhando minha cidade carioca, todas as luzes lindas
que brilham nessa época, tive as mesmas certezas paternas.
Dei de cara com notícias generosas de gente querida
presenteando pessoas necessitadas que o governo esquece o
ano todo. Vi o sorriso do menino no Jornal Nacional, dizendo
estar feliz com o passeio de helicóptero tão desejado.
Aquela voz no diminutivo dizendo "Tudo isso porque eu
escrevi minha cartinha" me fez repetir a frase que meu pai
sempre disse: "Eu não tenho dúvida que Papai Noel existe".
Papai Noel é um espírito de paz, de coisas bacanas, de um
momento sem briga, de uma trégua nas maldades, um foco no
olhar do bom velhinho, no sorriso da criançada que anda pelo
shopping vendo a magia natalina, enquanto os adultos cismam
em buscar ofertas. Papai Noel é aquele abraço forte que a
gente dá no outro quando é noite natalina. Papai Noel é
poder ter ao meu lado meu pai, minha mãe, minha irmã e todas
as pessoas que eu adoro imensamente. Papai Noel é a emoção
do encontro, do amor, do céu lindo que nos faz lembrar que
esse planeta não pode ser só realidade, tem que ter também
um pouco de magia, do pó mágico da fé nas coisas que nos faz
apenas sorrir. Eu também não tenho dúvida que Papai Noel
existe!
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