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Textos meus de agenda...
2004 e 2005!!!
05 de março de 2005, sábado. Eu vou criar você para você me amar, porque eu me amo...
Eu tenho orgulho de viver no mundo real, com pessoas que, realmente, existem. Essa coisa de internet anda fazendo muita gente viajar e criar pessoas. Fico pasma. E é uma história atrás da outra. Gente que mente o próprio jeito de ser para conquistar pessoas, gente que inventa gente que gosta da pessoa para se sentir melhor e passar para os outros uma idéia de ser a mais querida do pedaço. Abro a boca com essas coisas que me contam ou eu descubro. É de cair no chão você descobrir que alguém criou uma outra pessoa, com nome, vida própria, estado civil, cidade para bajulá-la e dizer que a pessoa é o máximo. Tenho orgulho de dizer que todo mundo que visita meu site, me escreve e deixa recado aqui existe de verdade. Por isso, alguns dias apenas cinco comentam. Podiam ser 100, caso eu tivesse saco de me bajular 95 vezes. Tá louco, meu! Como diria meu amigo João, de Sampa. Quando a Amandita resolveu fazer o "Nós amamos Tammy Luciano" no Orkut só fiquei sabendo quando estava pronto. Imagina se eu ia criar alguém que não existe para dizer que a Tammy é o máximo, linda, isso e aquilo o outro.
Conversando com uma pessoa que conhece uma dessas histórias de mentira em internet, ele disse que a pessoa foi sempre assim. Acompanhou de perto, quando existia proximidade entre os dois, a pessoa criando personagens para seu bem estar, e-mails falsos para atacar alguém e seres inexistentes para proveito próprio: "Criar pessoas para ela é a coisa mais normal do mundo. Isso ela sempre fez. Fez isso várias vezes". Ele me explicou que isso era feito por ciúme, para se aproximar de alguém que ela queria ofender...xingar alguém com nome falso era mais fácil para ela.
Não é difícil descobrir a verdade em internet. Junte os caquinhos, as falas, as escritas, pensamentos e você chega na verdade. Pode ter certeza. Gente que não coloca foto, com desculpa esfarrapada como "não gostar de se expôr" e, coincidentemente, ataca alguém, odiando tudo que puder da outra pessoa, para ofender, pode estar sendo na verdade quem não tem coragem de assumir seus sentimentos. Eu fiquei um tempo de boca aberta pensando como estará essa pessoa no futuro, sabendo que mentiu achando que assim a felicidade ia ser dela. A felicidade pode ser de todo mundo.
O ser humano tem uma mente fértil e acaba mentindo e enganando achando que vai se dar bem e lucrar com isso, mas mentira é uma coisa que sempre aparece. Fora ser muito feio, né? Eu fiquei sabendo de pessoas que escreveram para a Rede TV! me elogiando. Eu jamais faria isso. Todo mundo que mandou mensagem para a emissora fez porque quis. Acredito piamente que não há mentira que não encontre a verdade. Eu lamento pelas pessoas que os mentirosos conquistam fazendo isso, porque não acho certo alguém agir assim. Na minha vida, sempre joguei com a real das coisas e todo mundo que vem aqui e comenta, existe, é real de verdade.
02
de março de 2005, quarta.
O mundo do menino ...
Hoje conversei com uma pessoa querida demais. Ela acabou falando de um homem que se arrependeu muito de atos que cometeu, de atitudes completamente impensadas que mudaram para sempre o rumo da vida. Porque depois das escolhas feitas, o mundo mudou e o que era antes simplesmente não volta. Acho que a grande diferença entre a infância e a vida adulta é essa. Quando a gente é criança o mundo é nosso, o nosso mundo pode mudar e voltar para o mesmo lugar quando a gente quer. Em dois minutos, as brigas entre crianças acabam, as maiores mágoas são terminadas com um "deculpa", falado com biquinho e tudo. Mais velhos, as coisas não são assim. A gente tem que aprender que tudo que a gente faz tem um resultado e as desculpas podem amenizar, mas muitas vezes fazem mudar um destino inteiro.
Eu senti pena daquele homem, que, claro, não passa de um menino ou para ser mais exata, um moleque. Pena dele ser tão bobo e não saber o quanto vale um relacionamento de fidelidade e verdade. O quanto é maravilhoso você ter alguém de verdade do seu lado, alguém para dizer que quer ter você para a vida toda, alguém para ser um só do seu lado. Infelizmente, algumas pessoas são assim, jamais terão uma grande história de amor, jamais viverão um sentimento verdadeiro. E isso é fazer pensar. Você acha que o cara mudou o mundo, fez girar a vida inteira para viver um grande amor. Só que a verdade não é nada disso. Grandes amores não traem, não são mentirosos e não arrumam desculpa para desejar outros.
De certa forma, quem tem alguém de bem ao lado tem que agradecer. Hoje em dia, mais do que nunca, penso eu, é difícil você encontrar alguém que queira uma história de verdade, dividir o dia a dia. O que muitos querem é sexo, noites e mentiras. Aí fica um aqui, traindo como pode. O outro ali, traindo como acha que deve ser. Se você tem alguém legal do seu lado, que faz você feliz, pense antes de qualquer decisão carnal, porque o mundo é alma e não desejo. E desejos vão e vem e deixam você sozinho nos finais de semana.
Fiquei com pena, mas a escolha foi dele e como não tenho nada com isso, saio de fininho, deixo a mensagem para você e vou...
Acho que é mais ou menos assim...
Eu sou um ser curioso. Sim, eu deveria ser entrevistada para essas estatísticas engavetadas durante cem anos e que um dia assustam os seres do futuro. Tudo isso porque eu sou um ser curiosamente guerreiro e não assimilo muito as coisas ruins que acontecem ou me dizem. Não vivo da dor, vivo do amor. Frase rimada, mas verdadeira. Sei lá, vou seguindo e sendo feliz. Isso me ajudou a conquistar meu lugarzinho mais perto do sol, já que eu, simplesmente, apaguei as vezes que alguém me disse que eu não chegaria a lugar nenhum, que eu não levava jeito, que eu não tinha olhos claros etc...eu escutei de tudo, senhores. Segui, sempre esquecendo o que me era dito de ruim. Ou você acha que eu desisti só porque minha mãe esqueceu de colocar em mim a sementinha daqueles olhos claros, lindos, que Deus deu para ela? Nada disso. Assumi meus olhos escuros, descobri que posso sorrir e fui.
Outro dia, encontrei de frente uma pessoa que não esperava nada de mim, simplesmente, não me curtia, queria me ver pelas costas, como dizem por aí, e fez de tudo para me detonar no trabalho que tínhamos em comum. Eu de microfone da Rede TV! na mão, não quero usar meu trabalho para provar nada para ninguém, mas senti a surpresa da pessoa, o olhar reflexivo dentro de si, as perguntas, milhares, indo e vindo pelos neurônios que se perguntavam como eu estava ali no meu trampo de repórter. Consegui com trabalho, pessoa! MUITO trabalho. Foi como eu disse aqui, no blog do dia 14: E antes foi o quê, meu Deus? Não valeu? No pouco tempo de cara na TV, a gente confirma a força da televisão. É como se tudo que eu tivesse feito antes - teatro, livro, escrita, batalha - fosse bacana, mas ainda não fosse sendo, entende? E só agora está valendo. Eu não vou usar meu trabalho para tirar onda com ninguém. Eu quero é ser minha vida e minhas conquistas. Não me preocupo em provar nada, em mostrar sucesso para fulaninho se sentir incomodado. Tô feliz e tchau para quem quiser meu tchau.
Eu acho, aliás, tenho certeza, suas conquistas estão diretamente ligadas ao quanto você acredita nelas. Olho para os famosos que entrevisto e eles são iguais a todo mundo. Posso ver o sonho inicial dentro de cada um, o dia em que começaram a acreditar naquilo que queriam, independente do caminho escolhido, sem duvidar de si mesmo ou colocar areiazinha. Porque a gente mesmo critica e impede nossos sonhos. Eu já fui censura e ditadura dentro de mim. Depois, o tempo vai passando e você vai percebendo que o negócio é seguir, mesmo quando você não agrada todo mundo.
Portanto, dedique-se a você, esquecendo se o mundo está sendo bom ou ruim. Plante, entenda que colher é depois, e seja feliz antes, durante...sempre! E se você provar que era mais do que alguém imaginava, isso é o de menos.
Pode ser que eu pense assim ou pode ser que eu queira apenas cutucar você...
Sei que assusto as pessoas. Sempre foi assim. Nunca fui de meio termo, vou fundo nas coisas. Isso, claro, cria aquele universo do ame ou odeie. Nunca fiquei sabendo de ninguém que dissesse que sou dessas "tanto faz, não fede, não cheira, indiferente..." Ao contrário, fui sempre um vulcão, uma bomba nuclear que por onde passa causa estrago ou traz soluções. A Tammy todo mundo sabe quem é, todo mundo acha que conhece, acha que sabe de mim e assim me amam, me odeiam da maneira que estão me vendo. Penso que não sou nada disso que acham de mim. Concluo que vivo aprendendo coisas e todos os dias sou alguém novo, um ser que a vida anda do lado, mostrando o caminho. Quem me conheceu anos atrás acha que sabe de mim? Eu mudei. Quem era íntimo meu há um mês atrás também já não sabe de mim. Esse mês de fevereiro, talvez, tenha sido fundamental na minha estrutura de pensamentos.
E alguns dias eu gostaria de ser alguém mais simples, menos pensante. Se é que no mundo existem seres menos pensantes. Sei que existem seres mais frios, menos emocionais do que eu, mas pensantes todos somos, não é mesmo?
Atualmente, assusto as pessoas quando digo que não acredito em mais ninguém, em mais nada. Vejo os olhos arregalados na minha direção, a decepção de quem escuta um absurdo. Alguns dizem que sou jovem, isso é momento, vai passar etc etc etc. Não penso mais em futuro e por isso mesmo não quero saber o que estarei pensando amanhã. Se vou mudar de idéia? Não me interessa saber. Hoje, o que interessa é minha carreira, minha saúde, minha vida, meus textos. Alguém nisso tudo? Só eu. Vai ser difícil querer algo além do meu umbigo. É aqui mesmo o assunto, é na piscina da minha barriga que eu quero nadar.
E quando alguém tenta conversar sobre amor, sobre estar, sobre seguir, acho graça, porque a pessoa diz e eu não acredito em nada. A visão que tenho hoje é que pessoas só se apaixonam se o outro for bem de vida. Os homens só querem as mulheres gostosas. As mulheres só querem homens quando eles têm carro. Eu não quero mais isso para mim, vou viver para um, eu. E a história de dois não faz mais sentido na minha cabeça. Você vai dizer que enlouqueci, não posso ser radical, não posso generalizar. Não estou generalizando, pelo contrário, estou me tirando do geral, estou saindo disso.
Você vai me perguntar: e o poder do amor, Tammy Luciano? Ah, o poder do amor! Lindo, lindo, lindo...quando ele existe. Amor cura dor, mata vícios, salva almas. Sei disso e concordo plenamente. Outro dia mesmo, escrevi aqui que ainda acredito nisso, no amor sincero. Sou contraditória sem a menor vergonha. O problema é que duvido que a beleza do amor verdadeiro esteja por aí dando sopa nos dias e nas noites do mundo. Eu não tenho mais espaço para dedicar dias da minha vida, não quero mais gastar minha voz, meu carinho, não posso mais apostar, não agüento mais esperar, não vou mais desejar, não quero e não vou. Se isso vai mudar em mim? Pode ser. Semana que vem posso dizer que voltei ao amor...ou posso ficar mais cinqüenta anos acreditando só em mim. A única coisa que não quero é sofrer.
O mais triste da vida é o amor morrer abandonado. Não quero mais isso para mim...
Não sei mais nada. Quem somos nós?
Posso confessar uma coisa? Não sei mais o que pensar das pessoas. Sempre soube que o mundo material havia nos devorado, muitos de nós andavam vivendo em busca só do ter. Só que aos poucos fui descobrindo não ser somente o lado do concreto que nos afeta. Existe algo mais, sentimentos que envolvem verdade, porque mesmo que a pessoa possa ser sincera, ela prefere não ser...o Blog de hoje deve sair picotado, porque é assim que minha mente está.
Essa conversa não tem a ver com a minha vida pessoal e não estou aqui para falar de ninguém próximo. Pelo contrário, acabei sendo coadjuvante de uma história distante de mim, acabei presenciando um fato e fiquei fazendo perguntas, tentando entender os motivos e, confesso, nem sei o que concluir.
Sabe quando você está no lugar errado, na hora errada? Foi mais ou menos isso. Eu saí de uma gravação e resolvi comer com a equipe. Acabei encontrei uma pessoa, conhecida, mas ele estava em uma situação que, com certeza, não queria ser visto por ninguém. Eu demorei a entender a cena, até porque não somos amigos, apenas conhecidos. Ele fez questão de vir falar, pálido, conversamos por alguns minutos. Me fiz de idiota. Quem estava com ele não sabia quem era eu. Quando descobriu, entendeu o tamanho do problema e passou a repetir sílabas como ele. Não sei o que fazer, porque no meio disso tudo tem uma pessoa que eu adoro, mas odeio fofoca.
Não tenho certeza da cena e só de imaginar o tamanho da traição, sinto um arrepio na espinha, na alma. Me pergunto se ainda existem pessoas por aí acreditando no mesmo que eu. Porque eu penso na vida a dois, em uma relação verdadeira de deitar a cabeça no peito do outro e ser feliz até o amanhecer. Quero escutar a melodia mais bonita do mundo ao lado de alguém e esperar o sol surgir para iluminar nossos dias. Parece que o mundo não quer mais gente assim. Todos decidiram beijar quantas bocas forem possíveis, sem ir fundo no encontro, sem ser parceiro de caminhada. Mulheres dormem com homens que mal conhecem. Homens seduzem sem interesse, só para aumentar uma contagem mental. Ninguém mais tem plano com ninguém e quando você tenta planejar, a pessoa se assusta. Infelizmente, o mundo lá fora seduz e chama, mas ele é ilusão. Quem está lá fora diz: se eu posso ter todas, por que vou ficar só com essa? Cada dia menos acredito no ser humano, na verdade dos sentimentos. Você pode dizer que isso é passageiro, Deus escute você, porque no momento não quero acreditar em mais nada, nem em ninguém. Os dias só me provam o quanto os corações andam cérebros e quanto os cérebros andam superficiais. As mentiras viraram verdades.
Quer saber? Estou pensando em virar freira...deve ser mais fácil viver na clausura...
Devem, devem, devem...
(Esse texto foi escrito, ironicamente, ao som do cd Bloco do Eu Sozinho, do grupo Los Hermanos)
Carnaval. Os blocos devem estar na rua. A Bahia deve estar fervendo. As Escolas de Samba devem estar entrando na avenida. Meus amigos devem estar curtindo o carnaval em outras cidades. O samba deve estar contagiando. A fantasia deve estar linda. Os beijos devem estar sendo sem muito compromisso. Os olhares devem estar iluminados. Eles devem beber até cair. As bebidas devem estar alcoólicas. Os trios elétricos devem estar animando a multidão. Os camarotes devem estar com as mesmas pessoas importantes de sempre. Os policiais devem estar tendo trabalho em dobro. Ninguém deve estar muito preocupado com problemas. A família deve estar reunida no churrasco. Ela deve estar feliz nesse carnaval. O rapaz deve estar querendo ficar com todas. As estradas devem estar com tráfego intenso. As luzes devem estar coloridas. A menina deve estar sorrindo para o desconhecido. A delegacia deve ter os mesmos problemas dos carnavais anteriores. Copacabana deve estar cheia de turistas. Muita gente deve estar ganhando dinheiro nesse carnaval. Muito pé deve estar doendo. Os convites para a bagunça devem estar correndo por aí. Os refrigerantes devem estar matando muita sede. Pessoas devem estar exorcizando as dores da vida pulando sem parar. A galera da farra deve estar feliz. Alguém deve estar lendo esse texto...meu próximo carnaval deve ser melhor que esse...ou não...afinal, o carnaval ainda não acabou...
Ainda acredito...
(Sentada na escadaria do casarão da Casa dos Artistas escrevi, olhando o lindo céu e lembrando da doce voz da cantora Norah Jones)
Amores. Amores de todas as cores, formatos, inícios, lindos momentos, intensos, de beijos em que perdemos o tempo e o chão. Em batidas de coração, seguindo sem saber do amanhã e pouco ligando para o que virá. Somente agora. Indo longe, deixando a mão percorrer caminhos em você, jurando junto, ao mesmo tempo, que vai ser bom para sempre. Ainda acredito nisso.
Amores. Amores sem dores. A voz do outro, o olhar que fica, a promessa que invade, o momento feliz que se repete, a boca quente que pede você inteira com ele. Em horas em que andamos com o coração na mão, paramos, deitamos na cama, gemendo, sendo, sem medo, a luz que invade o outro e faz bem. Ainda acredito nisso.
Amores. Desses casos raros que não acontecem sempre. Amor a dois, em nós, amor melhor, amor maior. Em dias de lua linda no céu. Em horas que você não quer que acabem. Na consciência, no inconsciente, sempre. Pela pele, pelo poro, pelo acerto, pelo certo. Amor por todos os lados. Sem pressa, sem medo, sem mentira, sem jogo, sem ida, sem partida, sem mágoa, sem fim. Ainda acredito nisso.
Por favor não me pergunte nada. Não quero dizer, porque não sei. Por favor, não me venha com questionamentos, eu só quero seguir. Não vale pedir coerência, quando as incertezas causam medo. Mesmo assim, existe fé no amor, no amor que faz viver e seguir. No amor que jamais fará de mim uma solitária. O resto dane-se! Ainda acredito nisso...
Sonhos, palavras, eu...
Alguém diz que sonha comigo. Um alguém que foi, ou nunca foi, mas também agora não é. Deixa tudo como está. Confesso. Preciso mesmo do meu coração vazio, quero me amar por um tempo só. Chega de gente dentro dos meus batimentos, comendo e dormindo custeados pelos meus neurônios. Chega! Tô cheia de dar lugar para pessoas, antes de mim. Porque eu que importo, acabava esquecida. Eu mesma dentro de mim tinha que escutar que esperasse. Minha filha, você dorme depois. É a vez dele. Filhinha, seja educada, a vaga do coração, queridinha, é dele, tá? Não fica chateada. É que...sabe como é....você, a gente já conhece, figura fácil dentro do lugar. O negócio é valorizar quem é de fora. Eu bem que tentava dizer que merecia tratamento mais cordial, porque ele, meu interior, era eu mesma. Não adianta. Quando eu decidia que outro alguém merecia mais atenção do que eu, era engolir e seguir. Acho que engoli bastante e segui o suficiente para adorar as mudanças atuais. Ninguém dentro de mim. O espaço do meu coração inteiro meu. Eu me conhecendo, correndo pelo coração. Um espaço enorme, com eco por onde quer que eu ande. Eu me sentindo dentro do meu coração mais do que nunca. Eu, eu, eu...e não vou pedir desculpa nenhuma por esse ataque de umbigo, de eu, de olho em mim mesma. Eu, eu, eu e dane-se! Desculpa, mas não vou pedir desculpa.
Meu amigo invade minha vida, reclamando que falo muito de mim para todo mundo. Cala a boca! Calo? Ué, mas falo mesmo e daí? Ué, pessoas têm defeito. Não foi assim o combinado? A gente viria imperfeito, quebraria a cara para aprender que a vida seria ensinamento e não apenas sucesso. Meu amigo, claro, me aconselha: "Você fala de você e isso incomoda os outros. Não reparou que passa a ser alvo? Não nota que atrai olhares? Não acha que deve ser mais reservada, Tammy Luciano?" Penso em dizer que alguém chamada Tammy Luciano não pode ser reservada. Me calo. Concordo com ele. Falo demais mesmo. Pode acreditar, amigo, existe um verdadeiro exército de pessoas de olho nesse Blog para que eu não fale além da conta. Quando isso acontece, isso acontece bastante, escuto desse exército que a internet é um mundo aberto, eu preciso cuidar de mim, guardar mais minha vida. Não fale demais! O problema é que eu sou o que escrevo e o que escrevo está em mim, na pele, no corpo, nos detalhes da minha criação e na beira da estrada do meu caminho. Sou escritora que atua. Mulher que escreve. Pessoa que encena. Artista que ama. Atriz que vive. Mulher que segue.
Tento falar dos outros. Tento colocar no papel o que alguém me conta. Tento seguir a idéia de um amigo. Pare de falar de si! Fale dos outros! Tento. Não sei escrever do mundo que vejo. Só sei falar do mundo que sou. Madrugada fria, andando pela rua, passos no chão, silêncio. Eu. Não sei contar do que pode ser, só sei escrever minhas letras, minhas frases que nascem da minha dor e do meu sorriso. Só sei ser assim. E se alguém souber me ensinar como ser diferente, quero aprender. Quem abre seu mundo, se arrisca. Meu mundo foi sempre um precipício de chances e um mergulho no ar de viver.
No chão...frio.
Abri os olhos, senti meu rosto colado no chão frio. Demorei a entender onde estava. Não sei quanto tempo fiquei ali. O sangue quente, a perna doendo e eu torcendo para aparecer alguém e me dizer o que havia acontecido e, principalmente, onde eu estava. Eu não tinha a menor idéia. Senti o gosto do sangue na boca, o sangue escorrendo pelo rosto. Levantei, segurando nas paredes, percebi estar no meu banheiro. De pé, frente a frente no espelho, me desesperei. Eu era uma grande mancha de sangue. Sem saber o que havia acontecido, como, onde e porquê. Alguns minutos de pensamento disforme. Ou seriam segundos?
Tentei voltar o tempo, refazer a cena. Pouco lembrava. Fui andando pela casa, aquele misto de abandono e urgência. Meu pai escutou minha voz assustada e veio me ajudar, sem saber o que havia acontecido. Ao me olhar, ficou nervoso e fingiu calma. Eu não sabia dizer muito. Minha mãe perguntava junto, tensa em descobrir o que acontecera. O olhar dos dois me fez ficar mais nervosa. Comecei a chorar. De repente, um flash do possível incidente foi refeito. Me vi entrando no banheiro, dando um passo, uma macha escura na minha frente, um susto e um desmaio. Isso. Eu, simplesmente, desmaiei sem muitas explicações.
Agora, dois dias depois do incidente, o corpo aparece com manchas roxas na perna, o nariz dói e a boca está tentando melhorar, porque a pobre coitada foi a mais atingida e parece ter segurado todo o peso do corpo. Antes que pensem na possibilidade de ter levado um soco na boca, eu explico que me dei um soco no chão, ou o chão me deu um soco na boca. Quem me viu ficou meio assustado, mas já estou melhor, caso você queira saber. Muito do susto foi o sangue. Para os curiosos, o motivo da queda foi pressão baixa, no pé. A pressão quis me fazer entender como ela se sentia e me derrubou onde estava, lá embaixo.
No mais, a vida me ensinou a agradecer, mesmo quando nada parece fácil. Agradeci por não ter quebrado um dente, nem batido com a cabeça. Aprendi que mesmo quando tudo parece pior, a gente deve agradecer. Afinal, podia ser pior do que o pior. Agradecer é confiar que o melhor virá. E virá.
2004
27 de dezembro de 2004, segunda.
Na agenda nova...em páginas que ainda serão escritas...
Agora é reta final mesmo. Vários sentimentos misturados. Um pouco de mim querendo mergulhar em 2005, vendo o sol brilhando na frente e desejando que tudo de bom aconteça com todo mundo. Um outro pouco de mim fica orgulhosa por tudo que conseguiu superar em 2004. Esse ano durou vários anos juntos.
Fico em silêncio...
Volto a olhar para 2004 e ele me olha emocionado, despedidas são assim, é hora de virar mais uma página. Esse ano, muito aconteceu e eu jamais imaginei a loucura que eu viveria. Ano passado, 2003, tudo era tão diferente. Quanto do meu mundo de ontem ficou em ontem e quanto de um mundo novo apareceu para mim? Isso não aconteceu só comigo, muita gente que eu conheço viveu grandes mudanças esse ano.
Não existe regra, nem razão certa. Cada um faz sua escolha e acerta no alvo escolhido. Nossas opções podem mudar, mas cada sim ativo dito por aí faz transformar nossos dias. Quando a vida me disse: "Hora de mudança", eu saí pelo mundo dançando. Passei vários meses saindo para dançar sozinha, muitos achavam que eu estava ficando louca, mas eu queria me zerar por dentro, queria me conhecer um pouco mais. Afinal, é sempre no caos que somos apresentados para nós mesmos.
Agora, vendo 2004 correr nos meus olhos, a agenda de 2005 me olhando, pronta para ser escrita e anotada, penso que quis apenas a felicidade. A doce e nobre felicidade. Tentei ao máximo ser feliz nas coisas pequenas, que eu antes deixaria passar, e nos momentos mais especiais, em que a felicidade parece precisar ser óbvia. Tenho muitos sonhos ainda para serem realizados e sinto que, pelo menos nessa vida, eu preciso lutar para fazer acontecer. Por isso, estou aqui planejando continuar minha batalha. Batalha de ser feliz hoje, agora e sempre.
Últimos dias do ano. Vamos viver na paz que é sempre melhor. Vamos correr na frente dos sonhos para eles caírem certinho no nosso colo!
24 de dezembro de 2004, sexta.
Eu agora também não tenho mais dúvidas!
Desde criança, incansavelmente, escuto meus pais dizerem que Papai Noel existe. Nos primeiros anos de vida, acreditei sem maiores questionamentos. Conseguia ver perfeitamente a chegada do bom velhinho e no dia seguinte, ao encontrar os presentes colocados na árvore, confirmava a teoria familiar: Papai Noel existe!
Com o passar dos anos, eu parecia não escutar os mais velhos. Mesmo assim, meu pai, entendendo que a fase adolescente um dia acabaria, repetia: "Eu não tenho dúvida que Papai Noel existe". Nesse período juvenil, além de perguntar sobre a possível existência do bom velhinho, eu também questionava Deus, anjos, o mundo e o poder das energias. Natalinamente, eu continuava recebendo meus presentes. Já sabia que os pedidos não vinham do Pólo Norte e sim do shopping mais próximo. Definitivamente, Papai Noel acabou se tornando apenas um símbolo comercial que eu curtia brincando de viver o Natal.
Com o tempo, voltei a escutar esse cara abençoado, que serve de exemplo todos os dias, chamado meu pai. Não só suas teorias natalinas, mas todos os conselhos bons para eu ser sempre alguém de bem. Era época de Natal e lá estava meu paizão repetindo pela casa: ""Eu não tenho dúvida que Papai Noel existe".
Hoje, olhando minha cidade carioca, todas as luzes lindas que brilham nessa época, tive as mesmas certezas paternas. Dei de cara com notícias generosas de gente querida presenteando pessoas necessitadas que o governo esquece o ano todo. Vi o sorriso do menino no Jornal Nacional, dizendo estar feliz com o passeio de helicóptero tão desejado. Aquela voz no diminutivo dizendo "Tudo isso porque eu escrevi minha cartinha" me fez repetir a frase que meu pai sempre disse: "Eu não tenho dúvida que Papai Noel existe".
Papai Noel é um espírito de paz, de coisas bacanas, de um momento sem briga, de uma trégua nas maldades, um foco no olhar do bom velhinho, no sorriso da criançada que anda pelo shopping vendo a magia natalina, enquanto os adultos cismam em buscar ofertas. Papai Noel é aquele abraço forte que a gente dá no outro quando é noite natalina. Papai Noel é poder ter ao meu lado meu pai, minha mãe, minha irmã e todas as pessoas que eu adoro imensamente. Papai Noel é a emoção do encontro, do amor, do céu lindo que nos faz lembrar que esse planeta não pode ser só realidade, tem que ter também um pouco de magia, do pó mágico da fé nas coisas que nos faz apenas sorrir. Eu também não tenho dúvida que Papai Noel existe!